Representações Dramáticas em Instituições Adventistas

Declaração preparada por Arthur L. White,
secretário das Publicações Ellen G. White.

O White Estate tem recebido pedidos de material escrito por Ellen G. White que possam orientar sobre o problema de apresentação de programas teatrais nas Instituições Adventistas. Os conselhos de E. G. White no tocante a esse ponto fazem referência a várias situações e assim fazendo, enumeram princípios que parecem servir como orientação.

Um exame desses conselhos não revela uma condenação peremptória de todos os programas dramatizados. Em outras palavras, Ellen White não condena um programa só pelo fato de ser dramatizado. A esse respeito os conselhos relacionados com apresentações dramatizadas são muito parecidos com os conselhos sobre esportes, e curiosamente, os dois são tratados juntos em duas de suas declarações de precaução. A Sra. White não condena o “simples exercício de jogar bola” (AH 499), mas ao enumerar os princípios envolvidos, ela salientou os graves perigos que normalmente acompanham as atividades esportivas.

A Sra. White não condenou um programa simples dramatizado apresentado na Escola Sabatina de Battle Creek em 1888, mas em muitas declarações ela salienta claramente os muitos e quase certos perigos que acompanham “peças” e “programas teatrais”.

Parece então que as questões relacionadas tanto aos esportes como às apresentações dramatizadas nas instituições adventistas devem ser ponderadas à luz dos princípios fundamentais ao invés de serem simplesmente aceitos ou proibidos. Isso complica grandemente a tarefa e demanda uma observação mais íntima, cuidadosa análise e a determinação de ser guiado pelo princípio cristão. Se o moço ou moça, em sua experiência pessoal, podem ser levados a compreender e aplicar esses princípios, ter-se-á conseguido um progresso muito mais eficaz, ensinando-se a lição vital de que a vida do cristão é guiada não por arbitrários “pode” ou “não pode”, mas por princípios.

O Valor dos Recursos Visuais

Os recursos visuais são conhecidos como um meio eficaz de comunicação. Foi muitas vezes usado pelo próprio Deus nas revelações aos seus profetas. O profeta muitas vezes relata o que “viu” em visão e dá testemunho daquilo que passou diante dele em visão panorâmica. Ellen White comentou sobre isso quando estava na Europa, e foi chamada a enfrentar certa posição fanática de pessoas que afirmavam que o segundo mandamento proíba todas as imagens, portanto, deviam ser destruídas:

“O segundo mandamento proíbe o culto das imagens; Deus mesmo, porém, empregou figuras e símbolos para apresentar aos Seus profetas lições que queria que eles transmitissem ao povo, e que assim seriam mais bem compreendidas do que se fossem dadas de outro modo. Ele apelou para o entendimento através do sentido da vista. A história profética foi apresentada a Daniel e João em símbolos, e estes deviam ser representados claramente em tábuas, para que os que lessem os compreendessem” Mensagens Escolhidas, vol. II. pág. 319.

A referência de Ellen G. White é bem ilustrada na experiência de Ezequiel, na qual o poder de Deus foi dramatizado:

“Certa vez, o profeta Ezequiel foi, em visão, colocado no meio de um grande vale. Diante dele estava uma cena lúgubre. Por toda a extensão o vale estava coberto de ossos de mortos. A pergunta foi feita, ‘Filho do homem, acaso poderão reviver esses ossos?’ O profeta respondeu: ‘Senhor Deus, tu o sabes.’ Que poderiam a força e o poder do homem fazer com esses ossos mortos? O profeta não podia ver esperança de vida sendo concedidas a eles. Mas, enquanto ele olhava, o poder de Deus começou a agir. Os ossos espalhados foram sacudidos e começaram juntar-se ‘cada osso ao seu osso’, e foram ligados pelos tendões. Foram cobertos de carne e quando Deus soprou sobre os corpos assim formados, ‘o espírito entrou neles e viveram e se puseram em pé, uns exércitos sobremodo numerosos.’ E. G. White MS 85; 1903, no SDA Bible Commentary, vol. 4. pág. 1165.

Eficaz também para o mal

Mas como acontece com frequência, o que pode ser eficaz para o bem, quando corretamente usado, pode também, se empregado erradamente, ser eficaz para o mal, até o ponto de que mesmo o uso correto deva ser suspenso. Observemos que na descrição sobre a obra de Satanás no mundo, o drama geralmente é o primeiro a ser mencionado como uma das “diversões” que Satanás “usa para destruir as almas”.

“Muitos dos divertimentos populares no mundo hoje, mesmo entre aqueles que pretendem ser cristãos, propendem para os mesmos fins que os dos gentios outrora. Poucos há na verdade entre eles, que Satanás não torne responsáveis pela destruição de almas. Por meio do teatro ele tem operado durante séculos para excitar a paixão e glorificar o vício. A ópera com sua fascinadora ostentação e música sedutora, o baile de máscaras, a dança, o jogo, Satanás emprega para derribar as barreiras do princípio e abrir a porta à satisfação sensual. Em todo ajuntamento onde é alimentado o orgulho e satisfeito o apetite, onde a pessoa é levada a esquecer-se de Deus e perder de vista interesses eternos, está Satanás atando suas correntes em redor da alma”. Patriarcas e Profetas. pág. 485.

Uma década antes os testemunhos mencionavam que os dramas sensacionais preocupavam a mente de homens e mulheres, impedindo assim que recebessem a mensagem da verdade.

“O mundo está cheio de erros e fábulas. As novidades em forma de dramas sensacionais estão continuamente surgindo para prender as mentes, e abundam teorias absurdas que são destrutivas para o progresso moral e espiritual”. Testimonies. vol. 4. pág. 415; (1880).

A terceira declaração de E. G. White que nós citamos sobre este ponto, relaciona-se com o bem-estar dos estudantes do Colégio Battle Creek nos primeiros dias, antes da existência dos dormitórios, quando estudantes viviam nos lares de famílias que residiam na vizinhança. Esta declaração envolve o verdadeiro teatro, pois ela foi escrita em 1881, muito antes da aparição do filme movimentado. Os perigos dos “divertimentos teatrais” estão claramente retratados e delineados pelos princípios fundamentais:

“Entre os mais perigosos lugares do prazer está o teatro. Ao invés de ser uma escola de moralidade e virtude, como tão frequentemente é proclamado, é a própria estufa da imoralidade. Hábitos viciosos e propensões pecaminosas são fortalecidas e confirmadas por esses entretenimentos. Músicas vulgares, gestos, expressões e atitudes lascivas depravam a imaginação e rebaixam a moral. Todo o jovem que assiste regularmente tais exibições será corrompido nos princípios. Não existe em nossa terra nenhuma influência mais poderosa para envenenar a imaginação, destruir as impressões religiosas, e embotar o gosto pelos prazeres tranquilos e realidades sensatas da vida, do que os divertimentos teatrais. O amor por essas cenas cresce com cada indulgência, como o desejo por bebidas tóxicas é fortalecido pelo seu uso. O único caminho seguro é afastar-se do teatro, do circo, e todos os outros lugares questionáveis de divertimento”. Testimonies. vol. 4. págs. 652, 653.

