Haverá casamentos na Nova Terra? 

Natanael B. P. Moraes, D. Teol. Pastoral
Professor de teologia aplicada no SALT, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, São Paulo

Resumo: Este artigo aborda a questão do estilo de vida dos redimidos após a ressurreição. Ao longo da história têm surgido ensinos divergentes a respeito deste tema. Enquanto alguns mantêm o ensino de Cristo de que os salvos, semelhantemente aos anjos, não se casarão nem serão dados em casamento, outros defendem que serão realizados casamentos na Nova Terra, com todas as suas implicações conjugais, inclusive, geração de crianças. Após uma breve discussão a respeito das diferentes posições sobre o tema, o autor busca demonstrar que de fato não haverá casamentos na vida por vir. Além das evidências bíblicas, o autor utiliza informações adicionais dos escritos de Ellen White, para substanciar sua interpretação.

Abstract: This article deals with the question of the lifestyle of the redeemed, in the New Earth, after the resurrection. Throughout history there has been divergent positions regarding to this topic. While some affirming Jesus’ words, uphold that the redeemed, like the angels, “neither will get married or given into marriage,” others have advocate marriage, with all the implications of the married life, including the generation of children in the earth made new. After a brief discussion of the historical beliefs regarding to the theme, the author presents a study defending the position that there will be no marriage in the future life. Besides biblical evidences, the author makes use of additional information from Ellen White, to substantiate his interpretation.

Introdução

A esperança cristã de “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pe 3:13)1 abrange diversas expectativas, como: felicidade plena, saúde total, vida eterna e, especialmente, companheirismo pessoal com Deus. Ao longo dos anos têm surgido pessoas anunciando um “algo mais”, como casamento e procriação entre os salvos, após a segunda vinda de Jesus Cristo. É propósito deste estudo abordar brevemente alguns ensinos referentes ao tema e empreender uma análise do texto bíblico que trata da condição dos salvos após a ressurreição.

Diversas crenças sobre a vida pós-ressurreição

O primeiro ponto de vista a ser abordado é o dos saduceus, que “declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito”; o segundo é o dos fariseus, que “admitem todas essas coisas” (At 23:8). Os fariseus também acreditavam que na vida pós-ressurreição o corpo continuaria a exercer as funções conjugais tal como os maometanos o fazem atualmente.2Em parte, parece que os fariseus compartilhavam a crença registrada no livro apócrifo Apocalipse de Baruque, que, se presume, foi escrito em torno de 100 d.C.3: “Pois a terra certamente devolverá os mortos neste tempo; ela os recebe agora a fim de preservá-los, sem mudar nada em sua forma. Do modo como ela os recebeu, assim os devolverá. E assim como eu os entreguei, assim eu os ressuscitarei”.4

A revelação de Jesus diferia tanto da crença dos fariseus quanto da incredulidade  dos saduceus no que se referia à vida pós-ressurreição, pois, conforme Ele declarou, “na ressurreição nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22:30). De um modo geral, os pais da igreja interpretaram as palavras de Cristo semelhantemente, isto é, que após a ressurreição não haveria mais casamento e, consequentemente, não haveria mais vida sexual nem procriação.5Esta é a interpretação da Igreja Católica, bem representada por Tomás de Aquino que afirmou “o matrimônio não subsiste além do tempo desta vida, em que foi contraído”,6uma posição que ainda é mantida no catecismo católico: “o Matrimônio é uma realidade da figura deste mundo que passa”.7

A bem da verdade é relevante que se destaque que o dualismo grego (corpo-espírito) influenciou diretamente na concepção cristã de diversas crenças, inclusive na da vida pós-ressurreição. Sob certo aspecto, é através do corpo que as pessoas se relacionam com o mundo, isto é com a família, a procriação, a vida econômica e a política. Por outro lado, o espírito relaciona-se com a religião, a comunidade de crentes e, por fim, com Deus, que é espírito. A ênfase sobre o espírito aliena o cristão da presente ordem de coisas.8Esta concepção dualista forneceu os pressupostos para a crença na qual o sexo e a procriação se originaram como consequência do pecado de Adão. Isto é exemplificado pelo livro apócrifo de Baruque: E como tu vistes, as águas negras no topo das nuvens que a princípio vieram sobre a terra; esta é a transgressão que Adão, o primeiro homem, cometeu. Pois quando ele transgrediu, a morte inoportuna passou a existir, passou a se ouvir de murmuração, aflição e doença surgiram, o trabalho se efetivou, o orgulho veio à existência, o reino da morte começou a pedir para ser renovado com sangue, iniciou-se a concepção de filhos, brotou a paixão dos pais, a altivez do homem foi humilhada e a bondade foi banida.9

A perspectiva negativista em relação ao sexo, por depender do corpo para se expressar, forjou a crença de que o casamento era um remédio para a morte.10Como consequência, o ensino de Jesus de que na vida pós-ressurreição não haverá casamento (Mt 22:30) juntamente com Sua declaração de que alguns cristãos “a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus” (Mt 19:12) parecia colocar o celibato acima da condição matrimonial já nesta vida.

A dicotomia corpo-espírito também pode ser vista no livro apócrifo de 1 Enoque, possivelmente escrito entre o terceiro e o segundo século a.C.11Nesta obra os anjos são descritos como seres espirituais, imortais e celibatários: “Na verdade, tu [anjo] inicialmente eras espiritual (tendo) vida eterna, e imortal em todas as gerações do mundo. Foi por isto (inicialmente) que eu não criei esposas para ti, pois a habitação dos seres espirituais do céu é o céu”.12Como decorrência desta crença, e visto que a morte não tem poder sobre os anjos, estes desconhecem a necessidade de casamento, ou seja, o fato de serem imortais isenta-os da necessidade de se casarem e procriarem.13

A dicotomia corpo-espírito substanciou a exaltação do estado virginal acima do matrimonial.14Além do mais, o celibato dos cristãos passou a ser visto como uma antecipação no presente da vida pós-ressurreição, semelhante à dos anjos: “Aquilo que seremos, vós já tendes começado a ser. Vós já possuís neste mundo a glória da ressurreição. Vós passais pelo mundo sem o contágio do mundo; pois continuais castos e virgens, por isto sois iguais aos anjos de Deus”.15

Continuando a exposição das crenças sobre a vida pós-ressurreição, menciona-se a Igreja Luterana do Sínodo de Missouri, que seguiu a mesma linha tradicional de interpretação cristã, pois diz, o “casamento faz parte da ordem da criação e constitui umas das estruturas do presente. Na era por vir, tais estruturas não serão mais necessárias e cessarão”.16Igualmente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia mantém a explanação conservadora ao declarar que “não haverá necessidade de casamento, porque prevalecerá uma ordem diferente de vida”,17crença que também é compartilhada pela Igreja Batista.18

Após esta breve abordagem sobre a crença comum de que na vida pós-ressurreição não haverá casamento, relações sexuais e procriação, analisar-se-á alguns pontos de vista divergentes. Por exemplo, a New Church ensina que “o verdadeiro casamento perdurará por toda a eternidade” e que os anjos existem como homem e mulher “em cada detalhe” e “todos são felizes, são casados e muito românticos”.19A New Church segue os ensinos de Emanuel Swedenborg, um cientista sueco, professor religioso e espiritualista, que nasceu em 1688 e morreu em 1772.20Swedenborg alegou haver mantido contato com anjos e espíritos que o ajudaram a elaborar os ensinos da New Church.21

Devido à sua relevância para o presente estudo, apresentam-se, a seguir, as palavras textuais do próprio Swedenborg: Eu já vos demonstrei que há casamentos no céu… Isto não é um assunto de opinião, mas de experiência, que eu tive pela associação com anjos e espíritos…

As pessoas casadas geralmente se encontram após a morte, reconhecem-se, unem-se e vivem juntas por um período de tempo. Isto ocorre no primeiro estágio, quando eles vivem, externamente, do modo como viveram no mundo. Mas gradualmente, à medida que eles se livram das superficialidades e se aproximam do que eles realmente são interiormente, eles descobrem a verdade sobre o seu amor e sua atração, e se podem ou não viver como se fossem um. Se eles podem, vivem como se fosse um e permanecem casados; se não podem, eles se separam, algumas vezes o marido da esposa, noutras a esposa do marido, e, algumas vezes, mutuamente um do outro. O homem obtém uma esposa apropriada e, do mesmo modo, a esposa um marido adequado. Os parceiros desfrutam do intercurso, um com o outro, da mesma maneira como no mundo, apenas mais feliz e mais ricamente, embora sem gerar filhos.22

Swedenborg também ensinou que os cônjuges que têm um casamento feliz nesta vida continuarão a sua convivência no mundo por vir, mas aqueles que falharam na união conjugal e ainda desejam ter um casamento ideal encontrarão a sua alma gêmea. Segundo Swedenborg, há casamentos que se efetivam por razões espirituais e outros que se concretizam por razões não-espirituais. Entre as razões não-espirituais encontram-se: motivos financeiros, status social, atração física, etc. Ao contrário do ensino de Jesus, Swedenborg afirmou que os anjos se casam e sua união é eterna. Isto ele declarou com base em sua própria experiência no céu. 23Lee Woofenden, reverendo da New Church, chega a dizer que embora reconheça não ter nenhum apoio nos escritos de Emanuel Swedenborg, acredita que na vida pós-ressurreição haverá casamento gay.24

Os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) têm uma crença diferente da interpretação tradicional e da New Church, acima descrita. Eles não acreditam que serão realizados casamentos no Céu. Ensinam que o casamento é uma ordenança terrestre e deve ser concretizado aqui. Contudo, é possível desfrutar uma vida conjugal no céu.25De acordo com o ensino de Joseph Smith, aquele casal que desejar continuar unido no céu deverá realizar, aqui na terra, um “concerto eterno” selado pelo “Espírito Santo da promessa”.26A condição é que este “concerto” seja efetivado num templo mórmon terrestre e que o casal seja fiel ao seu concerto com Deus. Inicialmente, este “concerto eterno” podia ser polígamo, mas esta doutrina foi substituída27e o casamento celestial passou a ser monogâmico, embora alguns mórmons, classificados como radicais, ainda creiam e pratiquem a poligamia.28Os mórmons acreditam que após a ressurreição o casal voltará a ser uma só carne e permanecerá unido por toda a eternidade,29ou seja, os remidos terão um corpo carnal. Neste aspecto, a doutrina mórmon diverge do ensino de Paulo, que disse que os remidos não terão um “corpo natural”, mas um “corpo espiritual” (1Co 15:44).

O grupo religioso New Covenant Church of God – B’rit Chadashah Assembly of Yahweh, originário da Suécia, autodenominado de Cristãos Evangélico-Israelitas Messiânicos, tem uma posição diferente das demais até agora estudadas. Acreditam que as três passagens neotestamentárias (Mt 22:23-33; Mc 12:18-27; Lc 20:27-40) de fato ensinam que não serão realizados casamentos na vida pós-ressurreição, mas afirmam que “isto não quer dizer que o casamento, como instituição, não ocorrerá”.30A crença que os distingue é que além das uniões monogâmicas, também haverá uniões conjugais polígamas na vida pós-ressurreição.

