RESPOSTAS A PERGUNTAS APRESENTADAS NA REUNIÃO DE 18 DE JUNHO DE 2000, EM MOEMA, RELACIONADAS A VÁRIOS ASPECTOS DA IGREJA ADVENTISTA E SUA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

 

PERGUNTA Nº 1: O que significa o “acordo de amizade” feito entre a Igreja Católica e a Igreja Adventista na Polônia, acordo esse divulgado pelo “website” da Associação Geral?

RESPOSTA: A Igreja Adventista é uma igreja mundial, e, muitas vezes com problemas locais em países diferentes, embora mantenha sempre unidade no que se refere aos princípios básicos de nossa fé. No caso da Polônia, esse é um país que por mais de 50 anos esteve sob o jugo materialista do comunismo, que procurava destruir no povo qualquer coisa referente à religião. De repente, cai o comunismo, e novamente há liberdade religiosa. E as várias igrejas cristãs do país, diante da nova realidade, procuram unir esforços antes de tudo, para restaurar a crença das pessoas em Deus e nas instituições religiosas. Daí surgiu entre as lideranças das várias denominações cristãs, o desejo de trabalharem com um mínimo de harmonia, sem beligerância, em tudo o que não comprometa os princípios e os ensinos doutrinários e teológicos de cada Igreja. É nesse espírito que foi feito o citado documento assinado por um pastor-administrador adventista e um representante da Igreja Católica. Mas no próprio documento fica bem claro que são resguardados os princípios e as posições religiosas de cada lado. O campo de cooperação é em outra esfera: Ênfase em liberdade religiosa para todos: trabalhar em conjunto no sentido de manter e solidificar essa liberdade, que por mais de 50 anos foi negada; cooperação no campo de assistência social às camadas carentes da população, (a Igreja tem a ADRA – Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais); cooperação no que concerne ao combate aos vícios, às drogas e à marginalidade; e, acordo para evitarem-se ataques inamistosos e ofensivos entre as igrejas.

Ray Dabrowski, Departamental de Comunicação da Associação Geral, diz a respeito: “O documento não trata de questões doutrinárias ou teológicas.” E o próprio documento afirma: “Nossas igrejas reconhecem que tal diálogo não pode ser um diálogo de compromisso, mas de cooperação e comum compreensão.”

Em nenhum lugar, na Bíblia e no Espírito de Profecia, está escrito que devemos ser inimigos de outras igrejas, inclusive a católica. O fato de discordarmos doutrinária e teologicamente, não nos impede de mantermos cordialidade para com líderes de outras denominações. O povo de Israel compreendeu mal seu dever para com outros povos, e se isolou deles, prejudicando em grande parte o plano de Deus, que era que Israel fosse como um fermento a influenciar positivamente as demais nações. Quando Jesus veio, procurou derrubar esse muro de separação, e se comunicou sem preconceito com samaritanos, siros-fenícios e outros povos pagãos que habitavam ao redor de Israel. Hoje também há membros da Igreja Adventista que advogam, na prática, um isolamento das outras denominações religiosas. Não era o que Ellen White ensinava, em sua divina inspiração. Um exemplo positivo de sua maneira de agir nesse assunto foi a posição diante da “União Feminina de Temperança Cristã”, entidade formada e dirigida por senhoras de outras igrejas (Batista, Metodista, Presbiteriana, etc.). Alguns líderes adventistas achavam que não era conveniente nenhuma aproximação dessa entidade, uma vez que os que ali trabalhavam eram guardadores do domingo, criam na imortalidade da alma, e não aceitavam as posições proféticas da Igreja Adventista. Mas Ellen White procurou corrigir esse pensamento errôneo. Eis o que ela escreveu a respeito:

“A União Feminina de Temperança Cristã é uma organização com cujos esforços para a disseminação dos princípios de saúde podemos unir-nos de coração. Recebi luz sobre o fato de que não nos devemos alongar deles, enquanto isso não representar sacrifício de qualquer de nossos princípios.” – Beneficência Social, págs. 162 e 163.

“Tenho tido alguma oportunidade de ver grande vantagem na associação com as obreiras da União Feminina de Temperança Cristã, mas tenho tido a surpresa de notar a indiferença de muitos de nossos líderes para com esta organização. Convido meus irmãos a despertarem.” – Carta 274, de 1907 – Beneficência Social, pág. 163.

Notem o ponto básico de qualquer relacionamento com outras denominações, apresentado acima por Ellen White: “Não nos devemos alongar deles, enquanto isso não representar sacrifício de qualquer de nossos princípios.” Esse é o critério válido até hoje para qualquer relacionamento dessa natureza. Não há nenhuma virtude em vivermos isolados de outras entidades religiosas, despertando preconceitos contra nós, ou em sermos agressivos em nossas posições com relação a outros, provocando e apressando, muitas vezes, as dificuldades e as perseguições contra nós.

Atitudes ou posições radicais não têm apoio nas orientações inspiradas para a Igreja. Notem essas declarações da Mensageira do Senhor:

“Importa que seja sempre manifesto que somos reformadores, mas não fanáticos. Quando nossos obreiros entram em um novo campo, devem procurar relacionar-se com os pastores das várias igrejas do lugar. Muito se tem perdido por negligenciar isto. Se nossos ministros se mostrarem amigáveis e sociáveis, e não agirem como se se envergonhassem da mensagem que apresentam, isto há de ter excelente efeito, e podem dar a esses pastores e a suas congregações impressões favoráveis da verdade. Seja como for, é direito proporcionar-lhes um ensejo de ser bondosos e favoráveis, se o quiserem. Nossos obreiros devem ser muito cuidadosos em não darem a impressão de ser lobos que se procuram introduzir para apanhar as ovelhas, mas deixar que os ministros compreendam sua posição e o objetivo da missão que lhes cabe: chamar a atenção do povo para as verdades da Palavra de Deus. Muitas dessas há, que são caras a todos os cristãos. Essas verdades são terrenos comuns, em que nos podemos encontrar com as pessoas de outras denominações, e ao nos relacionarmos com elas, devemos demorar-nos mais sobre os assuntos em que sentimos todo interesse, e que não encaminharão direta e incisivamente aos pontos de discórdia. – Review and Herald, 13 de junho de 1912.” – Evangelismo, págs. 143 e 144.

O que foi apresentado aqui serve para o caso da Polônia, ou de qualquer outra parte do mundo.

 

PERGUNTA Nº 2: Como a Igreja Adventista vê os movimentos ecumênicos ao redor do mundo, envolvendo a Igreja Católica, Metodista, Luterana, etc.? A Igreja Adventista participa desses movimentos?

 

RESPOSTA: A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é filiada a nenhuma entidade ecumênica no mundo. Esta Igreja tem uma sólida base profética e uma missão especial: dar ao mundo a tríplice mensagem angélica, de Apocalipse 14:6-13, cujo principal apelo é: “Sai dela, povo meu”. A mensagem da Igreja Adventista, em vez de ser uma mensagem de união com outras igrejas em suas doutrinas, é, ao contrário, uma mensagem que apela para que as almas sinceras saiam da confusão doutrinária e se unam ao povo “que guarda os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Apoc. 14:12). Qualquer afirmação, pois, de que a Igreja Adventista tem qualquer ligação de caráter ecumênico com outras igrejas, é falsa, sem fundamento. Isso não impede, entretanto, que cooperemos com outras denominações, e com governos, em assuntos de comum interesse, como obras de assistência e desenvolvimento social, campanhas de liberdade religiosa, entidades de combate a drogas e criminalidade, etc., conforme já descrevemos na resposta à pergunta anterior.

Exemplo de cooperação aceitável é o trabalho da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais), entidade da Igreja que trabalha em convênios com órgãos governamentais de países como Estados Unidos, Peru, Bolívia, etc. Agora mesmo, no Brasil, a ADRA da União Central Brasileira fez convênio com o governo federal para o atendimento de sete aldeias indígenas, da tribo Carajás, na Ilha do Bananal. Temos ali uma equipe formada de administrador, médico, dentista, agentes sociais, e outros servidores, que desde o início do ano estão em plena atividade, em grande parte mantidos pelo órgão público federal correspondente. A respeito desse tipo de cooperação, eis o que declara Ellen White:

“Enquanto estivermos neste mundo, e o Espírito de Deus Se estiver esforçando com o mundo, tanto devemos receber como prestar favores. Devemos dar ao mundo a luz da verdade segundo é apresentada nas Escrituras Sagradas, e do mundo devemos receber aquilo que Deus os move a fazer a favor de Sua causa. O Senhor ainda toca no coração dos reis e governadores em favor de Seu povo, e compete aos que estão tão profundamente interessados na questão da liberdade religiosa não dispensar quaisquer favores ou eximir-se do auxílio que Deus tem movido os homens a dar para o avanço de Sua causa.” – Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, pág. 202.

Com respeito a ministros de outras denominações religiosas, embora não nos liguemos ecumenicamente a eles, temos o dever de nos aproximar deles e manifestar-lhes simpatia e interesse. Eles, como nós, são almas por quem Cristo morreu, e devem conhecer as preciosas verdades para estes tempos.

Eis o conselho inspirado:

“Nossos ministros devem procurar aproximar-se dos ministros de outras denominações. Orai por eles, por quem Cristo está intercedendo. Pesa sobre eles solene responsabilidade. Como mensageiros de Cristo, cumpre-nos manifestar profundo e zeloso interesse nesses pastores do rebanho.” – Testemunhos Seletos (Ed. Mundial), vol. 2, pág. 376.

 

PERGUNTA Nº 3: É verdade que a Administração da Igreja, em função de acordo com a Igreja Católica, retirou recentemente algumas partes do livro “O Grande Conflito”, as que falam mais abertamente contra o papado e a Igreja Católica, fato esse mencionado pelo Pastor Juan Carlos Viera, em seu livro “The Voice of the Spirit”?

 

RESPOSTA: É verdade que o livro “O Grande Conflito” teve, ao longo dos anos, diferentes edições, das quais duas são as principais: A completa e a condensada. A completa contém o texto tal como foi escrito no início; e a condensada, na qual não constam algumas partes que eram mais agressivas, ou ofensivas à Igreja Católica. Mas isso não tem nada a ver com nenhum acordo com a Igreja Católica, que nunca interferiu nas publicações adventistas. A questão é outra.

Quando Ellen White escreveu esse livro, primeiramente em 1858, ela o fez para um país preponderantemente protestante. A Igreja ainda não começara sua obra de evangelização em outros países, cujos contextos sociais e religiosos eram diferentes dos que havia nos Estados Unidos.

Além desse fato, a Sra. White não havia recebido ainda orientações de Deus sobre como tratar outras denominações religiosas e em especial os católicos romanos.

Foi só da década de 1880 em diante que ela recebeu e escreveu as orientações inspiradas sobre como tratar os católicos, tanto através dos escritos, como através das pregações.

Notem as seguintes declarações:

Não suscitar preconceitos – Não devemos, ao entrar em um lugar, criar barreiras desnecessárias entre nós e outras denominações, especialmente os católicos, de maneira que eles pensem que somos declarados inimigos seus. Não devemos suscitar preconceito desnecessariamente em seu espírito, fazendo ataques contra eles. … Pelo que Deus me tem mostrado, grande número será salvo dentre os católicos.” – Manuscrito 14, 1887 – Evangelismo, pág. 144.

Obra cautelosa – “Há perigo de que nossos ministros digam demasiado contra os católicos e provoquem contra si mesmos os mais fortes preconceitos dessa igreja.” – Carta 39, 1887 – Evangelismo, pág. 574.

Evitar acusações rudes – Que aqueles que escrevem em nossas revistas não dirijam rudes ataques e alusões que por certo hão de causar dano e que obstruirão o caminho e nos impedirão de fazer a obra que devemos fazer a fim de alcançar todas as classes, inclusive os católicos. É nossa obra falar a verdade em amor, e não misturar com a verdade os elementos não santificados do coração natural, e falar coisas que se assemelham ao mesmo espírito possuído por nossos inimigos. Todas as ásperas acusações recairão sobre nós em medida dupla, quando o poder estiver nas mãos dos que o podem exercer para nosso dano. Muitas e muitas vezes me foi dada a mensagem de que não devemos, a menos que isso seja positivamente necessário para vindicar a verdade, dizer, especialmente em relação a pessoas, uma palavra nem publicar uma sentença que possa instigar nossos inimigos contra nós, e despertar suas paixões até à incandescência. …” – Obreiros Evangélicos, pág. 326.

Fechar a porta em seu rosto – “Mas, por amor de Cristo, dai ouvidos às admoestações dadas quanto a não fazer demolidoras observações quanto aos católicos. Muitos deles leem o Echo (Revista Missionária), e entre estes há almas sinceras que hão de aceitar a verdade. Mas fazem-se coisas que são como fechar-lhes a porta no rosto quando estão a ponto de entrar. Ponde no Echo mais animadores testemunhos de ação de graças. Não lhe obstruais o caminho, impedindo-o de ir a toda parte do mundo por torná-lo mensageiro de expressões duras. Satanás se regozija quando se encontra em suas páginas uma palavra mordaz. – Counsels to Editors, pág. 45 (1896).

