Dízimo:

Conselho e Prática de Ellen G. White – III

  Análise das Afirmações de Ellen White

 Roger W. Coon
Secretário associado do Patrimônio Ellen G. White, Washington , D.C.

 I. Retenção do Uso Indevido do Dízimo

Numa reunião campal, em uma Associação  do Sudeste norte-americano, uma senhora disse o seguinte: “ Desaprovo completamente a maneira como parte de meu dízimo foi usada por alguns líderes da Igreja. Foi usada como fundo de ação legal contra um adventista que fez mau uso do nome da Igreja.” E para que eu não corresse o risco de julgar mal a profundidade seus sentimentos, ela ainda acrescentou: “Vá  dizer aos líderes da Igreja de onde você vem, que se eles incorrerem neste erro mais uma vez, nunca mais verão um único centavo do meu dízimo!”

Outro membro da Igreja da região dos Estados Unidos telefonou-me para reclamar que a administração da Associação de seu Campo havia destinado mais de vinte mil dólares do dinheiro do dízimo para ajudar na fundação de um novo grupo cujo  estilo experimental de culto lhe era repugnante. O homem concluiu veemente: “Já parei de mandar meu dízimo para aqueles sujeitos no escritório da Associação.” Outros relatos poderiam ser mencionados, vindos de outras partes do mundo.

Problemas no tempo de Ellen White

Muitas pessoas indagaram em voz alta sobre a atitude que a Sra. White assumiria diante desses problemas, se ela vivesse hoje. Felizmente, não precisamos esperar muito pela resposta, pois, como diz o ditado: “Quanto mais as coisas mudam, tanto mais inalteradas permanecem.”

No tempo da Sra. White, a Igreja enfrentou três problemas em relação aos dízimos e às ofertas:

  • Alguns líderes nos escritórios das Associação desviaram fundos confiados a eles. Em lugar de destinar os fundos para o propósito designado pelo doador, o dinheiro era usado para outros projetos da Igreja.
  • Ocasionalmente, alguns membros da Igreja deixaram de pagar parte, ou todo o dízimo, a fim de usá-lo para cobrir emergências pessoais em casa.
  • Algumas vezes, membros da Igreja- não oficias da Associação – achavam que eles é que deveriam escolher os projetos nos quais  gastar  o dinheiro do dízimo.

A Sra. White escreveu contra esses três tipos de irregularidade. E é necessário que reafirmemos, hoje, o que ela afirmou  em seus dias.

Ao pesquisarmos os vários escritos da Sra. White sobre esse enfatizou  três pontos específicos, sempre dentro de seu modo franco e decidido.

 1.    Deus abençoa o doador

Em 1870, Ellen White disse aos líderes da Igreja, ao mencionar os fundos, mal aplicados: “Os meios assim dedicados nem sempre  são usados como o desejariam seus doadores. Homens cobiçosos, egoístas e sem espírito de renúncia ou sacrifício, manuseiam de maneira infiel os meios assim trazidos à tesouraria.”1

Apesar desse mau procedimento, a Sra. White  continuou encorajando os doadores com palavras: “ Aqueles  que, com espírito de sacrifício e consagração, devolvem a Deus as coisas que Lhe pertencem , serão recompensados de acordo com com suas obras. Mesmo  que os meios assim consagrados sejam mal empregados de modo que não alcancem o objetivo do doador – a glória de Deus e a salvação das almas – aqueles que fizeram o sacrifício com sinceridade de alma, visando unicamente à glória de Deus , não perderam sua recompensa.2

Que ânimo estas palavras devem ter produzido no coração daqueles membros da igreja, cujo dinheiro nem sempre foi aplicado da maneira como o doador tencionava! Felizmente, é menos provável hoje que sejamos confrontados por uma situação semelhante, devido ao fato de termos normas denominacionais claras e específicas que requerem que os fundos sejam encaminhados como é especificado pelo doador. Tesoureiros das igrejas – em todos os níveis – controlam cuidadosa e continuamente tais procedimentos.

Que isso dizer que, se meu dinheiro for mal aplicado, não devo reclamar, sendo que Deus vai me abençoar de qualquer  forma? Não. Não é isto o que a Sra. Ellen White diz.

2. Falar quem de direito

A Sra. White enunciou o dever dos membros da Igreja que notam que seus dízimos e ofertas estão sendo usados inapropriadamente. Ela aconselhou: “Algumas pessoas descontentes dizem: ‘Não vou mais pagar meu dízimo na maneira como as coisas são feitas no coração da obra.’ Roubaríeis, porém, a Deus por achardes que a administração da Obra não está correta?

“Fazei vossa reclamação clara e abertamente, dentro do espírito correto, a quem de direito. Enviai vosso  pedido para que as coisas sejam esclarecidas e colocadas em ordem; mas não vos afasteis da Obra de Deus, provando-vos infiéis, pelo fato de outros não estarem agindo corretamente.”3

A Sra. White não aconselha o silêncio a preço de conveniência. Depois de aconselhar o membro da Igreja a fazer sua reclamação, ela continua especificando como  tais reclamações devem feitas.