A FICP [First International Christian Polygamist] crê que todos os casamentos (monogâmicos e polígamos), como a salvação, são pré-ordenados e que as nossas esposas eternas foram escolhidas antes da vida nesta terra, numa condição pré-existente. O nascimento nesta terra contém, necessariamente, o princípio da separação, mas se nós estivermos na devida harmonia com o Ruach (Espírito) nós iremos nos reunir novamente com as nossas esposas, e se porventura nós as perdermos nesta vida, nós nos reuniremos com elas na próxima. 31

Mesmo entre os adventistas do sétimo dia têm surgido pessoas que apresentam pontos de vista diferentes da interpretação tradicional a respeito da vida pós-ressurreição. Como exemplo menciona-se Samuele Bacchiocchi. Em sua obra The Marriage Covenant, ele diz que não haverá casamentos na vida pós-ressurreição para promoverem a procriação, mas que o relacionamento íntimo entre marido e mulher continuará.32Nesta mesma obra, ele apresenta uma interpretação peculiar sobre o fato de nalgumas narrativas bíblicas anjos aparecerem formando duplas: A referência de Jesus a sermos “como os anjos” (Mat. 22:30) na ressurreição não implica necessariamente na cessação da função relacional do casamento. Em nenhum lugar as Escrituras sugerem que os anjos são seres “unissex”, incapazes de se envolverem em relacionamentos íntimos similares aos do matrimônio humano. O fato de os anjos serem  mencionados com frequência na Bíblia em pares (Gen. 19:1; Ex 25:18; 1Rs 6:23) sugere que eles podem desfrutar relacionamentos íntimos como casais.33

Outro exemplo de interpretação adventista heterodoxa é a publicação independente intitulada “Não é Bom que o Homem Esteja Só”, assinada por Venícius Domingos. A publicação defende a teoria de que haverá casamento e procriação na nova terra. O autor utiliza tanto a Bíblia quanto os escritos de Ellen G. White na tentativa de substanciar seus argumentos a respeito do assunto. A seguir, apresenta-se uma síntese do próprio autor:

1) Jesus virá para restaurar todas as coisas que com tanto amor criou e abençoou; 2) Nada do que fez se perderá; 3) Sua criação é sábia e perfeita, não havendo nada objetável; 4) O sexo, assim como as demais funções do organismo, funcionará normalmente em todos os sentidos; 5) O que o pecado deturpou será recuperado em todos os detalhes; 6) Homens, mulheres e crianças salvas ressuscitarão na primeira ressurreição e, a seguir, homens, mulheres e crianças salvas serão transformados e levados; 7) Todos serão machos e fêmeas, conforme aquilo que Ele fez na criação; 8) Suas três instituições – o matrimônio, o sábado e a alimentação – retornam ao seu lugar de origem e na forma e desígnio para os quais foram instituídos: o sábado para descanso e o matrimônio para a reprodução; 9) Todos viverão felizes, e habitarão a Terra em suas moradas; 10) A descendência dos salvos permanecerá morando neste planeta, mas tão logo ele fique lotado com o número de habitantes correspondentes por metro quadrado, metragem que o Senhor determinará, eles ou seus descendentes “livres de mortalidade, alçarão vôo incansável para os mundos distantes” (GC 683) –  e lá aprenderão da sabedoria de Deus e por lá permanecerão com suas famílias, podendo voltar ao Planeta Terra quando quiserem para visitar seus parentes e adorar no Templo de Deus (Is 66:23); 11) Deus não criou este planeta para que se tornasse um presídio para a raça; 12) Não seremos robotizados, assexuados, androidizados como afirmam certos descrentes do plano inicial de Deus.  Seremos, juntos e com Cristo, seres humanos por toda a eternidade – macho e fêmea como nos criou (Gn 5:1, 2). E viveremos para sempre felizes no Novo Éden.34

Segundo o mesmo autor, a “restauração de tudo”35inclui a continuidade da ordem divina, transmitida no princípio: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 1:28).36Consequentemente, para ele, após a segunda vinda de Cristo e a ressurreição, os remidos manterão relações sexuais e procriarão.37Em virtude disto, Deus repovoará o céu com a família humana.38Quando os remidos retornarem para a Terra renovada, eles se multiplicarão aqui até atingirem uma densidade populacional máxima pré-estabelecida por Deus; ao ser atingido este número, os descendentes dos remidos se deslocarão para outros planetas do universo a fim de povoá-los mediante processos procriativos.39

Outro argumento defendido por esse autor é a restauração do “matrimônio edênico”.40O casamento da nova terra será determinado pelo estado civil dos salvos. Por exemplo, os jovens solteiros “não escolherão seus pares, como aconteceu aqui quando os homens abandonaram Deus”.41Quanto aos salvos que se casaram aqui na Terra antes da segunda vinda de Cristo, qual será a condição deles? Permanecerão unidos na nova terra? De acordo com Domingos, há duas possibilidades: alguns poderão continuar unidos, outros não. Dependerá da qualidade de união que tiveram na terra. Sob a ótica do autor, “o casamento terrestre” é “uma instituição falha” e, por isso, “terá que ser eliminado”.42  Para ele, “os casamentos de hoje visam apenas interesses e desejos egoísticos”.43  Em sua avaliação, a maioria dos casamentos de cristãos encontra-se nesta categoria e, por isso, serão desfeitos quando Cristo voltar. Consequentemente, “milhões de mulheres subirão sem os seus maridos, assim como milhões de maridos subirão sem suas mulheres”.44  É aqui que entra a “imaginosa” solução de Domingos: eles não permanecerão sós como pessoas divorciadas, mas irão se casar novamente com outra pessoa do sexo oposto, embora seus primeiros cônjuges estejam vivos e no céu.  O detalhe relevante é que a escolha do(a) novo(a) parceiro(a) conjugal será determinada pelo Senhor que “apresentará do jeito dEle, um ao outro e assim se formarão novos pares”.45Por outro lado, é possível que alguns casais que se uniram aqui na terra permaneçam juntos, uma vez que o autor não descarta a “hipótese de que alguns casais tenham acertado, e que depois de alguns ‘reparos’ vivam bem na eternidade”.46

Continuando em sua exposição, Domingos apresenta razões adicionais para a sua teoria: “Caso Deus viesse a permitir que apenas os casais que hão de subir casados assim permanecessem, estaria sendo injusto quanto a sua [sic] própria regra já estabelecida, quando diz que não faz acepção de pessoas (Dt 10:17). Os milhões de jovens que hão de subir que nunca tiveram a chance de casar, as milhares de criancinhas que se salvarão, os milhares de viúvos e viúvas que as guerras, as enfermidades se encarregaram de gerar, seriam dessa forma descriminados [sic]”.47

Assim, a argumentação de Domingos consiste no seguinte: o casamento, o sexo e a procriação foram dados por Deus ao ser humano antes da entrada do pecado no mundo. Quando Cristo voltar, Ele restaurará a Terra ao seu estado original, inclusive o matrimônio, as relações sexuais e a geração de filhos. Depois que a Terra renovada for plenamente repovoada, os descendentes dos remidos se deslocarão para outros planetas a fim de colonizá-los mediante procriação sexual. Ou seja, a doutrina de Domingos fundamenta-se na premissa de que o sexo é um bem eterno e absoluto para os seres humanos, seja pelo prazer que proporciona e pelos filhos que disponibiliza. Se Deus privasse os salvos deste direito, conforme o autor, equivaleria a dizer que Ele estaria sendo injusto.

Em suma, as igrejas Católica, Luterana do Sínodo de Missouri, Adventista do Sétimo Dia, Batista, dentre as mencionadas, ensinam que o casamento e, consequentemente, as relações sexuais e a procriação são atividades restritas à presente vida na terra, mas não continuarão na vida pós-ressurreição. Em oposição a esta concepção, os Mórmons, a New Church que segue os ensinos de Emanuel Swedenborg, o grupo religioso New Covenant Church of God – B’rit Chadashah Assembly of Yahweh, o autor adventista Samuele Bacchiocchi e o senhor Venícius Domingos ensinam que haverá casamento, relações sexuais e procriação na vida pós-ressurreição. A diferença por parte dos Mórmons é que para desfrutar dos privilégios do casamento na nova terra é preciso que se efetive na terra o casamento celestial, uma vez que lá não serão ministradas novas uniões matrimoniais.

Após esta breve exposição das crenças de algumas igrejas, grupos religiosos e alguns indivíduos, é realizado um estudo sobre a declaração de Cristo a respeito da vida pós-ressurreição.

Análise de Mateus 22:23-33

A questão sobre casamento na nova terra foi apresentada a Jesus pelos saduceus na terça-feira que antecedeu a crucifixão.48Este mesmo incidente também é narrado por Marcos e Lucas (Mc 12:18-27; Lc 20:27-38). Contudo, neste estudo segue-se o texto de Mateus:

Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram: Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram. Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina (Mt 22:23-33).

A perícope tem,49entre a breve narrativa introdutória (v. 23) e a narrativa que conclui a seção (v. 33), um diálogo escolástico que consiste da questão apresentada pelos saduceus (vv. 23-28) e a resposta de Jesus (vv. 29-32).  Três partes compõem a questão: a citação da lei do levirato (v. 24), a história da mulher e os sete irmãos (vv. 25-27), a dúvida sobre a maneira pela qual a lei do levirato se coaduna com o relato e com a doutrina da ressurreição dos mortos (v. 28).  Semelhantemente, a resposta de Jesus se divide em três partes.  A primeira é uma censura retórica: os saduceus nada compreendem das Escrituras e do poder de Deus (v. 29).  A segunda parte aborda a natureza da vida após a ressurreição e a consequente inaplicabilidade da lei do levirato com base na transformação dos santos à condição angélica (v. 30).  E em terceiro, Jesus vai mais além ao defender a Sua própria crença ao mesmo tempo em que ataca a dos seus oponentes. Isto Ele faz mediante a interpretação de um verso da Tora (vv. 31-32).50

Os saduceus

Uma tradição rabínica menciona Zadoque, um discípulo de Antígono de Soko, como pai dos saduceus.  Possivelmente, Zadoque tenha discordado do seu professor e negado a ressurreição dos mortos, e assim fundado este partido. Epifânio, em Heresias I, 14 informa que o nome deriva do hebraico tsadîq, “justos”.51

Os saduceus compunham o partido aristocrático dos sacerdotes e dentre eles era em geral escolhido o sumo sacerdote.52  Surgiram após a revolta dos Macabeus, quando os Hasmoneanos procuraram conquistar a liberdade dos sírios. Opunham-se aos fariseus.53Embora em menor número do que os fariseus, eles detinham maior influência política, porque controlavam o sacerdócio. Seus contatos com dominadores estrangeiros tendiam a reduzir sua devoção religiosa, levando-os mais na direção da helenização. Quando o templo de Jerusalém foi destruído em 70 d.C., os saduceus e seu partido desapareceram.54

Os saduceus procuravam defender as doutrinas mais antigas por considerarem em alta conta o sistema sacrificial do templo. O principal ponto de discordância com os fariseus referia-se à lei.55  Ao contrário de fariseus e essênios, os saduceus nada deixaram registrado para a posteridade. Como partido religioso, os saduceus se orgulhavam da estrita interpretação da lei – os cinco livros de Moisés – que eles reconheciam como os únicos inspirados.56

