Hermenêutica antitrinitariana moderna: análise metodológica

Alberto R. Timm, Ph.D.
Professor de Teologia Histórica no Salt, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP, e diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. White – Brasil

Resumo: O presente artigo analisa criticamente a hermenêutica antitrinitariana adventista moderna. Atenção especial é dada à maneira como essa hermenêutica (1) utiliza o desvio de foco; (2) faz releituras históricas; (3) sugere uma estagnação doutrinária adventista pós-1855; (4) acredita em uma inspiração estática; (5) reivindica para si infalibilidade interpretativa; (6) incorre em uma seletividade de textos; (7) emprega uma ênfase dicotômico-quantitativa; (8) interpreta de uma perspectiva exclusivista-reducionista; (9) encontra supostas ambiguidades nos escritos inspirados; (10) pretende receber endossos proféticos; (11) identifica pretensas adulterações do texto bíblico e dos escritos de Ellen G. White; (12) acredita em uma sacudidura escatológica inversa; e (13) se vale de uma ironia vulgar.

Abstract: The present article analyzes critically modern Adventist anti-Trinitarian hermeneutics. Special attention is given to how this hermeneutics (1) uses focal deviations; (2) makes historical rereadings; (3) suggests a post-1855 Adventist doctrinal stagnation; (4) believes in static inspiration; (5) claims for itself infallible interpretation; (6) falls into a selective usage of texts; (7) employs a dichotomous-quantitative emphasis; (8) interprets from an exclusivist-reductionistic perspective; (9) finds supposed ambiguities in the inspired writings; (10) pretends to receive prophetic endorsements; (11) identifies hypothetical adulterations of the Bible text and of Ellen G. White writings; (12) believes in a reversed eschatological shaking; and (13) utilizes vulgar irony.

Introdução

Em meados de 1519 ocorreu em Leipzig, Alemanha, um dos mais famosos debates da história do cristianismo.1 De um lado estava Johann von Eck, renomado teólogo católico alemão, e de outro, se encontravam, inicialmente, Andreas von Carlstadt, e depois, Martinho Lutero, defendendo a causa protestante. O debate se estendeu de 27 de junho a 14 de julho, mas Carlstadt e Lutero não conseguiram convencer Eck a mudar de posição, e nem este convencer aqueles. Não houve acordo hermenêutico, pois Carlstadt e Lutero enfatizavam a autoridade exclusiva da Escritura, e a interpretavam com base no método gramático-histórico, enquanto Eck se apegava à tradição da Igreja, e relia a Bíblia com a inconsistência típica do método alegórico de interpretação.

A experiência de Carlstadt e Lutero com Eck nos leva a indagar: Não estaria hoje acontecendo algo semelhante nas tentativas adventistas de diálogo com os antitrinitarianos? Não seria “malhar em ferro frio” tentar convencer, com base no método gramático-histórico de interpretação, os antitrinitarianos caracterizados por uma inconsistência hermenêutica semelhante à de Eck? É curioso observar como alguns antitrinitarianos chegam mesmo a negar a necessidade de princípios de interpretação, alegando que, com oração sincera, podemos assegurar que a Bíblia se interpretará a si mesma. Outros antitrinitarianos, mais cautelosos, acabam enunciando determinados princípios de interpretação, mas demonstram grande inconsistência no uso desses princípios.

Seja como for, uma coisa é certa: os discursos antitrinitarianos estão fundamentados em uma hermenêutica peculiar, sem a qual o antitrinitarianismo jamais sobreviveria. Essa hermenêutica se assemelha à das testemunhas de Jeová (ou jeovistas), em alguns aspectos, mas dela diverge, em outros.2 Enquanto os jeovistas são normalmente homogêneos em seus postulados unitarianos (crença em uma única pessoa divina), os antitrinitarianos adventistas se demonstram heterogêneos, e até mesmo contraditórios, em suas exposições de uma suposta bindade divina (crença na existência de apenas duas pessoas divinas).

Os discursos antitrinitarianos se caracterizam por uma superficial retórica interpretativa, destituída de uma análise mais profunda da problemática hermenêutica envolvida. Em minhas resenhas críticas dos livros antitrinitarianos “Eu e o Pai Somos Um”, de Ricardo Nicotra,3e A Divindade, organizado por Jairo Carvalho,4já mencionei alguns componentes básicos da hermenêutica antitrinitariana.5Mas o presente artigo provê uma exposição mais sistemática desses componentes, com o propósito de ajudar o leitor a entender melhor a hermenêutica na qual se apóiam os postulados antitrinitarianos.

Desvio de foco

O movimento antitrinitariano adventista possui hoje adeptos que foram eliminados do rol de membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia por descrerem da Trindade e passarem a fazer proselitismo a favor da  idéia antitrinitariana. Mas esse não foi o caso da maioria dos principais líderes desse movimento no Brasil. Muitos deles já haviam deixado a Igreja por outros motivos, em grande parte por não viverem em plena conformidade com os princípios comportamentais ensinados por essa denominação. Não aceitando a disciplina eclesiástica à qual foram submetidos, vários deles passaram, não apenas a alimentar um acentuado ressentimento contra a Igreja e sua liderança, como também a advogar diversos conceitos doutrinários controvertidos. Com o tempo, o antitrinitarianismo se transformou na mais importante “justificativa teológica” dos dissidentes. Assim, a teoria antitrinitariana passou a ser usada por eles como uma forma de desviar a atenção de seus problemas pessoais.

Atribui-se a Blaise Pascal a célebre declaração: “Não é a incredulidade que gera a desobediência; é a desobediência que gera a incredulidade.” Não resta dúvida que a conduta de muitos antitrinitarianos confirma esse princípio. É comum encontrar entre eles pessoas que, depois de passarem por sérias crises pessoais ou familiares, buscam no discurso antitrinitariano uma forma de dissimulação, autoafirmação e transferência de culpa, projetando sobre outros suas frustrações particulares (ver Pv 9:8, 9; 19:25). Reflexões mais detidas sobre essa problemática aparecem em meus artigos na Revista Adventista (Brasil), intitulados “Em crise com a mensagem” (junho de 1999),6“O drama da apostasia” (maio de 2003)7e “A Igreja e seus críticos” (abril de 2005).8 Esses artigos abordam especificamente o perfil dos dissidentes, sem contudo considerar as inconsistências hermenêuticas que caracterizam as suas releituras históricas e interpretações bíblicas e dos escritos de Ellen G. White.