Sede cautelosos – Importa fazerem-se decididas proclamações. A respeito dessa espécie de trabalho, porém, sou instruída a dizer a nosso povo: Sede cautelosos. Ao apresentar a mensagem, não façais investidas pessoais a outras igrejas, nem mesmo à católica romana. Os anjos de Deus veem nas diversas denominações muitos que só podem ser alcançados com a maior precaução. Sejamos portanto cuidadosos com nossas palavras. Não sigam nossos ministros os próprios impulsos em acusar e expor os ‘mistérios da iniquidade’. Sobre esses temas, o silêncio é eloquente.” – Manuscrito 6, 1902.

Em 1913, os líderes da Igreja Adventista da Alemanha consultaram Ellen White sobre a possibilidade de suprimir certas expressões mais contundentes contra os católicos contidas no Grande Conflito. O Pr. William White, filho de Ellen White, e seu assistente naquela ocasião, após consultar a profetiza respondeu:

            “A respeito do caráter anti-católico do Grande Conflito, devemos admitir que nossos críticos têm razão, pois, essa característica do livro não se encontra apenas em algumas de suas declarações, mas permeia todo o livro… Mas nós podemos modificar, com autorização da autora, várias daquelas passagens que são mais objetáveis para nossos críticos católico-romanos.” – Carta de William C. White – 1913.

O problema se agravou mais também por leis que foram sendo promulgadas, em vários países, no sentido de condenar instituições ou indivíduos que editassem, ou dissessem, expressões que fossem consideradas ofensivas a outras instituições religiosas. Como esta, do Código Penal Alemão, promulgada em 1950:

“A pessoa que disser ofensa ou blasfêmia contra Deus em público, ou publicar afirmações ofensivas contra qualquer igreja cristã, ou contra qualquer outra denominação religiosa, … será punida com até três anos de prisão.” – Código Penal Alemão, 1950.

Hoje, mesmo no Brasil, há leis semelhantes.

Essas as razões das diferentes edições de “O Grande Conflito”, principalmente as que se destinam à Colportagem.

E essas alterações estão plenamente de acordo com o pensamento da autora, Ellen White, ao escrever, em 1909:

É verdade que nos é ordenado: ‘Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados’ (Isa. 58:1). Esta mensagem tem de ser dada, mas conquanto tenha de ser dada, devemos ter cuidado em não acusar, e apertar e condenar os que não possuem a luz que nós possuímos. Não devemos sair de nosso caminho para fazer duras acusações aos católicos. Entre os católicos existem muitos que são conscienciosíssimos cristãos, e que andam em toda a luz que sobre eles brilha, e Deus operará em seu favor.”

Essas as razões de edições diferentes de “O Grande Conflito”. Mas as editoras da Igreja publicam ambas as edições do livro.

 

PERGUNTA Nº 4: Como a Igreja considera o movimento gay intitulado “Seventh-day Adventist Kinship” supostamente apoiado pela Igreja com ajuda financeira, e por ter link nas páginas oficiais da Igreja? E também a entidade “God´s Rainbow” da mesma natureza?

 

RESPOSTA: A Igreja Adventista não apoia, de forma alguma, nenhum movimento que defenda ou promova o homossexualismo. Notícias que afirmam o contrário são tendenciosas e irresponsáveis. A posição oficial da Igreja, reafirmada em voto do Concílio Anual da Associação Geral, que é a voz autorizada da Igreja para o mundo todo, é clara e insofismável a respeito da prática do homossexualismo. Eis o texto completo:

 

DECLARAÇÃO SOBRE A POSIÇÃO ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA

 QUANTO A HOMOSSEXUALIDADE

 

            “A Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece que cada ser humano é precioso à vista de Deus, e assim buscamos ministrar a todos os homens e mulheres no espírito de Jesus. Cremos também que, pela graça de Deus e com o ânimo da comunidade da fé, uma pessoa pode viver em harmonia com os princípios da Palavra de Deus.

            Os adventistas do sétimo dia creem que a intimidade sexual é apropriada unicamente no relacionamento conjugal entre homem e mulher. Esse foi o desígnio estabelecido por Deus na Criação. As Escrituras declaram: ‘Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne’ (Gênesis 2:24). Esse padrão heterossexual é confirmado em todas as Escrituras. A Bíblia não faz ajustes para a atividade ou relacionamentos homossexuais. Os atos sexuais praticados fora do círculo de um casamento heterossexual estão proibidos (Levítico 20:7-21; Romanos 1:24-27; I Coríntios 6:9-11). Jesus Cristo reafirmou o propósito da criação divina quando disse: ‘Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher, e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? … Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem’ (Mateus 19:4-6). Por esse motivo os adventistas do sétimo dia opõem-se às práticas e relacionamentos homossexuais.

            Os adventistas do sétimo dia empenham-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam as consequências do pecado. Ele ofereceu um ministério solícito e proferiu palavras de conforto às pessoas que enfrentavam dificuldades, embora fizesse distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas. – Concílio Mundial da Associação Geral – Outubro de 1999.

 

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No Concílio Anual de 1987, outro documento foi promulgado, concernente à posição da Igreja sobre a conduta sexual. Eis o texto:

 

CONCÍLIO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO GERAL

12 de outubro de 1987

 

Deus, em seu infinito amor e sabedoria, criou homem e mulher, e os fez com base no firme fundamento de lares e famílias ligados pelos laços do amor.

            É propósito de Satanás, porém, perverter toda coisa boa, e a perversão do melhor conduz inevitavelmente para o que é pior. Sob a influência da paixão desvinculada de princípios morais e religiosos, a associação dos sexos tem-se degenerado, lamentavelmente, em licenciosidade e abuso, os quais resultam em escravidão. Com a ajuda de muitos filmes, televisão, vídeos, programas de rádio e materiais impressos, o mundo está sendo guiado para novas profundezas de vergonha e depravação. Não é só a estrutura da sociedade que está sendo danificada, mas também a derrocada da família tem trazido outros males terríveis. O resultado em vidas de crianças e jovens desorientadas e confusas desperta nossa piedade, e os efeitos não são apenas desastrosos, mas também acumulativos.

            Estes males têm-se tornado mais intensos e constituem uma séria e crescente ameaça aos ideais e propósitos do lar cristão. Práticas sexuais, que são contrárias à vontade de Deus como o adultério, sexo pré-marital, comportamento sexual obsessivo, abuso sexual do cônjuge, abuso sexual de crianças, incesto, práticas homossexuais (gays e lésbicas), e brutalidades que são perversões óbvias do plano original de Deus, têm sido o resultado dessa atual situação. Como pode ser visto claramente nas seguintes passagens das Escrituras (Ver Êxo. 20:14; Lev. 18:22, 23, 29 e 20:13; Mat. 5:27 e 28; I Cor. 6:9; I Tim. 1:10; Rom. 1:20-32), essas práticas são condenadas, mas estas advertências são rejeitadas e trocadas por opiniões humanas. Desta forma muita incerteza e confusão prevalecem. Isto é o que Satanás deseja. Ele sempre quer fazer com que as pessoas esqueçam que Deus é o Criador e fez Adão, e que Ele também criou Eva para ser a companheira, mulher, de Adão. “Homem e mulher Ele os criou” (Gên. 1:24). Apesar das claras declarações bíblicas sobre os padrões morais, o mundo hoje está testemunhando o ressurgimento das perversões e depravações que marcaram as civilizações antigas.

            Os resultados degradantes da obsessão desta era com o sexo, e a busca do prazer sensual, são claramente descritos na Palavra de Deus. Mas Cristo veio para destruir o trabalho do diabo e restabelecer a correta relação dos seres humanos entre si, e com o seu Criador. Assim, embora em Adão todos tenham caído, e se tornado cativos do pecado, os que se voltarem para Cristo em arrependimento receberão o perdão, e terão escolhido o melhor caminho, o caminho da restauração completa. Por meio da cruz, o poder do Espírito Santo no “interior do homem”, e nutridos pelo ministério da Igreja, todos podem ser libertados do poder das perversões e práticas pecaminosas.

            A aceitação da graça de Deus conduz inevitavelmente o crente a um tipo de vida e de conduta que está de “acordo com a doutrina de nosso Deus e Salvador” (Tito 2:10). Também a Igreja deve exercer a firme e amorosa disciplina com o membro que desrespeitar o Salvador e os princípios de conduta da vida cristã.

            A Igreja reconhece a penetrante verdade e o poder motivador das palavras de Paulo para Tito:

            “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. Ensinando-nos que, renunciando a impiedade e as concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente. Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tito 2:11-14). (Ver também II Pedro 3:11-14). – Concílio Anual da Associação Geral – 12 de outubro de 1987.

 

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Com respeito à entidade “Seventh-day Adventist Kinship International”, que advoga a prática do homossexualismo, e que congrega jovens e adultos que se desviaram dos princípios morais da Igreja para esse tipo de vida, nada tem a ver com a organização adventista, e dela não recebe nenhum tipo de apoio, nem moral nem financeiro.

A própria entidade declara isso em seu “site”:

SDA Kinship & SDA Church

 

“What is the relationship between the Seventh-Day Adventist Church and SDA Kinship International, Inc.?

            Seventh-day Adventist Kinship International has no formal connection with the Seventh-day Adventist Church. SDA Kinship does not receive support in any form from the General Conference of Seventh-day Adventists or its constituent churches. In 1987 the Seventh-day Adventist Church filed legal action with the State of California in an attempt to keep SDA Kinship from using the name ‘Seventh-day Adventist’ or ‘SDA’ in its name. On October 3, 1991 United States District Judge Mariana R. Pfaeizer ruled that Seventh-day Adventist Kinship International, Inc. did not infringe on the SDA Church´s use of the name and therefore could continue to use the identifying characteristic ‘Seventh-day Adventist’ and ‘SDA’ in their name.”

(Tradução em Português)

 

SDA KINSHIP E A IGREJA DVENTISTA

 

“Qual é a relação entre a Igreja Adventista do Sétimo dia e a ‘SDA Kinship International’?

            “A ‘SDA Kinship International’ não tem nenhuma conexão formal com a Igreja Adventista do Sétimo Dia ou com suas igrejas locais. Em 1987 a Igreja Adventista do Sétimo Dia entrou com uma ação legal no Estado da Califórnia na tentativa de impedir que a SDA Kinship continuasse usando o nome ‘Seventh-day Adventist’ ou ‘SDA’. Em 3 de outubro de 1991 a juíza Mariana R. Pfaeizer decidiu que a ‘Seventh-day Adventist Kinship International’ não estava infringindo a lei ao usar o nome da Igreja Adventista, e portanto podia continuar usando o nome ‘Seventh-day Adventis’ e ‘SDA’ em seu nome.”

E por que, então, o endereço do “site” dessa entidade está no “Adventist Conection”, site pertencente à Andrews University, da Igreja Adventista?

A razão são as rígidas leis americanas contra qualquer tipo de discriminação contra grupos ou indivíduos. Como o “Adventist Conection” é um site que inclui as entidades que, de alguma maneira se relacionam com os adventistas, nem que seja só no nome, a exclusão da referida entidade pode trazer imprevisíveis conseqüências jurídicas.

Conforme o texto da entidade transcrito no início, a Igreja abriu uma ação jurídica para impedir o uso do nome Adventista por essa entidade. Se a Igreja tivesse ganho a causa seria mais fácil tirar o respectivo site da lista da Andrews. Como a juíza deu ganho de causa à referida entidade, como tirá-la da lista do site “Adventist Conection”, sem uma ação da justiça por parte da dita entidade? Devemos compreender e reconhecer os problemas próprios de cada país, antes de nos apressarmos em condenar ou acusar levianamente.

No site “Adventist Conection”, da Andrews, e que contém a lista das entidades relacionadas, há o seguinte esclarecimento: “Nem todas as entidades listadas aqui são aprovadas pela Igreja Adventista. Esta lista pretende ser apenas um documento de referência, e não implica em nenhuma espécie de apoio nem da Igreja Adventista e nem da Andrews University”.

Aqui e ali, um indivíduo ou outro, obreiro ou leigo, ou uma congregação ou outra, pode emitir opinião particular que destoe da posição oficial da Igreja como um todo. Isso é possível, principalmente nos Estados Unidos onde a liberdade de expressão garante o direito dos dissidentes de dizer o que querem. Mas uma coisa deve ficar absolutamente clara: A posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre conduta sexual, oficialmente, e para todo o mundo está exarada na Bíblia, no Espírito de Profecia, no Manual da Igreja, e declarada explicitamente nos documentos votados pelo Concílio Anual da Associação Geral, e acima apresentados. Qualquer outra afirmação, por grupos ou indivíduos dissidentes, ou por uma ou outra igreja local, ou por indivíduos que mantêm posições liberais a respeito desse assunto, não representa a posição oficial da Igreja, a qual se encontra nos documentos citados.

PERGUNTA Nº 5: Qual a interpretação da Igreja Adventista sobre Ezequiel 34?

 

RESPOSTA: Os autores desta pergunta, em sites conhecidamente acusatórios, interpretam Ezequiel 34, que fala sobre maus pastores que exploram e destroem os rebanhos, como sendo o ministério adventista, em especial os administradores. É uma exegese sem nenhuma seriedade. Mas por amor aos sinceros pesquisadores, vejamos o que há nos escritos de Ellen G. White sobre esse texto. Não há muita coisa. Algumas das principais referências estão a seguir:

Ellen White faz referência a esse capítulo ao falar sobre os líderes judeus do tempo de Cristo. Eis suas palavras: “A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza” (Ezequiel 34:4). “Os líderes judeus imaginavam-se demasiado sábios para necessitar de instrução, demasiado justos para necessitar de salvação, e demasiado honrados para necessitar da honra que vem de Cristo. O Salvador afastou-Se deles para outorgar a outros os privilégios de que tinham abusado e a obra que haviam negligenciado.” – E.G.White, Atos dos Apóstolos, p. 16.