Segundo Flávio Josefo, a “opinião dos saduceus é que as almas morrem com os corpos; que a única coisa que nós somos obrigados a fazer é observar a lei e é um ato de virtude não querer exceder em sabedoria aos que no-la ensinam. Os desta seita são em pequeno número, mas é composta de pessoas da mais alta condição”.57Além disto, os saduceus “negam absolutamente o destino e crêem que, como Deus é incapaz de fazer o mal, Ele não se incomoda com o que os homens fazem. Dizem que não está em nós fazer o bem ou o mal, segundo nossa vontade nos leva a um ou outro, e as almas não são nem castigadas nem recompensadas num outro mundo”.58Assim, eles não acreditavam na imortalidade da alma nem no juízo futuro. Eles também negavam a existência dos anjos e de outros espíritos (At 23:8).59A escatologia dos saduceus negava a crença na ressurreição dos mortos.60Os samaritanos, como os saduceus, rejeitavam a doutrina da ressurreição, porque ambos só reconheciam a inspiração do Pentateuco. Atribuíam a crença da ressurreição a uma herança da cultura persa, adicionada à tradição judaica, algum tempo depois de o Antigo Testamento ter sido escrito.61

Narrativa e questão

Naquele mesmo dia, a terça-feira que antecedia a crucifixão, os fariseus já haviam abordado a Jesus a respeito da questão do tributo. Estes, com base em Isaías 26:19 e Daniel 12:2, criam na renovação física,62e ensinavam que as funções conjugais, como sexo e procriação seriam restauradas após a ressurreição.63Por sua vez, os saduceus discordavam deste ensino dos fariseus e, visto que Jesus ensinava a ressurreição dos mortos, eles se aproximaram com uma pergunta que, segundo seu ponto de vista, exigiria uma resposta que logicamente indicaria ser o ensino da ressurreição um absurdo.64

Da mesma maneira como fariseus e herodianos, os saduceus achegaram-se a Jesus utilizando uma expressão que revelava um falso respeito, “mestre”.65Logo depois, resumidamente, relembram o conteúdo da lei do levirato (Dt 25:5, 6). A lei prescrevia que se porventura irmãos morassem juntos e um deles viesse a morrer, então a viúva deveria casar-se com o irmão do falecido a fim de que este lhe suscitasse descendência, de modo que o primeiro filho que lhe nascesse deveria ser considerado filho do irmão falecido.66Esta não era uma lei peculiar dos israelitas, pois outros povos da Antiguidade, como os egípcios e persas, também a adotavam. A lei tinha por objetivo assegurar a manutenção da família e a não-alienação da propriedade. A lei não era aplicada quando um homem deixasse filhas (Nm 27:8), mas somente quando uma viúva ficasse sem filhos. Posteriormente, os rabis estenderam a obrigação à mulher prometida em casamento.67De qualquer maneira, a questão apresentada pelos saduceus tinha base escriturística e legal, apenas não estava bem esclarecido se era um fato real ou uma situação imaginária.68De acordo com Gundry, é possível que os saduceus tenham feito uma adaptação da história relatada por Tobias a respeito de Sara que se casara sucessivamente com sete maridos, e que foram mortos por um demônio antes que ela consumasse cada casamento (Tb 3:8, 15; 6:13; 7:11).69A principal diferença entre as duas histórias é que no caso de Sara nenhum dos seus casamentos fora consumado, pois cada marido fora morto pelo demônio Asmodeu “antes que se tivessem unido a ela como esposos” (Tb 3:8), enquanto na história dos saduceus, todos os sete irmãos consumaram o casamento com a mulher, mas sem terem filhos com ela. A história dos saduceus parece ter um caráter lendário, mas, se o caso era real, e não apenas uma elaboração da história de Tobias, há indícios de que os saduceus foram influenciados por Tobias, talvez pelo número sete. Contudo, deve-se destacar que os saduceus procuraram tornar o caso mais do que hipotético mediante o emprego da expressão “entre nós” (Mt 22:25).70

Após a narrativa, os saduceus concluem: “Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram” (Mt 22:28). Tratava-se de uma indagação teológica de caráter especu-lativo.71Se Jesus não desse uma resposta satisfatória, tal falha afetaria o elevado conceito que Ele desfrutava junto ao povo.72Pela lógica dos saduceus, a situação da mulher apresentava um problema insolúvel. Se houvesse ressurreição, eles presumiam, os relacionamentos sociais continuariam da mesma maneira que na vida atual com casamentos, relações sexuais, procriação, etc.73Conforme a lei de Moisés, raciocinaram, todos os sete irmãos74que tiveram vida sexual ativa com a mulher,75mas não geraram filhos,76deveriam viver com ela ao mesmo tempo. Embora a cultura judaica permitisse a prática da poligamia, a união conjugal de uma mulher com mais de um homem estava totalmente fora de cogitação.77Por outro lado, se após a ressurreição a mulher recebesse um dos sete maridos para com ele conviver, haveria uma situação injusta para com os outros seis irmãos preteridos, afinal, anteriormente todos haviam-na desposado legalmente, o que lhes assegurava o direito de viver com ela. Assim, na lógica dos saduceus, não existiria ressurreição porque esta contradiria os ensinos de Moisés e do Pentateuco alusivos ao casamento.78

Os saduceus desconhecem as escrituras

A resposta de Jesus à questão proposta pelos saduceus foi: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29).  Além de “errar”, o verbo grego planao também tem o sentido de “estar enganado”.79  Na acepção clássica e helenística, planao tinha o sentido de “fazer vaguear, fazer errar”.80  Literalmente, planao significa “levar para o mau caminho”.81O conteúdo do engano está bem definido, este consistia em transferir para a vida futura as mesmas condições da vida presente.82

Os saduceus se consideravam mais exímios estudantes das Escrituras do que os fariseus, mas aqui Jesus assevera que a despeito de todo conhecimento alegado, eles ignoravam a Palavra de Deus.83  A menção feita por Jesus às “Escrituras” (Mt 22:29) seria normalmente entendida como uma referência ao cânon de todo o Antigo Testamento, mas, possivelmente aqui Jesus Se refira a ignorância dos saduceus quanto às suas próprias Escrituras canônicas, isto é, aos cinco livros de Moisés.84  Além do mais, o próprio tempo do verbo utilizado por Cristo enfatiza o desconhecimento dos saduceus: eidótes, que se encontra no particípio perfeito, cuja melhor tradução seria, “não terdes conhecido e continuais não conhecendo”.85

Se desejasse, Jesus poderia ter respondido com base nas mesmas premissas dos saduceus, ou seja, que a mulher de fato pertenceria ao primeiro irmão e que os outros estariam apenas suscitando “a seu irmão nome em Israel” (Dt 25:7). Mas não, Jesus discorre sobre os fundamentos da doutrina da ressurreição, que eles desconheciam,86mas já estava presente nas palavras do Senhor a Moisés: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3:6).87

Os saduceus desconhecem o poder de deus

Não havia motivo para os saduceus desconhecerem o poder de Deus, pois este lhes fora revelado no Pentateuco. O poder de Deus, koach no hebraico, é descrito por Moisés em seu cântico, após a passagem do povo de Israel pelo Mar Vermelho: “A tua destra, ó Senhor, é gloriosa em poder…” (Êx 15:6).  É bem verdade que os saduceus só aceitavam o Pentateuco como canônico, mas a menção ao poder de Deus revelado na criação pelos profetas não pode ser negada: “Ah! SENHOR Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32:17; cf. Is 40:26; Jr 27:5).

A expressão “poder de Deus” obviamente se aplica a habilidade divina de ressuscitar os mortos por ocasião da segunda vinda de Cristo.88  Por um lado, a ignorância dos saduceus não lhes permitia ver que Deus era poderoso o suficiente para ressuscitar os mortos e, por outro, para estabelecer uma nova organização na sociedade. Sobretudo, porque os salvos viverão felizes na nova e gloriosa ordem social, ainda que nesta presente vida terrena eles não possam entender plenamente o que Deus lhes reserva para o futuro: “mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2:9).89Assim, por Sua resposta, Jesus revelou que o poder de Deus será demonstrado pela transformação do relacionamento entre homens e mulheres à semelhança da existência dos anjos.90

Esta perícope em estudo apresenta um jogo de palavras interessante que amplia a compreensão sobre a atuação do poder de Deus. O verbo grego que os saduceus utilizaram para se referirem a “suscitar” descendência ao falecido é anisteemi, enquanto a palavra grega empregada para ressurreição é anastasis.91  Como bem se pode observar, a origem é a mesma. Há uma relevante implicação para o estudo da perícope, uma vez que os saduceus entendiam que a única maneira de perpetuação da vida é através das relações sexuais no casamento, mas Jesus explicou que Deus pode perpetuar a vida, através da ressurreição dos mortos.92

Após a ressurreição não haverá casamento

Depois de Se referir ao engano dos saduceus em não conhecerem as Escrituras e o poder de Deus, Jesus acrescenta, “na ressurreição nem casam nem se dão em casamento” (Mt 22:30). Neste ponto do diálogo, Jesus ergue “o véu da vida futura”93e passa a revelar fatos novos e desconhecidos até aquele presente momento. A utilização da preposição grega én no começo do v. 30 tem uma conotação teológica proeminente porque aponta para uma localidade acima dos limites da terra.94Embora a frase “nem casam nem se dão em casamento” pareça transmitir uma noção de “reforço mútuo”,95na verdade, o fato de o primeiro verbo estar conjugado na voz ativa e o segundo na voz média,96revela um propósito bem definido. Aqui Jesus opta por seguir de perto a maneira judaica tradicional de pensar e se expressar. Ele usa a voz ativa (gamoûsin) para os homens e a voz passiva (gamízontai) para a mulher.97O emprego do tempo verbal no presente tem outra implicação ainda mais impactante para a compreensão da frase, pois se trata de um tempo presente com sentido futurístico, que torna as condições da vida dos remidos tão certas de se cumprir no porvir que podem ser consideradas como já em vigor.98

O fato novo na revelação de Jesus é que após a ressurreição não mais haverá casamento. Para algumas pessoas isto é inaceitável. Uma das razões apresentadas é que o casamento foi instituído por Deus na semana da criação, não tendo, portanto, nenhuma conotação pecaminosa; por isto, acreditam, haverá relações conjugais na nova ordem social da vida futura.99

É necessário que se faça uma breve revisão do ensino bíblico sobre o casamento. Pode-se dizer que a Bíblia apresenta três fases do matrimônio. A primeira teve início no ato divino da criação. É uma união monogâmica, permanente e indissolúvel,100delimitada pela expressão “uma só carne” (Gn 2:24).  Nesta primeira fase, o casamento tinha dois propósitos básicos: promover unidade através da satisfação sexual (Gn 2:24) e favorecer a procriação (Gn 1:28).101Após a entrada do pecado no mundo, foi acrescido outro propósito: o casamento monogâmico deveria impedir a impureza sexual (1Co 7:1, 2). A segunda fase é definida pela lei mosaica que permitia o divórcio por iniciativa do marido, caso sua esposa não fosse “agradável aos seus olhos”, podendo “lhe dar um termo de divórcio” e, com isto, despedi-la “de casa” (Dt 24:1). Embora estivesse na lei mosaica, este tipo de divórcio encontrava-se fora do propósito original de Deus definido na criação. A terceira fase é definida por Jesus em Seu diálogo com os fariseus sobre a permissão mosaica do divórcio/repúdio. Em resposta à pergunta feita, Jesus asseverou: “por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o princípio” (Mt 19:8).102Cristo admitia a justificativa histórica da lei mosaica do divórcio para uma determinada época, mas, também, reconhecia que a ordem original fora desvirtuada pela corrupção do coração humano.103Em Mateus 19:4-6, Ele restaura o casamento ao plano original da criação, ou seja, Ele confirma que a união conjugal é monogâmica, permanente e indissolúvel.104A terceira fase é a última, porque o relacionamento conjugal entre duas pessoas do sexo oposto é um estilo de vida do tempo presente que deixará de existir. A história do casamento terminará quando Jesus voltar (Mt 22:30).105

