VIDA E MINISTÉRIO DE ELLEN G. WHITE

Ellen G. White e sua relação como membro da IASD

Ellen White fez da aceitação de seu ministério profético um pré-requisito para alguém se unir à Igreja Adventista do Sétimo Dia?

Falando daqueles que “não se opunham” ao seu dom profético, mas que, por várias razões, ainda estavam indecisos quanto ao seu ministério, Ellen White escreveu:

“Essas pessoas não devem ser privadas dos benefícios e privilégios da igreja, se no demais sua conduta cristã é correta e têm um bom caráter cristão…

Alguns, foi-me mostrado, poderiam receber as visões publicadas, julgando a árvore pelos seus frutos. Outros são como o duvidoso Tomé; não podem crer nos Testemunhos publicados, nem receber evidências através do testemunho de outros, mas precisam ver e ter evidências por si mesmos. Estes não devem por isso ser postos de lado, mas deve ser exercida para com eles longa paciência e amor fraternal até que tomem posição e assumam opinião definida contra ou a favor. Se, porém, passarem a combater as visões, das quais não têm nenhum conhecimento; se levarem a sua oposição ao ponto de opor-se àquilo em que não têm nenhuma experiência, e se sentirem contrariados quando aqueles que crêem que essas visões são de Deus falarem delas nas reuniões, e se os confortarem com a instrução dada através delas, a igreja pode saber que eles não estão certos” – (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 328).

Parentes e familiares de Ellen G. White

Quantos filhos Ellen White teve?

Nasceram quatro meninos na família White. Henry Nichols (1847-1863) foi o seu primogênito. Ele morreu de pneumonia aos 16 anos. James Edson (1849-1928) se tornou um pastor adventista do sétimo dia e é mais lembrado por sua obra pioneira como evangelizador e educador entre os afro-americanos do sul dos Estados Unidos. William Clarence (1854-1937) também se tornou um pastor da Igreja Adventista. Após a morte de Tiago White, em 1881, William tornou-se o principal assistente editorial e gerente de publicações de sua mãe. John Herbert (1860) morreu com a idade de três meses, de erisipela.

Ellen White foi a única adventista do sétimo dia na sua família? E seus irmãos e irmãs?

Dos oito filhos do casal Harmon, dois se tornaram adventistas do sétimo dia ativos: Ellen e sua irmã mais velha Sarah, mãe do escritor de hinos F. E. Belden. Os pais de Ellen White morreram guardando o sábado e acreditando na mensagem do Advento, assim como o seu irmão Robert, que morreu pouco mais de dez anos antes de a igreja ser oficialmente organizada em 1863. Mary, seis anos mais velha que Ellen, considerava a si mesma como uma adventista do sétimo dia, embora não haja registro de sua ligação formal com a igreja.

Ellen White mantinha íntima ligação com suas outras três irmãs e seu irmão mais velho, John, correspondendo-se com eles, visitando-os, e mandando-lhes cópias de seus livros e assinaturas de periódicos adventistas. Uma vez ela escreveu sobre suas irmãs: “Embora realmente não concordássemos em todos os pontos a respeito de obrigação religiosa, nossos corações ainda eram um” (Review and Herald, 21 de abril de 1868).

Visões de Ellen G. White

Como eram as visões de Ellen White? Existe algum relato de testemunha ocular?

A obra de alguém que afirma dar como testemunho a mensagem de Deus deve satisfazer os requisitos dados pela Palavra de Deus, tais como, “pelos seus frutos os conhecereis”, “à lei e ao testemunho”, o cumprimento de predições etc. Embora os fenômenos físicos que algumas vezes acompanhavam as visões não sejam um teste em si, eles satisfazem, nas mentes da maioria das testemunhas oculares, a evidência da obra do poder divino. Aqueles que testemunharam pessoalmente Ellen White em visão observaram muito cuidadosamente o que ocorria. Dos relatos disponíveis podemos formar o seguinte resumo:

  1. Antes de uma visão, tanto a Sra. White quantos os que estavam no aposento sentiam uma profunda impressão da presença de Deus.
  2. Quando a visão começava, Ellen White exclamava: “Glória!” ou “Glória ao Senhor!”, repetidas vezes.
  3. Ela experimentava uma perda de força física.
  4. Subseqüentemente, ela muitas vezes manifestava força sobrenatural.
  5. Ela não respirava, mas seu batimento cardíaco continuava normal, e a cor em suas faces era natural.
  6. Ocasionalmente ela proferia exclamações indicativas da cena que lhe estava sendo apresentada.
  7. Seus olhos ficavam abertos, não com olhar distante, mas como se estivesse atentamente assistindo algo.
  8. Sua posição podia variar. Às vezes ela ficava sentada; às vezes reclinada; às vezes andava em volta do aposento e fazia gestos graciosos enquanto falava sobre os assuntos apresentados.
  9. Ela ficava absolutamente inconsciente do que estava ocorrendo ao seu redor. Não via, ouvia, sentia, nem percebia de modo algum o ambiente ou os acontecimentos que a cercavam.

10. O final da visão era indicado por uma profunda inspiração, seguida em aproximadamente um minuto por outra, e logo sua respiração natural recomeçava.

11. Imediatamente após a visão tudo parecia muito escuro para ela.

12. Dentro de pouco tempo ela recuperava sua força e habilidades naturais.

A “grande Bíblia”

A história de Ellen White segurando uma grande Bíblia é fato ou ficção?

No início de 1845, enquanto estava em uma visão na casa de seus pais em Portland, Maine, Ellen Harmon (mais tarde White), então com 17 anos, tomou a grande Bíblia da família e a segurou com seu braço esquerdo estendido por cerca de 20 a 30 minutos. A história foi documentada por J. N. Loughborough, que entrevistou as pessoas que testemunharam a visão, incluindo o pai, a mãe e a irmã de Ellen. A Bíblia (em exposição no White Estate) pesa 8 quilos e foi impressa por Joseph Teal em 1822. William C. White, o filho de Ellen White, também relatou ter ouvido o incidente de seus pais. Há outros relatos de Ellen White segurando grandes Bíblias enquanto em visão, incluindo o de uma testemunha ocular, impresso em Spiritual Gifts, vol. 2, p. 77-79.