No livro Educação ela cita, também, Ezequiel 34, no seguinte contexto:

“As palavras da inspiração, descrevendo a crueldade e avareza dos governantes de Israel, revelam o segredo da queda de Babilônia, e da de muitos outros reinos desde que principiou o mundo: ‘Comeis a gordura, e vos vestis da lã; degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza’(Eze. 34:3 e 4).” – Educação, págs. 175 e 176.

Há no entanto, uma regra de aplicação bíblica que serve para esse e para todos os escritos da Palavra de Deus, é a declaração de Paulo em Romanos 15:4: “Porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito.”

Nesse sentido as advertências contidas nesse capítulo podem ser aplicadas a pastores e líderes espirituais omissos e negligentes de todos os tempos, tanto no antigo Israel como em cada época da Igreja, e ainda hoje. Individualmente, cada obreiro responderá a Deus pela maneira como exerce seu pastorado. Mas em lugar algum a Sra. White diz que o ministério da Igreja Adventista, como um todo, e a sua liderança, estão enquadrados nas faltas e negligências mencionadas em Ezequiel 34. Pelo contrário, ela afirma: “Deus tem uma igreja, e ela tem um ministério designado por Ele… O Senhor tem Seus agentes designados, e uma igreja que tem sobrevivido a perseguições, conflitos e trevas…

“Deus tem agentes designados – homens a quem ele está guiando, que suportaram o calor e a fadiga do dia, que cooperam com os instrumentos celestiais para promoverem o reino de Cristo em todo o mundo. Unam-se todos a esses agentes escolhidos, e sejam afinal encontrados entre os que têm a paciência dos santos, guardam os mandamentos de Deus, e têm a fé de Jesus.” – E.G.White, A Igreja Remanescente, págs. 49, 50 e 54.

Mas os pastores e demais líderes da Igreja são admoestados, nos escritos inspirados, a buscarem cada dia crescerem em sua comunhão com Deus, e no seu ministério, e a corrigirem, pelo poder divino, toda falta de caráter e toda negligência, para que possam ser verdadeiros instrumentos de Deus no cuidado do rebanho do Senhor.

PERGUNTA Nº 6: Em Washington, DC, numa loja do SELS (ABC), vendem-se artigos pastorais que fogem aos nossos costumes, tais como batinas e crucifixos. Há a intenção de a Igreja adotar esses trajes nas cerimônias religiosas?

 

RESPOSTA: Nas lojas de SELS, aqui ou em Washington, o objetivo principal é a venda de livros e material evangelístico para os membros de nossas igrejas, e para o público em geral. No SELS (ABC) de Washington, há outros produtos à venda, entre eles produtos naturais de saúde, e becas para coristas e becas que outras igrejas evangélicas usam em suas cerimônias (que para confundir alguns chamam de batinas), mesmo os seus pastores. Mas para a Igreja Adventista, não há nenhuma ideia de se usar roupas especiais por parte de nossos pastores nos ritos religiosos, a não ser os coristas.

Nas solenidades de formatura de nossos colégios e de nossas faculdades, também é costume usar becas apropriadas para a ocasião, conforme é de conhecimento de todos.

 

PERGUNTA Nº 7: É verdade que a Administração da Igreja se envolveu na edição de duas Bíblias falsas, de acordo com afirmações de sites da Internet?

 

RESPOSTA: Não é verdade. Vejamos os dois casos mencionados em alguns sites:

 

1) A tradução da Bíblia em Portugal – A Sociedade Bíblica de Portugal, que é inter-denominacional, semelhante à do Brasil, convidou um grupo de estudiosos para fazer uma nova tradução da Bíblia, de acordo com os originais hebraicos e gregos. Do grupo faziam parte ministros de várias igrejas evangélicas e um católico, e foi convidado também o Pastor Teófilo Ferreira, adventista, por ser profundo conhecedor do hebraico e do grego. Conforme já vimos em outra resposta desta série, não há nenhum mal em nossos pastores ou membros da Igreja participarem de projetos com ministros de outras denominações, sempre que esses projetos não contrariem nossos princípios.

Ao Pasto Teófilo coube, principalmente, a tradução de duas epístolas do Novo Testamento, e também do planejamento geral da obra. É verdade que a presença dele ali não iria impedir todas as falhas na tradução de textos mais difíceis, e nas notas de rodapé, mas temos conhecimento de que ele conseguiu evitar algumas traduções mais tendenciosas em várias partes da Bíblia.

No Brasil, o Pastor Arnaldo Christianini, competente escritor e intelectual adventista, que foi redator-chefe da Casa Publicadora Brasileira por muitos anos, também fez parte, por longo tempo, da Comissão de Tradução da Bíblia, na Sociedade Bíblica do Brasil, que constantemente trabalhava para aperfeiçoamento do texto bíblico. E acreditamos que sua participação ali foi benéfica e oportuna. Igualmente o irmão Haroldo Lobo, ilustre membro da Igreja Central do Rio de Janeiro, hoje falecido, participou da diretoria da Sociedade Bíblica do Brasil, tendo sido por algum tempo seu presidente. Sua presença nessa entidade só foi benéfica e honrou o nome da Igreja Adventista.

Não houve, pois, nenhum erro da parte do Pastor Teófilo Ferreira em fazer parte do grupo de tradutores da Bíblia em Portugal, não sendo ele responsável por eventuais falhas da referida tradução, ou das notas de rodapé.

 

2) A Bíblia Comentada (The Clear Word Bible), escrita pelo Pastor Jack J. Blanco, e publicada pela Casa Publicadora Adventista dos Estados Unidos, a Review and Herald.

 

Não é uma tradução. É uma paráfrase da Bíblia, ou seja, um tipo de comentário devocional da Bíblia. Não tem como objetivo ocupar o lugar da Bíblia traduzida rigorosamente de acordo com os originais.

É um livro para ser lido como meditação. É mais ou menos semelhante à Bíblia na Linguagem de Hoje, que também não é uma tradução, mas uma paráfrase, onde a compreensão do autor é exposta em cada versículo. Para maior clareza, vejamos o que é paráfrase. O dicionário diz: “Paráfrase: Desenvolvimento do texto de um livro ou documento; tradução livre e desenvolvida.” – Dicionário Escolar, de Silveira Bueno.

No prefácio da “The Clear Word Bible”, o autor explica: “Isto não é uma nova tradução, mas uma paráfrase das Escrituras. Não é para estudo em profundidade, ou para leitura nas igrejas. Para isso há várias excelentes e acuradas traduções. Esta paráfrase tem por objetivo prover aos leitores lampejos novos sobre o caráter gracioso de Deus, o ministério vivo do Senhor Jesus Cristo, e as lutas da Igreja primitiva para sobreviver.”

E ao final do prefácio o autor escreve: “Dessa forma, compartilho com você, leitor, esta paráfrase das Escrituras, a qual se desenvolveu em minha própria experiência devocional, e tem enriquecido minha vida pessoal imensamente.”

Alguém poderá discordar ou concordar com esse tipo de obra. É um direito de cada um. Mas não vemos razão para condenar este trabalho devocional. Sua leitura não traz nenhum problema de doutrina ou de fé. Tudo que está escrito nesta paráfrase da Bíblia está de acordo com nossos princípios e com nossa interpretação das Escrituras.

PERGUNTA Nº 8: Alguns sites divulgam que o Livro de Praxes da Divisão Sul-Americana permite aplicar dízimo em escolas. Isso não entra em discordância com o que Ellen White escreveu a respeito do dízimo, dizendo que o dízimo deve ser empregado na manutenção do ministério?

 

RESPOSTA: Parte do trabalho realizado em nossas escolas é evangelístico e pastoral. O ensino de Bíblia, o trabalho do capelão, material evangelístico para os alunos e suas famílias, são de caráter a poderem ser mantidos com o dízimo. Notem o que escreveu Ellen White sobre isso:

“Nossas Associações olham para as escolas em busca de obreiros educados e bem preparados, e deviam dar-lhes, a essas escolas, um apoio mais caloroso e inteligente. Tem sido comunicada positiva luz para que os que ministram em nossas escolas ensinando a Palavra de Deus, explicando as Escrituras, educando os alunos nas coisas divinas, sejam sustentados com o dinheiro do dízimo. Estas instruções foram dadas há muito tempo, e mais recentemente têm sido aqui e ali repetidas.” – Testemunhos Seletos, vol. II, pág. 473.

Por essa razão o Livro de Praxes da Divisão orienta sobre a aplicação de parte do dízimo em nossas escolas. Está de acordo com os escritos de Ellen White.

Esse princípio (do uso do dízimo em atividades de evangelização e de cuidado pastoral) aplica-se também a outros trabalhos, como cuidado pastoral com a juventude da igreja, trabalho em favor das crianças da igreja, etc.

PERGUNTA Nº 9: É verdade que o dízimo pode ser mudado de nome e então usado praticamente em qualquer atividade da Igreja?

 

RESPOSTA: A respeito disso, o que existe no Livro de Praxes, em súmula, é o seguinte: Se uma Associação, ou União, em alguma ocasião, ou esporadicamente, tem um montante de dízimo acima do que ela necessita para manter as atividades próprias para o dízimo, ela não deverá usar esse excesso em outras consecuções que não são próprias para o uso do dízimo. Mas a Associação Geral, que recebe grande parte das ofertas missionárias, tem esses outros fundos lá para serem aplicados nas missões. O dinheiro dessas ofertas sim pode ser aplicado para outras obras, como construção de igrejas, ou de escolas, ou de hospitais, etc. Então o Livro de Praxes permite que aquela Associação ou União com alguma reserva de dízimo, troque aquela parcela de dízimo por outras ofertas, através da Associação Geral, que por sua vez usará aquele dízimo enviado, para o sustento de missionários, o que está dentro do legítimo uso do dízimo. Mas essa permuta de dízimo por outro tipo de oferta só pode ser feita através da Associação Geral, e somente quando a Associação local ou União está com o seu capital operativo em dia, e mesmo assim somente até 25% dos dízimos que entraram na referida Associação ou União. Pelo exposto compreendemos que se torna rara a circunstância em que essa permuta se faz, pelas exigências a serem preenchidas para isso.

Mas é uma prática legítima, devidamente regulamentada pela Igreja Mundial, e especificada no Livro de Praxes, livro esse que regulamenta o trabalho administrativo dos Campos, das Uniões e da Associação Geral.

Se aceitamos a autoridade da Igreja Mundial como legítima, de acordo com o que aconselha a Serva do Senhor, então esses assuntos não trazem problema algum. Porque a Igreja já os estudou e os regulamentou. Mas se alguém não aceita a Igreja, em seu corpo mundial, como sendo veículo de Deus para a realização de Sua obra e de Sua missão no mundo, então tudo será problema. Nesse caso nunca haverá explicação suficiente sobre qualquer assunto que seja.

PERGUNTA Nº 10: Por que as praxes da Organização Adventista contêm cláusula que concede ao obreiro auxílio de aluguel, mesmo ele possuindo casa própria?

 

RESPOSTA: A Igreja (organização), há mais de 130 anos tem seus pastores e obreiros assalariados. E ao longo desses anos tem ela procurado dar a esses obreiros salários e auxílios equilibrados e justos, para que eles tenham uma vida digna com sua família, e possam dedicar-se, sem outras preocupações, ao trabalho na Obra. E entre os auxílios básicos que os obreiros recebem está o auxílio-moradia. E a Obra Adventista procura incentivar esses obreiros a irem, ao longo dos anos, providenciando sua casa própria, para os anos de aposentadoria, quando os obreiros não mais recebem auxílio-moradia.

O auxílio-moradia é para todos os obreiros, enquanto estiverem na ativa, tenham ou não eles já adquirido sua casa própria. A praxe assim o regulamentou, ao longo da experiência dos anos. Todos recebem proporcionalmente os mesmos benefícios em salário e auxílios, e cabe a cada um deles viver em economia, e livres de dívidas, para poderem, nos anos de velhice, ter o seu lugar próprio de morar. As comissões que regulamentam esses assuntos financeiros procuram trabalhar com equilíbrio e justiça, administrando da melhor maneira os recursos da Igreja de Deus. Ellen White tem muitos conselhos sobre assuntos dessa natureza. Escreveu ela:

“Têm-me sido dadas instruções especiais quanto a nossos ministros. Não é a vontade de Deus que eles busquem ser ricos. Não se devem meter em empresas mundanas; pois isso os incapacita para dedicar suas melhores energias às coisas espirituais. Mas devem receber suficiente salário para manter-se a si mesmos e a sua família.” – Obreiros Evangélicos, pág. 271.