Há outras passagens bíblicas que auxiliam a ampliar a compreensão do ensino de Jesus sobre a extinção do casamento após a ressurreição. Por exemplo, a abordagem que o apóstolo Paulo faz sobre o casamento permite que se façam inferências relevantes. O apóstolo reconhecia a legitimidade do casamento, bem como o mútuo direito dos cônjuges à satisfação sexual (1Co 7:3-5). Sob a sua perspectiva, o casamento monogâmico impedia a impureza sexual (1Co 7:2). “Impureza” é a tradução do grego porneías. O estudo minucioso sobre a abrangência das situações definidas por porneia, tanto na Septuaginta como em o Novo Testamento, inclui relações sexuais com mulheres solteiras (praticadas privadamente, ou em rituais religiosos), adultério-prostituição de mulheres casadas, relações sexuais promíscuas de homens em rituais pagãos, homossexualismo, adultério, relação sexual incestuosa, relação sexual com prostituta106e sexo antes do casamento.107Neste mesmo capítulo, o apóstolo se dirige “aos solteiros e viúvos” e lhes diz que “seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1Co 7:8, 9).108Assim, Paulo deixou bem definido que as relações sexuais se restringem exclusivamente ao casamento. É bom observar que “casar”, tradução do grego gameo, é o mesmo verbo empregado por Cristo em Mateus 22:30, “nem casam nem se dão em casamento”.109A principal implicação é que não havendo matrimônio na vida pós-ressurreição, consequentemente não haverá nem relações sexuais nem procriação.110

Em função da declaração de Jesus de que os remidos serão como os anjos no céu, que não se casam nem se dão em casamento, é necessário que se faça um breve estudo sobre a natureza e o ministério dos anjos.

A referência de Jesus aos anjos

Outro fato novo na revelação de Jesus é que após a ressurreição os remidos “são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22:30). Originalmente a palavra hebraica utilizada para anjo é mal’ak, cujo correspondente em grego é angelos; em ambos os casos significa mensageiro.111É interessante observar que algumas vezes a palavra mensageiro também se aplica a Cristo (Ex 23:20; Ml 3:1b; At 7:35) e a alguns seres humanos, como o profeta Ageu (Ag 1:13) ou a um sacerdote (Ml 2:7) sendo distinguidos pelo contexto em que aparecem.112Curiosamente a Septuaginta traduziu o hebraico Elohim  por anjos em Sl 8:5, o que foi ratificado por Hb 2:7. No Antigo Testamento encontram-se outras expressões para descrevê-los como “assembléia dos santos” (Sl 89:5, 7) e “exércitos” (Is 6:3). O Novo Testamento apresenta expressões que se aplicam aos anjos como “milícia celestial” (Lc 2:13), “espíritos” (Hb 1:14), “potestades” (Cl 1:16), “poderes” (Rm 8:38), “principados” (Ef 6:12), “santos” (1Te 3:13),113etc.

A Bíblia declara que os anjos foram criados em Salmos 148:2, 5, “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes… Louvem o nome do SENHOR, pois mandou ele, e foram criados”.114Quanto a sua natureza, a Bíblia informa que os anjos são “espíritos” (Hb 1:14)115e, que não se casam,116nem procriam (Mt 22:30).117Em comparação aos seres humanos118e demais seres de outros mundos119criados por Deus, eles são superiores (Hb 2:7). Intelectualmente, também são superiores aos seres humanos.120Sobre o seu número, as Escrituras notificam que são “milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5:11). Eles compõem ordens como querubins, serafins, “anjos excelsos em poder”121e estão organizados em divisões com anjos categorizados à frente,122sendo que as responsabilidades mais elevadas são desempenhadas por arcanjos.123Os querubins são descritos com duas asas (2Cr 3:11, 12),124os serafins com seis (Is 6:2).125Satanás, era um “querubim da guarda ungido” (Ez 28:14),126por outro lado, os anjos que aceitaram os seus sofismas pertenciam a ordem dos serafins.127Como mensageiros de Deus, os anjos partem “à semelhança de relâmpagos” (Ez 1:14), “tão deslumbrante é sua glória e tão célere o seu vôo”.128  Informações adicionais a respeito dos anjos são oferecidas por Ellen G. White em seus escritos. Por exemplo, o semblante dos anjos é suave e exprime felicidade,129são revestidos de uma “luz de deslumbrante brilho”130e têm uma estatura inferior a de Cristo.131De um modo geral, são invisíveis aos homens,132mas, por vezes, eles aparecem para as pessoas (Nm 22:31; 2Rs 6:17). Quando se tornam visíveis, normalmente eles assumem a aparência de homem (Gn 18:16, 22; 19:1, 5; Jz 13:6; Mc 16:5; Lc 24:4). Um “jovem de nobre aparência”,133assim foi descrito o anjo que freqüentemente aparecia trazendo mensagens para Ellen White. Tanto a Bíblia quanto o Espírito de Profecia nada informam a respeito de que anjos tenham aparecido em forma feminina.134

O capítulo 12 de Apocalipse descreve o conflito travado no céu entre Cristo, Seus anjos leais e Satanás e os seus anjos. Antes da batalha decisiva, “quase a metade de todos os anjos”135 era simpatizante da causa do inimigo, contudo alguns deles atenderam aos argumentos de Deus e voltaram a fazer parte das fileiras do Senhor. Mas, quando Satanás foi expulso, um terço dos anjos que tomaram posição ao seu lado teve que acompanhá-lo (Ap 12:4),136de modo que foi deixado um “vazio” no céu.137

Hebreus 1:7, 14 descreve os anjos bons como “ministros”, grego lítourgos, que também tem o sentido de servidores.138Tais como Deus, o Pai, e Jesus Cristo, os anjos vivem para colocar em ação “a grande lei da vida [que] é a lei do serviço em prol de outrem”.139No céu, os anjos servem a Deus.140Os querubins estão relacionados com o trabalho no santuário celestial,141onde guardam a lei de Deus.142Cristo está assentado entre querubins,143e Deus habita entre querubins.144Os serafins também ministram no santuário celestial, onde se encontra o trono de Deus.145Querubins e serafins unem suas vozes em louvor a Deus no céu.146

Juntamente com “anjos magníficos em poder”, querubins e serafins cooperam para o bem “daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14).147Os anjos de Deus se fazem presentes em “toda assembléia de negócio ou prazer, em toda reunião de culto”,148e “observam cada palavra e ação dos seres humanos”.149Seu ministério em favor dos filhos de Deus aqui na terra é bastante amplo, sendo eles enviados para “confortar os tristes, proteger os que estão em perigo, conquistar o coração dos homens para Cristo”.150Eles “nos guardam do mal, e repelem os poderes das trevas que nos estão procurando destruir”.151Os anjos também se unem aos filhos de Deus aqui na terra para louvarem “a Deus e a Seu Filho”.152Sobretudo é muito bom saber que um “anjo da guarda é designado a todo seguidor de Cristo”.153

Como os anjos vivem na esfera celestial, é preciso que se amplie a noção bíblica do  céu, a fim de entender o contexto da questão referente ao casamento na Nova Terra.

A referência de Jesus ao céu

Céus é o correspondente português do hebraico shamayim e do grego ouranós. Este termo na Bíblia descreve: (1) o céu atmosférico, (2) o astronômico, ou céu estelar, e (3) a habitação de Deus. O céu atmosférico é o espaço no qual os pássaros voam (Gn 1:20), de onde provem a chuva (Gn 7:11; Dt 11:11), e onde os ventos se movimentam (Dn 8:8). No dia do juízo o céu atmosférico, juntamente com a terra, será dissolvido no fogo (2Pe 3:10) e, depois, Deus criará novos céus e nova terra (2Pe 3:13; Ap 21:1).154O céu astronômico, ou estelar, é o espaço no qual o sol, a lua e as estrelas têm a sua órbita (Gn 1:14, 16, 17; Is 13:10; Jl 2:30, 31; Mt 24:29).155 

O lugar da habitação de Deus com freqüência é representado como o céu (1Rs 8:30, 39; Sl 11:4; 53:2; 80:14; 102:19; 139:8; etc.). Diversas vezes Jesus Se referiu ao Pai como estando no céu (Mt 5:16, 45, 48; 6:9). Cristo veio do céu para concretizar a Sua encarnação (Jo 3:13, 31; 6:38) e ascendeu ao céu após a Sua ressurreição (Hb 9:24). Ele descerá do céu em Sua segunda vinda, e levará os remidos com Ele (Jo 14:1-3; 1Ts 4:13-18; 1Pe 1:4). O céu será a habitação dos remidos até que eles herdem a nova terra no final do milênio (Ap 21:1-7).155

O céu onde Deus habita é o lugar onde se encontra o Seu trono (Mt 5:34, 23:22). Lá também está o Seu santuário (Ap 11:19, 15:5; Hb 8:1). O céu também é o lugar da habitação dos anjos (Mc 13:32; Mt 18:10; Hb 12:22),157de modo que a expressão “no céu”, em Mateus 22:30, deve ser entendida como “na presença de Deus”.158

Havendo-se estudado a referência de Jesus aos anjos e ao céu, passa-se a analisar o estilo de convívio dos salvos na vida pós-ressurreição. Ao contrário do que pensam alguns indivíduos, a declaração de Jesus abrange tanto o período de tempo do “milênio”, quanto o da eternidade na Nova Terra.

A natureza da vida após  a ressurreição

Logo após a queda de Adão e Eva, Deus teve que por em ação o plano da redenção (Gn 3:15),159simbolizado pela morte do cordeiro (Gn 3:21;1604:4161), que apontava para Cristo, o Salvador (Jo 1:29). Este mundo tornou-se o palco do conflito entre o bem e o mal. Esta trama sinistra envolve vários figurantes: Deus, Seus anjos leais, os seres humanos, Satanás e seus anjos caídos. O plano divino da salvação foi ratificado pelo evento Cristo, ou seja, Sua encarnação, vida, morte, ressurreição, ascensão e intercessão no santuário celestial. Mas o plano ainda não foi concluído. Em cumprimento à Sua promessa (Mt 24:29-30), Jesus voltará para dar vida eterna aos Seus filhos fiéis (1Ts 4:13-18).  Após a segunda vinda de Cristo, os remidos ascenderão com Ele até o céu, para junto do Pai (Jo 14:1-3).162Lá permanecerão por mil anos (Ap 20:6). Uma de suas atividades será a participação no julgamento dos ímpios, de Satanás e seus anjos (Ap 20:4; 1Co 6:3). Terminados os mil anos, Satanás, o autor do pecado, seus anjos e os ímpios serão mortos no lago de fogo e enxofre (Ap 20:7-10).163

A princípio, parece difícil entender porque não haverá casamento na vida pós-ressurreição, visto que não “é nenhum pecado em si o comer e beber, ou casar-se e dar-se em casamento”.164Afinal, se Deus desejasse, Ele poderia restaurar o casamento, a gratificação sexual e a procriação na nova terra.  Mas, não. Jesus disse que após a ressurreição os salvos viverão da mesma maneira como os anjos bons vivem. Por quê? Ele não apresentou razões explícitas, mas disse sucintamente como será o estilo da nova vida: semelhante ao dos anjos, sem casamento.