Tais experiências não deveriam ser consideradas prova de inspiração divina, já que os profetas devem satisfazer aos testes apresentados nas Escrituras; mas esta experiência, assim como outros fenômenos físicos notáveis, eram vistos por muitos dos primeiros adventistas como evidência de que as visões de Ellen Harmon eram de origem sobrenatural.

Leitores superficiais de uma discussão de 1919 a respeito da “grande Bíblia” concluíram erradamente que o presidente da Associação Geral, A. G. Daniells, questionou a historicidade do incidente. Eles não compreenderam o ponto de vista de Daniells, que ele esclareceu quando lhe perguntaram se estava duvidando do milagre ou declarando que ele não usaria tais manifestações como uma “prova” de inspiração. Ele respondeu: “Não, eu não descreio nem duvido deles; mas eles não são o tipo de evidência que eu usaria com estudantes ou com descrentes…. Não os questiono, mas não acho que eles são o melhor tipo de prova para se apresentar” – (Minutes of the Bible and History Teachers’ Council, 30 de julho de 1919, p. 2341-2344, 2360-2362).

Ellen G. White e Israel Dammon

Em 1845, o pastor Israel Dammon, um adventista milerita, foi acusado pelo estado do Maine de ser uma “pessoa vadia e inútil”, “um encrenqueiro ou barulhento”, “negligente em seu emprego”, “esbanjador de seus rendimentos” e que não “provia o sustento” para si próprio ou para a família. Seu julgamento foi relatado, resumidamente, no Piscataguis Farmer de Dover, Maine, de 7 de março de 1845. O relato que foi publicado fornece uma fascinante descrição contemporânea de algumas das atividades fanáticas que sabidamente estavam associadas a certas facções ex-mileritas. O que é de particular interesse para os adventistas do sétimo dia é que o registro menciona a jovem Ellen Harmon (mais tarde White) como estando presente a uma dessas reuniões.

Deve-se notar que nenhuma das testemunhas no relatório do julgamento de Israel Dammon alegou qualquer atividade fanática por parte da jovem de 17 anos Helen Harmon. Mas surge a pergunta de que se a presença de Ellen Harmon em encontros onde o fanatismo era evidente poderia ser interpretada como um endosso para tal comportamento. Achamos que não. Quando o Senhor instruiu Ellen Harmon a relatar sua primeira visão (recebida em dezembro de 1844) para os crentes adventistas, Ele não excluiu do ministério dela os fanáticos. Ellen White se refere a numerosas ocasiões em que foi orientada a dar seu testemunho aos que equivocadamente estavam enredados por idéias e práticas fanáticas. Por exemplo:

“No período da decepção, depois da passagem do tempo em 1844, levantou-se o fanatismo em várias formas. Alguns sustentavam que a ressurreição dos mortos já tivera lugar. Foi-me mandado dar uma mensagem aos que acreditavam nisto, assim como estou hoje apresentando uma mensagem a vós. Eles declaravam que estavam perfeitos, que corpo, alma e espírito estavam santos. Tinham manifestações semelhantes às que há entre vós, e confundiam a própria mente e a dos outros com suas maravilhosas suposições. Todavia essas eram nossos irmãos amados, e anelávamos ajudá-los. Fui a suas reuniões. Havia excitação, com ruído e confusão. Não se podia distinguir uma coisa da outra. Alguns pareciam estar em visão, e caíam por terra. Outros pulavam, dançavam e gritavam. Declaravam que, como sua carne estivesse purificada, achavam-se prontos para a trasladação. Isto repetiam e repetiam. Dei meu testemunho em nome do Senhor, manifestando Sua reprovação a essas manifestações” – (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 34).

A associação de Ellen Harmon com Israel Dammon nesse tempo também pode ser compreendida à luz do fato de que conquanto a maioria dos Mileritas houvesse rejeitado sua experiência passada, Dammon estava entre os poucos líderes que ainda acreditavam que a profecia bíblica havia se cumprido em 1844 – um dos poucos que poderiam ouvir a mensagem da primeira visão de Ellen Harmon.

Os assuntos financeiros de Ellen G. White

Ellen White era milionária?

Mais de uma vez em seu ministério, Ellen White foi confrontada por acusações de que ela estava acumulando uma grande riqueza por causa dos direitos autorais de seus livros. Eis sua resposta direta a um difamador, escrita em 1897 enquanto ela morava na Austrália:

“Você fez denúncias de que eu era rica. Como sabia que eu era? Por cerca de dez anos tenho trabalhado com base em propriedades que não me pertenciam. Se vendesse tudo o que tenho em minha posse, não teria dinheiro suficiente para saldar todas as minhas despesas.

“Onde tenho investido o dinheiro? Você bem sabe onde. Eu tenho sido o banco de onde são extraídos os recursos para levar avante o trabalho neste país…

“Eu tenho tomado dinheiro emprestado para fazer a obra que precisa ser feita. Nem um xelim das doações que me são enviadas, desde a menor quantia até as maiores, foi usado em meu próprio favor. Nossa boa irmã Wessels presenteou-me um vestido de seda, e fez-me prometer que não o venderia. Mas eu acho que se ela tivesse colocado em minhas mãos o valor correspondente ao vestido, ele teria sido usado na causa de Deus.

“Vejo dívidas em nossas casas de culto e isso me faz doer o coração. Não posso deixar de me afligir com o assunto. Tenho investido dinheiro nas igrejas de Parramatta, Prospect, Napier, Ormondville, Gisborne, e na educação de estudantes. Tenho enviado pessoas para a América a fim de serem preparadas para voltar e trabalhar neste país. Se esta é a maneira de alguém se tornar rico, eu acho que outros deviam experimentá-la.

“Todos os direitos autorais sobre meus livros estrangeiros vendidos na América são sagradamente dedicados a Deus para a educação de estudantes, a fim de que possam ser preparados para o ministério. Milhares de dólares têm sido gastos assim. É esta a maneira de se acumular dinheiro? A velha história que Canright e outros fizeram circular, de que eu valia 30 mil dólares, é tudo ficção. E fiquei sabendo que esse valor já aumentou para 30 mil libras, desde que eu vim para a Austrália.

“Não sei onde está esse dinheiro. Estou usando todos os meus recursos, tão rápido quanto eles me chegam às mãos, para fazer avançar a obra neste país. Se eu tivesse 30 mil libras, não teria mandado buscar na África o empréstimo de mil libras pelo qual estou pagando juros. Se pudesse, teria feito outro empréstimo de mil libras, para que pudéssemos construir o edifício escolar principal.