Seria muito difícil conceder esse auxílio a um obreiro, e a outro não, pois, a compra de uma casa às vezes é financiada por bancos, ou por outros meios, ao longo de 15 ou 20 anos; outras vezes o obreiro apenas vai guardando suas economias para comprar sua casa quando estiver aposentado, e outros a compram antes, mas muitas vezes vão reformando ou adaptando sua casa ao longo dos anos, de acordo com suas possibilidades. São tantas as circunstâncias que pode haver nesse assunto, que a Obra concede o auxílio a todos, deixando a cada obreiro o dever de administrar seus proventos, com economia e bom senso. Nesses mais de 150 anos de existência, a Obra Adventista tem procurado sempre aperfeiçoar todo o seu complexo sistema administrativo, que lida com grande quantidade de problemas, procurando fazer o seu melhor na condução dos interesses da Igreja, e agir criteriosamente dentro dos princípios que regem todas as atividades da Organização. Toda essa experiência e prática acumuladas ao longo dos anos, é que formam o Livro de Praxes. E os homens que trabalham no setor financeiro e de pessoal, como nos demais setores, são os escolhidos pela própria comunidade da Igreja, pelo sistema representativo. E eles prestam conta minuciosamente de seu trabalho às comissões devidamente estabelecidas para isso.

Como já dissemos antes, se cremos na organização da Igreja, e no seu sistema de trabalho que vem de mais de um século e meio, confiaremos em que Deus está dirigindo Sua obra, e que os que trabalham nela estão fazendo o seu melhor, dentro de normas e princípios corretos.

 

PERGUNTA Nº 11: É verdade que a Organização Adventista formou empresas seguradoras bilionárias nos Estados Unidos e no Brasil, quando a Sra. White diz claramente que “os guardadores do sábado não devem se envolver em seguros de vida”? Por que uma igreja que deveria só pregar o evangelho deve se envolver com negócios de seguro?

 

RESPOSTA: A Igreja Adventista não possui nenhuma seguradora no Brasil. Tem apenas uma “corretora”, a Unibrás, encarregada de fazer junto a seguradoras nacionais os seguros que devem ser feitos, por determinação da própria Organização, ou por lei.

A Igreja mantém, no entanto, em nível de Associação Geral, uma seguradora própria, que funciona dentro das leis do País, e das praxes da Organização Adventista, para os seguros devidos relacionados com as propriedades e o pessoal da Organização. O capital que ela tem, é o que é exigido por lei, e pertence à própria Igreja.

Hoje, nenhuma organização, ou empresa, pode ficar sem cobertura de seguros. Nos tempos da Sra. Ellen White, todo esse assunto de seguros estava no seu começo, as leis não eram ainda bem definidas, e nem tudo funcionava a contento. Mesmo assim ela se manifestou a respeito algumas vezes, sobre alguns tipos de seguros.

Vejam, por exemplo, esta carta que ela escreveu a seu filho William C. White, em 1880, sobre seguro de sua própria casa: “Quero que você providencie para que a casa em Healdsburg seja assegurada. Fale com Lucinda sobre isso.” (Carta 17, 1880 – Arquivos do White Estate – Associação Geral).

Quatro anos mais tarde ela escreveu: “Irmão Palmer diz que lhe escreveu sobre o seguro. Se a casa não está no seguro, isso deve ser feito imediatamente.” (Carta 53, 1884).

Com respeito aos bens da Igreja serem assegurados, o assunto começou a ser discutido desde a década de 1860, e havia muita divergência a respeito. Mas o próprio sistema de seguros foi-se aperfeiçoando no país, e leis reguladoras, e até obrigatórias, foram sendo promulgadas, que o assunto foi regularizado dentro da própria Organização Adventista, e hoje funciona da maneira mais eficiente possível.

Já em 1860 James White, esposo de Ellen, e que foi mais tarde presidente da Associação Geral, escreveu: Quanto ao seguro, dizemos (no vol. XV, nº 23), não temos nada a declarar no momento. Até agora não asseguramos nossos próprios prédios, e se a Igreja concordar em não assegurar os bens da Igreja, seremos processados.”

Devemos lembrar que só em 1863 é que a Igreja Adventista se organizou de forma mais completa, mas mesmo antes o assunto de seguros contra fogo e calamidades, principalmente, já estava na preocupação dos dirigentes.

A questão mais difícil, realmente, é sobre o seguro de vida. Ellen White desaconselhou o seguro de vida aos membros da Igreja e aos obreiros, em seu tempo. E, no entanto, hoje esse tipo de seguro é praticado para os que trabalham na Organização Adventista.

Há um documento preparado pelo Departamento dos Escritos de Ellen White (“White Estate”), na Associação Geral, que trata do assunto, tanto histórica como administrativamente. Estamos colocando à disposição dos interessados esse documento, para maiores esclarecimentos.

Em resumo, o documento mostra que o seguro de vida, naqueles tempos, não era algo sério e bem regulamentado, e muitos que o fizeram, ao necessitarem dele (família) dificilmente recebiam os benefícios. Era, pois, um negócio muito arriscado, que às vezes exigia bastante dinheiro em pagamento, mas que não oferecia segurança. Com respeito à posição da Sra. White sobre certos problemas de sua época, e sobre os quais ela se manifestava, há uma declaração dela que pode servir de orientação com respeito a seus escritos. Diz ela: Quanto aos testemunhos, coisa alguma é ignorada; coisa alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados. Coisa alguma deve ser feita inoportunamente.” – Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 57.

Muitas vezes, com o passar do tempo, as circunstâncias mudam, e é necessário novo posicionamento sobre certos assuntos. Por exemplo: Ellen White era contra a oficialização de nossas escolas. Ela achava que se fossem oficializadas, perderíamos a liberdade de tê-las sob nosso completo controle. No entanto hoje, nem é possível funcionar uma escola sem ser oficializada. Ninguém nem discute mais isso.

No seu tempo Ellen White declarou que as crianças só deviam ir para a escola com 8 ou 10 anos. Hoje, a ida das crianças já para o Jardim é inevitável, já pela obrigatoriedade social e legal (aos 7 anos é obrigatório a criança já estar no curso fundamental), já pelas circunstâncias das famílias, cujas mães precisam trabalhar fora. Por isso é que Ellen White orientou, quanto aos seus escritos: “ O tempo e o lugar devem ser levados em conta.”

Pensamos que esse é o caso também do seguro de vida. As circunstâncias de hoje são diferentes das que existiam naquele tempo concernentes ao assunto de seguros. Hoje, muitas vezes, esses seguros devem ser feitos.

Mas os que se interessarem em mais detalhes sobre a questão de seguros de vida, leiam o documento todo do “White Estate”, à disposição aqui, ao final desta resposta.

 

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Com respeito à própria Organização Adventista ter a sua seguradora, creio ser compreensível que é muito mais sábio manter esse dinheiro, gasto obrigatoriamente com seguros, dentro da Organização, do que gastá-lo com empresas seguradoras de fora. O crescimento da Igreja vai exigindo providências e medidas administrativas, que não eram necessárias antes.

Os responsáveis pela condução da Obra, em todos os seus aspectos, bem como as comissões competentes, estão alerta e buscando a direção divina para tomar as decisões corretas no momento certo, diante de cada problema que surge. E o fato da Igreja ter uma seguradora para seus bens, em nada vai prejudicar o andamento da obra missionária e evangelística. Os que ali trabalham são preparados para aquele tipo de serviço.

Um pouco antes de morrer, Ellen White reafirmou sua confiança de que Deus estaria com os homens sob os quais estava a liderança da Igreja: “Nossos homens de mente firme sabem o que é bom para o crescimento e progresso da causa.” – Ellen White, 1915 – Última mensagem à Igreja, ditada de seu leito durante sua última enfermidade – (A Igreja Remanescente, pág. 81).

“Não há necessidade de duvidar, de temer que a obra não terá êxito. Deus está à frente da obra e Ele porá tudo em ordem… Tenhamos fé em que Deus há de pilotar seguramente ao porto, a nobre nau que conduz o povo de Deus.” – Ellen G. White, 1892 – (A Igreja Remanescente, pág. 68).

OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA E O SEGURO DE VIDA

(Documento Aprovado pelo Concílio Anual da Associação Geral)

 

 Histórico Sobre o Assunto

 

Desde seus primeiros anos, os adventistas do sétimo dia têm discutido sobre a participação ou não de membros da igreja em planos de seguro contra perda, com atenção dada ao seguro de vida.

            Apesar de a Igreja como um todo não ter tomado uma posição, muito menos ter feito disso um teste de disciplina, muitos membros creram que a Igreja desencorajou fazer seguro de vida, por ser tal prática supostamente incompatível com o tipo de confiança na providência que marca o cristão dedicado. Ministros têm incluído frequentemente em suas apresentações públicas testemunhos contra seguros e têm encorajado os crentes, tanto antigos como novos, a abandonarem seguros já existentes.

            Muitos pioneiros adventistas, apesar de saberem que a Bíblia não aborda diretamente o assunto de seguros, pediram que nenhum tipo de seguro fosse feito por cristãos. Por exemplo, em 1860 Roswell F. Cottrell, autor e líder proeminente, citou os seguintes textos da Bíblia como apoio para a sua posição:

“Quem fica por fiador de outrem sofrerá males” (Provérbios 11:15). “Não toqueis em coisas impuras” (2 Coríntios 6:17). “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação” (Salmos 146:3). “O Senhor os ajuda e os livra dos ímpios e os salva, porque nEle buscam refúgio” (Salmos 37:39 e 40). “Feliz o homem que em Ti confia” (Salmos 84:12).

            Apesar de concordar com a posição geral de Cottrell, James White tinha reservas sobre a aplicação do texto, e expressou sua preocupação quanto às conseqüências através das seguintes palavras:

            “Quanto ao seguro, dizemos [no Vol. XV, nº 23], ‘Com respeito ao seguro não temos nada a declarar no momento. Até agora não asseguramos nossos próprios prédios e se a igreja concordar em não assegurar os bens da igreja, seremos processados.’ Por isso as fortes razões do Irmão RFC são um lado da principal questão em debate. Mas esperamos que todos considerarão cuidadosamente suas evidências e conexões, para que vejam por si mesmos a quantidade de testemunhos diretamente contra o seguro. A verdade prevalecerá.” – Ibidem.

            Enquanto a discussão anterior entre os líderes adventistas tratava de seguro de todos os tipos, os riscos envolvidos os levaram posteriormente a aceitar o princípio do seguro de bens contra fogo, tempestade e roubo. A mudança de atitude surgiu por volta de 1860, quando a igreja estava consentindo na incorporação legal a fim de manter os bens da Igreja. Naquela época o risco de incêndio era muito ameaçador, porque o aquecimento era produzido por fogões à carvão ou à lenha e a luz era de lâmpadas à óleo.

            A aceitação de Ellen White com respeito ao seguro de proteção aos bens é registrada em suas cartas. Em 1880 ela escreveu ao seu filho, William C. White: “Quero que você providencie para que a casa em Healdsburg seja assegurada. Fale com Lucinda sobre isso. Estou preocupada com isso” (Carta 17, 1880). Quatro anos mais tarde ela escreveu: “Irmão Palmer diz que lhe escreveu sobre o seguro. Se a casa não está no seguro, isso deve ser feito imediatamente” (Carta 53, 1884).

            Este conselho estava em harmonia com suas repetidas instruções de que todos os passos deveriam ser tomados para salvaguardar as propriedades. Enquanto ela ainda estava viva, seu filho, William C. White, respondeu a uma inquirição com respeito a seguro contra fogo:

            “Não encontramos nos escritos da Mamãe nenhuma condenação da prática do seguro em nossas propriedades contra fogo. Mamãe sempre considerou isso muito diferente de seguro de vida. Ela mantêm seus imóveis corretamente assegurados, e tem encorajado algumas de nossas instituições a fazer o mesmo” Carta de W. C. White, em 5 de agosto de 1912.

 

Ellen G. White e o Seguro de Vida

 

No entanto, o seguro de vida foi visto sob uma luz diferente. De um modo geral, os que assumiram uma posição contra o seguro de vida, o fizeram baseados nas declarações de Ellen White, iniciando com o seu artigo de duas páginas, “Seguro de Vida”, publicado primeiramente em 1867 em Testimonies nº 12. Por ser sua mais antiga e mais extensa explanação sobre o assunto, é reproduzida de maneira completa aqui:

            “Foi-me mostrado que os adventistas que guardam o sábado não devem se envolver em seguro de vida. Esse é um comércio com o mundo que Deus não aprova. Os que participam nesses empreendimentos estão se unindo ao mundo, enquanto Deus chama Seu povo para sair dele e ser separado. O anjo disse: ‘Cristo o comprou através do sacrifício de Sua vida. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora pois glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, que é de Deus.’ ‘Porque estais mortos, e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é vossa vida, aparecer, então vós também aparecereis com Ele em glória.’ Aqui está o único seguro de vida que o céu aprova.

            “O seguro de vida é uma norma mundana que leva nossos irmãos a se envolverem, e abandonarem a simplicidade e pureza do evangelho. Cada um desses desvios enfraquece a nossa fé e diminui nossa espiritualidade. Disse o anjo: ‘Mas vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo peculiar, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.’ Como povo pertencemos ao Senhor de maneira especial. Cristo nos comprou.

“Anjos de extremo poder estão ao nosso redor. Nem um pardal cai sem que o nosso Pai celestial note. Até mesmo os cabelos da nossa cabeça estão contados. Deus tem feito provisões para Seu povo. Ele cuida do Seu povo de maneira especial, e estes não deveriam desconfiar de Sua providência, participando de empreendimentos do mundo.

