Comentários de Ellen G. White Sobre
o Uso dos Recursos do Dízimo

Robert W. Olson

A. Introdução

Por ocasião da Organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia, não tínhamos um sistema dizimal plenamente desenvolvido, nem dispúnhamos de alguma instrução de Ellen G. White a respeito do emprego do dízimo. Os mais antigos comentários da Sra. White sobre como deviam ser gastos os recursos provenientes do dízimo eram de natureza bem geral. Perto do fim de 1879, ela escreveu:

“Importa que se apóiem as instituições que são instrumentos de Deus no promover Sua obra na Terra. Devem-se erigir igrejas, estabelecer escolas, e aparelhar as casas editoras com os meios necessários à realização de uma grande obra na publicação da verdade a ser propagada por todas as partes do mundo. Essas instituições são ordenadas por Deus, e devem ser mantidas com dízimos e ofertas liberais. À medida que a obra se dilata, necessitar-se-ão de meios para que ela avance em todos os seus ramos.” – 4T, 464 (1TS, 543).

Três anos mais tarde, ela fez um comentário um tanto semelhante: “O dízimo de todas as nossas rendas é do Senhor. Reservou-o para Si, para ser empregado em fins religiosos.” – CM, 67.

No entanto, por volta da década de 1890, Ellen White tornara-se muito mais explícita nos seus conselhos. À medida que a Igreja crescia e novos problemas e desafios tinham de ser enfrentados, o Senhor lhe deu mais luz de Sua vontade nessa questão.

Em 16 de março de 1897, ela escreveu para A. G. Daniells:

“Esta manhã enviei-lhe uma carta escrita para a América, e enviada ontem de manhã para lá, que lhe mostrará como eu considero o dinheiro do dízimo que está sendo usado para outras finalidades. [Ver Special Testimonies, Série A. No 10, págs. 16-25.] Este é o fundo de renda especial do Senhor, para um fim especial. Eu nunca compreendi tão plenamente este assunto como o compreendo agora. Como me foram enviadas perguntas, para que eu as respondesse, recebi instruções especiais do Senhor, de que o dízimo é para um fim especial, consagrado a Deus para sustentar os que ministram na obra sagrada, como os escolhidos do Senhor para realizar o seu trabalho, não somente pregando sermões, mas ministrando. Eles devem compreender tudo o que isso abrange.” – Carta 40, 1897; 1MR, 187.

A própria Sra. White nos ajuda a compreender “tudo o que isso abrange”, pois ela aprovou especificamente certos usos do dízimo, ao passo que desaprovou outros de maneira não menos específica.

B. Uso Apropriado do Dízimo

De acordo com Ellen White, os recursos do dízimo podem ser usados devidamente para o sustento das seguintes categorias de obreiros ou projetos:

1. Ministros do Evangelho 

“Examine cada qual suas rendas com regularidade, pois são todas uma bênção de Deus, e ponha de parte o dízimo como fundo separado, para ser sagradamente do Senhor. Em caso algum deve ser esse fundo dedicado a qualquer outro uso; deve ser unicamente dedicado ao sustento do ministério do evangelho.” – R&H, 9 de maio de 1893; CM, 81.

“O dízimo deve ser usado para uma só finalidade — sustentar os ministros a quem o Senhor designou para fazerem Sua obra. Ele deve ser usado para sustentar os que proferem as palavras de vida para as pessoas e têm sobre si o encargo do rebanho de Deus. … Quando um homem ingressa no ministério, ele deve ser pago com o dízimo e receber o suficiente para sustentar sua família. Não deve sentir-se como se fosse um mendigo.” – Ms 82, 1904.

2. Instrutores Bíblicos 

“O dízimo deve ser para os que trabalham na palavra e na doutrina, sejam eles homens ou mulheres.” – Ev, 492.

“Há esposas de pastores – Irmãs Starr, Haskell, Wilson e Robinson – que têm sido obreiras dedicadas, diligentes e sinceras, dando estudos bíblicos e orando com famílias, ajudando em tudo com seus esforços pessoais, de maneira tão bem-sucedida como seus maridos. Essas mulheres dão todo o seu tempo, e lhes é declarado que não recebem nada por seus trabalhos porque seus maridos recebem salário. Recomendo que prossigam, e todas essas decisões serão revistas. A Palavra declara: ‘Digno é o trabalhador do seu salário.’ Quando for tomada alguma decisão como essa, eu irei protestar em nome do Senhor. Acharei ser meu dever criar um fundo com o dinheiro do meu dízimo para pagar essas mulheres que estão realizando uma obra tão essencial como os pastores.” – Carta 137, 1898; MR, 959.