“Eu não tenho 30 mil libras. Eu só queria ter um milhão de dólares. Eu faria o que fiz em Sidney. Colocaria homens no campo de trabalho, custeando suas despesas com meus próprios recursos. Precisamos de cem homens onde agora só temos um no campo.” (Carta 98a, 1897).

Seis anos mais tarde, em uma carta pessoal datada de 19 de outubro de 1903, Ellen White escreveu: “Fiz tudo o que pude para ajudar a causa de Deus com meus recursos. Estou pagando juros sobre 20 mil dólares, utilizados inteiramente na causa de Deus. E continuarei a fazer tudo que estiver em meu poder para auxiliar no avanço da Sua obra.” (Carta 218, 1903).

Ellen White não contradisse seus próprios ensinamentos ao morrer com dívidas?

Ellen White sabiamente advertiu contra os perigos da dívida, mas quando morreu ela devia aproximadamente $90.000, com ativos calculados em um pouco mais de $65.000. Isso deixou um déficit de mais de $20.000. Ellen White controlou suas finanças irresponsavelmente e em completa negligência aos seus próprios conselhos? Quando todos os fatos relacionados aos seus negócios são considerados, fica evidente que Ellen White não violou o princípio e a intenção do conselho que deu sobre o manter-se livre de dívidas.

Deve-se notar que Ellen White não advogou uma posição extrema a respeito de dívidas – que sob nenhuma circunstância alguém deveria fazer qualquer negócio a menos que o dinheiro estivesse em mãos. Ela reconheceu que oportunidades se apresentam onde a resposta apropriada é avançar com fé, mesmo que seja necessário “tomar dinheiro emprestado” e “pagar juros” – (Conselhos Sobre Mordomia, p. 278).

Em sua própria experiência, a maior parte dos empréstimos feitos por Ellen White foram contraídos durante os últimos anos de sua vida quando, percebendo a brevidade de seus dias, ela fez uma das partes mais difíceis de seu trabalho ao preparar novos livros, tanto em Inglês como em outras línguas. Havia somente duas maneiras pelas quais as despesas com a preparação de livros poderiam ser pagas – através das rendas provenientes de publicações anteriores (direitos autorais), ou fazendo empréstimos com base em direitos autorais antecipados. Por causa da generosidade de Ellen White no passado em contribuir com fundos para a obra da igreja, a única alternativa que lhe restava era contar com rendas futuras  (direitos autorais) para quitar sua dívida. Parte da sua generosidade consistiu em sua recusa de receber os direitos autorais das edições em línguas estrangeiras, doando os direitos autorais de suas últimas obras mais populares, Parábolas de Jesus (1900) e A Ciência do Bom Viver (1905), para sustentar projetos específicos da igreja. Nos anos seguintes à sua morte a venda de suas publicações foi suficiente para saldar inteiramente suas obrigações, como ela havia previsto.

Se os escritos de Ellen White são inspirados, por que seus livros são protegidos pelo registro de direitos autorais e vendidos? Seus livros não deveriam ser dados?

Milhares dos livros de Ellen White são doados. Em tais casos, contudo, uma pessoa ou grupo doou fundos para cobrir os gastos com a impressão – assim como cópias da Palavra de Deus só circulam de graça através da generosidade de outros. Quando se tem em mente que a própria Ellen White assumiu as despesas para o preparo das matrizes dos livros, ilustrações, e traduções, sem falar nos custos de produção dos próprios manuscritos, não parece incongruente que ela pudesse esperar cobrir esses gastos através do mecanismo regular pelo qual a maioria dos autores são remunerados – direitos autorais. Além do mais, obter a garantia dos direitos autorais de um livro proporciona uma maneira de preservar a exatidão do texto. Hoje em dia, há gastos contínuos com a manutenção dos manuscritos originais de Ellen White, com o preparo de novas publicações, incluindo produtos em CD-ROM, e outros materiais relativos à sua vida e ministério.

Ellen White não contradisse seu próprio conselho quando algumas vezes ela mandou fundos provenientes de dízimos diretamente para ministros em necessidade?

A instrução deixada por Ellen White sobre a aplicação adequada dos dízimos é claramente apresentada por ela em Testimonies for the Church, vol. 9, p. 245-251. Ela declara que o dízimo deve ser trazido à casa do tesouro de Deus para sustentar os obreiros evangélicos (p. 249), e que ninguém deveria “sentir-se livre para reter seu dízimo, para usá-lo de acordo com o seu próprio julgamento. Não devem usá-lo para si mesmos em uma emergência, nem aplicá-lo como pensam ser apropriado, mesmo naquilo que possam considerar como a obra do Senhor” (p. 247). A posição e prática de Ellen White era seguir esse modelo. Ela escreveu em 1890: “Eu devolvo meus dízimos alegre e livremente, dizendo como Davi: “Das Tuas mãos to damos” – (Pastoral Ministry, p. 260). Numa época em que alguns obreiros denominacionais estavam sendo inadequadamente mantidos ou abertamente privados de seu legítimo salário, Ellen White agiu sob instrução recebida do Senhor de que deveria ajudar tais obreiros com seus dízimos, se necessário. Ela não considerou sua ação como retenção de dízimo para a tesouraria ou o redirecionamento deles para usos irregulares. Antes, ela reconheceu a inabilidade dos “canais competentes” de satisfazer as necessidades daqueles obreiros em particular naquele momento específico.

Ellen G. White e a prática do vegetarianismo

Ellen White ainda comeu carne após sua visão sobre a reforma de saúde em 1863? E o que dizer a respeito do testemunho do “porco”?

Ellen White não afirmou que após sua visão sobre saúde em 1863 ela nunca mais comeu carne. Antes da visão, ela acreditava que “era dependente de uma dieta cárnea para ter energia”. Por causa de sua frágil condição física, especialmente pela sua predisposição para desmaiar quando estava fraca e com tontura, ela pensava que a carne era “indispensável”. De fato, naquela época ela era “uma grande comedora de carne”; a carne era seu “principal artigo de alimentação”.