            “Deus tem a intenção de que preservemos a nossa simplicidade e santidade peculiar como um povo. Os que se envolvem nessas praxes mundanas, investem meios que pertencem ao Senhor, que Ele nos confiou para usar em Sua causa. Porém poucos receberão algum retorno do seguro de vida, e sem as bênçãos de Deus, mesmo estes terão prejuízo em vez de benefício.

            “Satanás está constantemente apresentando tentações ao povo escolhido de Deus, para atrair suas mentes do solene trabalho de preparação para as cenas do futuro. Ele é, no sentido mais profundo da palavra, um enganador, um habilidoso sedutor. Ele encobre seus planos com coberturas de luzes emprestadas do Céu. Ele tentou a Eva a comer do fruto proibido, fazendo-a crer que teria muitas vantagens por causa disso.

            ‘“Satanás leva seus agentes a introduzir variadas invenções e direitos de patentes e outros empreendimentos, para que os guardadores adventistas do sábado, que têm pressa de ficar ricos, caiam em tentação, tornem-se seduzidos, e embrenhem-se em muitas tristezas. Ele está bem alerta e empenhado diligentemente em levar o mundo ao cativeiro. Através da força do mundanismo, ele mantém um atraente estímulo para levar os imprudentes que professam crer na verdade, a unirem-se aos mundanos. A lascívia no olhar, o desejo de emoção e diversão, é uma tentação e uma armadilha ao povo de Deus.

            “Satanás tem muitas tramas sutis e redes perigosas, que aparentam inocência, mas pelas quais está se preparando habilidosamente para enfeitiçar o povo de Deus. Há shows alegres, diversões, leituras frenológicas e uma variedade interminável de empreendimentos que surgem constantemente, planejados para levar o povo de Deus a amar o mundo e as coisas que há no mundo.

            “Através da união com o mundo, a fé se enfraquece, e recursos que poderiam ser investidos na causa da presente verdade são transferidos para as fileiras do inimigo. Através desses diferentes canais, Satanás está habilidosamente desperdiçando as posses do povo de Deus, e por causa disso a indignação do Senhor está sobre eles.” – Testimonies, vol. 1, pp. 549-551.

            Uma leitura cuidadosa nos habilita a ver as cinco razões dadas por Ellen White para opor-se ao seguro de vida:

            Sobrecarrega excessivamente os crentes com as coisas do mundo.

Encoraja um espírito mundano e secular, contrários à simplicidade e sinceridade do serviço cristão.

Diminui o senso da providência de Deus.

Representa uma negação à verdadeira mordomia para com Deus, por desviar seus fundos em aventuras arriscadas, na esperança de ganho.

Manifesta ganância como a especulação em direitos de patentes e invenções.

            Baseado nessa análise de Ellen White, é óbvio que ela considera a participação em seguro de vida tanto uma ameaça à experiência espiritual, como inconveniente, por ser uma aventura especulativa.

            Após seu artigo inicial de 1867, Ellen White fez somente referências ocasionais ao seguro de vida em seus escritos. Outra declaração sua foi dirigida a N. D. Faulkhead, um proeminente obreiro na Austrália, que além do seu profundo envolvimento com a Maçonaria, fez um seguro no valor de 200 libras. Ellen White, ao instar-lhe a romper sua conexão com a Maçonaria, também o aconselhou a cancelar seu seguro de vida. Respondendo ao seu apelo, Faulkhead escreveu: “Também vi sabedoria em seu testemunho concernente ao seguro de vida. Eu tinha um seguro em um dos escritórios da cidade, e com a ajuda de Deus eu o descontinuei também.” – N.D.Faulkhead para Ellen G. White, 18 de setembro de 1893.

 

A irmã White escreveu-lhe em resposta, dizendo:

 

            “Sua carta foi recebida e lida com profundo interesse. Estou muito agradecida ao nosso bondoso Pai celestial que lhe deu força através de Sua graça para se libertar da Maçonaria. … Alegro-me também que você se desfez do seguro de vida. …

            “A certeza do céu é o melhor seguro de vida que você pode ter. O Senhor prometeu Sua guarda neste mundo, e no mundo porvir Ele prometeu nos dar a vida imortal.” – Carta 21, 1893.

            As subsequentes referências de Ellen White sobre o seguro de vida não refletem nenhuma explanação filosófica adicional, mas há vários usos metafóricos do termo “seguro de vida”, frequentemente relacionado à convicção encontrada em 2 Pedro 1:10 e 11. Ela escreveu por exemplo:

            “Ninguém precisa perder o sono devido a documentos de seguro de vida. Seu direito como herdeiro de Deus, e co-herdeiro com Jesus Cristo, é de uma herança incorruptível, imaculada e que não se desvanecerá.” Ms 63, 1899.

            Uma revisão das declarações de Ellen White leva-nos à conclusão de que o seguro de vida, como era praticado na sua época, era contrário aos princípios cristãos, tanto do ponto de vista espiritual como administrativo.

 

 Práticas de Seguro no Final do Século Dezenove

 

            O período após a Guerra Civil foi uma fase de rápida expansão e inovações tecnológicas nos Estados Unidos. Essa época foi descrita corretamente como um período de oportunismo crescente e de especulação, completamente não regulada pelo Governo. Práticas de monopólio e a industrialização se concentravam no acúmulo de vastas fortunas pessoais, quase que sem imposto. Os esquemas para enriquecer rapidamente eram muito comuns, geralmente resultando na perda do investimento. Foi um tempo bem caracterizado pela famosa sátira de P. T. Barnum: “Os trouxas nunca acabarão.”

            A emergente indústria de seguros estava totalmente inserida no espírito da época, e se constituía num envolvimento de alto risco. Embora grupos de ações de seguro subcapitalizados prometessem rápido enriquecimento, faliam frequentemente sem aviso prévio, deixando suas apólices sem valor. Ao as companhias tratarem com seus clientes, eram frequentemente injustas e muitas vezes cometiam fraude. Seguros de vida feitos em nome de pessoas totalmente desconhecidas eram apresentados ao público, como publicidade, e as pessoas eram encorajadas a investir nessas companhias, na esperança de lucrar com a morte do assegurado.

            Os abusos de tal sistema levou o público a exigir regulamentos do Governo. No início de 1906, leis reguladoras federais e estaduais foram designadas para coibir fraudes e exigir das companhias de seguro regras e práticas corretas.

As companhias de seguro atuais, reguladas criteriosamente pela lei e agências governamentais, diferem em aspectos importantes daquelas do final do século dezenove. O conselho de Ellen White contra investimentos em seguros de vida deve ser entendido no contexto e nas práticas de sua época, para compreendermos propriamente o significado de suas palavras.

 

 Provisão para o Tempo de Necessidade

 

Ambos, as Escrituras e os escritos de Ellen White, consideram um mandato divino a responsabilidade cristã de planejar e prover para os seus entes queridos. Tanto na fé como na prática, a Bíblia atribui uma responsabilidade primária tal cuidado com os parentes próximos. Baseado na autoridade do quinto mandamento, “Honra teu pai e tua mãe”, o apóstolo Paulo salienta a importância deste princípio de maneira enfática. Ele escreveu:

            “Mas se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus…. Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Tim. 5:4, 8).

            Jesus reforçou o mesmo princípio, referindo-se a isto como o “mandamento de Deus” (Mat. 15:6).

            Repetidamente Ellen White enfatizou a importância de planejar para as necessidades futuras. Exemplos de tal conselho incluem o seguinte:

            “Poderias ter hoje capital para usar em caso de emergência e ajudar a causa de Deus, se tivesses economizado como devias. Cada semana, uma parte de teu salário deve ser reservada, e de maneira alguma tocada, salvo no caso de real necessidade para devolver ao doador como oferta a Deus. …

            “Os recursos que tens conseguido não têm sido sábia e economicamente gastos, de maneira a deixar margem para, no caso de vires a ficar doente, não ficar tua família privada dos meios para o seu sustento.” – O Lar Adventista, pp. 395 e 396.

            “Se você e sua esposa tivessem entendido ser um dever que Deus lhes deu, negar seus gostos e desejos, e fazer provisões para o futuro, em vez de meramente viver o presente, … sua família poderia ter tido conforto na vida.” – Testimonies, vol. 2, p. 432.

            Através de sua vida Ellen White promoveu, como deveres cristãos, a prática da diligência, trabalho honesto, exercício da previdência, autonegação e generosa benevolência para a causa do Senhor. Ela encorajou a aquisição de posses de qualidade, e o cuidado delas. Falou em favor de compra de casas, onde isto é possível, e aprovou o acúmulo de reservas razoáveis para uso em necessidades. Ela aconselhava que tais reservas estivessem disponíveis não somente para necessidades pessoais, mas também para expandir a obra de Deus e atender àqueles, fora da família, que estivessem em dificuldades. Ela via favoravelmente a aquisição de uma casa modesta, mas confortável, para a aposentadoria, e falou do respeito próprio que resultaria de se haver planejado para o futuro. (Ver Testimonies, vol. 7, pp. 291 e 292.)

 

 Conclusão

 

Procurando entender os ensinamentos das Escrituras e os escritos de Ellen White sobre o seguro de vida, muitos adventistas têm-se concentrado nos seus avisos contra o seguro, negligenciando seus testemunhos que visam também fazer provisões para tempos de necessidade. O efeito tem sido privar os membros de benefícios dessa natureza, que um planejamento prudente poderia suprir.

            Sob as atuais condições, as perguntas fundamentais são: As apólices de seguro oferecem um método para suprir as necessidades de emergência que são compatíveis com os princípios cristãos? Podem elas ajudar a resolver as crises surgidas pela deficiência ou morte do provedor, sem enfraquecer a fé ou o comprometimento da confiança na providência de Deus? Podem elas auxiliar a cumprir a responsabilidade, dada por Deus, de proteger os sobreviventes inocentes de tragédias, neste perigoso mundo? Podem elas preencher a lacuna criada pelos reduzidos laços familiares deste mundo moderno, à medida em que o individualismo aumenta e os programas governamentais desfazem os antigos vínculos?

            Uma comissão de estudo da Associação Geral, e o Ellen G. White Estate, conduziu uma detalhada pesquisa do seguro de vida, resumida em um relatório de 50 páginas publicado em 1957. Suas proposições, baseadas em cuidadosa investigação, proveem uma sólida interpretação dos princípios envolvidos, e devem ser levados em consideração para se chegar à uma conclusão. Estes princípios incluem o seguinte:

            O Espírito de Profecia aconselha, sem hesitação, e ensina, decididamente, que o cristão deve fazer provisão para os “maus dias”. Devemos reconhecer que virá tempo quando o salário será reduzido ou cessado; e olhando para o futuro, devemos, se possível, ter uma quantidade razoável de propriedades, e reserva monetária, para suprir tais necessidades, a fim de que não fiquemos dependendo da caridade alheia.

            É apropriado ter a segurança de uma modesta moradia, e um investimento financeiro moderado – aplicado no banco, investido na obra do Senhor, ou aplicado em outro investimento seguro.

É adequado nos beneficiarmos da proteção oferecida pelo seguro de incêndio e de automóveis.

            Em qualquer provisão que fizer para o futuro, o cristão tem de estar sempre ciente do cuidado especial e amoroso de Deus sobre Seus filhos, e não se esquecer das necessidades da obra de Deus.

            A família e a igreja têm responsabilidade para com seus membros, em tempo de necessidade e de luto. O cristão deve partilhar o fardo do seu próximo para que ninguém sofra.

            A extensão da provisão que deve ser feita para os dias de necessidade, e como isso deve ser efetuado, fica a critério do indivíduo, para resolver cuidadosamente e com oração, com o coração entregue a Deus, e com a determinação de que o cumprimento dessas responsabilidades seja dado, passo a passo, em harmonia com a vontade de Deus.

            Os conselhos dados sobre o seguro de vida pelo Espírito de Profecia na década de 1860, foram dados num período em que seguro de vida não era corretamente regulamentado, e muitas vezes era manipulado em função de interesses de “caloteiros”, como um jogo desonesto num esquema de rápido enriquecimento.

            Apesar dos conselhos do Espírito de Profecia entre os anos de 1867 e 1909 terem continuado a ser consistentes em desencorajar seguro de vida, deve ser reconhecido que nos Estados Unidos tal seguro ficou sob o controle de leis bancárias estaduais somente a partir de 1906. Até 1910 algumas companhias ainda estavam envolvidas em práticas duvidosas e frequentemente desonestas. Entretanto, após 1909, não houve declarações de Ellen White sobre seguros de vida.

            Vários planos de poupança e seguro que hoje são definidos como “seguro de vida”, protegidos por leis estaduais legisladas cuidadosamente, e sujeitos à inspeção rigorosa de autoridades governamentais, são geralmente considerados seguros-investimentos, e são mais sólidos do que muitos outros investimentos.

            Na maioria dos assim chamados planos de seguro, como são designados hoje, o princípio de reservar algo para dias de necessidade, e também de partilhar o fardo com o próximo, está sendo executado. O círculo atinge, além da família ou igreja, um grande número de pessoas, equilibrando assim as responsabilidades, e minimizando as despesas.

            Seguro de saúde é também outra maneira de nivelar o que poderia resultar em altas despesas. Nesse caso também, um grande número de pessoas divide as responsabilidades uns com outros.