O fato de não restaurar o casamento, aquilo que Ele próprio considera como bom, não compromete o caráter de Deus. Naturalmente, Ele é sábio o suficiente para determinar o que deve e o que não deve continuar na nova ordem social. É verdade que o sábado, como instituição divina estabelecida na criação, permanecerá na nova terra (Is 66:23), mas o casamento não será restabelecido (Mt 22:30). De modo algum se deve por em dúvida a justiça divina por causa da futura retirada daquilo que hoje é considerado bom: o prazer sexual e a procriação dentro dos limites sagrados do casamento.  É preciso que se descanse pela fé na soberania de um Deus que sempre sabe o que é melhor para os Seus filhos.165Mas a pergunta permanece: por quê? A resposta poderá ser encontrada num estudo mais abrangente do tema nos escritos de Ellen G. White.

O início do conflito entre o bem e o mal ocorreu no céu. Antes de ser expulso, Satanás alegou que Deus não poderia bani-lo juntamente com os anjos que simpatizavam com a sua causa, pois tal iniciativa deixaria um “vazio no Céu”.166Contudo, o conflito se acirrou, de modo que Satanás e seus anjos tiveram que ser excluídos do céu.167Algum tempo após este triste incidente, o

Pai consultou Seu Filho com respeito à imediata execução de Seu propósito de fazer o homem para habitar a Terra. Colocaria o homem sob prova a fim de testar sua lealdade, antes que ele pudesse ser posto eternamente fora de perigo. Se ele suportasse o teste com o qual Deus considerava conveniente prová-lo, seria finalmente igual aos anjos.168

Além deste, havia outro propósito:

Deus criou o homem para Sua própria glória, para que depois de testada e provada, a família humana pudesse tornar-se uma com a família celestial. Era o propósito de Deus repovoar o Céu com a família humana, caso ela se demonstrasse obediente a cada palavra divina. Adão deveria ser provado a fim de demonstrar se seria obediente, tal como os anjos fiéis, ou desobediente.169

O segundo propósito de Deus com a criação da raça humana estava intimamente ligado ao primeiro. Este consistia em preencher o vazio que fora deixado pelos anjos que foram expulsos, noutras palavras, “repovoar o Céu”. Lastimavelmente, Adão e Eva foram reprovados no teste de fidelidade, mas no final da história deste mundo, quando Jesus voltar e ressuscitar os justos e transformar os justos vivos, o propósito original de Deus se concretizará:

Pelo poder de Seu amor, mediante obediência, o homem caído, um verme do pó, deve ser transformado, habilitado a ser um membro da família celestial, um companheiro através das eras eternas de Deus e Cristo e dos santos anjos. O Céu triunfará pois as vagas deixadas pelos anjos caídos de Satanás e seu exército serão preenchidas pelos redimidos do Senhor.170

Esta sequência de citações permite que se façam algumas inferências relevantes para o presente estudo a respeito da vida dos remidos após a ressurreição. A declaração de Jesus “são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22:30) revela que os seres humanos resgatados do pecado serão promovidos na hierarquia da criação divina. Originalmente, o homem foi feito “um pouco menor que os anjos” (Hb 2:7). Segundo Ellen White, “O Senhor… havia dotado Adão com poderes mentais superiores a qualquer outra criatura vivente que houvesse feito. Suas faculdades mentais eram apenas um pouco menor do que as dos anjos”.171Contudo, a “obra da redenção envolve consequências das quais é difícil ao homem ter qualquer concepção”,172pois aquele que se aproxima da cruz de Cristo e “prostrando-se ao pé da mesma, atraído pelo poder de Cristo, dá-se uma nova criação”.173Como consequência, os remidos ocuparão uma posição “acima dos próprios anjos que jamais caíram”.174Na vida pós-ressurreição os salvos compartilharão “a dignidade e os privilégios dos anjos”,175como desfrutar pessoalmente da presença de Deus, louvá-Lo, servi-Lo, e voar, porque os remidos terão asas. Este fato foi relatado por Ellen White em sua primeira visão. Em uma das cenas ela viu “as crianças subirem, ou, se o preferiam, fazer uso de suas pequenas asas e voar ao cimo das montanhas e apanhar flores que nunca murcharão”.176Numa outra visão em que descrevia a destruição final dos ímpios, Ellen White viu “os santos usarem as suas asas e subiram ao alto do muro da cidade”.177Outro elevado privilégio dos remidos será o de ter acesso a todos “os tesouros do universo” pois estes “estarão abertos ao estudo”.178Isto será possível porque os remidos “alçarão vôo incansável para os mundos distantes”.179

Apocalipse 12:12 faz uma referência notável aos redimidos que, por sua vez, está enraizada em Isaías 49:13 (cf. Ap 18:20; Dt 32:43; Is 44:23). O convite “Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais” é feito não aos anjos, mas àqueles que foram aperfeiçoados, especialmente os mártires. É a eles que Deus convoca a subirem ao céu, pois o próprio Deus estenderá sobre eles o Seu tabernáculo: “Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram?… se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo” (Ap 7:13, 15).180Deve-se dar uma atenção especial à ligação entre céu e tabernáculo. Aqui céu, como a Nova Jerusalém, é definido em termos de serviço perfeito prestado a Deus pelos que foram aperfeiçoados.181Sim, além do privilégio de visitar outros mundos para estudo, os remidos cumprirão uma missão de testemunho aos “seres não caídos”.182Em harmonia com Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20:28), os remidos também hão de servir no mundo vindouro como testemunhas da justiça de Deus ao tratar com o mal,183porque

Apenas os remidos, dentre todos os seres criados, conheceram em sua própria experiência o conflito com o pecado; trabalharam com Cristo e, conforme os mesmos anjos não o poderiam fazer, associaram-se em Seus sofrimentos; não terão eles qualquer testemunho quanto à ciência da redenção, algo que seja de valor para seres não caídos?184

Em nossa vida aqui, posto que terrestre e restrita pelo pecado, a maior alegria e mais elevada educação se encontram no serviço em favor de outrem. E no futuro estado, livres das limitações próprias da humanidade pecaminosa, será no serviço que se encontrará a nossa máxima alegria e mais elevada educação – testemunhando (e aprendendo, novamente, sempre que assim o fizermos) “as riquezas da glória deste mistério, … que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1:27).185

Os remidos não se casarão nem procriarão

As palavras “na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22:30), constituem-se numa revelação especial de Jesus sobre o futuro dos remidos. O céu é a esfera da existência dos anjos (Mt 18:10; Mc 12:25; 13:32; Ef 3:15; Ap 12:7),186portanto, um nível diferente em relação ao dos seres humanos.187A origem dos anjos no céu aponta para o caráter de servidores divinos e a plena autoridade como mensageiros de Deus.188Outras passagens das Escrituras confirmam que haverá uma nova ordem na vida pós-ressurreição. Como exemplo menciona-se a declaração de Jesus a respeito do reino de Deus, “Não vem o reino de Deus com visível aparência” (Lc 17:20).189Por sua vez, Paulo disse que “o reino de Deus não é comida nem bebida” (Rm 14:17).190Em 1Co 15:50, Paulo afirmou que “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”. Parece que Mt 22:30 trata da mesma implicação de 1Co 15:50.191Por outro lado, a declaração paulina de que os “alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como Aquele” (1Co 6:13) permite inferir que os justos redimidos terão uma existência de fato renovada como os anjos de Deus por ocasião da ressurreição do corpo, sem a necessidade de utilizar alguns membros, sem contudo renunciar ao corpo, que passará a ser um “corpo espiritual” (1Co 15:44).192

Em função de sua natureza espiritual (Hb 1:14), os anjos de Deus não se casam e nem procriam. Eles foram criados por Deus para executarem a Sua vontade como mensageiros. Por sua vez, os seres humanos foram criados por Deus para serem fecundos, multiplicar-se, encher a terra, sujeitarem-na e dominar os animais (Gn 1:28). Diferentemente dos anjos, que são seres espirituais, o ser humano foi feito do barro (Gn 2:7) e recebeu a incumbência de procriar por meio da instituição matrimonial (Gn 2:24). Em comparação aos anjos, os homens são inferiores (Hb 2:7). Um dos propósitos divinos em criar o ser humano era que este, após ser aprovado no teste, repovoasse o céu, em lugar dos anjos que foram expulsos com Satanás. Este propósito será alcançado após a ressurreição dos justos. Em si, este fato significará uma promoção funcional para os justos redimidos, pois, de acordo com a revelação de Cristo, eles serão “como os anjos no céu” (Mt 22:30). Deste modo, “como os anjos no céu” não significa que os remidos se tornarão anjos,193mas que desfrutarão dos privilégios dos anjos, como estar na presença de Deus, louvar a Sua Pessoa, receberem asas e, principalmente, cumprir uma missão especial, que será a de testemunhar aos habitantes dos outros mundos que não pecaram sobre o amor e a justiça de Deus. Assim, os justos redimidos, por serem levados ao céu pelo Senhor, compartilharão da mesma condição dos anjos, onde não é necessário o casamento nem a procriação, porque exercerão uma função eminentemente superior às que realizavam na terra.

Enfim, os remidos não casarão e não se darão em casamento porque o Senhor também o revelou à Sua serva Ellen G. White:

Homens há hoje que expressam a crença de que haverá casamentos e nascimentos na Nova Terra; os que crêem nas Escrituras, porém, não podem admitir tais doutrinas. A doutrina de que nascerão filhos na Nova Terra não constitui parte da “firme palavra da profecia” (II Ped. 1:19). As palavras de Cristo são demasiado claras para serem mal compreendidas. Elas esclarecem de uma vez por todas a questão dos casamentos e nascimentos na Nova Terra. Nenhum dos que forem despertados da morte, nem dos que forem trasladados sem ver a morte, casará ou será dado em casamento. Eles serão como os anjos de Deus, membros da família real.194

Há uma outra declaração de Ellen G. White que contribui para esclarecer a origem das crenças referentes a casamento na nova terra. Em carta endereçada a determinado irmão ela afirmou:

O inimigo ganha muito quando consegue levar a imaginação de um dos escolhidos servos de Jeová a demorar o pensamento nas possibilidades de associação, no mundo por vir, com uma mulher a quem ama, e ali criar família. Não precisamos desses quadros aprazíveis. Todos esses pontos de vista se originam da mente do tentador.

Temos a clara afirmação de Cristo de que no mundo vindouro os redimidos “não se casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”. Luc. 20:35 e 36.

Foi-me apresentado o fato de que as fábulas espirituais estão levando cativos a muitos. Tua mente é sensual e, a menos que venha uma mudança, isso se demonstrará tua ruína. A todos os que condescendem com fantasias profanas, desejo dizer: Parai por amor de Cristo, parai exatamente onde estais. Estais em terreno proibido. Arrependei-vos, eu vos rogo, e convertei-vos. Carta 231, 1903.195

Desse modo, pode-se perceber que os ensinos relacionados com a realização de casamentos, relações sexuais e procriação a terem lugar na nova terra têm sua origem e inspiração com Satanás, o inimigo de Deus.