Os Adventistas do Sétimo Dia Lutam Com o Problema

Foi quando o número de Adventistas do Sétimo Dia residentes em Battle Creek cresceu muito e quando se iniciou o nosso programa institucional é que começamos a enfrentar de vez em quando o problema das apresentações de dramas.

No Sanatório

O sanatório, com o seu grande número de pacientes não adventistas, estava enfrentando o problema com o seu entretenimento. A instituição não adventista Dansville, de New York, sob a gerência do Dr. Jackson incentivou as “peças” como sendo benéfico aos pacientes. (ver Testimonies, vol. 3. pág. 172). Mas Ellen White aconselhou firmemente que esse tipo de coisa não deveria entrar em nosso Sanatório em Battle Creek. Esse conselho apareceu em 1881, em um artigo intitulado “Posição e Obra do Sanatório”, mas suas advertências não se limitavam de modo algum à situação do sanatório:

“Aqueles que são responsáveis pelo sanatório devem ser extremamente precavidos para que os divertimentos não sejam de tal caráter que rebaixem as normas do cristianismo, baixando a instituição ao nível das outras, debilitando o poder da verdadeira piedade na mente daqueles que estão ligados a ela. Entretenimentos mundanos e teatrais não são essenciais à prosperidade do sanatório ou à saúde dos pacientes. Quanto mais eles tiverem esse tipo de divertimento, menos prazer eles sentirão, a menos que alguma coisa de qualidade seja continuamente apresentada. A mente tem uma febre de agitação por algo novo e excitante, exatamente o que deveria ter. Portanto, se esses divertimentos são permitidos uma vez, serão esperados outra vez, e os pacientes perdem seu gosto por qualquer tipo de pensamento simples. Porém repouso, mais que excitação, é o que muitos pacientes necessitam”.

“Tão logo esses entretenimentos são introduzidos, as objeções aos seus frequentadores são removidas de muitas mentes, e o pretexto de que cenas dignas e moralistas devem ser apresentadas no teatro, quebra a última barreira. Aqueles que permitem essa classe de divertimentos no sanatório, melhor seria se buscassem sabedoria de Deus para guiar essas pobres, famintas, sedentas almas à Fonte de alegria, da paz e da felicidade…”.

“Os administradores do sanatório podem chegar rapidamente à conclusão de que nunca poderão satisfazer aquelas mentes que só podem encontrar felicidade em algo novo e excitante. Para muitas pessoas isso tem sido a dieta intelectual durante toda sua vida; há dispépticos mentais como há os dispépticos físicos”. Testimonies, vol. 4. págs. 577-579.

Não há nenhuma informação disponível quanto à natureza exata dos “entretenimentos teatrais” dada no sanatório e referida aqui. A declaração deve ser entendida no contexto em que foi revelada no capítulo.

Sociedades Literárias Adventistas

Exatamente naquele tempo, 1880-1881, ao procurarmos prover programas culturais para os nossos membros da igreja, foram formadas as “sociedades literárias” em Battle Creek e em alguns outros lugares. Logo as apresentações de dramas começaram a fazer parte dos programas. A edição de 4 de janeiro de 1881 da Review trouxe um relato de Ellen White sobre o problema que eles tiveram de enfrentar, e que a levou a declarar:

“Em todos os casos onde as sociedades literárias foram estabelecidas entre o nosso povo, sua influência tem-se provado desfavorável para a vida religiosa e levado ao afastamento de Deus. Foi tentado em Battle Creek e em outros lugares, e o resultado tem sido sempre o mesmo”.

Então ela mostra o ponto crucial do problema:

“Os desígnios e objetivos que levam à formação de sociedades literárias podem ser bons; mas, a menos que essas organizações sejam regidas pela sabedoria vinda de Deus, tornar-se-ão certamente um mal. Vários entretenimentos são introduzidos para tornar interessantes as reuniões, e atrativas para os mundanos, e assim as atividades da chamada sociedade literária degeneram muitas vezes em desmoralizantes representações teatrais e tolices vulgares. Todas essas satisfazem a mente carnal, em inimizade contra Deus; não robustecem, porém, o intelecto, nem consolidam a moral. Pouco a pouco o elemento espiritual é excluído pelo irreligioso, e o esforço de harmonizar princípios antagônicos em sua natureza demonstra-se decidido fracasso. Quando o povo de Deus se une voluntariamente com os mundanos e não consagrados, dando-lhes a preeminência, serão dEle afastados pela influência sob que se colocaram. Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes. págs. 491-493.

“Muitas sociedades literárias são em realidade novos teatros em pequena escala, e eles criam na juventude um gosto pelo palco”. Review and Herald, 4 de janeiro de 1881.

Todo o artigo, atualmente disponível, pode ser lido com proveito. Ler Ellen G. White Review and Herald Articles, (Facsimile Reprint) vol. 1. págs. 224 e 225. Significativos adendos aparecem neste documento como Apêndice A.

Institutos e Sociedades Literárias

Em data posterior, Ellen White tratou dos problemas de representação de peças em Institutos Adventistas e Sociedades Literárias. Ao fazê-lo, ela repetia alguns dos conselhos do artigo da Review de 1881 comentado há pouco, ampliando seu conteúdo. Ela deplorava que frequentemente indivíduos de “curta experiência religiosa” tomavam a liderança. Então “Satanás usa homens como seus agentes para sugerir, introduzir, propor diferentes obras teatrais e uma variedade de coisas divertidas que não fortalecem a moral nem a elevação da mente, sendo então totalmente mundanas. Logo o elemento religioso é afastado e os elementos irreligiosos tomam a liderança”. E. G. White MS 41; 1900 (ver Apêndice B, págs. 11 e 12). O resultado foi que se introduziram assuntos vulgares, insensatos, que não elevam o espírito nem instruem, apenas divertem. “A mente” é levada “para longe da reflexão séria, longe de Deus e longe do céu”.

Ela admoestou:

“Se os seus institutos e sociedades literárias tivessem aproveitado a oportunidade para pesquisar a Bíblia, teriam se tornado muito mais em uma sociedade intelectual do que através de chamar atenção pelos desempenhos teatrais. Que elevadas e nobres verdades a mente pode apoderar-se e explorar na Palavra de Deus!…”.

“Aqueles que compõem essas sociedades, que professam amar e reverenciar as coisas sagradas, e ainda permitem que a mente rebaixe-se às representações fictícias superficiais, irreais, simples, baratas, estão fazendo o trabalho do diabo tão certamente quanto os que assistem e se unem a essas cenas.” E. G. White MS 41; 1900.

Procure o Apêndice B, págs. 11 e 12 para ler a declaração completa, retratando o gradual comprometimento e vacilação entre o dever e o mundo, como resultado final.