Releituras históricas

Os antitrinitarianos adventistas alegam fundamentar seus postulados apenas na Bíblia e, sempre que conveniente, também nos escritos de Ellen G. White. Mas a cunha de entrada para conseguir adeptos para suas idéias é quase sempre o apelo histórico, mostrando alguns documentos em inglês que, segundo eles, “comprovam” a apostasia doutrinária da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como muitos membros da igreja desconhecem a história das doutrinas adventistas, e nunca viram documentos semelhantes, tudo o que é mostrado acaba impressionando àqueles que gostam de novidades antagônicas à liderança da Igreja (cf. 2Tm 4:2, 3; 2Pe 2:10). Com sua crença construída sobre uma plataforma crítica semelhante à dos assim chamados “reformistas”,9 tais dissidentes raramente retornam ao seio da denominação, pois crêem que finalmente conseguiram se libertar da “apostasia católica” à qual estavam submetidos como membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

As exposições históricas de Jerry Moon, intituladas “Trindade e antitrini-tarianismo na história adventista”10 e “O debate adventista sobre a Trindade”,11fornecem um embasamento confiável, baseado em fontes primárias, a respeito de como a Igreja Adventista do Sétimo Dia aceitou a doutrina da Trindade. Desconhecendo todas as evidências históricas encontradas nessas exposições, os antitrinitarianos sugerem diferentes alternativas para a assim chamada “apostasia trinitariana” da referida igreja. Alguns antitrinitarianos, com os quais tive contato pessoal, afirmam categoricamente que essa “apostasia” só ocorreu em 1980, quando foram votadas, na Conferência Geral em Dallas, Texas, as 27 Crenças Fundamentais da denominação.12 Outros alegam que o problema já havia começado em 1971, quando LeRoy E. Froom publicou o seu livro intitulado Movement of Destiny.13 Ainda outros sugeriam que o problema teve início em 1957, com a publicação do livro Questions on Doctrine.14 Um grupo significativo prefere acreditar que o trinitarianismo adventista se oficializou já em 1931, com a publicação das 22 Crenças Fundamentais da denominação.15

Lendo a literatura antitrinitariana sobre o assunto, tem-se a impressão de que, para os antitrinitarianos, qualquer recurso é válido, conquanto que consigam desacreditar a doutrina da Trindade e, desta maneira, a própria Igreja. É curioso encontrar antitrinitarianos que, mesmo não tendo consultado as fontes primárias sobre o assunto, se sentem plenamente qualificados a reinventar a história adventista e a ensinar outros sobre o assunto. Que eles não concordem com a doutrina da Trindade e da personalidade do Espírito Santo, já é lamentável. Mas que eles se sintam na liberdade de distorcer maliciosamente a história adventista, é digno de reprovação e passível de se questionar a própria honestidade desse grupo dissidente.

Estagnação doutrinária pós-1855

Um dos principais fundamentos da hermenêutica antitrinitariana adventista é a autoridade normativa da tradição adventista inicial. O antitrinitariano Jairo Carvalho, organizador de A Divindade, restringe a formação doutrinária adventista ao período de 1844 a 1855, quando, em sua opinião, todas as doutrinas fundamentais da fé adventista já estavam plenamente definidas.16Se esse fosse o caso, então teríamos que admitir que, a partir de 1855, o adventismo acabou entrando em uma espécie de estagnação doutrinária. Mesmo tolerando aparentemente os desenvolvimentos doutrinários ocorridos entre 1855 e 1888, Jairo não se inibe em declarar que “a partir de 1888 iniciou-se um processo de apostasia dentro da igreja adventista, encabeçado pela liderança”.17

Lamentavelmente, porém, a teoria antitrinitariana da estagnação doutrinária pós-1855 encerra sérios problemas hermenêuticos. Em primeiro lugar, ela não consegue distinguir entre (1) a formação e a integração inicial das doutrinas distintivas adventistas ao sistema da “verdade presente” e (2) o redescobrimento e a integração posterior de doutrinas básicas evangélicas ao mesmo sistema.18 No período pós-1844 foram definidas e integradas, aos temas fundamentais do santuário de Daniel 8:14 e das três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12, as doutrinas distintivas adventistas (1) da perpetuidade da lei de Deus e do sábado, (2) do ministério celestial de Cristo, (3) da segunda vinda de Cristo, (4) da imortalidade condicional da alma e (5) do dom profético de Ellen G. White.19 É precisamente a esse processo que Ellen G. White se refere ao mencionar em 1855 que “a verdade presente” já estava clara naquela época.20

Mas não podemos nos esquecer de que, no período pós-1888, ocorreu também a redescoberta e a integração de algumas doutrinas básicas evangélicas como, por exemplo, a justificação pela fé e a Trindade. Se aceitássemos a teoria da estagnação doutrinária pós-1855, então teríamos que continuar, ainda hoje, com a mesma ênfase legalista do período pré 1888. Teríamos de continuar crendo, como os pioneiros a princípio, que depois de 1844 apenas a última das três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12 deveria ser pregada. Embora Ellen G. White houvesse mencionado em 1850 que “a essência da mensagem deveria ser a primeira, a segunda e a terceira mensagens angéli-cas”,21 foi somente em 1858 que ela afirmou explicitamente que muitos que não haviam aceitado as duas primeiras mensagens, proclamadas pelos mileritas antes de 1844, ainda podiam receber todas elas “em sua ordem”, e pela fé seguir “a Jesus no santuário celestial”.22

Outro grande problema hermenêutico da idéia da estagnação doutrinária é colocar a tradição adventista pré-1855 acima da autoridade normativa das Escrituras e dos escritos de Ellen G. White. Por conseguinte, o critério dos adeptos dessa idéia, não é se determinada doutrina possui base bíblica e se é endossada por Ellen G. White, e sim, se tal doutrina está em conformidade com a tradição pré-1855. Com isso, os antitrinitarianos adventistas acabam se aproximando demasiadamente da postura católica romana, que advoga uma espécie de inspiração da história eclesiástica, e atribui um caráter normativo à tradição religiosa antiga. Em contraste com os antitrinitarianos, os adventistas do sétimo dia aceitam de sua tradição histórica apenas aqueles elementos doutrinários que estão fundamentados na Palavra de Deus.

Inspiração estática

Alguns antitrinitarianos possuem uma compreensão estática de inspiração divina, que os impede de reconhecer que profetas verdadeiros acabam ampliando, por vezes, o significado de suas declarações anteriores. Um dos textos de Ellen G. White preferidos dos antitrinitarianos é a declaração encontrada em Manuscript Releases, volume 14, de que “o Espírito Santo é Ele [Cristo] próprio despojado da personalidade humana e independente dela”.23 Os antitrinitarianos vêem nesse texto uma afirmação da sra. White de que o Espírito Santo é Cristo. Mas o contexto torna evidente o sentido de que a presença do Espírito Santo seria tão eficaz para os cristãos como se o próprio Cristo estivesse entre eles. O mesmo conceito é confirmado posteriormente em O Desejado de Todas as Nações como “o Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana, e dela independente”.24 Os antitrinitarianos alegam que Ellen G. White, como profetisa verdadeira, jamais poderia ter substituído a expressão “é Ele próprio” por “é o representante de Cristo”. Para eles, essa alteração é uma adulteração acrescida ao texto original pela liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na intenção de distinguir Cristo do Espírito Santo, favorecendo assim a crença na doutrina da Trindade.