            Seguro para funerais, igualmente, é uma forma de prover os recursos necessários para a morte, através do pagamento adiantado por um período de anos.

            Institutos funerários dos quais um grande número de pessoas participa, seja por pagamento mensal, ou taxa por ocasião da morte de um membro, são uma maneira de dividir sistematicamente os gastos, de tal maneira que levamos as cargas uns dos outros. Através de um plano bem organizado fazemos a provisão apropriada para uma despesa que tem de ser paga.

            Os institutos de previdência social (o INSS, no Brasil) são reconhecidos pela Igreja como um plano, através do qual o empregador e o empregado se unem em economizar, sistematicamente, para um fundo que estará à disposição em tempo de necessidade, seja na aposentadoria ou morte.

Esses diferentes planos proporcionam exatamente para os membros leigos o que a Denominação (IAJA) – por conselho do Espírito de Profecia – tem fornecido por muitos anos para ministros e outros funcionários da Denominação (IAJA). Esse é um plano no qual uma porcentagem regular da folha de pagamento de várias organizações de trabalho é acumulada num fundo centralizado que é para ser desembolsado em pagamentos mensais ao aposentado, ou ao trabalhador incapacitado, ou a suas viúvas, em situações de dificuldade, para gastos extras com médico e funeral.

            Apesar de oficialmente não encorajar nem desencorajar seus membros quanto a diferentes tipos de seguro, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, através de votos da Comissão da Associação Geral em Concílio Anual, aprovou formalmente planos de seguridade social e de benefício para sobreviventes.

            Na escolha do método empregado para prover “um capital para usar em caso de emergência” (O Lar Adventista, p. 395), seja qual for o método, um cuidado especial deve ser tomado em buscar e seguir os conselhos dos mais experientes, em quem se pode confiar para obter uma direção segura.

            Independente da reserva que o provedor faça em preparo para o dia de adversidade financeira ou renda reduzida, ele deve guardar-se cautelosamente contra atitudes que podem levá-lo ao amor ao dinheiro, ou a colocar sua confiança naquilo que ele criou com suas próprias mãos, prejudicando, assim, uma íntima comunhão com seu Criador e Redentor.

O Senhor, através da orientação do Espírito de Profecia, nos deu muitos conselhos e diretrizes a respeito de nossa responsabilidade financeira de mordomia, deixando claro nossas obrigações para com Deus, para com nossa família, para com nossos irmãos da Igreja e nosso próximo. Esses conselhos devem ser cuidadosamente estudados, reestudados e absorvidos, para que acumulemos tesouro no Céu, e não sejamos seduzidos pelos enganos de Satanás.

 

 Com base nas considerações feitas, foi

 

 VOTADO:

 

            Advertir todos os crentes, especialmente aqueles que têm a responsabilidade financeira da família, a efetuar uma reserva bem planejada para situações de emergência que podem afetar a eles próprios e suas famílias.

            Assegurar-se de que os seguros de vida não têm nenhum conflito com os princípios cristãos como meios legítimos de prover para tempos de necessidade.

            Ponderar que as decisões quanto à extensão de como o seguro será usado para contribuir para o planejamento financeiro da família, é uma questão de consciência pessoal, e que a Igreja não deve tomar qualquer posição oficial nesse aspecto.

            Aconselhar que o ato de economizar para o futuro não dá qualquer direito ao exercício da ganância.

            Recomendar àqueles que planejam para o futuro, através de seguros, a evitarem que motivos egocêntricos venham a ser parte de seu planejamento.

            Educar os membros da Igreja, através do ministério da mordomia, no que concerne a sólidos princípios em planejamento financeiro familiar.

            Não tomar qualquer medida, como Igreja, quanto a estabelecer ou promover qualquer forma de seguro de vida em comum para os membros.

                                                                                           (Concílio Anual da Associação Geral – 1985)

  

PERGUNTA Nº 12: É verdade que a administração alienou os hospitais e clínicas da Igreja Adventista, nos Estados Unidos, entregando para uma equipe que estaria, supostamente, repartindo entre si milhões de dólares, e salários até de 800 mil dólares por ano, conforme colocado nos referidos sites? E quanto à declaração do presidente da Divisão Norte-Americana, Alfred McClury, na Review and Herald, de que “a igreja perdeu o controle dos hospitais”?

 

 RESPOSTA: Os hospitais da Obra Adventista hoje, principalmente nos Estados Unidos, estão sujeitos a rígidas leis governamentais. E muitos deles, por terem-se tornado grandes hospitais, exigem uma administração e um gerenciamento financeiro muito especializado para enfrentarem a grande concorrência no setor. A Igreja, então, nos Estados Unidos, organizou um setor próprio para administrar seus hospitais. O nome dessa entidade é Adventist Health System/Sunbelt, Inc. É uma organização eficiente e que presta conta de seu trabalho à Associação Geral. Temos, por exemplo, o grande hospital de Orlando, Flórida, um dos melhores do mundo. Temos o hospital de Loma Linda, que tem elevado o nome da Igreja Adventista nos meios científicos e médicos. E os que trabalham nessas instituições médicas adventistas são profissionais de alta responsabilidade, em parte pelo sistema de obreiros e em parte profissionais que são remunerados pelos serviços prestados, como é o mais comum nos Estados Unidos.

Não há nada, dentro do sistema adventista de saúde, que propicie uma arbitrária distribuição de dinheiro para alguns que ali trabalham, como sugere alguma notícia veiculada por alguns. E se o pastor Alfred McClury declarou que “a Igreja perdeu o controle dos hospitais”, é preciso ver em que contexto ele disse isso (o artigo todo), e a que aspectos da obra médica ele está se referindo. É verdade que a obra médica, principalmente nos Estados Unidos, pela complexidade desse setor, pelas leis que a controlam, pelo tamanho das instituições, ficou de difícil administração. É o preço do crescimento. Mas quem visita nossos hospitais na Flórida, na Califórnia, em Washington, ou em outras cidades dos Estados Unidos, vê que a obra médica adventista, apesar dos problemas e complexidade que o crescimento e os tempos modernos trouxeram, ainda honra o nome da Igreja, e continua sendo uma grande porta através da qual o nome e a mensagem da Igreja são disseminados. Nesse setor, como nos demais, podemos ter certeza de que a Administração da Igreja está fazendo o seu melhor, e com seriedade, dentro das circunstâncias do mundo moderno.

 

PERGUNTA Nº 13: É verdade que a administração de nossa Igreja tem se envolvido em processos judiciais? E os administradores, não satisfeitos com a disciplina da Igreja, contratam advogados e levam os opositores aos tribunais, contrariando as doutrinas bíblicas? E com respeito a processos judiciais com membros da Igreja? O que ensina a Bíblia e o Manual da Igreja?

 

RESPOSTA: A Organização Adventista evita ao máximo envolver-se em processos jurídicos contra outras entidades, ou contra indivíduos. A não ser que se torne necessário defender a própria Igreja, como no caso do uso indevido do nome “adventista” por indivíduos ou entidades particulares sem autorização da Igreja, ou em caso de defender os bens da Igreja, ameaçados às vezes por pessoas desonestas e mal intencionadas.

            Tanto a Associação Geral como as Divisões, Uniões e Campos têm o seu setor jurídico, para defender os direitos da Igreja e da Obra, sempre que necessário. Hoje em dia a complexidade das leis que regem todas as atividades da sociedade e do mundo, exige que haja profissionais especializados que cuidem dos assuntos legais e jurídicos da Igreja.

Mas com respeito a processos jurídicos envolvendo pessoas da Igreja, as diretrizes da Igreja para isso estão no Manual da Igreja, no capítulo intitulado: Disciplina Eclesiástica – Conciliação de Dissensões entre os Membros.

A orientação ali é que se envide todo empenho para se evitar recorrer a tribunais seculares para resolver problemas entre membros da Igreja. Problemas de membros devem ser resolvidos no âmbito da Igreja. É o que aconselha a Bíblia e o Espírito de Profecia. Apenas quando o problema ultrapassa a possibilidade de a Igreja resolver, é que o Manual da Igreja deixa o assunto à consciência da pessoa que se sente prejudicada.

 

O Manual da Igreja assim orienta:

 

“O Ideal de Deus para os membros de Sua Igreja é que eles, ‘se possível, quanto depender… [deles, tenham] paz com todos os homens’ (Rom. 12:18). A Igreja deve usar seu processo facilmente acessível e razoavelmente breve, pelo qual podem ser solucionadas muitas desavenças entre os membros. Se a igreja deixar de atender ao pedido de auxílio da parte de um membro para conciliar uma dissensão, ou se ela admitir que o caso é de tal natureza que não se acha dentro de sua autoridade, deve-se reconhecer que o membro esgotou as possibilidades do processo delineado biblicamente para solução de dissensões, e o que ele (ou ela) deve fazer além desse ponto é uma questão que fica ao critério de sua consciência.” – Manual da Igreja, pág. 166.

 

PERGUNTA Nº 14: Em algumas programações da Igreja existe uma forte ênfase sobre o nome do pregador, ou do palestrante. Expressões como: “O grande evangelista fulano de tal”, etc. Seria essa a melhor maneira de divulgar um trabalho evangelístico? A Sra. White nos ensina que é uma estratégia de Satanás procurar sempre chamar a atenção para os homens, e, fazendo tropeçar esses líderes, confunde e faz cair o maior número de pessoas. Isso não pode ser perigoso?

 

RESPOSTA: É verdade que a ênfase em qualquer trabalho evangelístico, ou de cunho espiritual, deve ser de preferência na mensagem e não nos homens. Mas muitas pessoas vão ouvir uma conferência evangelística, dependendo de quem vai falar. E não vemos problema em que se mencione o nome do orador, se isso vai atrair as pessoas para ouvirem a mensagem. Até com os autores da Bíblia fazemos isso, quando mencionamos, por exemplo: Assim escreveu Paulo, assim escreveu Pedro. Não mencionamos só o assunto tratado, mas mencionamos o nome do autor bíblico para dar força e autoridade ao texto que queremos apresentar. Mas concordamos que a grande ênfase sempre deve ser dada à mensagem de Deus e não a seres humanos.

 

PERGUNTA Nº 15: É verdade que a Sra. White, em alguma ocasião, não considerava mais “a voz da Associação Geral como sendo a voz de Deus para a Igreja”? Ela não confiava nas decisões da Associação Geral?

 

RESPOSTA: Essa pergunta foi feita à própria Sra. White, portanto vamos ver a sua própria resposta:

 

“Fui muitas vezes instruída pelo Senhor de que o juízo de homem algum deve estar sujeito ao juízo de outro homem qualquer. Quando, porém, o julgamento da Associação Geral, que é a mais elevada autoridade que Deus tem sobre a Terra, é exercido, a independência e o juízo privados não devem ser mantidos, mas submetidos.Testimonies, vol. 3, pág. 492 (Publicado primeiro em 1875).

            “Não tive nenhum raio de luz que Ele (o Senhor) me desse para vir a este País (Austrália). Vim em submissão à voz da Associação Geral, a qual sempre sustentei ser autoridade. – Carta 124, 1896. (Escrita em 9 de agosto de 1896).

 

“Nunca deve a mente de um homem ou de uns poucos homens ser considerada suficiente em sabedoria e autoridade para controlar a obra, e dizer quais os planos que devam ser seguidos. Mas quando numa assembleia geral é exercido o juízo dos irmãos reunidos de todas as partes do campo, independência e juízo particulares não devem obstinadamente ser mantidos, mas renunciados. Nunca deve um obreiro considerar virtude a persistente conservação de sua atitude de independência, contrariamente à decisão do corpo geral.

            “Por vezes, quando um pequeno grupo de homens, aos quais se acha confiada a direção geral da obra tem procurado, em nome da Associação Geral, exercer planos imprudentes e restringir a obra de Deus, tenho dito que eu não poderia por mais tempo considerar a voz da Associação Geral, representada por esses poucos homens, como a voz de Deus. Mas isto não equivale a dizer que as decisões de uma Associação Geral composta de uma assembleia de homens representativos e devidamente designados, de todas as partes do campo, não deva ser respeitada. Deus ordenou que os representantes de Sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Associação Geral, devam ter autoridade. O erro que alguns estão em perigo de cometer, é dar à opinião e ao juízo de um homem, ou de um pequeno grupo de homens, a plena medida de autoridade e influência de que Deus revestiu Sua igreja, no juízo e voz da Associação Geral reunida para fazer planos para a prosperidade e avançamento de Sua obra.

“Quando este poder, que Deus colocou na igreja, é entregue inteiramente a um só homem, e ele é revestido da autoridade de servir de critério para outros espíritos, acha-se então mudada a verdadeira ordem da Bíblia. Os esforços de Satanás sobre o espírito de tal homem seriam os mais sutis, e por vezes quase dominantes: pois o inimigo teria a esperança de, por meio do seu espírito, poder influenciar muitos outros. Demos à mais altamente organizada autoridade na igreja aquilo que somos propensos a dar a um único homem ou a um pequeno grupo de homens. – Testimonies, vol. 9, págs. 2160 e 261. (Publicado primeiramente em 1909). – A Igreja Remanescente, págs. 66 a 68.

 

 PERGUNTA Nº 16: Em determinado “site”, que se dedica aos negócios da crítica, há alusão depreciativa ao Departamento de Aviação da Universidade Andrews, como sendo um extravagante e inútil gasto de dinheiro. O que há de verdade nisso?