Conselho Referente ao Programa de Representação de Natal – 1888

Nas primeiras horas de 26 de dezembro de 1888, Ellen G. White escreveu a respeito de um programa de Natal em Battle Creek, apresentado pelas crianças da Escola Sabatina, que ela havia assistido na noite anterior. Foi um programa de simples dramatização, apresentando um farol, crianças usando disfarces, e havia discursos, poesias e músicas. Ella M. White, a netinha de seis anos da Sra. White, estava no programa, vestida de anjo.

Essa nota aparece como Apêndice D, nas págs. 16 e 17.

É significativo que o conselho dado ao homem que organizou o programa relaciona-se como as representações do programa poderiam ter exercido maior efeito, mas não havia nenhuma condenação do programa por causa das cenas representadas. Antes ela comentara, “Eu gostei do farol… A parte representada pelas crianças foi boa. A leitura esteve apropriada”. E. G. White, Carta 5, 1888. Ao mesmo tempo, ela fez algumas observações:

“Os cantos eram semelhantes aos que esperaríamos ouvir em qualquer representação teatral, porém não se podia distinguir uma só palavra. Certamente o navio jogado pela tempestade teria se chocado contra as rochas se não houvesse mais nenhuma luz do farol além da que foi vista na apresentação. Devo dizer que fiquei penalizada com essas coisas, tão fora de lugar considerando a obra de reforma que estamos procurando colocar diante da igreja e em nossas instituições, que eu teria me sentido melhor se não tivesse presenciado. Essa era uma ocasião que deveria ter sido aproveitada não só pelas crianças da Escola Sabatina, mas para pronunciar as palavras que aprofundariam a impressão da necessidade de buscar o favor desse Salvador que as amou e se entregou por elas. Se tivessem cantado os preciosos hinos ‘Rocha eterna, Lá na cruz, Teu olhar ficou sem luz’, e ‘Ó Jesus, meu bom pastor’, quero em ti me refugiar, ondas mil de angústia e dor, querem vir a me tragar!” Que almas foram inspiradas com novo e vigoroso zelo pelo Mestre naquelas músicas cantadas cuja virtude estava nas diferentes interpretações do cantor?” E. G. White Carta 5; 1888, (Apêndice D).

Então surgiram algumas perguntas muito oportunas relacionadas com o programa:

“Teriam aqueles que representaram suas partes, ficado mais preocupados com a vida espiritual? Teria aumentado seu sentido de obrigação para com o nosso Pai celestial que enviou Seu Filho ao mundo com tal infinito sacrifício para salvar o homem caído da ruína total? Foi a mente despertada para agarrar-se a Deus pelo grande amor com que nos amou?” Ibid (Apêndice D).

Se o simples fato de haver representação no programa fosse pecaminoso, isso teria certamente ficado claro. O conselho, entretanto, relacionou-se com o conteúdo, efeito sobre os atores, etc.

Essa experiência parece indicar o uso adequado de um programa de representação dedicado a instruir sobre o amor de Deus e o caminho da salvação. Pessoas consagradas são motivadas pelo serviço a Deus e não pelo engrandecimento pessoal. O programa de televisão “Fé Para Hoje” parece estar nessa categoria. Isso não parece estar em conflito com o conselho que o evangelista Adventista deve realizar o seu trabalho sem “exibição teatral”. Ver Apêndice E, “O Evangelista e a Exibição Teatral”.

O Uso de Nossos Talentos na Comunicação

Em 1898 Ellen G. White enviou aos líderes da igreja um manuscrito intitulado “A Cada Homem Sua Obra”, *no qual ela trata sobre o uso adequado dos talentos confiados a nós. O talento da comunicação foi extensamente tratado e de uma forma muito esclarecedora. Ellen G. White salientou que esse talento pode ser usado para servir a si mesmo ou para servir a Cristo.

(*Muito usado em Review and Herald Supplemente, em 21 de junho de 1898, como uma leitura a ser apresentada nas igrejas. Review and Herald Articles, vol. 3. págs. 581-583.)

“Se consideramos as vantagens dadas a nós como sendo nossas, para serem usadas para o nosso prazer, para fazer ostentação e criar sensação, o Senhor Jesus é desonrado pelos caracteres de Seus professos seguidores”. E. G. White, MS 42, 1898.

Então ela pergunta:

“Pode você glorificar a Deus enquanto representar personagens em peças, e divertir o auditório com fábulas? O Senhor não lhe deu intelecto para ser usado para a glória de Seu nome na proclamação do evangelho de Cristo? Se você deseja ter uma carreira pública, há um trabalho que você pode fazer. Ajude a classe que você representa em peças. Volte à realidade… O Senhor tem dado evidência de Seu amor pelo mundo. Não houve falsidade, nenhuma representação, naquilo que Ele fez”. Ibid.

Um ponto-chave, quase escondido, deve ser ponderado.

“Todos os que desejam um lugar de distinção têm uma oportunidade de levar o jugo de Cristo”. Ibid.

Ela instou para que os meios de comunicação sejam empregados para comunicar “o conhecimento de Cristo” não para a glorificação do eu. Ver no Apêndice C a declaração mais completa.

O estímulo do “orgulho e amor ao exibicionismo” que leva ao auto-engrandecimento, pode surgir cedo, alimentado até pelo programa da Escola Sabatina.

Ellen White advertiu em 1893:

“Têm sido aceitos na Escola Sabatina como oficiais e professores homens e mulheres cuja mente não estava espiritualizada, e que não tomaram vivo interesse na obra a eles confiada; mas apenas mediante o auxílio do Espírito Santo é que se pode pôr em ordem a situação. O mesmo mal que agora existe em nossas igrejas tem existido há anos. Formalidade, orgulho e amor à ostentação têm ocupado o lugar de verdadeira piedade e humilde devoção. Veríamos diferente estado de coisas se determinado número se consagrasse inteiramente a Deus, e então devotasse seus talentos à obra da Escola Sabatina, avançando sempre em conhecimento, educando-se para que pudessem instruir a outros quanto aos melhores métodos a serem empregados na obra; mas não devem os obreiros procurar métodos pelos quais ofereçam discursos em ocasiões especiais. Devem elas ser ganhas para Cristo, e em lugar de despender tempo, dinheiro e esforço para uma encenação, que todo esforço seja feito a fim de preparar os molhos para a colheita”. Fundamentos da Educação Cristã. págs. 253, 254.

Uma segunda citação salienta esse ponto ainda mais:

“O orgulho, o amor próprio e a ousadia são característicos dos filhos destes dias e representam a maldição do século. Dói-me o coração ao ver por toda parte essa manifestação rude, anticristã, e ao verificar que pais e professores procuram exibir a capacidade e proficiência de seus filhos e alunos, pois sei que deviam seguir exatamente a direção oposta”. Conselhos Sobre a Escola Sabatina. pág. 46.