Mas, se os próprios profetas não podem elucidar e expandir posteriormente algumas de suas declarações, então grandes porções da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White deveriam ser descartadas como espúrias. Alguns relatos registrados no Evangelho de Marcos foram ampliados nos Evangelhos de Mateus e Lucas. Por exemplo, a inscrição colocada no topo da cruz de Cristo é referida em Marcos apenas como “O Rei dos Judeus” (Mc 15:26). Mas Lucas a menciona como “Este é o Rei dos Judeus” (Lc 23:38); Mateus, como “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” (Mt 27:37); e João, como “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus” (Jo 19:19). Se usássemos o princípio interpretativo dos antitrinitarianos, teríamos de considerar espúrias as três últimas variantes dessa inscrição. No entanto, Samuel Koranteng-Pipim sugere que essas expressões podem ter sido extraídas de uma inscrição mais ampla como “Este é Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”.25 Seja como for, elas não se contradizem, pois todas preservam a expressão básica “o Rei dos Judeus”.

À luz dessa noção estática de inspiração, advogada pelos antitrinitarianos, Ellen G. White não poderia ter escrito o seu “Suplemento” (1854),26com explicações sobre algumas declarações encontradas em sua “Experiência e visões” (1851).27 Além disso, seria inadmissível que o conteúdo de “Dons espirituais”, vol. 1 (1858),28 fosse ampliado significativamente pela mesma autora, ao longo dos anos, dando origem, primeiro, aos quatro volumes da série “O Espírito de Profecia” (1870-1884)29e, por último, aos cinco volumes da série de “O Conflito dos Séculos” (1888-1916).30 Tais ampliações podem representar um sério problema para os antitrinitarianos, que acreditam em uma forma quase mecânica de inspiração, mas não o são para os adventistas do sétimo dia, que crêem na inspiração profética de pensamento.31 Portanto, ampliações elucidativas, como de O Desejado de Todas as Nações em relação a Manuscript Releases, volume 14, acima mencionadas, são perfeitamente aceitáveis para aqueles que compreendem o conceito bíblico de inspiração.

Infalibilidade interpretativa

Um líder antitrinitariano brasileiro me disse por telefone que princípios de interpretação bíblica são desnecessários, pois, para aqueles que oram com sinceridade, a Bíblia interpreta-se a si mesma. O indivíduo me deixou com a impressão de serem ele e seus colegas antitrinitarianos os únicos cristãos contemporâneos que oravam sinceramente, e que suas preces lhes concediam uma espécie de infalibilidade interpretativa. Depois de encerrado o telefonema, continuei ponderando comigo mesmo: Por que ele crê que suas orações pessoais são mais sinceras e eficazes do que as de todos os adventistas trinitarianos juntos? Por mais importante que a oração seja para a compreensão da verdade, teria ela a capacidade de garantir a infalibilidade interpretativa? Até que ponto estaria ele ecoando ainda hoje a mesma postura de superioridade espiritual refletida na oração do fariseu, em contraste com a do publicano, mencionados em Lucas 18:9-14?

Mesmo a oração, por mais indispensável ao estudo genuíno da Palavra de Deus como possa ser, não garante em si mesma uma compreensão correta da verdade. Ellen G. White afirma que “nunca se deve estudar a Bíblia sem oração”, pois “somente o Espírito Santo nos pode fazer compreender a importância das coisas fáceis de se perceberem, ou impedir-nos de torcer verdades difíceis de serem entendidas”.32 Agora, se a oração prepara a mente para que o Espírito Santo ilumine a compreensão da verdade, como pode Este exercer essa função na mente daqueles que nem ao menos crêem em Sua existência como revelada nas Escrituras e nos escritos de Ellen G. White? Para que o Espírito Santo possa atuar na vida de tais pessoas, não deveriam elas se submeter à atuação dEle e ser rebatizadas, à semelhança dos crentes de Éfeso, que nem ao menos haviam ouvido falar “que existe o Espírito Santo” (At 19:1-7)?

Seletividade de textos

O mais indispensável recurso da hermenêutica antitrinitariana é, sem dúvida, a releitura seletiva da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White. Sob a alegação de estarem provendo uma interpretação mais honesta e imparcial, os antitrinitarianos enfatizam dos escritos inspirados apenas o que lhes interessa, e ignoram ou distorcem o que não favorece os seus postulados. Esse recurso é usado freqüentemente nas abordagens antitrinitarianas de textos bíblicos que falam, por exemplo, do batismo “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19), tido pelos antitrinitarianos como não autêntico; da bênção apostólica em 2 Coríntios 13:13, relegada por eles como irrelevante; do rebatismo de “uns doze homens” que não haviam ouvido falar “que existe o Espírito Santo” (At 19:1-7), não explicada a contento pelos antitrinitarianos. O problema da releitura seletiva transparece também na forma como os antitrinitarianos interpretam as declarações de Ellen G. White nas páginas 613-617 do livro Evangelismo,33 consideradas por eles como espúrias.

A seletividade hermenêutica antitrinitariana é justificada frequentemente com o argumento de que não se pode construir uma doutrina baseada em um só texto bíblico.34 É certo que uma doutrina, para ser verdadeira, deve ser apoiada pelo consenso das Escrituras. Mas a genuinidade de uma doutrina acaba questionada se ela também desconhecer textos bíblicos. Cristo afirmou que os verdadeiros filhos de Deus vivem “de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4) e ensinam “todas as coisas” que Cristo ordenou (Mt 28:20). De igual forma, o livro do Apocalipse condena quaisquer acréscimos ou supressões ao texto sagrado (ver Ap 22:18, 19). E, além disso, Cristo prometeu que o Espírito Santo viria com o propósito de guiar os genuínos cristãos “a toda a verdade” (Jo 16:13). É por esta razão que os adventistas do sétimo dia aceitam tanto o princípio da sola Scriptura (exclusividade das Escrituras) quanto o da tota Scriptura (totalidade das Escrituras).35

Lamentavelmente, porém, pessoas que têm coragem de negar a própria personalidade do Espírito Santo também não se constrangem em impedir que Ele as guie “a toda a verdade”. Para elas, a seletividade na aceitação e rejeição de textos inspirados parece normal e aceitável! Valendo-se de uma espécie de “malabarismo hermenêutico”, os antitrinitarianos preferem, sempre que possível, simplesmente ignorar os textos que não favorecem a sua ideia. Mas, quando confrontados diretamente com tais textos, eles se valem de diferentes evasivas para invalidar a força dos argumentos bíblicos. Algumas das evasivas mais comuns serão consideradas a seguir.