(a)  “Clara e abertamente”. Sem insinuações; sem referências obscuras de enganos misteriosos, terríveis demais para serem comentados à luz do dia. Nada de deixar escapar frases como : “Se você soubesse o que o sei”, etc.

(b)  “Dentro do espírito correto” As críticas podem ser construtivas ou destrutivas. Ellen White jamais sancionou a última, mas aplaudiu e recomendou a primeira. Com freqüência, o fator-chave não está no que é  feito, mas em como é feito.

(c)  “A quem de direito”. Em Mateus 18, Jesus especifica que, quando temos motivo de queixa contra um irmão na igreja, devemos ir a ele a sós, buscando melhorar a situação. Se esta iniciativa falhar, devemos voltar a ele, com um ou dois  cristão como testemunhas. Se isso também falhar, então – e só então –“ dize -o à igreja” (verso 170).

A Sra. White chama essa atitude de “receita”4 de Cristo, e nos aconselha a seguir esse princípio “em todos os casos e em todas as circunstâncias”5 . E, no processo, “Não devemos fazer disso assunto de comentários e críticas entre nós; nem mesmo depois de isso haver sido comunicado à Igreja, achamo-nos na liberdade de o repetir aos outros”.6

O “Irmão D”, em 1885, criou um problema  em sua igreja, falando furtivamente aos membros daquela congregação que “os líderes nesta obra são homens ardilosos, desonestos, ocupando-se em enganar o povo”. A Sra. White escreveu que a atividade do “Irmão D” não levava o selo do Céu. Apresentou uma maneira muito melhor. Ela disse:

“Ela não está em conformidade com a norma bíblica e não consultou os irmãos líderes. … Que ele se coloque em pé de igualdade com seus irmãos ; se tem algumas dificuldade com eles em relação à sua maneira de proceder; que lhes mostre em que consiste sei pecado.”7

 3.    O dízimo não deve ser retirado nem desviado

Mas pode surgir a pergunta: Será que não existiriam circunstâncias sob as quais membros individuais da Igreja se sintam livres para administrar seu dízimo da maneira que acharem mais conveniente? Resposta: Ellen White nunca nem ao menos considerou esse tipo de opção.

No tempo da Sra. White alguns adventistas do sétimo dia, ou retinham totalmente seus dízimos e ofertas, ou desviavam seu dízimo aplicando- o em projetos  de sua própria escolha. Isso aconteceu porque os negócios da Associação, aos olhos desse membros, estavam sendo mal administrados, e pastores indignos estavam sendo pagos com seu dízimo.

Em um artigo escrito em 1890, intitulado Existing Evils and Their Remedy (Males Existentes e Seu Remédios) a Sra. White escreveu: “Vós que tendes retido vossos meios da Causa de Deus, lede o livro de Malaquias, vede o que é dito ali com relação aos dízimos e ofertas. Não percebeis que estais agindo mal, sob qualquer circunstância, ao reterdes vossos dízimos e ofertas por não concordares com tudo que vossos irmãos fazem? É possível que pastores indignos estejam recebendo dos meios assim levantados; mas, teria alguém coragem, por essa razão, de se apoderar ilicitamente dos tesouros de Deus, fazendo recair sobre si a maldição do Senhor? Eu não teria coragem. …

 “Se os negócios da Associação não estão sendo administrados de acordo com a ordem do Senhor, isto  é pecado dos quer estão em falta. O Senhor não vos responsabilizará  por isso, se fizerdes o que estiver ao vosso alcance para corrigir o mal. Todavia, não pequeis contra Deus, recusando devolver-lhe o que Lhe pertence.”8

Quase duas décadas depois , as convicções de Ellen White continuavam inalteradas. Em 1909 ela escreveu: “Que ninguém se sinta na liberdade de  reter seu dízimo, a fim de usá-lo como achar por bem. Não usá-lo para si mesmos numa emergências, nem aplicá-los como acharem conveniente como fazendo parte da obra do Senhor.  …

“Recebi uma mensagem  muito clara e definida para nosso povo. Foi-me ordenado dizer-lhes que cometem grave erro ao aplicarem o dízimo em várias finalidades que, apesar de boas em si mesmas, não cumprem o propósito que o Senhor tinha em vista para ele.”9

PDF: Conselho e Prática de Ellen G. White – III


Referências:

1 Testimonies for the Church,  vol.2, págs. 518.

2 Idem, págs. 518 e 519.

3 Idem, vol.9, pág. 249.

4 The Upwabrd  Look,  pág. 106.

5 Idem, pág. 136.

6 O Desejado de Todas as Nações, pág. 441.

7 Testimonies, vol.5, págs. 289 e  290.

8 Special Testimonies, Série A, nº1, pág. 27.

9 Testimonies , vol.9, págs. 247 e 248.