Sentidos Confundidos pelos Jogos e Apresentações Teatrais

A cortina se abre em 1900 em um artigo na Review and Herald onde Ellen G. White retrata a maneira que Satanás emprega para que os jovens desenvolvam uma paixão desenfreada “pelos jogos e apresentações teatrais” confundindo seus sentidos enquanto as luzes brilham ao redor deles”. Observe o solene aviso de E.G. White:

“A opinião geral é que o trabalho manual seja degradante. Todavia, os homens se exercitam tanto quanto lhes apraz no ‘cricket’ no cestobol, ou em competições pugilísticas, sem ser olhados como pessoas que se degradam. Satanás deleita-se quando vê seres humanos empregando as faculdades físicas e mentais naquilo que não educa, não tem utilidade, não os ajuda a ser uma benção aos que lhes necessitam de auxílio. Enquanto a juventude se adestra em jogos destituídos de valor para eles e para os outros, Satanás joga a partida da vida por suas almas, tirando-lhes os talentos dados por Deus, substituindo-os por seus próprios atributos maus, que não apenas os destroem, mas pela sua influência destrói aqueles que têm qualquer ligação com eles”. Conselhos aos Professores. pág. 246.

“A obra de Satanás é levar os homens a ignorarem Deus para assim ocupar a mente e mantê-la absorta, de modo que Deus não esteja em seus pensamentos. A educação que eles têm recebido tem sido de caráter tal que confunde a mente e obscurece a verdadeira luz. Satanás não deseja que o povo tenha conhecimento de Deus; e se puder pôr em operação jogos e representações teatrais que confundam os sentidos dos jovens de modo que os seres humanos pereçam nas trevas enquanto a luz brilha em torno deles, isto lhe dará muito gosto”. O Lar Adventista págs. 401 e 402.

Jesus Cristo é o exemplo para o cristão em todas as coisas. A sra. White escreveu sobre Ele:

“Não tenho conseguido encontrar nenhum caso em que Ele tenha ensinado os Seus discípulos a empenharem-se na diversão do futebol ou em jogos de competição, a fim de fazerem exercício físico, ou em representações teatrais; e, no entanto, Cristo era nosso modelo em todas as coisas”. Fundamentos da Educação Cristã pág. 229.

Um saudável princípio-guia para reter sempre em mente ao se lidar com as questões que estamos estudando está expresso em Testimonies, vol. 5. pág. 360.

“Nosso exemplo e influência devem ser um poder do lado da reforma. Precisamos nos abster de qualquer prática que possa anuviar a consciência ou encorajar a tentação. Não devemos abrir nenhuma porta que dê a Satanás o acesso à mente de um ser humano criado à imagem de Deus”.

Apêndice A

Os Prós e os Contras das Sociedades Literárias Adventistas

Sra. Ellen G. White

“Surge muitas vezes a pergunta: São as sociedades literárias benéficas a nossa juventude? Para responder devidamente a esta pergunta, cumpre-nos considerar não somente o visado objetivo dessas sociedades , mas a influência que tem na verdade exercido, tal como o demonstra a experiência. O desenvolvimento do espírito é um dever que temos para com nós mesmos, a sociedade e Deus. Nunca, porém devemos imaginar meios de cultivos para o intelecto a expensas de moral e espiritual. E é unicamente mediante o harmonioso desenvolvido de ambas as partes- as faculdades mentais e morais – que se pode atingir a mais alta perfeição de cada uma. São esses os resultados conseguidos por meio  de sociedades literárias segundo geralmente orientadas?” Mensagem aos Jovens. pp. 394.

Da forma como a pergunta foi feita pela primeira vez, parecia estreiteza de mente respondê-la negativamente, mas em todos os casos onde uma sociedade literária foi estabelecida entre nosso povo, sua influência tem-se provado desfavorável à vida religiosa, e tem levado ao afastamento de Deus. Foi experimentado em Battle Creek e em outros lugares e o resultado tem sido o mesmo. Em alguns casos, males existentes há muito tempo surgiram de tais sociedades.

“São geralmente admitidas pessoas irreligiosas e cujo coração e vida não são consagrados, sendo muitas vezes colocados nos lugares de mais responsabilidade. Talvez se adotem regras e regulamentos julgados suficientes para manter a distância qualquer influência perniciosa; mas Satanás, astuto general, está em atividade para moldar a associação de maneira a lhe convir aos planos e, a seu tempo, é muitas vezes bem sucedido…” Mensagens aos Jovens. pp. 395.

Pode ser um Novo Teatro em Pequena Escola

“Os desígnios e objetivos que levam à formação de sociedades literárias podem ser bons; mas a menos que essas organizações sejam regidas pela sabedoria vinda de Deus tornar-se-ão um positivo mal. Vários entretenimentos são introduzidos para tornar interessantes as reuniões, e atrativas para os mundanos, e assim as atividades da chamada sociedade literária degeneram muitas vezes em desmoralizantes representações teatrais e tolices vulgares. Todas essas coisas satisfazem a mente carnal, em inimizade contra Deus; não robustecem, porém, o intelecto, nem consolidam a moral. Pouco a pouco o elemento espiritual é excluído pelo irreligioso e o esforço de harmonizar princípios antagônicos em sua natureza demonstra-se decidido fracasso. Quando o povo de Deus se une voluntariamente com os mundanos e não consagrados, dando-lhes a preeminência, serão dEle afastados pela influência não santificada sob que se colocaram.” Mensagens aos Jovens. pp. 395.

Muitas sociedades literárias são em realidade novos teatros em pequena escala, e eles criam na juventude o gosto pelo palco.

Uma Ilustração

Enquanto escrevia sobre esse assunto, meus olhos caíram sobre o surpreendente incidente da vida real conforme segue:

“Não tem jeito Sra. W., eu tentei e tentei, e não consigo tornar-me uma cristã.

“Você disse a mesma coisa há um ano atrás, e você achava que não havia nada que a impedisse”.

“E não penso que exista agora, mas eu não sinto nada diferente do que havia então, e não creio que possa ser um dia uma cristã”.

“A primeira interlocutora era uma jovem radiante de um pouco mais de vinte anos, que, em uma visita anterior, há quase um ano atrás, tinha confiado à sua idosa amiga seu ardente desejo de se tornar uma cristã. Sobre sua evidente sinceridade não podia haver dúvida, e a visitante ficou extremamente confusa tentando entender porque sua jovem amiga não havia encontrado paz ainda. As duas estavam paradas na porta semi-aberta da sala da Escola Dominical, onde estava havendo um ensaio para um ‘programa’; e a jovem, olhando para dentro pareceu repentinamente encontrar ali uma sugestão para acrescentar uma reflexão”:

“Creio, ‘disse ela com hesitação,’ que há uma coisa da qual eu não posso desistir.”

“Desista imediatamente querida”.

“Mas eu não posso.”

“Entregue-se a Jesus primeiro, e então ele lhe dará poder”.