Ênfase dicotômico-quantitativa

Uma das principais evasivas interpretativas para induzir pessoas a aceitar a ideia antitrinitariana é a ênfase dicotômico-quantitativa no estudo da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White. Os adeptos dessa ideia dividem os textos sagrados sobre a Divindade em dois grupos básicos. De um lado, eles colocam alguns textos “irrelevantes” que poderiam favorecer de alguma forma a doutrina da Trindade. Do outro lado, eles mencionam um grande número de textos “importantes” que, segundo eles, negam definitivamente essa doutrina. Um exemplo desse tipo de interpretação é proposto por Ricardo Nicotra em seu livro “Eu e o Pai Somos Um”. Na página 48 do livro aparece “A balança das evidências”, com um prato bem mais pesado do que o outro. No prato leve foi colocado “apenas um verso ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”, e o prato pesado está repleto de “36 versos ‘em nome de Jesus’”. A conclusão óbvia do autor é que 36 textos são mais do que suficientes para neutralizar o ensino de “apenas um texto”.36

A estratégia usada por Nicotra e outros antitrinitarianos é, primeiro, identificar uma aparente contradição na Bíblia; depois, resolver o suposto problema confirmando a posição aparentemente endossada pelo maior número possível de textos; e, por último, negar a validade dos textos, em menor número, que estão em desacordo com a referida posição. Assim, para os antitrinitarianos, o critério interpretativo deixa de ser qualitativo para ser quantitativo, ou seja, quanto mais um assunto é repetido nas Escrituras, mais importante ele se torna! Esse argumento é muito parecido com o dos oponentes do sábado, que tentam invalidar a observância do quarto mandamento (Êx 20:8-1), pelo simples fato desse mandamento não ter sido repetido muitas vezes no Novo Testamento (cf. Lc 23:56).

Se usássemos interpretações dicotômico-quantitativas semelhantes às dos antitrinitarianos, acabaríamos mutilando o texto bíblico com uma série de indagações artificiais: Deveríamos dar importância aos relatos da criação do mundo, que aparecem em sua forma expandida apenas duas vezes na Bíblia (Gn 1 e 2)? Deveríamos tomar a sério o Decálogo, que é mencionado na íntegra apenas duas vezes no Antigo Testamento (Êx 20:3-17; Dt 5:7-21)? E o que dizer das 2.300 tardes e manhãs (Dn 8:14), que são mencionadas apenas uma vez em toda a Bíblia? Seria esse período profético menos importante do que os 1.260 dias, que são mencionados, em suas várias formas, em pelo menos sete textos bíblicos (Dn 7:25; 12:7; Ap 11:2, 3; 12:6, 14; 13:5)? Não há dúvida de que um assunto repetido frequentemente acaba se tornando um tema predominante. Mas a mera repetição de determinado assunto não o torna mais importante do que os demais.

Perspectiva exclusivista-reducionista

Outra evasiva interpretativa dos antitrinitarianos é a perspectiva exclusivista-reducionista, por meio da qual os textos que falam explicitamente na existência do Pai, do Filho e do Espírito Santo são relidos da perspectiva das declarações que mencionam apenas o Pai e o Filho. A Bíblia menciona o Espírito Santo como distinto da glória de Deus (Ez 8:3, 4; 43:4, 5; cf. 9:3; 10:4, 18, 19); como visivelmente presente no batismo de Cristo (Mt 3:13-17; Mc 1:9-11; Lc 3:21, 22; Jo 1:32-34); como o “outro Consolador” enviado pelo Pai em nome de Cristo (Jo 14:16, 26; cf. Is 48:16); como junto com o Pai e o Filho, tanto na grande comissão (Mt 28:19) quanto na bênção apostólica (2Co 13:13). Mas nada disso faz sentido para os antitrinitarianos, uma vez que o livro do Apocalipse menciona apenas a Deus e o Cordeiro assentados no trono celestial (Ap 22:1, 3).37 Em outras palavras, passagens de natureza reducionista são usadas em substituição indevida aos textos com um escopo mais amplo. Dessa perspectiva, alguém poderia usar outros textos bíblicos, que mencionam apenas o Pai, para negar a existência do Filho (ver Dt 4:39; 2Cr 6:14; Sl 73:25).

Por trás dessa perspectiva está uma leitura indutiva e fragmentária da Bíblia, que parte do específico para o geral, em vez de mover-se do geral para o específico. Ekkehardt Mueller toca no âmago do problema ao afirmar que

uma abordagem indutiva busca discrepâncias e observa tais fenômenos. Frequentemente, ela não permite a harmonização, mesmo quando esta parece possível e aconselhável. Ela está preocupada em encontrar diferenças em vez de acordo e unidade; e sempre fica apenas com partes do completo quebra-cabeça.38

O cristão que vive “de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4) não pode se contentar com uma leitura fragmentária das Escrituras. Para evitarmos esse problema, devemos usar sempre os relatos mais abrangentes como referenciais interpretativos, complementando-os com os detalhes encontrados nos textos mais resumidos.39 Assim, quando Marcos e Lucas falam de um cego de Jericó sendo curado por Cristo (Mc 10:46-52; Lc 18:35-43), e Mateus relata que foram dois (Mt 20:29-34), cremos que o milagre ocorreu realmente com dois cegos, como mencionado por Mateus, mas que o interesse de Marcos e Lucas se restringiu apenas a um deles.40 De igual forma, quando Mateus e Marcos mencionam um anjo no sepulcro de Cristo na manhã da ressurreição (Mt 28:1-7; Mc 16:1-7), e Lucas e João falam de dois (Lc 24:1-7; Jo 20:11-13), cremos que eram realmente dois anjos, como referido por Lucas e João, mas que Mateus e Marcos mencionaram apenas o anjo que dialogou mais diretamente com as mulheres.41

Portanto, jamais deveríamos usar os textos que mencionam apenas um cego e um anjo, bem como apenas o Pai e o Filho, com o propósito de neutralizar outros textos que mencionam, respectivamente, dois cegos e dois anjos, bem como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Bíblia não fala explicitamente do Espírito Santo como entronizado com o Pai e o Filho e sendo objeto de adoração. Mas isto não significa que Ele não participe da Divindade e tampouco que não seja digno de adoração. O silêncio de alguns textos nunca deve ser usado para se neutralizar outros textos mais abrangentes.