 

RESPOSTA: O Departamento de Aviação da Andrews é semelhante aos demais departamentos de ensino daquela Universidade. O aeroporto existente, os aviões, os hangares, fazem parte das dependências próprias para o Curso Superior de Aviação que a Andrews oferece aos estudantes, como muitos outros cursos da Universidade. Ver desperdício ou extravagância na manutenção desse curso, e dessas dependências e máquinas destinadas ao ensino, ou é crassa ignorância ou má fé.

O curso é oferecido indistintamente a todos os estudantes que desejarem, e não apenas para o preparo de pilotos missionários.

Eis a informação que nos veio de um estudante da Andrews:

 

“Um curso universitário da Andrews exige no mínimo 190 créditos, os quais se, tomados em quatro anos, totalizariam US$ 69.816,00 (dólares). Outros cursos exigem até 233 créditos, aumentando o custo total. Portanto, uma faculdade em tecnologia da aviação custaria quase setenta mil dólares, mais cinco a sete mil extra para gastos com aluguel de avião e instrutor de voo. Tudo isso é pago pelo aluno e não pela Igreja Adventista, muito menos pelo dízimo. A maioria dos estudantes faz empréstimos do governo americano para seus estudos, por serem os juros baixos, e por só começarem a pagar após o término do curso, e em pequenas prestações.”

A aviação é uma área de estudos na Andrews University, como qualquer outra. E esse curso que a Andrews oferece é muito bem conceituado naquele Estado americano.

O jovem Márcio Costa, piloto missionário formado na Andrews, dá as seguintes informações sobre aquela Escola de Aviação:

“Chamo-me Márcio Costa, sou piloto missionário graduado em Engenharia Aeronáutica pela Andrews University. Por ser brasileiro e membro da Igreja Adventista, alegro-me em saber que a aviação desperta interesse entre os jovens do Brasil, e gostaria de informar como é o setor de aviação aqui na Andrews.

            “Ao contrário do que se imagina, vários aviões que se encontram no Airpark não são de propriedade da Andrews. Principalmente os mais novos e mais modernos são de terceiros, que arrendam os aviões para que a Andrews use para treinamento dos estudantes, e também para taxi aéreo da região.

            “Com respeito ao avião Bufallo, que é um avião grande, foi doado pela Força Aérea Americana para uso de estudo técnico pelos alunos (e custou apenas despesas de locomoção: 2,500.00 dólares). A única condição é que o avião não seja vendido a outros com menos de quatro anos de uso pela escola.

            “Uma grande alegria é saber que o brasileiro Pr. Léo Ranzolin (Vice-presidente da Associação Geral) é o que responde pelos assuntos de aviação ligados à Igreja Adventista no mundo inteiro.

“Um grande abraço a todos.”

 

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Como mais uma evidência do bom trabalho que a Escola Superior de Aviação da Andrews realiza, registramos aqui uma nota publicada no jornal da União do Lago, no mês de junho de 2000, escrita pelo Pastor Don Schneider, presidente daquela União, naquela ocasião:

“Numa viagem de avião recentemente, encontrei o chefe dos mecânicos aéreos da United Express Airlines em South Bend (cidade da região). Ele comentou comigo que o programa de ensino de aviação da Andrews está preparando jovens para serem pilotos missionários e bons mecânicos. Ele me disse: ‘Eu gostaria de empregar todos esses estudantes ao se formarem na Andrews. Eles são os melhores que eu posso encontrar.’”

Eis aí, pois, o bom trabalho que a Escola Superior de Aviação, da Andrews University, realiza.

 

PERGUNTA Nº 17: Frequentemente em alguns “sites” aparece a acusação de que esposas de pastores e administradores da Obra são também empregadas da Obra. Seria isso impróprio? Seria “nepotismo”?

 

RESPOSTA: Quase sempre, quando um homem se dedica à Obra de Deus, sua esposa partilha o mesmo ideal. Eles lutam juntos. Sonham juntos planos para a Igreja. E muitas vezes trabalham na mesma Organização.

Se uma esposa de pastor ou de administrador é capacitada para uma função na Obra, qual o mal de ela ocupar essa função? Se não estiver apta para um cargo, aí sim seria uma injustiça ela ocupá-lo. Mas se a mulher é capaz e dedicada, muito mais correto é que ela una seus talentos aos do marido obreiro, do que ir trabalhar em empresas mundanas, bancos, etc.

Apenas uma ilustração sobre esse assunto: Na denominação evangélica “Exército de Salvação”, sempre que um homem é chamado para um posto missionário, é de regulamento que sua esposa também seja obreira assalariada de tempo integral. Isso mostra ser uma prática salutar marido e esposa estarem unidos no mesmo ideal de serviço na Obra do Senhor.

Já “nepotismo” é o abuso de empregar parentes apenas para proveito próprio, ou por favorecimento ilícito. Isso não deve acontecer na Obra. Mas se a esposa do obreiro é apta e preparada para uma função necessária, é justo que ela trabalhe ali, unindo seus esforços ao do marido.

O que diz a Sra. Ellen White sobre isso? E é bom lembrar que o Pr. Tiago White trabalhava na Obra Adventista, Ellen também, e seu filho William foi seu assessor, trabalhando na Obra, durante muitos anos, e o neto de Ellen, Arthur White, foi também obreiro durante toda sua vida útil, trabalhando, nas últimas décadas de sua vida, no Departamento do Acervo de Ellen White, na Associação Geral.

 

Mas o que aconselha Ellen sobre esse assunto? Eis algumas de suas declarações:

 

“O ministro é pago por seu trabalho e isso é justo. E se o Senhor dá à esposa da mesma maneira que ao marido, o encargo da obra, e ela dedica seu tempo e energias a visitar as famílias e expor-lhes as Escrituras, embora não lhes hajam sido impostas as mãos da ordenação, ela está realizando uma obra que pertence ao ramo do ministério. Deveria então seu trabalho ser reputado por nada?

            “Têm-se feito por vezes injustiça a mulheres que trabalham tão dedicadamente como seus maridos, e que são reconhecidas por Deus como necessárias à obra do ministério. O plano de pagar os obreiros homens, e não pagar a suas esposas, as quais partilham de seus labores, não é segundo o mandamento de Deus, e, caso seja seguido em nossas associações, é capaz de desanimar nossas irmãs de se habilitarem para a obra em que se devem empenhar. Deus é um Deus de justiça, e se os ministros recebem pagamento por seu labor, as esposas, que se consagram à obra com o mesmo desinteresse, devem ser pagas além do ordenado que os maridos recebem, mesmo que elas não o solicitem.

            “Os adventistas do sétimo dia não devem, de forma alguma, amesquinhar a obra da mulher. Se esta entrega seu serviço doméstico nas mãos de uma auxiliar fiel e prudente, e deixa seus filhos em boa guarda ao passo que ela se ocupa na obra, a associação deve ter a sabedoria de compreender a justiça de remunerá-la.” – Obreiros Evangélicos, págs. 452 e 453.

 

“Estas mulheres dão tempo integral, e nada recebem por seu trabalho, devido a que seus esposos recebem salário. Tal decisão deve ser revista. A Palavra do Senhor diz que ‘digno é o obreiro do seu salário’. Enquanto nenhuma decisão for tomada, protesto em nome do Senhor. … Sei que essas fiéis mulheres devem receber salário proporcional ao que recebem os ministros. Elas carregam o peso das almas, e não devem ser tratadas injustamente.” – Ellen G. White, Manuscrito, 5:29.

 

PERGUNTA Nº 18: Como funciona o Departamento de Auditoria da Obra Adventista? Seria prudente substituir nossos auditores por profissionais de fora?

 

RESPOSTA: Alguns dizem que os auditores adventistas que auditam os muitos setores, departamentos e instituições da Obra Adventista, não são confiáveis. Quem faz esse tipo de observação é porque não crê na Igreja, não conhece as orientações de Deus para Seu povo, ou faz observação leviana. Os homens e mulheres que são escolhidos pelas comissões competentes, em seus vários níveis, são escolhidos por sua experiência comprovada na Obra, por sua capacidade profissional, e pela integridade de vida demonstrada ao longo dos anos. Que espírito é esse que afirma confiar mais em estranhos e incrédulos, do que em irmãos na fé? Não pode ser espírito de Deus. Só pode ser aliado do inimigo. Alguns estão brincando com suas atitudes de críticos e difamadores dos servos de Deus. Perderam o senso de hombridade cristã, e a noção do certo e o errado. Estão brincando com Deus, com o juízo vindouro, e com a seriedade da Igreja de Deus. E todos aqueles que se unirem a esses, em palavras e ações, ou demonstrando-lhes simpatia por sua obra diabólica, terão a mesma recompensa final, prevista para os infiéis e zombadores.

Mas o que diz Ellen White sobre o pensamento de buscar homens de fora da Igreja, para auditar ou supervisionar coisas da Igreja? Eis suas palavras:

“Os interesses da Causa de Deus não devem ser confiados a homens que não têm ligação com o Céu. Os que são desleais a Deus não podem ser conselheiros seguros. Eles não possuem aquela sabedoria que provém do alto. Não se pode confiar neles para sentenciarem sobre questões relacionadas com a Causa de Deus, questões essas das quais dependem tão grandes resultados. Se nós seguirmos o seu critério, certamente seremos conduzidos a situações muito difíceis e atrasaremos a obra de Deus.

            “Os que não estão ligados com Deus estão ligados com o inimigo de Deus, e embora sejam sinceros no conselho que dão, eles mesmos são cegos e enganados. Satanás põe sugestões na mente e palavras na boca que são inteiramente contrárias à mente e à vontade de Deus. Assim ele age por meio deles para induzir-nos a falsas veredas. Se puder, ele nos desencaminhará, enredará e arruinará.

            “Antigamente era um grande pecado para o povo de Deus entregar-se ao inimigo, revelando diante deles sua perplexidade ou sua prosperidade. Sob a economia antiga era um pecado oferecer sacrifício sobre o altar errado. Era um pecado oferecer incenso aceso pelo fogo errado.

“Corremos o perigo de misturar o sagrado e o comum. O fogo sagrado de Deus deve ser usado em nossos esforços. O verdadeiro altar é Cristo; o verdadeiro fogo é o Espírito Santo. Isto é nossa inspiração. É somente quando o Espírito Santo dirige e guia um homem que ele constitui um conselheiro seguro. Se nos desviarmos de Deus e de Seus escolhidos para inquirir em altares estranhos, seremos retribuídos de acordo com as nossas obras. Manuscrito 112, sem data.”- Mensagens Escolhidas, vol. III, págs. 300 e 301.

 

Eis aí pois o caminho a seguir, no trato das coisas da Igreja. O resto é artimanha de Satanás e de seus representantes.

 

PERGUNTA Nº 19: Frequentemente críticos contumazes levantam novamente acusações e insinuações contra o Pr. Robert Folkenberg, envolvendo sua saída da administração da Associação Geral. Esses acusadores lançam sempre mãos de jornais mundanos e maldosos, de inimigos da Igreja, ou revistas tendenciosas ligadas a grupos de críticos, como suas fontes prediletas de informação. É possível dar-nos algumas informações sobre o problema?

 

RESPOSTA: A seguir, transcrevemos aqui o que foi publicado no jornal “Adventus”, da União Central, a respeito do assunto.

 

Na primeira metade do mês de janeiro, aproximadamente, o jornal Los Angeles Times, de circulação nacional nos Estados Unidos, publicou a notícia de que uma demanda judicial havia ingressado na Corte de Sacramento, Califórnia (USA), contra a Divisão Inter-Americana, a Conferência Geral, o Pr. Robert Folkenberg, o Dr. Walter Carson, advogado da Conferência Geral, e outros.

 

O autor da ação era o Sr. James Moore, um homem de negócios da Califórnia, e co-fundador de uma entidade filantrópica, por nome Sharing Tennessee, da qual fizeram parte, por alguns anos, o Pr. Folkenberg e a Divisão Inter-Americana da Igreja Adventista.

            No processo, o Sr. Moore não acusava o Pr. Folkenberg de algum ato desonesto, e nem atacava sua integridade moral. A reclamação era a respeito de procedimentos administrativos que, segundo alegava o Sr. Moore, trouxeram prejuízos pecuniários a ele, uma vez que, pelo estatuto, conforme afirmação dele, ele tinha direito a uma porcentagem do movimento financeiro da entidade. Mas Moore alegava que alguns projetos filantrópicos da organização tiveram prioridade, em detrimento do que ele devia receber como direito seu. E por essa razão ele entrou na justiça, no intuito de conseguir, por vias judiciais, o que ele achava ser-lhe devido. E a demanda era no valor de 8 milhões de dólares, naturalmente com o exagero a que estão acostumados os advogados dessa área.

Para melhor compreensão do problema, vejamos como começou esse relacionamento entre o Sr. James Moore, a Divisão Inter-Americana, o Pr. Folkenberg, e outros.