“Não o quero. Acho que se eu soubesse que iria morrer e me perder dentro de três semanas a partir desta noite, eu preferiria me perder do que desistir de minha paixão”.

“E o que é essa coisa tão amada, que vale mais que a sua salvação?”

“Ah, não é que valha mais, apenas eu a amo mais, e não posso e não desistirei dela. É que eu — eu desejo ser uma atriz; eu sei que tenho talento; sempre esperei que uma porta se abrisse para eu subir ao palco, e continuo desejando que isso aconteça”.

“Você acha que seria errado para você fazer isso, se as portas se abrissem?”

“Não sei se seria pecado; mas eu não poderia fazê-lo e ser uma cristã; as duas coisas não combinam”.

“Como você chegou a gostar disso? Tenho certeza de que você não é de família de frequentadores de teatro”.

“Oh, não! Meu pai e minha mãe são Metodistas; eles sempre desaprovaram o teatro. Eu tenho ido à Escola Dominical toda a minha vida. Eles costumavam me fazer cantar e recitar nos programas quando eu tinha 4 anos de idade, e eu representei papel de anjo e de fada nos diálogos; e quando eu fiquei mais velha, eu arranjava os quadros vivos, e os enigmas, etc. Então me juntei a um grupo de jovens da igreja para interpretar uma série de peças. A primeira que fizemos foi  ‘Museu de Cera da Sra. Jarley’ e cantamos ‘Avental’ em benefício da igreja; então nós ficamos mais ambiciosos, estudamos e fizemos representações em pequenos ambientes e no último inverno nós alugamos o Salão Mason e apresentamos uma série de peças Shakespearianas, que pagou uma grande parte da dívida da igreja. Mas esse é um trabalho de segunda classe, afinal. Quero é fazer uma coisa de verdade, subir num palco como uma profissional. Meu pai não saberá disso; mas espero que algum dia o caminho seja aberto para eu realizar o desejo do meu coração”.

“Enquanto isso, por que você não se entrega a Jesus para ser salva?”

“Não posso fazer isso e manter essa esperança, e não vou desistir disso”.

“E assim a visitante foi embora tristemente, pensando naquele miserável prato de lentilhas pelo qual homens e mulheres estão dispostos a vender sua gloriosa primogenitura como filhos de Deus; pensando também nas sementes que foram plantadas em nossas Escolas Dominicais, o joio entre o trigo, e a terrível colheita que pode resultar dessa bem intencionada, mas imprudente semeadura”.

Tentativas em Battle Creek

Tem sido motivo de estudos a criação de algum plano para o estabelecimento de uma sociedade literária que traga benefício a todos os que se ligarem a ela, uma sociedade na qual todos os seus membros sentirão a responsabilidade de fazer o que deve ser feito, e evitar os males que têm  tornado perigosas essas associações aos princípios religiosos. Pessoas discretas e de bom senso, que possuem uma comunhão viva com o Céu, que discernirão as más tendências, e que não serão enganadas por Satanás, que seguirão em frente nos caminhos da integridade, erguendo continuamente o estandarte de Cristo; tais pessoas são necessárias para controlar essas sociedades. Tal influência infundirá respeito e tornará esses agrupamentos uma bênção ao invés de uma maldição. Se homens e mulheres maduros se unissem aos jovens para organizar e dirigir essa sociedade literária, ela tornará útil e interessante. Mas quando essas associações degeneram em ocasiões de divertimento e incentivo a hilaridade, elas não tem nada de literário ou de elevado. Servem para degradar o intelecto e a moral…

A Mente Afastada do Real e Substancial

“Poucos compreendem ser um dever exercer domínio sobre os pensamentos e imaginações. É difícil manter a mente indisciplinada fixa em assuntos proveitosos. Se, porém, os pensamentos não forem empregados, a religião não pode florescer na alma. O espírito deve preocupar-se com as coisas sagradas e eternas, ou, do contrário, há de nutrir pensamentos frívolos e superficiais. Tanto as faculdades intelectuais como as morais devem ser disciplinadas, pelo exercício se hão de revigorar e aumentar…”.

O intelecto, do mesmo modo que o coração, deve ser consagrado ao serviço de Deus. Ele tem direito a tudo quanto há em nós. Por inocente e louvável que lhe pareça, o seguidor de Cristo não deve condescender com qualquer satisfação, nem meter-se em qualquer empreendimento, que uma esclarecida consciência mostre que lhe viria enfraquecer o ardor e diminuir a espiritualidade…”.

A busca do prazer, frivolidades e dissipação mental e moral estão inundando o mundo com a influência desmoralizadora.

“Todo cristão deve trabalhar para repelir a onda de mal, e salvar nossa juventude das influências que a arrastariam à ruína. Deus nos ajude a forçar nosso caminho contra a corrente!” Review and Herald, 4 de janeiro pp. 180. (Mensagens aos Jovens. pp. 397)

Apêndice B

Representações Teatrais nas Sociedades Literárias

O Elemento Mundano na Liderança

“Os desígnios e objetivos que levam à formação de sociedades literárias podem ser bons; mas a menos que essas organizações sejam regidas pela sabedoria vinda de Deus tornar-se-ão um positivo mal.” Mensagens aos Jovens. pp. 395.

Quando o professo povo de Deus se une voluntariamente com os mundanos e não consagrados, dando-lhes preeminência, é porque não tem as coisas eternas em alta estima. Eles sairão das fileiras na primeira oportunidade. Deve haver limites, estabelecimento de leis e regulamentos; mas a despeito de tudo isso o elemento mundano tomará a direção. Homens no terreno do inimigo, guiados e controlados pelo seu poder terão influência controladora, a menos que haja um poder infinito trabalhando contra eles. Satanás usa homens como seus agentes para sugerir, guiar, propor diferentes atos e uma variedade de coisas divertidas que não acrescentam à moral ou à elevação do espírito, pois são totalmente mundanos. Logo o elemento religioso é afastado e os elementos irreligiosos tomam a liderança.

Vacilando entre o Dever e o Mundo

Os homens e mulheres que não se deixam iludir, que avançam firmemente pelo caminho da integridade, leais e verdadeiros diante do Deus do céu a quem eles temem, amam e honram, podem ser uma poderosa influência para refrear o povo de Deus. Tal influência exercerá respeito, mas essa hesitação entre o dever e o mundo, dá toda vantagem ao mundo, o que certamente imprimirá seu poder modelador e assim a religião, Deus e o céu terão pouco espaço nos pensamentos.

Se jovens homens e mulheres de idade madura organizassem uma sociedade onde a leitura e estudo da Bíblia fossem tema dominante, aprofundando-se e pesquisando as profecias, estudando as lições de Cristo, essa sociedade teria força. Não há nenhum livro de leitura pelo qual a mente seja tão elevada, fortalecida e expandida como a Bíblia. E não há nada igual para conferir novo vigor a todas as nossas faculdades, colocando-as em contato com as estupendas verdades da palavra de Deus, preparando o espírito para apreender e avaliar essas verdades.