Como bem se pode constatar, não haverá relacionamento conjugal na vida pós-ressurreição, no sentido de relações íntimas e procriação. Por outro lado, haverá convivência familiar. Em carta escrita a um irmão que perdera sua esposa e ficara só para cuidar dos seus filhos, Ellen White afirmou:

Oraremos por vós e por vossos preciosos pequeninos, para que possais, mediante paciente continuação em fazer o bem, conservar vossa face e vossos passos sempre em direção do Céu. Oraremos para que tenhais influência e êxito em guiar vossos pequenos, a fim de que, com eles, possais alcançar a coroa da vida, e no lar lá de cima, que agora está sendo preparado para nós, vós e vossa esposa e filhos possais ser uma família reunida, feliz e jubilosa, para nunca mais vos separardes. Com muito amor e simpatia. Carta 143, 1903.196

Jesus interpreta Êxodo 3:6

Jesus encerrou Seu diálogo com os saduceus por meio das palavras “E quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos” (Mt 22:31, 32). Jesus demonstrou aos Seus interrogadores que eles desconheciam a profundidade das Escrituras e o poder de Deus. Na verdade, o que lhes faltava era fé em Deus.197Aqui, mais uma vez, Jesus emprega o presente futurístico (“Eu sou…”, “Ele não é…”), o que torna a ressurreição destas pessoas tão certa como a dos sete irmãos e da mulher, isto é, tão certa como se já tivesse ocorrido. O argumento de Jesus é uma obra de arte pelo fato de surpreendentemente inferir daquela passagem o que ninguém antes fizera. A frase “quanto à ressurreição dos mortos” inclui os patriarcas entre aqueles que já estavam mortos. Portanto, a declaração de que Deus “não é Deus de mortos, e sim de vivos” significa que aqueles que neste presente tempo estão mortos viverão outra vez em virtude da ressurreição.198A declaração de Jesus é também uma indicação de que o Deus de Israel não esqueceu o Seu concerto com os patriarcas. Eles não passaram para a esfera da não existência da morte. Ao contrário, a ressurreição prova que Deus é o Deus dos vivos. Assim, os grandes patriarcas vivem para Deus (Lc 20:38) e esperam a ressurreição no fim do tempo (cf. 1Co 15:51-55; 1Te 4:16, 17; Hb 11:39, 40).199

Conclusão

No princípio, Adão e Eva foram criados para serem fecundos, multiplicar-se, encher a terra, sujeitarem-na; dominar os animais, cultivar e guardar o jardim do Éden (Gn 1:28; 2:15). O casamento, as relações sexuais e a procriação foram dons de Deus ao homem que tinham por objetivo prover-lhe felicidade e, ao mesmo tempo, condições para cumprir a sua missão na terra. Os filhos e descendentes atuariam como auxiliares no cumprimento da tarefa. Contudo, a entrada do pecado alterou a meta inicial de Deus para o homem e o mundo. A vinda de Cristo a esta terra como uma criança e, posteriormente, Sua morte e ressurreição asseguraram ao homem o direito à salvação eterna. Após Sua segunda vinda, Cristo levará os justos vivos transformados e os justos ressuscitados para estarem com Ele, inicialmente por mil anos no céu e, depois, pelos anos da eternidade nesta terra que será renovada.

Os salvos não casarão nem se darão em casamento porque vivenciarão uma nova qualidade de existência. Eles fruirão eternamente a presença e o compa-nheirismo de Deus e Seus anjos. Em cumprimento do propósito de Deus, os redimidos ocuparão o espaço vazio deixado pelos anjos que foram expulsos do céu juntamente com seu líder, Satanás. Por esta razão eles fruirão uma promoção especial entre os seres criados por Deus. Viverão pelos séculos infindos da eternidade em companhia dos anjos bons e de Deus. Que privilégio inaudito, enquanto os demais seres dos mundos não caídos permanecem em seus ambientes naturais, os redimidos da terra estarão para sempre junto ao trono de Deus. Esta promoção também tem um caráter funcional, pois os redimidos cumprirão uma missão peculiar no universo. Os mundos que não se rebelaram contra Deus serão visitados pelos salvos, para que possam ouvir o testemunho pessoal relativo à vitória sobre o pecado mediante os méritos do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Neste sentido, a missão dos remidos será distinta da tarefa dos anjos, uma vez que eles passaram pelo sofrimento provocado pelo pecado e saíram vencedores em Cristo, algo que os anjos leais testemunharam, mas não vivenciaram pessoalmente. Em virtude destas condições peculiares dos redimidos, isto é, a vitória pessoal contra o pecado pelos méritos de Cristo, seu companheirismo eterno com Deus e sua missão testemunhal no universo é que os salvos, como os anjos, não precisam se casar e procriar. Esta foi uma condição dos seres humanos quando estavam na terra para cumprirem a missão de povoá-la e administrá-la. Na nova terra não terá mais sentido.

À presumida irrespondível questão proposta pelos saduceus, Jesus apresentou uma nova revelação concernente ao estilo de vida pós-ressurreição: os redimidos desfrutarão de uma existência imortal semelhante à dos anjos do céu que não se casam nem procriam. Além disto, eles terão a habilidade do deslocamento rápido dos anjos, pois também disporão de asas. Este é outra situação  que comprova o fato de que os salvos realmente foram promovidos a uma nova condição de vida entre as criaturas de Deus.

Aqueles que rejeitam o ensino de Cristo alusivo às condições de vida na nova terra cometem o mesmo engano dos saduceus que desconheciam as verdades das Escrituras e o poder de Deus. No caso de pretensos adventistas que postulam a noção de que haverá casamento, relações sexuais e procriação na vida por vir, há um outro fator lamentável que é o desconhecimento ou a recusa em aceitar os claros ensinos dos escritos inspirados de Ellen G. White sobre o tema. Mais complicador ainda é o fato de que defender tais noções contrárias às Escrituras e ao dom profético é promover ensinos que foram forjados pela mente de Satanás, o arquinimigo de Deus, ao longo do conflito entre o bem e o mal.

Alguns não conseguem compreender por que na nova ordem da vida pós-ressurreição não haverá casamento, relações sexuais e procriação. Argumentam que aquilo que era bom e não tinha relação com o pecado deveria continuar na eternidade. Pareceria uma injustiça privar os salvos da intimidade do relacionamento conjugal. Neste aspecto, trata-se de uma subestimação pueril do caráter e poder de Deus. É bom lembrar as palavras do apóstolo Paulo: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1Co 2:9). É preciso confiar, Deus tem algo infinitamente melhor entesourado para os Seus filhos redimidos do que casamento e sexo. Certamente os relacionamentos na vida por vir serão mais íntimos do que no casamento e a comunicação, mais profunda do que o sexo.200

 


Referências

1 Salvo indicação contrária, todas as referências neste artigo são da Versão de João Ferreira de Almeida, Versão Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição  (São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1991).

2 A. T. Robertson, Word Pictures in the Greek New Testament em BibleWorks 4.0 (Big Fork, MT: Hermeneutika, 1999), Mc 12:25, CD-Rom.

3 Bernhard Lang, “No Sex in Heaven: The Logic of Procriation, Death, and Eternal Life in the Judaeo-Christian Tradition”, Alter Orient und Altes Testament (1985): 240.

4 2 Baruque 50:2, em The Old Testament Pseudepigrapha, ed. James H. Charlesworth (Nova  Iorque: Doubleday, 1983), 1:638.

5 Lang, 251.

6 Tomás de Aquino, Suma teológica, Suplemento, questões 1-68 (Caxias do Sul, RS: Livraria Sulina, 1980), 4734.

7 Catecismo da igreja católica (Petrópolis, RJ:  Vozes e São Paulo: Loyola, 1993), 443.

8 Lang, 245.

9 2 Baruque 56:6, em The Old Testament Pseudepigrapha, 1:641.

10 Gilles Carton, “Comme des anges dans le ciel”, Bible et Vie Chrétienne 28 (1959): 49.

11 Lang, 238.

12 1 Enoque 15:6, 7, em The Old Testament Pseudepigrapha, 1:21.

13 Carton, 51.

14 Gregório de Nissa, On Virginity, Introdução, The Ante-Nicene Fathers, eds., Alexander Roberts e James Donaldson (Grand Rapids, MI: Eerdmans, s.d.), 5:543.

15 Cipriano, Tratado II:22, The Ante-Nicene Fathers, 5:436. Gregório de Nissa, de modo semelhante a Cipriano, afirmou que, “a peculiaridade da natureza angélica é a de que eles são estranhos ao casamento; portanto a bênção desta promessa já foi alcançada por aquele que não apenas uniu sua própria glória com a dos Santos, mas também pela sua vida imaculada passou a imitar a pureza destes seres incorpóreos. Se a virgindade pode nos conceder favores como esses, que palavras seriam apropriadas para expressar tão grande maravilha?” Gregório de Nissa, On Virginity XIII (ANF, 5:360).

16 “Marriage in Heaven?”, pesquisa realizada na internet, no site http://www.lcms.org/pages/internal.asp?NavID=2739, no dia 18 de janeiro de 2005.

17 “They neither marry” [Mt 22:30], Seventh-day Adventist Bible Commentary (SDABC), ed. Francis D. Nichol (Washington, DC: Review and Herald, 1978), 5:483. Este ensino é confirmado por Madeline S. Johnston, “Will We Get Married in Heaven”, Guide, 31 de dezembro de 1988, 14; Ken McFarland, “Heaven and Sex?” Signs of Times, maio de 1981, 13.

18 David Reagan, “Marriage in Heaven”, pesquisa realizada na internet, no site http://www.learnthebible.org/q_a_marriage_in_heaven.htm, no dia 2/2/2005. A expressão “marriage in heaven”, no site de pesquisa Google, realizada no dia 18/1/2005, apresentou um total de 6840 entradas ou sites. A seguir apresentam-se outros exemplos de sites que ensinam que a crença tradicional sobre a vida pós-ressurreição: Rich Deem, “Will There be Marriage in Heaven?”, pesquisa realizada na internet, no site http://www.godandscience.org/doctrine/marriageinheaven.html#06, no dia 18/1/2005; Eric Johnson, “Mark 12:25 and Marriage in Heaven”, pesquisa realizada n internet, no site http://www.mrm.org/multimedia/text/marriage-in-heaven.html, no dia 18 de janeiro de 2005.

19 Pesquisa realizada na internet, no site http://www.baltimorenewchurch.org/marr.htm, no dia 18de janeiro de 2005.

20 Pesquisa realizada na internet, no site http://www.encyclopedia.com/html/s/swedenbo.asp, no dia 21 de janeiro de 2003.

21 Ibid.

22 Emanuel Swedenborg, “The Condition of Married Partners After Death”, pesquisa realizada na internet, no site http://www.egogahan.com/Spiritual%20Issues/Swedenborg-3-LoveinMarriage.htm, no dia 18 de janeiro de 2005.

23 Lee Woofenden, “Soulmates, Marriage in Heaven”, pesquisa realizada no site, http://www.egogahan.com/Soulmates.html, no dia 18 de janeiro de 2005.

24 Ibid.

25 John Walsh, “Is there Eternal Marriage?”, pesquisa realizada no site, http://www.lightplanet.com/mormons/response/qa/eternal_marriage.htm, no dia 18 de janeiro de 2005.

26 Joseph Smith, “The Doctrine and Covenants”, Seção 132:19, pesquisa realizada na internet no site, http://www.mormon.org/search/1,9643,12261,00.html#, no dia 20 de janeiro de 2003.

27 A igreja mórmon abandonou oficialmente a poligamia em 1890. Para maiores informações históricas sobre este fato, ver o site http://collections.ic.gc.ca/pasttopresent/settlement/aa_Charles_Ora_Card.html. Pesquisa feita no dia 4 de fevereiro de 2005.

28 Pesquisa realizada na internet, no site, http://www.nccg.org/fecpp/CPMFAQ094-Eternal.html, no dia 18 de janeiro de 2005. Para maiores informações sobre mórmons radicais que ainda praticam a poligamia, ver o site, http://collections.ic.gc.ca/pasttopresent/settlement/aa_Charles_Ora_Card.html. Pesquisa feita no dia 4 de fevereiro de 2005.