Mas ela obedecia à luz que ia tendo. Tirou a carne de sua “lista de compras” imediatamente, e esta não foi mais uma parte regular de sua dieta. Ela praticava os princípios gerais que ensinava aos outros, tais como aquele de que deve-se usar o melhor alimento disponível. Quando longe de casa, tanto viajando quanto acampando em condições precárias, décadas antes de serem inventadas as refeições de fácil preparo, encontrar uma dieta adequada era muitas vezes difícil. Nem sempre capaz de obter o melhor, por qualquer que fosse a razão, ela às vezes optou pelo bom – o melhor que podia obter naquelas circunstâncias.

Ellen White não era dogmática quanto ao comer carne. Em 1895 ela escreveu: “Nunca julguei ser meu dever dizer que ninguém deveria provar carne, sob quaisquer circunstâncias. Dizer isto… seria levar ao extremo a questão. Nunca senti ser dever meu fazer asserções arrasadoras. O que tenho dito, disse-o sob uma intuição do dever, mas tenho sido cautelosa em minhas afirmações, porque não queria dar ocasião para qualquer pessoa ser consciência para outro” – (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pp. 462, 463).

Em tentativas modernas para entender a história, muito freqüentemente o passado é julgado pelo presente, na maioria das vezes de modo desintencional. As pessoas do passado devem ser julgadas no contexto das circunstâncias delas, não das nossas. Numa época em que não havia refrigeração, quando obter frutas e vegetais frescos dependia de onde se vivia e da época do ano, quando os substitutos para carne eram raramente obtidos, antes da introdução da manteiga de amendoim e dos cereais desidratados (em meados da década de 1890), em algumas ocasiões ou se comia carne ou não se comia nada. Hoje em dia, na maioria das vezes comer carne raramente é uma necessidade.

Enquanto estava na Austrália, chegou a ponto de banir “absolutamente a carne de minha mesa”. Por um tempo, ela havia permitido que um pouco de carne fosse servida para os empregados e membros da família. Daquela época em diante (janeiro de 1894), foi entendido que “quer eu esteja em casa quer viajando, nada disso deve ser usado por minha família, ou vir à minha mesa” (ibid., p. 488). Muitas das declarações mais enérgicas de Ellen White contra a carne foram escritas depois de ela haver renovado seu compromisso de abstinência total em 1894.

As principais visões de Ellen White sobre saúde, em 1863 e 1865, abrangeram todos os aspectos da mensagem da reforma de saúde que ela enfatizou até a morte. As mudanças em certas ênfases ao longo dos anos somente refinaram esses princípios; não lhes acrescentaram nem subtraíram nada. À medida em que o tempo passa, mesmo os profetas devem tomar tempo para assimilar os princípios revelados – tempo para que a teoria se torne prática em sua própria vida. Ela constantemente defendia o princípio, tanto na prática quanto no ensino, de que todo aquele que é comprometido com a verdade mudará do ruim para o bom, do bom para o melhor, e do melhor para o ideal. Tal foi a sua experiência.

E o que dizer sobre sua aparente reversão na questão do comer carne de porco? Em 1858 ela escreveu para os Haskells (Irmão e Irmã A) sobre uma série de itens, repreendendo-os por insistirem que deveria ser feito um “teste” quanto a comer carne de porco: “Vi que suas idéias sobre a carne de porco não seriam prejudiciais se vocês as retivessem para si mesmos, mas, em seu julgamento e opinião, os irmãos têm feito dessa questão uma prova… Se Deus achar por bem que Seu povo se abstenha da carne de porco, Ele os convencerá a respeito… Se for dever da igreja abster-se da carne de porco, Deus o revelará a mais do que duas ou três pessoas. Ele ensinará a Sua igreja o dever dela” – (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, pp. 206, 207).

Na visão sobre a reforma de saúde de 6 de junho de 1863, foi revelada uma extensa lista de princípios de saúde. No ano seguinte ela publicou um capítulo de cinqüenta páginas intitulado “Saúde” no Spiritual Gifts, vol. 4. Em referência à carne suína, ela disse: “Deus nunca designou o porco para ser comido sob nenhuma circunstância” (p. 124), e em seus livros posteriores ela continuou a enfatizar as conseqüências prejudiciais do comer a carne de porco.

Como se explica esta mudança nos conceitos de Ellen White entre 1858 e 1863?

Em primeiro lugar, ela não havia recebido qualquer luz de Deus sobre a carne de porco antes de 1863. Sua visão em 1858 não a informou se era certo ou errado comer carne de porco. O que ela fez foi reprovar este irmão por criar divisão entre os adventistas ao fazer da questão uma prova naquela época. Em segundo lugar, ela deixou aberta a possibilidade de que se o consumo de carne de porco devesse ser descartada pelo povo de Deus, Ele iria, a Seu próprio tempo, “ensinar a Sua igreja o dever dela”. Quando a visão realmente veio, quase cinco anos mais tarde, a igreja toda compreendeu claramente a questão e nunca mais houve divisão a respeito desta questão.

Adaptado de Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor:
 O ministério profético de Ellen G. White (Tatuí, São Paulo:
Casa Publicadora Brasileira, 2001), pp. 157, 158, 312-319.

OS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

Ellen G. White e “A Bíblia, e somente a Bíblia”

Os adventistas do sétimo dia acreditam que os escritos de Ellen White são iguais às Escrituras, ou constituem um acréscimo a elas? Se a Bíblia é todo-suficiente, por que precisamos dos escritos de Ellen White? 

Os adventistas do sétimo dia não colocam os escritos de Ellen White no mesmo nível das Escrituras. “As Escrituras Sagradas ocupam posição única, pois são o único padrão pelo qual os seus escritos – ou quaisquer outros – devem ser julgados e ao qual devem estar subordinados” (Nisto Cremos, p. 305). Outro meio de enfocar esta questão é perguntando por que a igreja necessitaria de qualquer dos dons prometidos do Espírito Santo. Ellen White respondeu esta questão na introdução de seu livro O Grande Conflito Entre Cristo e Satanás:

“Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. ‘Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra’ (II Timóteo 3:16 e 17).

“Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito Santo foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para iluminar e aplicar os seus ensinos. E visto ter sido o Espírito de Deus que inspirou a Escritura Sagrada, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Palavra.”