Supostas ambiguidades

Além das evasivas anteriores, também o argumento da ambiguidade é usado pelos antitrinitarianos. Um exemplo disso é a forma como Jairo Carvalho interpreta a seguinte declaração de Ellen G. White: “Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Trindade [of the Godhead, em inglês], a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder.”42 O texto é perfeitamente claro, tanto em português como em inglês. Mas Jairo, com muita criatividade e imaginação, conseguiu tornar ambíguo o termo “of ” (da) que antecede a palavra “Godhead”, de modo a atribuir-lhe o sentido de from (a partir da). Segundo ele, o sentido correto da expressão seria a “terceira pessoa a partir da Divindade”. Tal tradução é sugerida pelo autor na tentativa de acomodar ao texto a abominável ideia de que essa “pessoa” não seria o Espírito Santo, e sim Lúcifer, que após sua queda foi substituído por Gabriel.43

Não podemos negar o fato de que existem algumas expressões ambíguas na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White, que devem ser cuidadosamente estudadas a fim de não se chegar a alguma interpretação equivocada. Mas o problema que estamos considerando, não é a forma como os antitrinitarianos interpretam as expressões realmente ambíguas, e sim, o motivo que os leva a considerar como ambíguas algumas declarações que não o são. Podem existir outras razões para isso, mas o motivo mais claro é, sem dúvida, o desejo de neutralizar a força de tais declarações. Esse é mais um aspecto no qual transparece a postura antitrinitariana de adaptar a revelação divina às suas ideias pessoais, em vez de permitir que estas sejam por ela corrigidas e guiadas.

Endossos proféticos

Outro aspecto que merece ser destacado é a manifestação de pretensas revelações proféticas em alguns círculos antitrinitarianos. Devemos ressaltar que essa não é uma característica geral do movimento, e talvez nem todos aceitem esse tipo de profetismo popular. Mas Márcio Nastrini, que foi pastor distrital da Igreja Central de Curitiba, PR, declarou que os ensinos antitrinitarianos propagados pelo Ministério 4 Anjos, com sede em Contenda, PR, foram corroborados em grande parte por supostas revelações sobrenaturais recebidas por alguns integrantes daquele ministério.44 Robson Ramos alega ter recebido um sonho a respeito de um “bebê que falava pelos pés”, interpretado por ele como um endosso divino a uma “‘nova’ igreja adventista do sétimo dia que pode surgir aqui na América do Sul” livre, não apenas de uma estrutura organizacional como a da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas também de muitas de suas doutrinas e práticas.45 Um dos exemplos mais claros do profetismo antitrinitariano aparece no texto intitulado “Adventista argentino tem visão que confirma origem satânica da doutrina da Trindade”, que menciona revelações proféticas antitrinitarianas recebidas tanto por “A.V.” (Alejandro Villacentro?) quanto pelo próprio Robson Ramos.46

O mero recebimento de revelações proféticas, quer por sonhos ou por visões, não garante em si que o profeta seja verdadeiro. A Bíblia menciona que nos últimos dias surgiriam manifestações proféticas tanto verdadeiras (Jl 2:28-31) quanto falsas (Mt 24:24; cf. 1Jo 4:1). A expressão “falsos profetas” (Mt 24:24) se refere, em sentido primário, a pessoas que recebem revelações sobrenaturais de origem satânica. Mas, em sentido secundário, ela pode ser aplicada também àqueles que distorcem a palavra profética registrada na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White. Com essa atitude, eles colocam suas ideias pessoais acima da revelação divina, o que não deixa de ser uma forma secundária de profetismo, que acaba neutralizando a própria palavra profética. Toda pretensa revelação profética, para ser verdadeira, deve estar em plena conformidade com os ensinos bíblicos (ver Is 8:20; Mt 4:4; 7:15-23; Gl 1:8, 9).

Pretensas adulterações

Quando todos os demais recursos hermenêuticos falham, os antitrinitarianos apelam para uma das mais condenáveis posturas que um ser humano pode assumir em relação à Bíblia e aos escritos de Ellen G. White: a acusação de que os próprios textos inspirados, que não concordam com os seus postulados pessoais, não passam de meras adulterações heréticas. Por exemplo, a declaração de que no Céu testificam “o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um” (1Jo 5:7), considerada pelos eruditos bíblicos como uma interpolação ao texto original, é qualificada por Ricardo Nicotra como “uma ousada tentativa de adulteração da Palavra de Deus”.47Postura semelhante é assumida pelo mesmo autor em relação à expressão “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19).48 Jairo Carvalho acrescenta que “a partir de 1888 iniciou-se um processo de apostasia dentro da igreja adventista, encabeçado pela liderança”, que chegou, não apenas a “forjar” textos, mas também a “manufaturar” e “produzir” até mesmo compilações de textos, atribuídos indevidamente a Ellen G. White.49

Se Deus não preservou a Bíblia e os escritos de Ellen G. White livres de ensinos heréticos em suas respectivas línguas originais, então não podemos mais considerá-los como infalíveis e confiáveis. Nesse caso, Ellen G. White teria se equivocado em afirmar: “Irmãos, apegai-vos à Bíblia, tal como ela reza, parai com vossas críticas relativamente a sua validade, e obedecei à Palavra, e nenhum de vós se perderá.”50 “Se não quisermos construir nossas esperanças celestiais sobre um falso fundamento, precisamos aceitar a Bíblia como se lê e crer que o Senhor quer dizer o que diz”.51 Se adulterações heréticas foram incorporadas ao texto sagrado, então teríamos que corrigir até mesmo estas afirmações de Ellen G. White, de forma a dizerem: “Não aceitem a Bíblia e os escritos de Ellen G. White ‘como se lê’, pois se encontram adulterados. Aceitem apenas as versões da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White como corrigidas pelos antitrinitarianos!”

Digam as pessoas o que quiserem, mas uma questão não pode ser negada: É precisamente neste ponto que os antitrinitarianos assumem a sua mais arrogante postura de juízes das próprias Escrituras Sagradas! Esta postura, por si só, é suficiente para que todo o sistema antitrinitariano moderno seja rejeitado como espúrio e inspirado por outro espírito, que não é o verdadeiro Espírito Santo. Por mais que eles se escondam atrás de uma capa de pretensa “santidade”, a sua obra tem contribuído, mais do que qualquer outra coisa, para colocar em descrédito tanto o texto bíblico bem como os escritos de Ellen G. White! Não é sem motivo que a Sra. White advertiu que “o último engano de Satanás seria anular o testemunho do Espírito de Deus”.52