29 Walsh, http://www.lightplanet.com/mormons/response/qa/eternal_marriage.htm, 18 de janeiro de 2005.

30 Stanislaw Królewiec, “Does the Bible Say that Marriage Extends Beyond the Grave?”, pesquisa realizada na internet, no site http://www.nccg.org/fecpp/CPMFAQ094-Eternal.html, no dia 18 de janeiro de 2005.

31 Ibid. Para maiores informações sobre as crenças deste grupo religioso, ver o site http://www.nccg.org/fecpp/index.html. Pesquisa feita no dia 18 de janeiro de 2005.

32 Samuele Bacchiocchi, The Marriage Covenant (Berrien Springs, MI: Biblical Perspectives, 1994), 87.

33 Ibid.

34 Venícius Domingos, “Não é Bom que o Homem Esteja Só”, 16.  O estudo publicado pelo autor não fornece editora, local de publicação e, tampouco, data. Por isso não foi possível fornecer tais informações bibliográficas. Segundo informações prestadas pelo pastor Érico Tadeu Xavier através de ligação telefônica, o autor é membro da Igreja Adventista no Estado de Santa Catarina.

35 Ibid., 5.

36 Ibid., 7.

37 Ibid., 16.

38 Ibid. 14.

39 Ibid., 7.  Como tentativa de comprovação de sua teoria, na qual os remidos, após a segunda vinda de Cristo, procriarão e “colonizarão” outros planetas do universo, Domingos cita Gênesis 15:5; 22:17; 32:12; Apocalipse 7:9, ibid., 5. Além destes textos bíblicos, ele também cita Ellen G. White: O cuidado de Deus – Meditações matinais (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995), 171; idem, Primeiros escritos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988), 19.

40 Domingos, 12.

41 Ibid., 13

42 Ibid.

43 Ibid., 12.

44 Ibid., 13.

45 Ibid.

46 Ibid., 12.

47 Ibid., 14.

48 “The same day” [Mt 22:23], SDABC, 5:482.

49 Robert H. Gundry, Mark (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1992), 700.

50 W. D. Davies, e Dale Allison, Jr., C., A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to Saint Matthew, 3 vols., International Critical Commentary (Edinburg: T. e T. Clark, 2000), 1:221.

51 Louis Goldberg, “Sadducees”, Wycliffe Bible Encyclopedia (WBE), eds., Charles F Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea (Chicago: Moody Press, 1979), 2:1500.

52 Ellen G. White, O desejado de todas as nações (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1990), 604.

53 Ibid.

54 Robert H. Gundry, Panorama do Novo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2001), 55-56. Para maiores informações sobre o desaparecimento histórico dos saduceus, ver Victor Eppstein, “When and How the Sadducees Were Excommunicated”, Journal of Biblical Literature 85 (1966): 2:213-224.

55 Goldberg, “Sadducees”, WBE, 2:1501.

56 Seventh-day Adventist Bible Dictionary (SDABD), ed. Siegfried H. Horn (Washington, DC: Review and Herald, 1960), ver “Sadducees”.

57 Flávio Josefo, História dos judeus (Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1990), 416.

58 Ibid., 556. Ellen G. White amplia este quadro, dizendo: “Acreditavam em Deus como o único ser superior aos homens; mas argumentavam que uma providência que tudo rege e uma previsão divina privaria o homem da liberdade moral, degradando-o à posição de um escravo. Era crença deles que, criando o homem, Deus o deixou livre para dirigir sua própria vida e moldar os acontecimentos do mundo; que o destino deles estava em suas próprias mãos”. White, O desejado de todas as nações, 604. Além disto, eles negavam “que o Espírito de Deus opera por meio dos esforços humanos ou de meios naturais”. Ibid. A soteriologia dos saduceus fundamentava-se na ação humana: “mantinham a opinião de que, pelo devido emprego das faculdades naturais, podia o homem elevar-se e esclarecer-se; que, por meio de rigorosas e austeras exações, sua vida se podia purificar”.  Ibid.

59 É difícil entender como os saduceus negavam a existência dos anjos, uma vez que os livros da lei os mencionam (Gn 16:7-11; 28:12).

60 Goldberg, “Sadducees”, WBE, 2:1502.  Ver também o verbete “Sadducees”, SDABD; Gundry, 54; White, O desejado de todas as nações, 603.

61 Leon Morris, The Gospel According to Matthew (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1992), 558.

62 D. A. Carson, “Matthew”, The Expositor’s Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1974), 8:460-461. Os saduceus não acreditavam na ressurreição (At 23:8).

63 Robertson, Word Pictures in the Greek New Testament, CD-Rom.

64 A. Lukyn Williams, St. Matthew, The Pulpit Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1977), 15:362.

65 Carson, 461.

66 Para uma aplicação interessante da lei do levirato, ver Rute 4:1-8.

67 Williams, 362. Nos tempos modernos a lei é seguida pelos drusos e algumas tribos árabes. Ibid.

68 William Hendriksen, “Exposition of the Gospel According to Matthew”, New Testament Commentary (Grand Rapids, MI: Baker, 1975), 805.

69 Gundry, Mark, 705.

70 Donald A. Hagner, Matthew 14-28, Word Biblical Commentary (WBC), em Nelson Eletronic Publishing Commentary (Dallas, TX: Word Books, 1995), Form/Structure/Setting, CD-Rom.

71 Como explica Ellen G. White, “Os saduceus arrazoavam que se o corpo havia de compor-se, em seu estado imortal, das mesmas partículas de matéria que no estado mortal, então ao ressuscitar devia possuir carne e sangue, e reencetar no mundo eterno a vida interrompida aqui na Terra. Nesse caso, concluíam, as relações terrenas continuariam, marido e mulher estariam juntos, realizar-se-iam casamentos, e todas as coisas prosseguiriam da mesma maneira que antes da morte, sendo as fraquezas e paixões desta vida perpetuadas na vida por vir”. White, O desejado de todas as nações, 605.

72 “Whose wife?”, SDABC, 5:482.

73 Carson, 461.

74 Se porventura a mulher tivesse se casado duas vezes, de acordo com os rabis, após a ressurreição ela viveria com o primeiro marido. Williams, 363.

75 Hagner, Mt 22:24-28, WBC, em CD-Rom.

76 O texto paralelo de Lc 20:31 diz, “igualmente os sete não tiveram filhos e morreram”.

77 Gundry, Mark, 702.

78 Hagner, Mt 22:24-28, WBC, em CD-Rom.

79 The Analytical Greek Lexicon (AGL), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1976), ver “plan´aw”.

80 Herbert Braun, “Planao”, Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), ed. Gerhard Kittel (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1993), 6:229.

81 Ibid. Observe-se que em Mt 18:12 Jesus utiliza planomenon, uma forma derivada de planao, para descrever a ação da ovelha que se “extraviou”. “Do err”, SDABC, 5:482.  Em Rm 1:27, pláne, “erro” (ARA) é descrito (Rm 1:21-23) como a atitudes pecaminosas dos gentios.  O autor da carta aos Hebreus adverte os seus destinatários, lembrando-lhes a atitude dos seus “pais” (Hb 3:9) na “tentação do deserto” (Hb 3:8): “… e viram… sempre erram no seu coração; eles também não conheceram os meus caminhos” (Hb 3:10).  O próprio autor de Hebreus interpreta o “erro” dizendo que este consiste em ter “perverso coração de incredulidade” que se afastava do “Deus vivo”. Braun, “Planao”, TDNT, 6:243.

82 Williams, 363. Ver Albright, e Mann, 273.

83 “Not knowing the scriptures”, SDABC, 5:483.

84 Hagner, Mt 22:29, WBC, em CD-Rom.

85 No grego, o particípio perfeito tem o sentido de uma ação realizada no passado, mas que tem conseqüências no presente.  William D. Mounce, Basics of Biblical Greek (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1993), 272.  Para ter uma melhor noção do particípio em português, ver Domingos P. Cegalla, Novíssima gramática da língua portuguesa (São Paulo: Editora Nacional, 1997), 199.

86 Sherman E. Johnson, “Exegesis of the Book of Matthew”, Interpreter’s Bible (Nova Iorque: Abingdon, 1951), 7:522.

87 Gundry, Mark, 702.

88 Hagner, Mt 22:29, WBC, em CD-Rom.

89 “Not knowing the scriptures”, SDABC, 5:483. A problemática dos saduceus a respeito do poder de Deus é sintetizada por Ellen G. White: “Os saduceus haviam-se lisonjeado de seguirem as Escrituras mais estritamente que todos os outros homens. Mas Jesus lhes mostrou que não lhe haviam compreendido o verdadeiro sentido. Esse conhecimento devia penetrar na alma, mediante a iluminação do Espírito Santo. Sua ignorância das Escrituras e do poder de Deus, declarou Ele ser a causa da confusão de sua fé e das trevas de sua mente.  Estavam procurando por os mistérios de Deus no âmbito de seu limitado raciocínio. Cristo os chamou a abrir a mente às sagradas verdades que dilatariam e robusteceriam o entendimento. Milhares de criaturas se tornam incrédulas, porque sua mente finita não pode compreender os mistérios divinos. Não podem explicar a maravilhosa manifestação do poder divino em Suas providências, portanto rejeitam as demonstrações desse poder, atribuindo-o a agentes naturais que menos ainda podem compreender.  A única chave para os mistérios que nos circundam, é reconhecer em todos eles a presença e o poder divinos. Os homens necessitam reconhecer a Deus como Criador do Universo. Alguém que tudo ordena e executa tudo. Necessitam de mais larga visão de Seu caráter, e do mistério de Suas instrumen-talidades”. White, O desejado de todas as nações, 605-606.

90 Daniel Patte, The Gospel According to Matthew (Philadelphia, PA: Fortress, 1986), 312. Ver, também Gundry, Mark, 702.

91 O verbo anisteemi é traduzido em o NT por “levantar” (At 9:41), “suscitar descendência” (Mt 22:24) e “ressuscitar” (Jo 6:39). O substantivo anastasis é traduzido em o NT por “ressurreição” (Mt 22:23, 28, 30, etc.). Portanto, o verbo e o substantivo grego têm o sentido de “levantar”, seja no sentido literal, seja no sentido figurado de “levantar” descendência (procriar) e “levantar dos mortos” (ressuscitar). AGL, ver anisthm, anastasij.

92 Morris, 560. Ver Patte, 312. O relato paralelo de Mc 12:18-27 oferece uma construção um pouco diferente de Mateus: “Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento”. Pelo modo em que a frase está construída no grego, Jesus Se refere diretamente à mulher e aos sete irmãos. Gundry, Mark, 702.

93 White, O desejado de todas as nações, 605.

94 Albrecht Oepke, “Én”, TDNT, 2:537.

95 Hagner, Mt 22:30, WBC, em CD-Rom.

96 No texto grego encontra-se, oúte gamoûsin oúte gamízontai. Gamoûsin está na terceira pessoa do plural do presente do indicativo ativo, enquanto gamízontai aparece na terceira pessoa do plural do presente do indicativo da voz média. Greek New Testament, BibleWorks, Mt 22:30, em CD-Rom.

97 Ethelbert Stauffer, “Gaméo”, TDNT, 1:651. Este dado é confirmado por Davies, e Allison, 1:227.

98 Gundry, Mark, 702. Ver, também Morris, 560.

99 Ver acima o estudo sobre os diferentes intérpretes que defendem a continuidade do casamento na vida futura após a ressurreição.