“O Espírito não foi dado – nem nunca o poderia ser – a fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta explicitamente declara ser ela mesma a norma pela qual todo ensino e experiência devem ser aferidos…”

“Em harmonia com a Palavra de Deus, deveria Seu Espírito continuar Sua obra durante todo o período da dispensação evangélica. Durante os séculos em que as Escrituras do Velho Testamento bem como as do Novo estavam sendo dadas, o Espírito Santo não cessou de comunicar luz a mentes individuais, independentemente das revelações a serem incorporadas no cânon sagrado. A Bíblia mesma relata como mediante o Espírito Santo, os homens receberam advertências, reprovações, conselhos e instruções, em assuntos de nenhum modo relativos à outorga das Escrituras. E faz-se menção de profetas de épocas várias, de cujos discursos nada há registrado. Semelhantemente, após a conclusão do cânon das Escrituras, o Espírito Santo deveria continuar a Sua obra, esclarecendo, advertindo e confortando os filhos de Deus” (O Grande Conflito, p. 10).

Produção literária de Ellen G. White

Quantos livros e artigos Ellen White escreveu?

À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130.

Qual é o livro mais popular de Ellen White?

Milhões consideram o clássico livro de Ellen White sobre a vida de Cristo – O Desejado de Todas as Nações – como sendo o seu favorito. Mas o livro mais popular é Caminho a Cristo, que apresenta a essência do viver cristão. Publicado pela primeira vez em 1892 e desde então traduzido para mais de 135 línguas, dezenas de milhares de cópias estão em circulação.

Alguns dos escritos de Ellen White não foram suprimidos?

Todas as obras publicadas de Ellen White (inclusive aquelas que supostamente foram suprimidas) estão incluídas no CD-ROM do White Estate, The Complete Published Writings of Ellen G. White. Todas as suas obras não-publicadas (cartas e manuscritos) estão disponíveis para estudo nos 17 Centros de Pesquisa Ellen G. White da IASD estabelecidos ao redor do mundo (dados de 2003). Nenhum dos seus escritos foi suprimido.

Os críticos apontam para certos trechos que foram apagados das primeiras publicações como uma evidência de que Tiago e Ellen White (ou os líderes da igreja) tentaram suprimir declarações que defendiam crenças errôneas. É fato que alguns dos escritos antigos que foram reimpressos através dos anos tiveram sentenças e até parágrafos apagados, e outras revisões foram feitas. A pergunta é realmente dupla: a) Pode um profeta revisar ou apagar ou talvez até deixar de preservar as mensagens que lhe foram dadas por Deus? b) Quais eram as motivações de Ellen White nas mudanças que foram feitas em seus escritos?

A Bíblia revela que os profetas demonstraram ter um certo grau de liberdade para decidir o que escrever e como melhor apresentá-lo. Muitos profetas comunicaram mensagens oralmente, e deste modo nenhum registro escrito foi preservado. Além disso, em alguns casos Deus nem mesmo achou necessário preservar as mensagens de alguns profetas que já haviam sido escritas (veja por exemplo, I Crôn. 29:29). Jeremias nos diz que quando ele reescreveu sua mensagem para o rei Jeoaquim, “ainda se lhes acrescentaram muitas palavras semelhantes” (Jer. 36:32), deixando implícito que ele não estava limitado ao uso apenas de suas palavras originais para expressar sua mensagem.

Em 1883, respondendo à acusação de que havia suprimido parte de sua mensagem, Ellen White escreveu: “Ao contrário de desejar reter qualquer coisa que eu tenha publicado, sentiria grande satisfação em dar ao público cada linha de meus escritos já publicados” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 60). Uma afirmação tal como essa dificilmente seria feita por alguém cuja motivação para as mudanças em seus escritos fosse suprimir declarações embaraçosas. Ao mesmo tempo, um autor tem o direito (alguns diriam, o dever) de certificar-se de que suas idéias estão expressas da maneira mais clara possível – mesmo que isto possa significar apagar e/ou revisar passagens susceptíveis de serem mal interpretadas pelos leitores. Uma análise das alegadas “supressões” de Ellen White pode ser encontrada em Ellen G. White and Her Critics, de F. D. Nichol, pp. 267-285 e 619-643.

O papel dos assistentes literários de Ellen G. White

O que as secretárias e assistentes literários de Ellen White eram autorizados a fazer em relação a seus escritos?

Ellen White nem sempre ao escrever usava de maneira perfeita a gramática, ortografia, pontuação, construção de sentenças ou parágrafos. Ela reconhecia francamente sua falta de tais habilidades técnicas. Em 1873 ela lamentou: “Não sou um erudito. Não posso preparar meus próprios escritos para o prelo… Não sou um gramático” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 90). Ela sentiu necessidade da ajuda de outros no preparo de seus manuscritos para publicação. W. C. White descreve os limites que sua mãe estabeleceu para os funcionários:

“Aos copistas de mamãe é confiada a obra de corrigir os erros gramaticais, de eliminar repetições desnecessárias, e de agrupar os parágrafos e seções na melhor ordem…

“As experientes colaboradoras de minha mãe, tais como as irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, que estão muito familiarizadas com seus escritos, são autorizadas a pegar uma sentença, parágrafo, ou seção de um manuscrito e incorporá-los em outro manuscrito onde o mesmo pensamento foi expresso, mas não tão claramente. Mas nenhuma das funcionárias de mamãe está autorizada a fazer acréscimos aos manuscritos introduzindo idéias próprias” (W.C. White para G. A. Irwin, 7 de maio de 1900).

Enquanto os capítulos de cada livro estavam sendo preparados, Ellen White era constantemente consultada, e quando o trabalho estava completo, lhe era passado para a aprovação final.

À idade de 75 anos ela explicou seu trabalho para sua irmã, Mary:

“Agora, minha irmã, não pense que eu esqueci você; porque eu não esqueci. Você sabe que eu tenho livros para preparar. Meu último esforço é um livro sobre a verdadeira educação. A composição deste livro tem sido muito difícil para mim, mas está quase pronto. Estou agora terminando o último capítulo. Este livro não terá um conteúdo tão extenso quanto minhas obras maiores, mas as instruções contidas nele são importantes. Sinto a necessidade da ajuda de Deus continuamente.”

“Ainda estou tão ativa como sempre. Não estou de maneira alguma decrépita. Sou capaz de realizar muito trabalho, escrever e falar como fazia anos atrás.”