Sacudidura inversa

O antitrinitariano Robson Ramos já sugeria em seu texto “Sonho: bebê que falava pelos pés” (2001), acima mencionado, que o bebê do seu sonho seria “a ‘nova’ igreja adventista do sétimo dia que pode surgir aqui na América do Sul, através desse despertamento que resultou no congresso da Associação Brasileira de Adventistas Leigos [ABA-Lei]. Uma IASD livre, cuja cabeça é apenas Cristo”. No mesmo texto ele apresenta “Novas bem-aventuranças”, sendo a primeira delas: “Bem-aventurados os adventistas-livres, a quem a Organização exclui e remove de seus registros meramente terrestres. Sobre eles, já não poderá haver controle nem ameaças de perda de cargos ou desligamento. E seus nomes permanecem nos livros do Céu!”53 Aparentemente, parte desse “sonho” acabou se concretizando em julho de 2005, quando foi inaugurado na cidade de São Paulo o templo da assim chamada “Igreja Cristã Bíblica Adventista”,54 um movimento antitrinitariano dissidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, liderado por Ricardo Nicotra.55

Para os antitrinitarianos modernos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia apostatou a ponto de se tornar Babilônia (Ap 14:8), por aceitar a doutrina “católica” da Trindade. Consequentemente, a advertência apocalíptica: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices dos seus pecados” (Ap 18:4) se transforma em um chamado para que os “verdadeiros” adventistas antitrinitarianos saiam dentre os “apostatados” adventistas trinitarianos. Neste caso, no seio da Igreja Adventista do Sétimo Dia podem ficar os membros em estado de apostasia; mas dela devem sair os genuínos filhos de Deus para um movimento “livre, cuja cabeça é apenas Cristo”, descomprometido da Trindade e da crença na personalidade do Espírito Santo.

A ideia de que o povo remanescente de Deus deve se retirar da Igreja Adventista do Sétimo Dia está em direto antagonismo com o conceito de Ellen G. White sobre a “sacudidura” final da Igreja. Um estudo mais detido desse tema revela que, segundo ela, no seio da Igreja permanecerão os verdadeiros filhos de Deus, e dela sairão apenas os apostatados.56A Sra. White adverte enfaticamente:

Os que se põem a proclamar uma mensagem sob sua responsabilidade pessoal, e que, ao mesmo tempo que declaram ser ensinados e guiados por Deus, constituem sua obra especial derrubar aquilo que Deus durante anos tem estado a erguer, não estão cumprindo a vontade de Deus. Saiba-se que esses homens se encontram do lado do grande enganador. Não os creiais. Estão se aliando com os inimigos de Deus e da verdade. Porão a ridículo a ordem estabelecida no pastorado, considerando-a um sistema eclesiástico imperialista. Afastai-vos desses; não tenhais comunhão com sua mensagem por muito que eles citem os Testemunhos e atrás deles busquem entrincheirar-se. Não os recebais; pois Deus não os incumbiu dessa obra. O resultado de semelhante obra será incredulidade nos Testemunhos, e nos limites do possível, tornarão sem efeito a obra que por anos tenho estado a fazer.57

Ironia vulgar

Uma característica marcante da literatura antitrinitariana brasileira é o uso de uma forma vulgar de ironia, não condizente com a seriedade com que se deveria estudar a doutrina de Deus. Por exemplo, a síndrome do herói e dos vilões aparece claramente refletida no título “Resposta do Davizinho leigo aos 10 Golias do Unasp!”, com o qual aparecem anunciados os “comentários” de Ricardo Nicotra à resenha crítica a seu livro “Eu e o Pai Somos Um”.58 Tales Fonseca chegou mesmo a sugerir ironicamente que, “para responder ao Nicotra, foram necessários 10” teólogos.59 A mensagem nas entrelinhas é que Davi conseguiu matar apenas a um Golias (ver 1Sm 17), mas Ricardo Nicotra foi capaz de derrubar 10 Golias. Nessa analogia, Nicotra é considerado como excedendo em muito ao próprio Davi! Mas, diante da ideia do “quanto mais, melhor” (como no contraste entre “apenas um verso” e os “36 versos”, acima mencionada), por que então a opinião de 10 pessoas não seria mais abalizada do que a de apenas uma? Seria mais conveniente trabalharmos hoje cada um por conta própria, do que buscarmos o conselho dos irmãos (ver Pv 15:22)?

Mas a vulgaridade antitrinitariana brasileira atingiu o seu clímax com os textos de Tales Fonseca como, por exemplo, “Afinal, para que servem os teólogos?”60;“Tales Fonseca desiste de colocar todos os teólogos num saco e jogar no rio”61;“2 testes simples para verificar se o Dr. José Carlos Ramos é Deus”62;“O que o Pelé e os teólogos adventistas têm em comum?”63;“Que Indiana Jones que nada, Dr. Rodrigão é que é o cara!”64;e “Por que Alberto Timm merece a chuteira de ouro apesar da cabeçada contra Nicotra”.65A analogia entre as diferentes compreensões da natureza de Deus e o futebol já parece um tanto vulgar para aqueles que ainda respeitam o texto sagrado. No entanto, quando o referido autor reproduz ironicamente uma charge mostrando, não apenas Adão completamente despido, com o seu órgão genital exposto, mas também a própria pessoa de Deus, como se fosse um velho irritado,66 não resta a menor dúvida de que esse autor já perdeu completamente o respeito para com Deus e as coisas sagradas!

Embora alguns líderes antitrinitarianos não se constranjam em escrever e publicar esse tipo de ironia vulgar, eu apelo aos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia a que jamais incorram em uma forma semelhante de vulgaridade, pois isso é uma blasfêmia contra o Espírito Santo. A verdade, para ser verdade, não necessita disso. Somente quando os argumentos são fracos e não convincentes é que a pessoa precisa apelar para a ironia vulgar como um mecanismo de autodefesa e de sustentação para suas ideias. Nas páginas 636-637 do livro Evangelismo, Ellen G. White admoesta a que nos afastemos de “toda vulgaridade” e de “tudo quanto é rústico”, pois Deus não considera “tais peculiaridades como virtudes”.67Fiquei chocado, no entanto, quando um antitrinitariano me disse que eu poderia jogar no lixo esse livro, por ter sido compilado após a morte da Sra. White!68Além disso, como disse alguém, “julga-se melhor uma pessoa, não pelo que os outros dizem dela, mas pelo que ela diz dos outros”.

Considerações Adicionais

O antitrinitarianismo adventista brasileiro é um movimento religioso relativamente novo e, consequentemente, ainda heterogêneo em sua hermenêutica. Mesmo assim, é possível observar algumas de suas características hermenêuticas predominantes. Sem sombra de dúvidas, existe uma grande diferença entre o método gramático-histórico dos adventistas do sétimo dia69e as livres interpretações (por vezes alegóricas) dos antitrinitarianos. Como no caso de Carlstadt e Lutero contra Eck, é impossível qualquer acordo interpretativo entre os adventistas do sétimo dia e os antitrinitarianos, enquanto estes últimos mantiverem o malabarismo hermenêutico e as inconsistências interpretativas que os caracterizam. Se a Igreja tolerasse em seu meio esse tipo de livre interpretação, ela estaria abdicando do seu compromisso com os princípios da exclusividade das Escrituras e da totalidade das Escrituras.