Os Institutos e as Sociedades Literárias podem ser Construtivos

Se a mente humana é de baixo nível, geralmente é porque está sendo alimentada com fatos vulgares e não está sendo estimulada e exercitada a compreender verdades sublimes e elevadas, que são duradouras como a eternidade. Estas sociedades literárias e liceus estão exercendo uma influência quase universal totalmente contrária àquela que eles proclamam, e são um prejuízo para a juventude. Isto não precisaria ser assim, devido a elementos não santificados, devido a desejos mundanos de assuntos que lhe tragam prazer, seus corações não estão em harmonia com Jesus Cristo. Estão nas fileiras dos inimigos de Senhor, portanto não se satisfazem com aquele tipo de entretenimento que fortaleceria e confirmaria a espiritualidade dos membros das sociedades. São apresentados assuntos vulgares, baratos, que não são elevados ou instrutivos, mas que somente divertem

A forma como essas sociedades tem sido dirigidas, afasta a mente de reflexões sérias, afasta de Deus, afasta do céu. Assistir meditações e serviços religiosos tem se tornado insípido para eles. Há menos disposição para orações fervorosas e por uma religião pura e imaculada. Os pensamentos e conversas não são sobre temas elevados, mas se prendem a assuntos que nascem nessas reuniões. O que é o refugo para o trigo? A compreensão irá gradualmente baixar-se às dimensões dos assuntos que lhes serão familiares, até que as faculdades da mente se tornem reduzidas, mostrando o que tem sido o seu alimento.

Pesquisa da Bíblia e da Natureza X Apresentações Teatrais

A mente que rejeita toda essa vulgaridade e se obriga a se fixar somente nas verdades elevadas, grandes e profundas, será fortalecida. O conhecimento da Bíblia excede a todos os outros conhecimentos no fortalecimento do intelecto. Se os seus liceus e sociedades literárias fossem uma oportunidade para pesquisar a Bíblia, seriam muito mais uma sociedade intelectual, do que pode se tornar através de sua atenção voltada para apresentações teatrais. Que altas e nobres verdades a mente pode fixar e explorar na palavra de Deus! A mente pode ir cada vez mais fundo em sua pesquisa, tornado-se mais forte a cada esforço que faz para compreender a verdade, e ainda haverá uma infinidade além disso.

Aqueles que compõem essas sociedades, que professam amar e reverenciar a coisas sagradas, e ainda permitem que a mente permaneça naquilo que é uma representação irreal, simples, barata e fictícia, estão fazendo a obra do diabo, tão certamente, ao assistirem e se unirem a essas cenas. Se seus olhos pudessem ser abertos, veriam que Satanás é seu líder, o instigador que através de agentes apresenta aqueles que se julgam importantes. Deus considera sua vida e caráter mais levianos que vaidade. Se essas sociedades fizessem do Senhor e Sua grandeza, Suas misericórdias, Suas obras na natureza, Sua majestade e poder conforme são revelados na inspiração, objetos de seus estudos, eles seriam abençoados e fortalecidos. Ellen G. White, MS 41, 1900.

Apêndice C

O Uso de Nossos Talentos de Comunicação

(Parte completa de E. G. White MS 42; 1898, extensamente usada no suplemento de 21 de junho de 1898 da Review and Herald. E. G. W. Review and Herald Articles, vol. 3. pp. 582, 583.)

Para o Próprio Eu ou Para Cristo

Muitas, muitas almas poderiam ser salvas se aqueles que se dizem seguidores de Cristo trabalhassem como Cristo trabalhou, vivendo não para seu prazer, mas para glorificar a Deus, agindo como um missionário, mostrando amor genuíno pelo Mestre, usando de todas as maneiras possíveis os talentos que lhe foram confiados. Pela própria natureza de trabalho nas fileiras de Cristo, aqueles que o fazem perderiam de vista o próprio eu.

Somos instados a amar as almas como Cristo as amou, sentir um peso na alma pelos pecadores que devem ser convertidos. Apresentar o incomparável amor de Cristo. Perder de vista o próprio eu. Oh, que cuidado, todos os que se dizem cristãos deveriam ter para não chamar suas paixões e presunções de religião! Por demonstrar vaidade e ansiar seu prestígio, muitos escondem a pessoa de Cristo, expondo-se a si mesmos. Existe tal presunção em suas ideias e métodos e desejam tal apreciação de sua inteligência que o Senhor não lhes pode conferir seu Espírito Santo. Se Ele o fizesse, eles o distorceriam, exaltado-se ainda mais por causa disso. Suas idéias egocêntricas são um grande obstáculo para o avanço da obra. Qualquer que seja a parte que desempenhe, a figura principal que representam é o eu. Seu zelo e devoção são considerados como o grande poder da verdade. Sem o saberem todos esses são mordomos infiéis. Eles são obstáculos para a obra. A presunção os coloca onde serão levados a dar passo em falso.

Não devemos exaltar o trabalho de qualquer homem, engrandecendo-o e louvando seu bom senso. A primeira exaltação do seu eu é o começo de sua queda, e de sua separação de Cristo. Não podemos exaltar o eu de qualquer forma sem sermos humilhados. Como cristãos temos de fazer brilhar a luz da verdade de Cristo. Deve-se perder de vista o próprio eu. Cristo é a Verdade e a Luz. Ele é o espelho que deve refletir fielmente todo o trabalho feito para a glória do Seu nome. O mundo precisa de luz. “Brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está no céu…” (Mat. 5:16)

Comunicação

Deus dá mais que dinheiro a seus mordomos. Seu talento de comunicar é um dom. O que você está comunicando sobre os dons de Deus através de Sua Palavra e Sua eterna simpatia? Você está permitindo que o seu dinheiro vá para as fileiras do inimigo para arruinar aqueles que você busca agradar? Então novamente, o conhecimento da verdade é um talento. Há muitas almas em trevas que podem ser iluminadas pelas palavras verdadeiras e fiéis que vem de você. Há corações famintos de simpatia, perecendo longe de Deus. Sua simpatia pode ajudá-los. O Senhor tem necessidade de suas palavras, ditadas pelo Espírito Santo…

Todos os dons naturais devem ser santificados como legados preciosos. Devem ser consagrados a Deus para que possam servir o Mestre. Todos os benefícios sociais são talentos. Não devem ser dedicados à satisfação própria, divertimentos ou autogratificação. Dinheiro e propriedades são do Senhor, para serem inteiramente usados em sua honra; pois Ele garantiu em Sua Palavra, que se nós usássemos os bens que nos confiou como mordomos fiéis, seríamos ricos em bênçãos das quais teremos suficientes para beneficiar a outros. No entanto se considerarmos os benefícios dados a nós como nossa propriedade, para serem usados para nosso prazer, para exibir e causar sensação, o Senhor Jesus, nosso redentor será envergonhado do caráter de seus professos seguidores.