“Leio tudo que é copiado, para ver se tudo está como deveria. Leio todo o manuscrito do livro antes de mandá-lo para o impressor. Desta maneira, você pode ver que meu tempo é completamente ocupado” (Carta 133, 1902).

A acusação de plágio

Ellen White era uma plagiarista?

Ellen White freqüentemente fazia uso de fontes literárias para comunicar suas mensagens. Na Introdução de um dos seus livros mais populares ela escreveu:

“Em alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar, em breve, uma visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva. Narrando a experiência e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publicadas” (O Grande Conflito, p. 13 e 14).

O uso de outros autores por Ellen White não era limitado a material histórico ou geográfico, mas incluía outras áreas de conhecimento.

Em 1980 o Dr. Fred Veltman, naquela época diretor do Departamento de Religião do Pacific Union College, empreendeu uma análise detalhada do uso de fontes literárias por Ellen White em seu livro O Desejado de Todas as Nações, um estudo que levou oito anos para ser completado. As cópias do relatório completo de 2.561 páginas foram distribuídas às bibliotecas das faculdades e universidades adventistas em todo o mundo.

Os críticos acusaram Ellen White de plágio porque ela incluiu tais seleções de outros autores em seus escritos. Mas o mero uso da linguagem de outro não constitui roubo literário, como observou o advogado Vincent L. Ramik, especialista em casos envolvendo patente, marca registrada, e direitos autorais. Depois de pesquisar cerca de 1.000 casos sobre direitos autorais na história da justiça americana, Ramik escreveu um parecer legal de 27 páginas no qual ele concluiu que “Ellen White não foi uma plagiarista, e seus trabalhos não constituíram infração de direitos autorais/pirataria”. Ramik salienta vários fatores que os críticos dos escritos de Ellen White deixaram de levar em consideração ao acusá-la de roubo ou fraude literária. 1) As citações escolhidas por ela “permaneceram dentro dos limites legais de ‘uso legítimo’”. 2) “Ellen White usou os escritos de outros; mas da maneira em que ela os usou, ela os tornou singularmente seus” – adaptando as citações a sua própria estrutura literária. 3) Ellen White insistia com seus leitores que adquirissem alguns dos próprios livros dos quais ela fez uso – demonstrando que ela não tentou ocultar o fato de ter usado fontes literárias, e que ela não teve intenção de defraudar ou suplantar as obras de qualquer outro autor.

Ellen White “não copiou por atacado nem indiscriminadamente. O que ela selecionou ou não selecionou, e como alterou o que selecionou” revela que ela usou fontes literárias para “ampliar ou declarar mais energicamente seus próprios temas transcendentes; ela foi mestra, e não escrava, de suas fontes” (Herbert E. Douglas, Mensageira do Senhor, p. 461).

OS ENSINOS DE ELLEN G. WHITE

O uso de diferentes versões da Bíblia

Ellen White usou outras traduções de Bíblia além da King James Version?

Sim. Mesmo sendo costume de Ellen White usar a King James Version, ela fez uso ocasional de outras traduções inglesas que estavam se tornando disponíveis em seus dias. Contudo, ela não comenta diretamente sobre os méritos desta ou daquela versão, mas fica claro pela sua prática que ela achava desejável que se fizesse uso da melhor versão disponível da Bíblia. Por exemplo, em seu livro A Ciência do Bom Viver, Ellen White empregou oito textos da English Revised Version, 55 da American Revised Version, dois da tradução de Leeser, e quatro de Noyes, além de sete variantes marginais. Entretanto, em suas pregações, Ellen White preferia usar a linguagem da King James Version porque era a mais familiar para os seus ouvintes.

A Divindade

Em que Ellen White acreditava a respeito da Divindade?

Ellen White nunca usou o termo “trindade” (nos originais em inglês), embora ela se referisse às “três pessoas vivas pertencentes ao trio celestial” (Evangelism, p. 615). Ela acreditava na completa divindade de Cristo, afirmando que “Cristo era essencialmente Deus, no sentido mais completo. Ele estava com Deus desde a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre” (Review and Herald, 5 de abril de 1906). Ela também se referiu ao Espírito Santo como “a terceira pessoa da Divindade” (The Desire of Ages, p. 671). Seus comentários, como estão reunidos em Evangelism, nas páginas 613-617, sugerem que ela acreditava que as Escrituras ensinavam a existência de três pessoas divinas co-eternas.

Ellen White acreditava que o Espírito Santo é uma pessoa divina?

Sim, mas às vezes ela usava o pronome neutro “it” (em inglês) quando se referia ao Espírito Santo. Várias declarações a respeito da personalidade do Espírito Santo estão reunidas em Evangelism, páginas 616 e 617. Em 1906, por exemplo, ela escreveu: “O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus. ‘Por que, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus’” [I Coríntios 2:11] (Evangelism, p. 617).

A idade da Terra

Ellen White acreditava que a terra tem cerca de 6.000 anos?

Ellen White rejeitou a idéia de que “o mundo tem dezenas de milhares de anos”. Ela aceitava o registro bíblico de que a criação levou sete dias literais de 24 horas, acreditando que o mundo “tem agora apenas cerca de seis mil anos de idade” (The Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 87). Quando Ellen White disse que lhe foi mostrado em visão que a semana da criação consistia de sete dias literais (ibid., p. 85), ela não afirmou ter recebido qualquer revelação especial a respeito da idade específica da Terra.

A teoria do sétimo milênio e a marcação de datas

Ellen G. White ensinava que Jesus voltará no começo do sétimo milênio?

Ellen White acreditava que a idade da Terra era de aproximadamente seis mil anos. (Veja a questão acima, “A idade da Terra”.) Ela também esperava ver Jesus retornar em seus dias. Portanto, quando descrevia eventos futuros ligados ao fim do tempo, ela poderia escrever do reino destrutivo de Satanás como tendo durado seis mil anos. (Veja O Grande Conflito, p. 673, por exemplo.) Contudo, em nenhuma parte de seus escritos Ellen White se referiu a um cronograma divino de sete milênios correspondendo à semana da criação. Ela se opôs consistentemente a qualquer esforço para calcular a data (dia ou ano) da volta de Cristo. Ela escreveu: “Tenho sido repetidamente advertida com referência a marcar tempo. Nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo” (Mensagens Escolhidas, vol. I, p. 188). E, “qualquer pessoa que comece a proclamar uma mensagem para anunciar a hora, dia, ou ano do retorno de Cristo, abraçou um jugo e está proclamando uma mensagem que o Senhor nunca lhe deu” (Review and Herald, 12 de setembro de 1893).