Somos alertados pelo Espírito de Profecia de que “os piores inimigos que temos são os que procuram destruir a influência dos vigias sobre os muros de Sião”.70

Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado fé na mensagem do terceiro anjo, mas não tem sido santificada pela obediência à verdade, abandona sua posição, passando para as fileiras do adversário. Unindo-se ao mundo e participando de seu espírito, chegaram a ver as coisas quase sob a mesma luz; e, em vindo a prova, estão prontos a escolher o lado fácil, popular. Homens de talento e maneiras agradáveis, que se haviam já regozijado na verdade, empregam sua capacidade em enganar e transviar as almas. Tornam-se os piores inimigos de seus antigos irmãos.71

Creio que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem o dever, por um lado, de esclarecer seus membros a respeito dos sérios riscos envolvidos com a aceitação dos princípios hermenêuticos antitrinitarianos acima expostos. Mas, por outro lado, ela jamais deve permitir que seus esforços missionários sejam inibidos pelo espírito polêmico e difamador dos antitrinitarianos. Ellen G. White admoesta na página 376 do seu livro Obreiros Evangélicos:

Podereis hoje remover todos os pontos de apoio, tapando a boca dos contraditores de maneira que nada mais possam dizer, e amanhã eles percorrerão o mesmo terreno outra vez. Assim acontecerá sempre e sempre, porque eles não amam a verdade, e não virão para a luz, para que as trevas e os erros não sejam deles afastados.

O ministério de Cristo durou apenas três anos, mas uma grande obra foi feita nesse breve período. Nestes últimos dias, há uma obra vasta a ser feita dentro de pouco tempo. Enquanto muitos se estão preparando para fazer qualquer coisa, almas hão de perecer por falta de luz e conhecimento.

Se homens empenhados em apresentar e defender a verdade bíblica passarem a pesquisar e a mostrar a falácia e incoerência dos homens que transformam a verdade de Deus em mentira, Satanás há de levantar adversários suficientes para lhes manter a pena constantemente ocupada, enquanto outros ramos da obra terão de sofrer. Devemos possuir mais do espírito daqueles homens que estavam reedificando os muros de Jerusalém. Estamos fazendo uma grande obra, e não podemos descer. Se Satanás for capaz de manter homens ocupados em responder às objeções dos oponentes, impedindo-os assim, de realizar a mais importante obra para o tempo atual, seu objetivo será atingido.72

A Igreja Adventista do Sétimo Dia possui uma posição bem definida quanto à doutrina de Deus e da personalidade do Espírito Santo.73 Muitas teorias procuraram mover a Igreja de sua plataforma bíblica, e aqueles que isso intentaram foram como meteoros que fulguraram intensamente a princípio, e depois se extinguiram. Não podemos permitir que pessoas com uma hermenêutica incoerente e com interpretações inconsistentes nos levem a duvidar de que Deus está guiando a Igreja ao seu triunfo final. A promessa em Isaías 54:17 é clara: “Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede, diz o Senhor.”


Referências

1 Uma descrição elucidativa do Debate de Leipzig é provida em E. G. Schwiebert, Luther and His Times: The Reformation from a New Perspective (Saint Louis, MS: Concordia, 1950), 384-437.

2 Uma elucidativa análise crítica da hermenêutica jeovista pode ser encontrada em Arnaldo B. Christianini, Radiografia do Jeovismo, 2ª ed., refundida e ampliada (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1975).

3 Ricardo Nicotra, “Eu e o Pai Somos Um”. E o Espírito Santo? Não Faz Parte da Trindade?, 2ª ed. (São Paulo: Ministério Bíblico Cristão, 2004).

4 [Jairo Pablo Alves de Carvalho, org.], A Divindade, e a maravilhosa conexão entre o céu e a terra, chamada Espírito Santo (Contenda, PR: Ministério 4 Anjos, [2003]).

5 Ver Alberto R. Timm, “Resenha Crítica do Livro ‘Eu e o Pai Somos Um’”, Parousia, ano 4, nº 2 (2º semestre de 2005): 69-93; idem, “Resenha Crítica do Livro A Divindade”, Parousia, ano 5, nº 1 (1º semestre de 2006), 79-100.

6 Alberto R. Timm, “Em crise com a mensagem”, Revista Adventista (Brasil), junho de 1999, 8-10.

7 Alberto R. Timm, “O drama da apostasia”, Revista Adventista (Brasil), maio de 2003, 6-8.

8 Alberto R. Timm, “A Igreja e seus críticos”, Revista Adventista (Brasil), abril de 2005, 16-17.

9 Uma elucidativa análise crítica dos “reformistas” é provida em Helmut H. Kramer, Os Adventistas da Reforma (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1991).

10 Ver [Jerry Moon], “Trindade e antitrinita-rianismo na história adventista”, em Woodrow Whidden, Jerry Moon e John Reeve, A Trindade: Como Entender os Mistérios da Pessoa de Deus na Bíblia e na História do Cristianismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), 216-230.

11 Ver Jerry Moon, “O debate adventista sobre a Trindade”, Parousia, ano 4, nº 2 (2º semestre de 2005): 19-30.

12 “Fundamental Beliefs of Seventh-day Adventists – Church Manual Revision”, Adventist Review, 1º de maio de 1980, 23; republicado em Seventh-day Adventist Church Manual, rev. em 1981 ([Washington, DC]: General Conference of Seventh-day Adventists, 1981), 32-33.

13 LeRoy E. Froom, Movement of Destiny (Washington, DC: Review and Herald, 1971), 269-326.

14 Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine (Washington, DC: Review and Herald, 1957), 11, 21-22, 35-49, 641-646.

15 “Fundamental Beliefs of Seventh-day Adventists”, em 1931 Year Book of the Seventh-day Adventist Denomination (Washington, DC: Review and Herald, 1931), 377.

16 [Carvalho, org.], A Divindade, 40-46, 52.

17 Ibid., 59.

18 George R. Knight, em seu livro Em Busca de Identidade: O Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005), 55-130, sugere uma distinção semelhante ao considerar a ênfase de 1844-1885 como centralizada em torno da pergunta “O que é adventista no adventismo?” e a ênfase em 1886-1919 como gravitando ao redor da questão “O que é cristão no adventismo?”.

19 Ver Alberto R. Timm, O Santuário e as Três Mensagens Angélicas: Fatores Integrativos no Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas, 4ª ed., rev. (Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2002).