            Em 1976, quando o Pr. Folkenberg era presidente da União Central-Americana, que congrega a maioria dos países da América Central (Honduras, San Salvador, Guatemala, etc.), ocorreu um grande terremoto na Guatemala, com conseqüências catastróficas. Nessa ocasião, pela primeira vez aparece em cena esse cavalheiro, Sr. James Moore, acompanhado de um empresário adventista da Califórnia, para presenciar pessoalmente os estragos do terremoto, e com planos de ajuda humanitária. Com esse intuito procuraram o Pr. Folkenberg. Alguns contatos continuaram entre o Sr. Moore e a administração da União, por um ou dois anos, e a certa altura o Sr. Moore externou seu desejo de fazer uma grande doação de terras, perto da cidade de Sacramento, Califórnia, com objetivos filantrópicos e assistenciais. Como o empreendimento parecia ser de grande vulto, o Pr. Folkenberg encaminhou o assunto para a direção da Divisão Inter-Americana, que achou aceitável a oferta do Sr. Moore. Decidiram então que participariam da realização desse plano. Mas para viabilizar a execução do projeto, era necessário dar-lhe forma legal, e organizaram então uma entidade filantrópica. E para dirigir essa entidade foi convidado o Pr. Folkenberg, que, conforme já mencionado, era o presidente da União. As atividades dessa organização decorreram normalmente, com a realização de projetos sociais, ao longo de uma década. Mas algumas coisas aconteceram também nesse período. O Sr. Moore teve problemas com o fisco americano por irregularidades em seus outros empreendimentos, e foi condenado à pena de dois anos de reclusão. Após esse percalço o Sr. Moore, que antes não era ligado a nenhuma denominação religiosa, filiou-se ao catolicismo, e passou a trabalhar mais em projetos relacionados com a Igreja Católica, o que, naturalmente, trouxe divergências dentro da entidade.

            Diante desses acontecimentos, no ano de 1989 a Divisão Inter-Americana se desligou da entidade, mas, por força de projetos ainda em andamento, o Pr. Folkenberg continuou mais um ano na mencionada organização. Mas em 1990, ao ser eleito presidente da Conferência Geral, o Pr. Folkenberg deixou a dita entidade, para dedicar-se inteiramente à sua nova e pesada responsabilidade. Assumiu a presidência da entidade filantrópica o Dr. Walter Carson.

            Daí em diante o Sr. Moore foi aumentando seu descontentamento, principalmente pelo afastamento da Divisão Inter-Americana, e, depois, pelo desligamento do Pr. Folkenberg, achando que foi prejudicado também por isso, e então resolveu partir para a presente demanda judicial. Em parte, por uma presumível retaliação, e em parte, por possíveis problemas de ordem pessoal em seus negócios e empreendimentos.

 

A questão, daí em diante, teve o seguinte desdobramento:

 

Quando o Sr. Moore entrou com a queixa na Corte, o juiz responsável deu prazo de 30 dias para que ele apresentasse provas que justificassem a instalação do processo. Passados os 30 dias o Sr. Moore e seus advogados não apresentaram nenhuma prova. Pediram, no entanto, novo prazo, que deveria vencer no dia 25 de fevereiro, o que foi concedido pelo juiz. Foi quando o assunto entrou nos jornais, e a Comissão Interna da Conferência Geral se reuniu para estudar quais os caminhos mais prudentes a serem tomados para salvaguarda da Igreja, uma vez que a Conferência Geral, propriamente, nunca tivera relacionamento algum com o Sr. Moore e seus empreendimentos, mas, indevidamente, estava arrolada também no processo. A Comissão, então, convocou os presidentes das Divisões mundiais para tratar do assunto, em face da grande responsabilidade da questão.

            Havia a perspectiva de essa demanda levar meses, e até anos, nos tribunais, e se isso acontecesse, é evidente, a Igreja sofreria sensíveis danos, desviando suas energias e sua atenção da sua missão principal, para uma questão secundária e de nenhum valor, e, além do mais, tornar-se-ia alvo constante dos ataques da mídia.

            Foi assim que a Comissão Executiva da Conferência Geral, com a presença, agora, dos presidentes das Divisões, se reuniu no dia 27 de janeiro, e por dois dias analisou cuidadosamente o problema, trocando ideias com o Pr. Folkenberg, e chegaram à conclusão de que, se o Pr. Folkenberg deixasse a presidência, o risco que a Igreja correria seria menor, e até facilitasse um final mais rápido da demanda. O Pr. Folkenberg solicitou alguns dias para uma mais demorada reflexão, e no dia 8 de fevereiro, em consonância com o pensamento de seus companheiros de trabalho, apresentou sua renúncia ao cargo de presidente da Associação Geral da Igreja Adventista, através de uma comunicação escrita ao secretário geral da Comissão Executiva, Pr. Ralph Thompson. Ao final de sua mensagem de renúncia, o Pr. Folkenberg disse: “Para evitar mais dores para minha família e para a Igreja a qual eu amo, apresento minha renúncia à Comissão Executiva. Continuarei a dar do meu melhor para o avanço da missão da Igreja, e oro para que, através deste ato, a Igreja possa manter seu foco na obra que Deus lhe confiou.”

            Vago o cargo, a Mesa Plenária da Conferência Geral se reuniria no dia 1º de março, principalmente para a escolha do novo presidente da igreja mundial. Essa reunião tem lugar regularmente a cada ano, e é chamada de Concílio da Primavera. Apenas que, desta vez, pela importância do assunto, foram convocados alguns representantes a mais.

            No entanto, três ou quatro dias antes da data dessa reunião, os advogados das partes litigantes fizeram um acordo, e o Sr. Moore retirou da Corte de Justiça sua demanda, mesmo antes de apresentar qualquer das provas solicitadas pelo juiz, pondo um ponto final à questão.

Assim que, na reunião do dia 1º de março, a pauta começou com uma longa discussão sobre se a Mesa deveria ou não aceitar o pedido de renúncia do Pr. Folkenberg, em face agora da extinção da demanda. A certa altura dessas considerações, o Pr. Folkenberg entrou no local da reunião, e, dirigindo-se aos 246 membros presentes, reafirmou seu pedido de renúncia, solicitando que aceitassem seu pedido, pois ele achava ser o melhor caminho em face da controvérsia criada a respeito do problema. Diante dessa manifestação do Pr. Folkenberg, todos, então, votaram aceitar e registrar a renúncia, passando-se, em seguida, ao processo de eleição do novo presidente.

Da fala de meia hora do Pr. Folkenberg, dirigida à Mesa Plenária logo na abertura da sessão do dia 31, seria oportuno citar alguns breves trechos que trazem importantes esclarecimentos. Disse ele:

“Seria bom eu dar aos irmãos alguns breves esclarecimentos a respeito de minha associação com o Sr. James Moore, durante os anos da existência da entidade na qual ambos trabalhamos, porque os fatos reais diferem substancialmente do que tem sido comunicado pela imprensa e pela Internet.”

            “Meu relacionamento com o Sr. Moore começou em 1976, quando ele visitou a Guatemala após o terrível terremoto que devastou o país. Ele parecia desejar contribuir para ajudar as populações sofridas pela catástrofe.”

“Em 1978 o Sr. Moore ofereceu como doação, uma gleba de terra, na cidade de Sacramento, Califórnia. A doação era para a Divisão Inter-Americana, e eu achei, na ocasião, que a oferta do Sr. Moore era de um grande potencial de valor, e própria para a concretização de projetos missionários.”

            “Em nenhum momento os recursos advindos dessa doação foram usados para qualquer propósito impróprio, diferente dos objetivos originais estabelecidos pela entidade.”

            “Minha associação com o Sr. Moore era em base de sinceridade e idealismo, mas hoje eu lamento não ter tido o discernimento necessário para saber que teria sido melhor gastar meu tempo de maneira mais produtiva e menos controversa. O preço que estou pagando pela minha falta de visão na época, é muito alto.”

            “Alguns têm concluído que minha renúncia à presidência da Associação Geral, nesta ocasião, é uma admissão de alguma conduta imprópria de minha parte. Mas isso não é absolutamente verdade. Eu estou abdicando de meu posto de responsabilidade por nenhuma outra razão senão a de evitar mais conflitos e dores para minha família e para minha igreja.”

            Em súmula, eis aí os principais dados do que aconteceu. Finalizando, podemos dizer, baseados nos fatos:

A participação da Divisão Inter-Americana e do Pr. Folkenberg na fundação da entidade filantrópica proposta pelo Sr. James Moore, foi bem intencionada, e com o objetivo de servir à Obra Assistencial Adventista. Não havia nenhum mal nesse plano, mas, hoje, pelos resultados negativos, podemos dizer que faltou prudência no fato de a Divisão, e o Pr. Folkenberg, terem-se associado a alguém que não era membro de nossa Igreja. Mas não houve nenhuma ação desonesta. Na realidade, a Bíblia nos adverte no sentido de não nos unirmos em “jugo desigual com os infiéis.” O próprio Pr. Folkenberg, em sua fala perante a Mesa Plenária, reconheceu e lamentou essa falha de discernimento na época.

            O Pr. Folkenberg não agiu desonestamente, e nem o Sr. Moore fez tal acusação. O que estava em discussão era a aplicação dos recursos financeiros da entidade em projetos da diretoria, em conflito com o que o Sr. Moore alegava ser seu direito, em termos monetários, por regulamento. Era uma questão de um fundo devendo a um outro fundo, dentro da mesma organização.

            A renúncia do Pr. Folkenberg, em aconselhamento com os membros da Comissão Executiva da Conferência Geral, foi tomada por ele, visando o que parecia ser o melhor para a Igreja na ocasião, e não por qualquer presumível ato ilícito de sua parte.

A Comissão Executiva da Conferência Geral, juntamente com os presidentes das Divisões Mundiais, agiu com bom senso, prudência e equilíbrio ao lidar com o assunto, desde o início da crise, com o surgimento do processo, até a escolha do novo presidente.

            No funcionamento da entidade filantrópica mencionada, desde sua fundação até agora, nenhum dinheiro da Obra Adventista foi ali empregado, e nem houve aproveitamento financeiro pessoal por parte do Pr. Folkenberg ou do Dr. Walter Carson.

            Como membros da Igreja Adventista, podemos ter a certeza de que a Obra de Deus continua firme em sua missão no mundo, embora não esteja imune a lutas e problemas. Deus está ao leme, e continuará a guiar a nau de Sua Igreja até ao porto final. E nos momentos de dificuldades e percalços, nosso dever é unirmo-nos como irmãos, e não nos juntarmos aos adversários da Igreja, com críticas e acusações infundadas e descaridosas.

 

 PERGUNTA Nº 20: Nas reuniões da Associação Geral, em Toronto, um escultor ofereceu à Organização Adventista uma obra de arte, em escultura, retratando a alegria de um pequeno grupo por ocasião da volta de Jesus. Isso não contraria os ensinos da igreja e da Bíblia, com respeito ao uso de imagens nos cultos religiosos?

 

RESPOSTA: A Igreja Adventista nunca foi contra a arte da pintura ou da escultura, mesmo quando tem como tema cenas religiosas, como Jesus, os apóstolos, etc. O que a Igreja é contra é fazer dessas obras de arte um objeto de adoração ou veneração.

O santuário construído no deserto por ordem de Deus, no Israel antigo, tinha muitas figuras de anjos, etc., e também esculturas. Por exemplo: sobre o propiciatório, onde se encontrava a lei dos dez mandamentos havia a escultura de dois anjos, de metal precioso. Mas nada daquilo era para adoração, pois foi o próprio Deus que ordenou a confecção dessas esculturas e figuras no santuário, e também escreveu o segundo mandamento da Lei, que proíbe a adoração de qualquer imagem. Já o bezerro de ouro esculpido por Arão foi condenado por Deus, porque teve como objetivo um ato de adoração pagã.

O que foi feito em Toronto, Canadá, foi a escultura de uma cena que retrata um grupo de pessoas, com o rosto estampando grande alegria, diante da volta de Jesus, e os anjos trazendo da sepultura os crentes ressuscitados. Cenas semelhantes as temos em nossos livros e cartazes, sem que causem divergência.

Assim, a notícia de que algo contrário aos antigos ensinos da Igreja tivesse ocorrido nas reuniões de Toronto, não procede.

 

CONCLUSÃO

 

Procuramos aqui, com sinceridade e honestidade, responder às perguntas que têm sido feitas, por crentes sinceros, ou por críticos contumazes. Serão essas respostas suficientes para o esclarecimento desejado? Sim e não. Para os inquiridores sinceros, sim. Para os que só veem o mal em tudo, não. Cada um tem que assumir sua própria responsabilidade ao decidir a que grupo pertencer.

Terminamos com a sempre sábia e inspirada palavra da serva do Senhor:

“É plano de Deus dar suficiente evidência do caráter divino de Sua obra para convencer a todos quantos desejam sinceramente conhecer a verdade. Mas Ele nunca remove toda a oportunidade de dúvida. Todos quantos desejam pôr em dúvida e cavilar encontrarão ensejo.

“Compadeço-me dos que puseram os pés na vereda da dúvida e da incredulidade. De boa vontade os ajudaria, se pudesse, mas a experiência do passado pouca esperança me oferece de que eles venham um dia para a luz. Nenhuma quantidade de evidências convencerá os homens da verdade quando não estiverem dispostos a ceder seu orgulho, subjugar sua natureza carnal, e tornarem-se discípulos na escola de Cristo.

“Obstinação e orgulho de opinião levam muitos a rejeitar a luz do Céu.” – Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 72.

Deus esteja com Seu povo em todas as partes da Terra, guiando-o até o fim, ao porto seguro da salvação.

 

Tercio Sarli

União Central Brasileira