100 Diversas passagens, nas Escrituras, sustentam a identificação do casamento como um concerto permanente.  Dentre elas se destacam: Oséias 2:20; 13:5; 5:3-4; Isaías 54:5-8; Jeremias 3:20; 31:3, 4, 22, 31-33; Provérbios 2:17; Ezequiel 16:8-14, 59, 60-63. Para uma discussão mais abrangente sobre monogamia, permanência e indissolubilidade do matrimônio, ver Natanael B. P. Moraes, Teologia e ética do sexo para solteiros (Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2000), 18-27.

101 Para uma melhor compreensão dos dois propósitos do casamento, ver Moraes, 21-27.

102 Embora o estudo de Natanael Moraes sobre Mt 19:3-6 tenha seu foco na pureza sexual pré-marital, ele também fornece subsídios para o tema da indissolubilidade do vínculo matrimonial.  Ver Moraes, 36-39.

103 Stauffer, “Gameo”, TDNT, 1:649.

104 Ainda neste incidente com os fariseus, Jesus deixou claro que a única exceção que permite o divórcio são as “relações sexuais ilícitas” (Mt 19:9). “Relações sexuais ilícitas” é a tradução do termo grego porneia.  Para uma melhor noção sobre as situações definidas por porneia, ver o estudo feito sobre a palavra em Moraes, 39-41.

105 Stauffer, “Gameo”, TDNT, 1:651.

106 Moraes, 41.

107 Ibid., 33.

108 Grifo nosso.

109 Grifo nosso.

110 Millard J. Erickson, Christian Theology (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1991), 1232. Ver, também, Augustus H. Strong, Teologia sistemática (São Paulo: Teológica, 2002), 1:651; Gerhard Kittel, “Isángelos”, TDNT, 1:87.

111 J. Macartney Wilson, “Angel”, The International Standard Bible Encyclopedia (ISBE), ed. Geoffrey H. Bromiley (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1992), 1:124. Para uma noção mais abrangente sobre os anjos, seu ministério, segundo a perspectiva adventista, ver Walton J. Brown, Angels (Washington, DC: Review and Herald, 1987).

112 Guy B. Funderburk, “Angel”, The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (ZPEB), ed. Merrill C. Tenney (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1975), 1:160.

113 O verso completo de 1 Tessalonicenses 3:13 diz, “a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”. Em vez de “santos”, Marcos 8:38 traz “anjos”, “Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”. Muito provavelmente os “santos” de 1 Tessalonicenses 3:13 se refiram aos anjos, mas também poderia ser uma referência às pessoas que receberão a Cristo por ocasião de Sua vinda (2Te 1:10). Contudo, diversas outras passagens permitem que se conclua que “santos”, em 1 Tessalonicenses 3:13, se refira realmente aos anjos (2Te 1:7; Mc 13:27; Sl 89:5, 7). F. F. Bruce, 1Te 3:13, WBC, em CD-Rom. Ver, também “Saints”, SDABC, 7:241.

114 Colossenses 1:16 também deixa implícita a criação dos anjos. Por sua vez, Ellen G. White deixa claro que os anjos foram criados por Deus em Patriarcas e profetas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 34; História da redenção (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1999), 13; Mensagens escolhidas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), 1:247.

115 Outros textos deixam claro esta realidade, por exemplo, os demônios (anjos caídos) são descritos como “espíritos” em Mateus 8:16; 12:45; Lucas 7:21; 8:2; 11:26; Atos 19:12; Apocalipse 16:14. O próprio texto em estudo parece confirmar que os anjos são seres espirituais, pois não se casam. Erickson, 438-439.

116 Ver Ellen G. White, Medicina e salvação (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1991), 99-100; Wayne Grudem, Teologia sistemática (São Paulo: Vida Nova, 1999), 235, 326, 334 ref. 8; Lewis S. Chafer, Teologia sistemática (São Paulo: Hagnos, 2003), 433.

117 Ver C. Fred Dickason, Angels (Chicago: Moody Press, 1984), 34; Irwin H. Evans, Ministry of Angels (Mountain View, CA: Pacific Press, 1915), 20; Erickson, 438.

118 Ver Ellen G. White, O grande conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001), 511; idem, Testemunhos seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1984), 1:298; idem, A verdade sobre os anjos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001), 48.

119 Idem, Patriarcas e profetas, 37.

120 Ibid., 50.

121 Idem, Parábolas de Jesus (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), 176.

122 Idem, História da redenção, 17; Primeiros escritos, 145.

123 Idem, Filhos e filhas de Deus (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005), 295. A Bíblia faz várias referências ao maior dos arcanjos, Miguel. Daniel o descreve como “Miguel, um dos primeiros príncipes” (Dn 10:13; cf. Dn 10:21; 12:1). Judas o menciona no contexto da ressurreição de Moisés (v. 9). O apóstolo Paulo fala da voz do arcanjo que ressuscitará os que morreram em Cristo (1Ts 4:16). Jesus declarou que os mortos ressurgirão pela voz do Filho do Homem (Jo 5:28). Isto evidencia que Miguel, o arcanjo; ou Miguel, o príncipe, é o próprio Jesus Cristo. Brown, 18.

124 White, História da redenção, 154.

125 Ver Theodor H. Gaster, “Angel”, The Interpreter’s Dictionary of the Bible (Nashville, TN: Abingdon Press, 1962), 1:131.

126 Idem, Patriarcas e profetas, 23.

127 Idem, O desejado de todas as nações, 731.

128 Idem, O grande conflito, 512; idem, Patriarcas e profetas, 512.

129 White, História da redenção, 13.

130 Idem, Atos dos apóstolos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1986), 147; idem, Patriarcas e profetas, 45.

131 Idem, Ellen G. White Comments em SDABC, 7:904; idem, O grande conflito, 643.

132 Idem, Atos dos apóstolos, 153.

133 Idem, A verdade sobre os anjos, 253.

134 Ver Erickson, 440.

135 White, História da redenção, 18.

136 Idem, Testemunhos seletos, 1:312.

137 Idem, História da redenção, 18.

138 O verbo grego litourgeo denota o serviço oficial público ou para o estado, sendo usado na Septuaginta para o serviço no templo e no cristianismo para o serviço de adoração na igreja. Hermann W. Beyer, “Diakoneo”, TDNT, 2:81.

139 Ellen G. White, Educação (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 103.

140 Idem, Atos dos apóstolos, 154.

141 Idem, História da redenção, 154.

142 Ellen G. White em SDABC, 2:1030.

143 Idem, Testemunhos seletos, 2:353.

144 Idem, Patriarcas e profetas, 732.

145 Ibid., 357. Ver também, idem, O grande conflito, 414.

146 Idem, O maior discurso de Cristo (Tatuí, SP; Casa Publicadora Brasileira, s.d.), 104. Ver também, idem, Profetas e reis (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), 313.

147 Idem, Atos dos apóstolos, 154.

148 Idem, Parábolas de Jesus, 176.

149 Ibid.

150 Idem, O desejado de todas as nações, 615.

151 Idem, A ciência do bom viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 253-254.

152 Idem, Atos dos apóstolos, 154.

153 Idem, O grande conflito, 512. Em Atos dos apóstolos, 154, Ellen White diz que “cada verdadeiro filho de Deus tem a cooperação dos seres celestiais”. Como ilustração do ministério dos anjos, Ellen White informa que eles “são enviados em missões de misericórdia aos filhos de Deus. A Abraão, com promessas de bênçãos; às portas de Sodoma, para livrar o justo Ló da condenação do fogo; a Elias, quando se achava a ponto de perecer de cansaço e fome no deserto; a Eliseu, com carros e cavalos de fogo, cercando a pequena cidade em que estava encerrado por seus adversários; a Daniel, enquanto buscava sabedoria divina na corte de um rei pagão, ou abandonado para se tornar presa dos leões; a Pedro, condenado à morte no calabouço de Herodes; aos prisioneiros em Filipos; a Paulo e seus companheiros na noite da tempestade no mar; a abrir a mente de Cornélio para receber o evangelho; a enviar Pedro com a mensagem da salvação ao desconhecido gentio – assim, em todos os tempos, têm os santos anjos ministrado ao povo de Deus”. Idem, O grande conflito, 512.

154 SDABD, ver “Heaven”.

155 Ibid.

156 Ibid.

157 Helmut Traub, “Ouranós”, TDNT, 5:533.

158 Ibid.

159 Para uma abordagem mais abrangente sobre o tema, ver “I will put enmity”, “Between thy seed and her seed”, “It shall bruise thy head”, SDABC, 1:232-233.

160 Ver “Coats of skins”, SDABC, 1:235-236.

161 Ver “The firstlings of his flock”, “Had respect”, SDABC, 1:239.

162 Para uma melhor noção sobre o ensino adventista do sétimo dia sobre a segunda vinda de Cristo, ver Nisto cremos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1989), 431-450.

163 Para maiores informações a respeito do ensino adventista sobre o milênio, ver Nisto cremos, 469-484.

164 Ellen G. White, O lar adventista (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1990), 121.

165 De acordo com Ellen G. White, “Fé é confiança em Deus – acreditar que Ele nos ama e sabe o que é melhor para nós”. Obreiros evangélicos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1993), 259.

166 Idem, História da redenção, 18.

167 Ibid., 19.

168 Ibid. Grifo nosso.

169 Idem, A verdade sobre os anjos, 287. Grifo nosso. Ver também, idem, O cuidado de Deus – meditações matinais (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995), 171.

170 Idem, A verdade sobre os anjos, 287; 49. Grifo nosso. Ver também, idem, em SDABC, 7:949.

171 Idem, A verdade sobre os anjos, 48.

172 Idem, Parábolas de Jesus, 163.

173 Ibid.

174 Ibid. Ver também, idem, Testemunhos seletos, 2:336-337.

175 Idem, Caminho a Cristo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1994), 126.

176 Idem, Primeiros escritos, 19. Grifo nosso. Ver também, idem, Testemunhos para a igreja (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000), 1:69; idem, Mensagens escolhidas, 2:260.

177 Idem, Primeiros escritos, 53. Grifo nosso.

178 Idem, O grande conflito, 677.

179 Ibid. Grifo nosso.

180 Grifo nosso.

181 Traub, “Ouranós”, TDNT, 5:533.

182 White, Educação, 308.

183 Ibid., 307-308.

184 Ibid., 308.

185 Ibid., 308-309.

186 Traub, “Ouranós”, TDNT, 5:533.

187 Evans, 20.

188 Traub, “Ouranós”, TDNT, 5:533. Em várias partes, a Bíblia declara que eles vêm do céu e retornam a ele individualmente (Mt 28:2; Lc 22:43; Gl 1:8) ou em hostes (Lc 2:15). Ibid.

189 Karl L. Schmidt, “Basiléia”, TDNT, 1:585-586.

190 Ibid., 586.

191 Erickson, 1198.

192 J. Horst, “Mélos”, TDNT, 4:561.

193 Evans, 21; Morris, 561.

194 White, Medicina e salvação, 99-100.

195 Ibid., 100-101.

196 Idem, Mensagens escolhidas, 2:262-263.

197 Williams, 363.

198 Gundry, Mark, 703.

199 George R. Knight, Matthew – The Abundant Life Bible Amplifier (Boise, ID: Pacific Press, 1994), 225.

200 McFarland, 13.


Fonte: Revista Parousia, 1° Semestre de 2005, UNASPRESS

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