20 Ellen G. White, “To brother J. N. Andrews and sister H. N. Smith”, em idem, Pamphlets in the Concordance (Payson, AZ: Leaves-Of-Autumn, 1983), 1:245-246.

21 Ellen G. White, Manuscript Releases (Silver Spring, MD: Ellen G. White Estate, 1990), 5:203. Cf. Timm, O Santuário e as Três Mensagens Angélicas, 184-185.

22 Ellen G. White, Primeiros Escritos, 6ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1999), 256.

23 White, Manuscript Releases, 14:23-24.

24 Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 22ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), 669.

25 Ver Samuel Koranteng-Pipim, Receiving the Word: How New Approaches to the Bible Impact Our Biblical Faith and Lifestyle (Berrien Springs, MI: Berean Books, 1996), 298-300.

26 White, Primeiros Escritos, 85-127.

27 Ibid., 11-83.

28 Ibid., 129-295.

29 Ellen G. White, The Spirit of Prophecy, 4 vols. (Battle Creek, MI: Steam Press of the Seventh-day Adventist Publishing Association, Review and Herald, 1870-1884).

30 Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 15ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997); idem, Profetas e Reis, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996); idem, O Desejado de Todas as Nações; idem, Atos dos Apóstolos, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1999); idem, O Grande Conflito, 41ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001).

31 Ver Alberto R. Timm, “Os adventistas e a inspiração”, Ministério (Brasil), março-abril de 1999, 9-12.

32 White, O Grande Conflito, 599-600.

33 Ver Ellen G. White, Evangelismo, 3ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 613-617. A autenticidade das declarações que aparecem nessas páginas do livro Evangelismo é atestada em “Original Sources for Ellen White’s Statements on the Godhead Printed in Evangelism, pp. 613-617” (Silver Spring, MD: Ellen G. White Estate, 2003).

34 Nicotra, “Eu e o Pai Somos Um”, 40, 48-49, 54, 75.

35 Ver Alberto R. Timm, “O adventismo e o princípio da sola Scriptura”, Ministério (Brasil), janeiro-fevereiro de 1998, 18-20.

36 Nicotra, “Eu e o Pai Somos Um”, 47-49.

37 Ibid., 34-35.

38 Ekkehardt Mueller, “The Revelation, Inspiration, and Authority of Scripture”, Ministry, abril de 2000, 22.

39 Ver Francis D. Nichol, ed., The Seventh-day Adventist Bible Commentary, ed. rev. (Washington, DC: Review and Herald, 1980), 5:306-307 (“Note 2”).

40 Ibid., 640.

41 Ibid., 555.

42 White, O Desejado de Todas as Nações, 671.

43 [Carvalho, org.], A Divindade, 107-145.

44 Márcio Nastrini, e-mail para Alberto R. Timm, contendo um relatório datado de 15 de maio de 2006.

45 Robson Ramos, “Sonho: O bebê que falava pelos pés”, em http://www.adventistas.com/novembro2001/congresso/sonho_robson.htm, acessado em 7/9/2006. Cf. Ex-pastor K., “A profetiza do pretenso movimento leigo do Brasil”, em http://www. adventista-aconselho.com/profetiza_do %pretenso %20mov.%20leigo.htm.

46 Jairo Carvalho, “Adventista argentino tem visão que confirma origem satânica da doutrina da Trindade”, em http://www.adventistas.com/junho2002/visao_trindade.htm, acessado em 11/9/2006; Robson Ramos, “Nota do editor”, em ibid.

47 Nicotra, “Eu e o Pai Somos Um”, 38.

48 Ibid., 39-56.

49 [Carvalho, org.], A Divindade, 59, 84.

50 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, 2ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), 1:18.

51 Ellen G. White, Testimonies for the Church (Mountain View, CA: Pacific Press, 1948), 5:171.

52 White, Mensagens Escolhidas, 2:78.

53 Ramos, “Sonho: O bebê que falava pelos pés”.

54 Mais informações sobre a Igreja Cristã Bíblica Adventista podem ser encontradas no site www.igrejacrista.com.

55 Ver Timm, “Resenha Crítica do Livro ‘Eu e o Pai Somos Um’”, 70-71.

56 Ver o capítulo intitulado “A Sacadidura” em Ellen G. White, Eventos Finais, 3ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995), 149-157. Ver também Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 4ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002), 15-62.

57 White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 51.

58 Ricardo Nicotra, “Comentários Sobre a Resenha Crítica do Livro ‘Eu e o Pai Somos Um’”, em http://www.adventistas.com/julho2006/replica_nicotra_parousia.htm, acessado em 07/09/2006.

59 Tales Fonseca, “Porque Alberto Timm merece a chuteira de ouro apesar da cabeçada contra Nicotra”, http://www.adventistas.com/julho2006/timm_chuteiradeouro.htm, acessado em 07/09/2006.

60 Tales Fonseca, “Afinal, para que servem os teólogos?”, http://www.adventistas.com/fevereiro2003/tales_teologos.htm, acessado em 11/09/2006.

61 Tales Fonseca, “Tales Fonseca desiste de colocar todos os teólogos num saco e jogar no rio”, http://www.adventistas.com/marco2003/tales_teologos 2.htm, acessado em 11/09/2006.

62 Tales Fonseca, “2 testes simples para verificar se o Dr. José Carlos Ramos é Deus”, http://www.adventistas.com/maio2005/2_testes _ramos.htm, acessado em 07/09/2006.

63 Tales Fonseca, “O que o Pelé e os teólogos adventistas têm em comum?”, http://www. adventistas.com/junho2005/pele_teologos.htm, acessado em 07/09/2006.

64 Tales Fonseca, “Que Indiana Jones que nada, Dr. Rodrigão é que é o cara!”, http://www.adventistas. com/abril2006/rodrigo_jones.htm, acessado em 07/09/2006.

65 Fonseca, “Porque Alberto Timm merece a chuteira de ouro apesar da cabeçada contra Nicotra”, http://www.adventistas.com/julho2006/timm_ chuteiradeouro.htm, acessado em 07/09/2006.

66 Fonseca, “Que Indiana Jones que nada, Dr. Rodrigão é que é o cara!”

67 White, Evangelismo, 636-637.

68 Ellen G. White sugeriu que os depositários do seu Patrimônio Literário preparassem compilações dos seus escritos. Essa questão é abordada em Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001), 528-533.

69 Ver o documento “Métodos de estudo da Bíblia” em Declarações da Igreja, 2ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), 179-189.

70 Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), 5:294.

71 E. G. White, O Grande Conflito, 608.

72 E. G. White, Obreiros Evangélicos, 376.

73 Ver Nisto Cremos: 27 Ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), 31-98.


 Fonte: Revista Parousia, 1° Semestre de 2006, UNASPRESS

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