A Paixão Pelas Representações Teatrais

Deus lhe deu intelecto? É para você administrá-lo de acordo com as suas inclinações? Você pode glorificar a Deus sendo ensinado a representar personagens em peças e divertir um público com fábulas? O Senhor não lhe deu intelecto para ser usado para a glória do Seu nome na proclamação do evangelho de Cristo? Se você deseja seguir uma carreira pública, há um trabalho que pode fazer. Ajude o tipo de pessoa que você representa nas peças, viva a realidade. Use sua simpatia onde ela é necessária, levantando realmente os que estão alquebrados. A paixão predominante de Satanás é perverter o intelecto e fazer os homens desejarem shows e representações teatrais. A experiência e caráter de todos os que se envolvem nesse trabalho serão conforme o alimento que dão a mente. (Este parágrafo não está no artigo da Review)

O Senhor tem dado evidências de seu amor pelo mundo. Não há falsidade, nem representação naquilo que ele fez. Ele deu um dom vivo, capaz de sofrer humilhação, desprezo, vergonha e reprovação. Esse Cristo o fez para poder resgatar o caído. Enquanto seres humanos planejavam estratagemas e métodos para destruí-lo, o filho do infinito Deus veio ao nosso mundo dar o exemplo de uma grande obra a ser feita para redimir e salvar o homem. Mas hoje os orgulhosos e desobedientes estão lutando para conseguir um grande nome e uma grande honra entre seus companheiros, usando os dons que Deus lhes deu para divertir. Fazem isso ao invés de convidá-los a olhar para o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

Oportunidade para aqueles que Desejam um lugar de Destaque

A grande obra de Deus é redimir e salvar, e assim reparar a brecha que o pecado abriu. Alguns veem muitas coisas na Bíblia que para eles sancionam um modo de proceder que Deus nunca aprovaria. Mas quando Deus converte agentes humanos, estes correrão a Cristo para esconder sua vida com Cristo em Deus. Eles levarão seus olhos para a desolação perpétua que o pecado causou e está causando, e orarão para que possam ser colaboradores de Cristo. Começarão reparando os descuidos cometidos contra toda a lei de Deus.

Todos os que desejam um lugar de destaque tem a oportunidade de tomar o jugo de Cristo. “Aprendei de Mim”, diz o grande mestre; “Que sou manso e humilde de coração: e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mat. 11:29). Que o clamor da alma seja: “Oh Senhor, Tu és meu Deus; exaltar-te-ei e louvarei o Teu nome, porque tens feito maravilhas, e tem executado os teus conselhos antigos, fiéis e verdadeiros… Porque fostes a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade, e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro”… (Isa.25:1-4) “Naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus em que esperávamos e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos: Na sua salvação exaltaremos e nos alegraremos.” (Isa. 25:9)

O dom do exemplo correto é uma grande coisa, mas muitos rodeiam a ala de uma atmosfera que é prejudicial. E eles não conhecem a paz. Perderam, em alto grau a faculdade do discernimento espiritual. Chamam bem ao mal e mal ao bem.

Meios de Comunicação

Os dons da fala, da sabedoria, de simpatia e amor, comunicam um conhecimento de Cristo. Todos esses dons devem ser convertidos a Deus. O Senhor necessita deles; Ele os solicita. Todos desempenham um papel na preparação da própria alma e da alma dos outros para dedicar os talentos a Deus. Todo a alma, todo dom devem ser entregues como contribuição a Deus. Todos devem cooperar com Deus na obra de salvar almas. Os talentos que possuís foram dados por Deus para torna-vos colaboradores mais eficientes de Cristo. Há corações que anelam simpatia, implorando pela ajuda e auxílio que Deus vos deu para lhes dar. Nossas igrejas estão enfermas, porque não fazem o trabalho que Deus lhes designou. Não são o que Deus espera que sejam. Oh, se elas despertassem de sua letargia!

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força de Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; com todo a oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito, e para isso vigiando com toda a perseverança e súplica por todos os santos”. (Efe. 6:11-18)

Apêndice D

Cenas Representadas

Prezado irmão …………Levantei-me às três horas da manhã para escrever-lhe algumas linhas. Gostei do farol. A cena que exigiu um esforço tão esmerado poderia ter sido mais impressionante, mas não foi tão vigorosa e apelativa como devia ter sido, já que custou tanto tempo e trabalho para prepará-la. A parte desempenhada pelas crianças foi boa. A leitura foi apropriada. Porém se nessa ocasião houvesse apresentado uma mensagem relacionada com as crianças e professores da Escola Sabatina trabalhando diligentemente para a salvação das almas das crianças sob seus cuidados, apresentando uma oferta mais aceitável a Jesus, o dom de seus próprios corações, e se tivessem feito observações breves e objetivas de como poderiam fazer isso, não teria sido associar-se com a obra que estamos tentando fazer na igreja?

Cada esforço deve estar em harmonia com o único grande propósito, o de preparar corações, e que individualmente, alunos e professores sejam como a luz de um candelabro que pode dar luz a todos que estão na casa, que seria apresentar a notável idéia de um farol que guia as almas para que não aconteça um naufrágio na fé. Pode me dizer qual foi a impressão marcante que os dois poemas ensaiados pelas duas senhoras na plataforma tinham a ver com essa obra?

Os cantos eram semelhantes aos que esperaríamos ouvir em qualquer representação teatral, porém não se podia distinguir uma só palavra. Certamente o barco sacudido pela tempestade naufragaria contra as rochas, se não viesse mais luz do farol do que se via na cena. Devo dizer que lamentei essas coisas, tão fora de lugar com relação ao momento de reforma que estamos tratando de levar avante na igreja e em nossas instituições. Eu teria me sentido melhor se não tivesse estado presente. Aquela era uma ocasião que deveria ter sido aproveitada não somente pelas crianças da Escola Sabatina, mas também deveriam ter sido pronunciadas palavras que aprofundassem a impressão da necessidade de buscar o favor desse Salvador que os amou e se deu a si mesmo por elas. Se tivessem sido cantados os preciosos hinos “Rocha Eterna, lá na cruz, seu olhar ficou sem luz”, e “Óh Jesus meu bom pastor, quero em Ti me refugiar, ondas mil da angústia e dor, querem vir a me tragar!” Que almas foram inspiradas com novo e vigoroso zelo pelo Mestre com aquelas canções, cuja virtude estava nas diferentes interpretações do cantor?

Enquanto se realizam esmerados esforços para preparar estas representações, estavam sendo realizadas reuniões de interesse mais profundo que requeriam a atenção e solicitavam a presença de todos para que não se perdesse nada da mensagem que o Mestre lhes havia enviado? Agora, este Natal passou para a eternidade com o peso do seu registro e nós estamos ansiosos para ver os resultados. Terão uma mente mais espiritual os que desempenharam uma parte? Aumentará seu senso de obrigação com o nosso Pai Celestial, que enviou o Seu Filho Unigênito ao mundo por um preço tão infinito para salvar da ruína total o homem caído? Despertará a mente para buscar a Deus pelo grande amor com que nos amou?