O PATRIMÔNIO DE ELLEN G. WHITE

O que é o Ellen G. White Estate?

O Ellen G. White Estate, Inc., é uma organização criada como o último desejo e testamento de Ellen G. White para funcionar como seu agente na custódia de seus escritos, lidar com suas propriedades, “conduzir os negócios dela”, “assegurar a impressão de novas traduções”, e a “impressão de compilações dos meus manuscritos”. Seu testamento, datado de 9 de fevereiro de 1912 (impresso em sua totalidade como o Appendix Q em Ellen G. White and Her Critics de F. D. Nichol), nomeou cinco líderes da igreja para servirem como uma comissão de depositários: Arthur G. Daniells, presidente da Associação Geral; William C. White, seu filho; Clarence C. Crisler, um secretário; Charles H. Jones, gerente da Pacific Press; e Francis M. Wilcox, editor da Review and Herald. Quatro dos cinco eram membros da Comissão Executiva da Associação Geral.

A nomeação dos depositários era para toda a vida, mas Ellen White estabeleceu que “se entre os ditos depositários, ou seus sucessores, ficar vaga uma posição, por qualquer motivo, uma maioria dos depositários sobreviventes ou restantes recebe aqui a habilitação e autorização para preencher tal vaga pela nomeação de alguma outra pessoa adequada”; ou se esta provisão falhasse, a Comissão Executiva da Associação Geral deveria nomear alguém para ocupar a vaga. O testamento dedicou a maior porção das rendas dos direitos autorais existentes e potenciais de seus livros para o trabalho dos depositários. (Para informação adicional, veja o Appendix B, “The Settlement of Ellen G. White’s Estate”, no volume 6 da biografia de A. L. White sobre Ellen White, Ellen G. White: The Later Elmshaven Years.)

A partir da morte de Ellen White, no dia 16 de julho de 1915, esta comissão auto-perpetuadora começou a funcionar. Logo ela vendeu os bens imóveis de Ellen White, que consistia principalmente de Elmshaven, sua casa perto de Santa Helena, Califórnia, e então começou o cuidado contínuo de suas propriedades literárias. De acordo com os termos do testamento, tais responsabilidades se dividiam em três áreas: (1) posse dos direitos autorais de seus escritos e o cuidado e promoção de seus livros na língua inglesa; (2) promoção da tradução e publicação dos seus escritos em outras línguas e preparo dos manuscritos para tanto; e (3) custódia dos arquivos de manuscritos e outros arquivos, e seleção de matéria dos arquivos de manuscritos de Ellen White para publicação. A comissão agora tem uma quarta responsabilidade, que se desenvolveu naturalmente através dos anos – familiarizar os adventistas do sétimo dia e outros com a Sra. White e sua obra.

Organização

A comissão originalQuando a comissão foi organizada em 1915, A. G. Daniells serviu como presidente. O secretariado, após um curto período com C. C. Crisler, passou para W. C. White, o único membro da comissão que devotava tempo integral para o trabalho como depositário. Ele ocupou este cargo até sua morte em 1937. De 1915 a 1937 o trabalho foi realizado em Elmshaven num prédio de escritórios alugado com um cofre que era usado para guardar os manuscritos de Ellen G. White.

Durante os 19 anos em que trabalharam juntos, os primeiros membros, além das tarefas de rotina, (1) publicaram 10 compilações póstumas (para uma bibliografia anotada dos livros de Ellen G. White, ver “White, Ellen G., Writings of”, e o Appendix D no Comprehensive Index to the Writings of Ellen G. White); (2) produziram um Comprehensive Index to the Writings of Ellen G. White (Índice Abarcante dos Escritos de Ellen G. White), publicado em 1926; (3) indexaram todo os arquivos de manuscritos de Ellen G. White; e (4) em comum acordo com o conselho de dirigentes da Associação Geral em 1933 e 1934, lançaram os alicerces para a continuidade da administração dos escritos de forma perpétua. Os passos dados para garantir a perpetuação da administração foram: (a) em 1933 os depositários, como constituídos, formariam uma corporação sob as leis do Estado da Califórnia “para cumprir e executar as provisões do patrimônio caritativo criado como o último desejo e testamento da falecida Ellen G. White”; (b) a Associação Geral concordou em prover apoio financeiro adequado para o trabalho dos depositários na forma de um orçamento anual; os depositários, por sua vez, cederam à Associação Geral todos os rendimentos provenientes dos direitos autorais dos livros de Ellen G. White; (c) concordou-se em mudar o patrimônio e o trabalho dos depositários em momento oportuno no futuro para Washington, D.C., estabelecendo-o deste modo perto da sede da igreja.

Período de transição – Quando três dos depositários originais morreram – um em 1935 e dois em 1936 – os cargos foram preenchidos em harmonia com as cláusulas do testamento e os estatutos da corporação de 1933. O secretário de tempo integral, W. C. White, morreu no dia 1o de setembro de 1937. Ele foi substituído por seu filho, Arthur L. White, que por nove anos havia trabalhado como seu secretário e por quatro anos como secretário-assistente do White Estate. O trabalho do White Estate foi mudado para a Associação Geral, em Washington, D.C., em janeiro de 1938.

Organização atualCom as demandas sob eles aumentando constantemente com o crescimento da igreja e numerosas áreas para serem representadas, em 1950 os depositários aumentaram o número de membros da comissão de cinco para sete, e em 1958 fizeram emendas aos estatutos da corporação para permitir uma comissão de nove pessoas, sete como membros vitalícios e dois a serem eleitos por um período correspondente ao dos oficiais da Associação Geral (originalmente quatro anos, mas agora cinco). Em 1970 a comissão foi ampliada para 11; em 1980, para 13; e, em 1985, para 15. O número de membros vitalícios é atualmente cinco. Nas qüinqüenais, a comissão também elege o secretário e os secretários-associados, assim como os administradores da corporação, como estipulado nos estatutos.

Relação com a Associação Geral

Através dos anos uma íntima relação de trabalho foi construída entre os depositários do White Estate e a Associação Geral. A maioria dos depositários são membros da Comissão Executiva da Associação Geral. Vários assuntos, tais como a promoção da publicação do material de Ellen G. White em outros países, destinação de fundos para auxiliar na publicação dos livros de Ellen G. White em outras línguas, e planejamento geral da promoção do Espírito de Profecia, incluindo a preparação de materiais para o Sábado anual do Espírito de Profecia, embora intimamente relacionados ao trabalho dos depositários White, estão além da esfera de sua responsabilidade direta. Estes são controlados pelo Comitê da Associação Geral através de uma sub-comissão conhecida como a Comissão do Espírito de Profecia. Esta comissão inclui vários dos depositários do Patrimônio White. Os deveres desta sub-comissão e a relação de trabalho entre a Comissão da Associação Geral e o White Estate se encontram atualmente descritos num acordo conjunto adotado pela Comissão da Associação Geral e pelos depositários do White Estate no dia 10 de outubro de 1957. Há uma interligação e às vezes uma sobreposição de responsabilidades; contudo, é mantida uma relação de trabalho agradável e eficiente entre as duas organizações.

O trabalho do White Estate

Trabalho de rotinaOs membros assalariados do quadro de funcionários: (1) protegem e mantêm os manuscritos que estão sob a custódia dos depositários, e os índices destes manuscritos, de maneira a serem úteis à igreja; (2) controlam os direitos autorais das obras de Ellen G. White; (3) realizam pesquisas, quando solicitadas, nestas obras e em materiais históricos relacionados; (4) respondem às perguntas que são encaminhadas ao White Estate em entrevistas pessoais e por correspondência que vem de todas as partes do mundo; (5) reúnem, quando autorizados pelos depositários, materiais para compilações dos escritos de Ellen G. White; (6) promovem, em conjunto com a Comissão do Espírito de Profecia, a sempre crescente publicação destes escritos em várias línguas e por vezes fazem seleções ou resumos que sejam solicitados e autorizados; (7) atendem a compromissos em igrejas, instituições, e demais campos conforme o requeiram as necessidades e os melhores interesses do trabalho crescente da igreja; (8) servem como guias em viagens a locais históricos de interesse denominacional, especialmente nos estados da Nova Inglaterra; e (9) preparam artigos, lições por correspondência e textos.

As produções de especial valor para a igreja incluem os quatro volumes do Comprehensive Index to the Writings of Ellen G. White [Índice Abarcante dos Escritos de Ellen G. White] (1962, 1992); os seis volumes das reimpressões fac-símiles dos artigos de Ellen G. White publicados na Present Truth e Review and Herald; os quatro volumes dos artigos de Ellen G. White publicados na Signs of the Times; os artigos de Ellen G. White publicados na Youth’s Instructor; os volumes do Periodical Resource Collection; os seis volumes da biografia de Ellen G. White, por A. L. White; e os escritos publicados de Ellen G. White em CD-Rom, uma ferramenta de valor inestimável para os usuários de computadores.

Escritórios filiais e os Centros de Pesquisa

O White Estate mantém três escritórios filiais – na Andrews University (Berrien Springs, Michigan), na Universidade de Loma Linda (Loma Linda, Califórnia), e no Oakwood College (Hunstville, Alabama). Estes escritórios contêm cópias dos documentos de Ellen G. White e outros materiais históricos mantidos no escritório principal na sede da Associação Geral. A partir de 1974, o White Estate estabeleceu Centros de Pesquisa Ellen G. White da IASD nos 11 campi das faculdades e universidades adventistas nos seguintes países: Argentina, Austrália, Brasil, Inglaterra, Índia, Coréia, México, Nigéria, Filipinas, Rússia, e África do Sul.

Uso dos manuscritos de Ellen G. White

Durante os últimos anos de sua vida, Ellen G. White recorreu freqüentemente ao seu arquivo singular de manuscritos, composto de 50.000 páginas, para a preparação das obras publicadas. Os depositários White continuaram a usar o mesmo recurso para as compilações feitas desde sua morte. Estes manuscritos constituem um arquivo básico inestimável de registros históricos e de conselhos para a igreja. Os direitos autorais destes manuscritos estão sob o controle único dos depositários de E. G. White.

Conquanto todos os escritos de Ellen G. White estejam disponíveis para pesquisa, as cartas, manuscritos, e outros materiais não-publicados dos arquivos de Ellen G. White não constituem um arquivo público. A natureza sagrada dos arquivos em geral e a natureza confidencial de muitas das correspondências nos arquivos requerem que eles sejam cuidados e usados com responsabilidade. Mesmo os manuscritos cujo valor é primariamente de natureza histórica não devem ser usados de maneira puramente secular. “As coisas espirituais se discernem espiritualmente” (O Desejado de Todas as Nações, p. 55; veja também I Cor. 2:14). Por causa disto, durante as primeiras décadas que seguiram a morte de Ellen White, foram estabelecidas cuidadosas políticas regendo o uso e a liberação de materiais não-publicados, resultando enfim na publicação de 21 volumes conhecidos como Manuscript Releases. Nos últimos anos as políticas restritivas mais antigas foram adaptadas para se acomodar às necessidades da ampliação das pesquisas.

Membros da Comissão

Os dois principais oficiais da comissão são o presidente e o secretário. O presidente é também presidente da corporação. O secretário serve não somente como secretário da comissão, mas como secretário executivo da organização, sendo responsável pelas tarefas diárias do escritório e do quadro de funcionários. Desde 1915, quando os termos do testamento de Ellen G. White entraram em vigor, o White Estate teve até agora 10 presidentes e seis secretários.

Presidentes: A.G. Daniells, 1915-1935; J. E. Fulton, 1935-1936; J. L. Shaw, 1936-1937; F. M. Wilcox, 1938-1944; M. E. Kern, 1944-1951; D. E. Rebok, 1952; A. V. Olson, 1952-1963; F. D. Nichol 1963-1966; W. P. Bradley, 1966-1980; Kenneth H. Wood, 1980- .

Secretários: William C. White, 1915-1937; Arthur L. White, 1937-1978; Robert W. Olson, 1978-1990; Paul A. Gordon, 1990-1995; Juan Carlos Viera, 1995-2000; James R. Nix, 2000- .