Confiamos que, agora que o Natal está no passado, aqueles que dedicaram tanto esforço, manifestarão profundo zelo e um ardente e desinteressado esforço pela salvação dos professores da Escola Sabatina e que estes, por sua vez, trabalharão pela salvação de seus alunos e lhes darão instrução pessoal para que saibam o que devem fazer para ser salvos. Confiamos que acharão tempo para trabalhar com simplicidade e sinceridade pelas almas que estão sob seus cuidados e que orarão com eles e por eles para que possam dar a Jesus a preciosa oferta de suas próprias almas, que tornarão literalmente verdadeiro o símbolo do farol nos raios de luz que brilham de seus próprios e poderosos esforços realizados em nome de Jesus e feitos com amor; que eles mesmos se apegarão aos raios de luz para difundi-la a outros e que não se conformarão com trabalho superficial. Mostrai tanta habilidade e aptidão para ganhas almas para Jesus, como haveis demonstrado no esforço esmerado que fizestes nesta ocasião que acaba de ocorrer. Apontai em vossos esforços, com alma e coração, para a Estrela que brilha no céu deste mundo moralmente obscurecido, a Luz do mundo. Que vossa luz brilhe para que as almas sacudidas pela tempestade possam fixar seus olhos nela e escapar das rochas que estão escondidas sob a superfície das águas. As tentações estão à espera para enganá-los; há almas oprimidas pela culpa prontas a afundar no desespero. Trabalhai para salvá-los; apontai-lhes Jesus que tanto as ama e que deu Sua vida por elas…

A luz do mundo está brilhando sobre nós para que possamos absorver os raios divinos e permitir que essa luz brilhe sobre outros em boas obras, para que muitas almas glorifiquem ao Pai que está no céu. “Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça senão que todos cheguem ao arrependimento”. (II Pedro 3:9)

Todos que desempenharam uma parte no programa da noite passada trabalhariam tão zelosa e interessadamente para ser aprovados por Deus ao realizar sua obra pelo Mestre, a fim de apresentar-se como obreiros inteligentes que não têm de que se envergonhar? Oh, que os professores da Escola Sabatina estejam plenamente imbuídos do espírito da mensagem para este tempo, e tenham sempre presente a mensagem em todo o seu trabalho. Há almas para salvar e enquanto que no trabalho da Escola Sabatina tenha havido muito formalismo e se tem dedicado muito do precioso tempo à leitura de relatórios e registros, não tem havido tempo suficiente para que a luz brilhe realmente com claros e potentes raios, da instrução tão necessária para a salvação das crianças e dos jovens. Menos discursos elaborados, menos observações extensas, e mais verdades simples; nem uma palavra com o fim de demonstrar conhecimentos, nem apenas uma, pois a maior evidência de um verdadeiro conhecimento é a grande simplicidade. Todos os que adquiriram conhecimento de Cristo o imitarão na maneira de comunicar instruções. Carta 5, 1888.

Apêndice E

O Evangelismo e a Atividade Teatral

Repetidas vezes Ellen White aconselhou nossos ministros e evangelistas a evitar exibições teatrais no púlpito:

“Nosso bom êxito dependerá de realizarmos a obra com a simplicidade com que Cristo a realizou, sem nenhuma demonstração teatral.” Evangelismo, pp. 140.

As três declarações seguintes ofereceram alguma luz quanto ao que queria dizer por “exibição teatral” na apresentação evangelística:

“Não haja singularidade nem excentricidades de movimento da parte daqueles que falam a Palavra da verdade, pois tais coisas enfraquecerão a impressão que deve ser produzida pela Palavra. Cumpre guardamo-nos, pois Satanás está determinado, se possível, a entremear com os serviços religiosos sua má influência. Não haja exibição teatral, pois isto não ajuda a fortalecer na Palavra de Deus. Antes distrairá a atenção para o instrumento humano”. Mensagens Escolhidas, pp. 23, 24.

“Ele (um certo evangelista) deve cortar de suas reuniões tudo quanto tenha semelhança com exibições teatrais; pois tais aparências exteriores não dão nenhuma força à mensagem que ele anuncia. Quando o Senhor puder cooperar com ele, sua obra não precisará ser feita de modo tão dispendioso. Ele não necessitará então fazer tantas despesas em anúncios de suas reuniões. Não porá tanta confiança no programa musical. Essa parte de seu serviço é realizada mais à maneira de um concerto teatral, do que um serviço de canto em uma reunião religiosa”. Evangelismo, pp. 501.

“O ministro de Cristo deveria ser um homem de oração, um homem piedoso; alegre, mas nunca áspero e grosseiro, zombeteiro ou frívolo. O espírito de frivolidade está em harmonia com a profissão de palhaços ou de atores teatrais, mas está abaixo da dignidade de um homem que foi escolhido para estar entre os vivos e os mortos, e para ser um porta-voz de Deus”. 4 T 320 .

Novamente em 1910 fomos aconselhados bem definidamente a não usar métodos teatrais. Aparece no livro Evangelismo:

“Tenho uma mensagem para os que estão com a responsabilidade de nossa obra. Não animeis os homens que devem empenhar-se neste trabalho a pensarem que devam proclamar a solene e sagrada mensagem em estilo teatral. Nem um jota nem um til de qualquer coisa teatral deve aparecer em nossa obra. A causa de Deus deve ser de molde sagrado celestial. Fazei com que tudo quanto esteja em conexão com a apresentação da mensagem para este tempo tenha o sinete divino. Não permitais que haja qualquer coisa de natureza teatral, pois isso prejudicaria a santidade da obra”.

“Foi-me mostrado que nos defrontaremos com todas as espécies de experiências e que os homens procurarão introduzir representações estranhas na obra de Deus. Já nos encontramos com tais coisas em muitos lugares. No início de meu trabalho, foi dada mensagem de que todas as representações teatrais, em conexão com a pregação da verdade presente fossem desaconselhadas e proibidas. Os homens que pensavam ter um admirável trabalho a fazer procuraram adotar uma estranha atitude e manifestaram esquisitices no movimento do corpo. Eis as instruções que foi dado: ‘Não proveis tal coisa’. Essas atitudes, com sabor teatral, não devem ter lugar na proclamação das solenes mensagens que nos foram confiadas”.

“O inimigo acompanhará de perto e aproveitará todas as vantagens que tiver das circunstâncias, a fim de rebaixar a verdade pela instrução de demonstrações indignas. Nenhuma dessas apresentações deve ser permitida. As preciosas verdades que nos foram dadas devem ser pregadas com toda a solenidade e com santa reverência”. Evangelismo. pp. 137, 138.

Ellen G. White Estate – Washington, D .C. – Fevereiro de 1963


PDF: Representações Dramáticas em Instituições Adventistas