3. Professores de Bíblia

“Algumas mulheres estão agora ensinando moças a trabalharem com êxito fazendo visitas e dando estudos bíblicos. … Não deveria esse trabalho  ser considerado tão farto em resultados como a obra dos pastores ordenados? Não deveria isto determinar o pagamento das pessoas que trabalham? Essas obreiras não seriam defraudadas se não fossem pagas? …

“Em muitos aspectos, uma mulher pode comunicar a suas irmãs conhecimento que não é possível a um homem comunicar. A obra sofreria grande prejuízo sem essa espécie de labor. Repetidas vezes o Senhor me tem mostrado que as instrutoras são tão grandemente necessárias à obra a que Ele as designou, como os homens.” – Ms 43a, 1898; MR, 330.

“Os que tiverem mais vocação para o ministério deviam ser empregados para dirigir o ensino de Bíblia em nossas escolas. As pessoas escolhidas para essa obra precisam ser acurados estudantes da Bíblia; homens que tenham profunda experiência cristã; e seu ordenado deve ser pago do dízimo.” – CPPE, 431 (1913).

“Tem sido comunicada positiva luz para que os que ministram em nossas escolas, ensinando a Palavra de Deus, explicando as Escrituras, educando os alunos nas coisas divinas, sejam sustentados com o dinheiro do dízimo. Estas instruções foram dadas há muito tempo, e mais recentemente têm sido aqui e ali repetidas.” – 6T, 215 (1900); CM, 103.

Em 4 de dezembro de 1904, W. C. White escreveu para William Covert, presidente da Associação Wisconsin:

“Na resolução desse problema nas escolas com as quais Mamãe estava estreitamente ligada, o dízimo só era usado para o pastor ligado à escola, que tinha a principal responsabilidade pelo ensino da Bíblia e cujo trabalho especial era o preparo de jovens para a obra evangélica.”

4. Campos Missionários Necessitados, Tanto na América Como Além-Mar

“Em algumas das maiores associações, o dízimo poderá ser mais do que suficiente para sustentar os obreiros que agora estão no campo. Isso, porém, não sanciona o seu uso para alguma outra finalidade. Se as associações estivessem fazendo a obra que Deus deseja que elas façam, haveria muito mais obreiros no campo, e a necessidade de recursos aumentaria grandemente. Há missões a serem mantidas em campos onde não há igrejas nem dízimos, e também onde os crentes são novos e o dízimo é limitado. Se tendes recursos que não sejam necessários depois de acertardes as contas com os vossos ministros de maneira liberal, enviai o dinheiro do Senhor para esses lugares desprovidos.” – Ms 139, 1898; 1MR, 182, 184.

“Precisamos compreender cada vez mais que os recursos que chegam à associação, nos dízimos e dádivas de nosso povo, devem ser usados para o sustento da obra não somente nas cidades americanas, mas também nos campos estrangeiros. Que os meios tão zelosamente arrecadados sejam distribuídos altruistamente. Os que compreendem as necessidades dos campos missionários não serão tentados a usar o dízimo para o que não é necessário.” – Ms 11, 1908; 1MR, 192.

5. Diretores do Departamento de Publicações

W. C. White escreveu para W. S. Lowry em 10 de maio de 1912:

“Em muitas associações, em anos passados, surgiu a pergunta se era lícito e apropriado pagar o agente estadual de colportagem com o dízimo. Esta questão tem sido debatida em concílios de Uniões e da Associação Geral, e nossos irmãos têm a convicção de que é certo sustentar esse agente com o dízimo porque os livros são pregadores muito eficazes. Sempre que esta questão é apresentada a Mamãe, ela tem dado sua aprovação ao plano que geralmente é adotado por nosso povo.”

6. Médicos Missionários (Pastores Médicos) 

“Alguns, que não vêem a vantagem de educar os jovens para que sejam médicos tanto da mente como do corpo, dizem que o dízimo não deve ser usado para sustentar médicos missionários, que dedicam o seu tempo ao tratamento de doentes. Em resposta a tais afirmações, sou instruída a dizer que a mente não deve tornar-se tão estreita que não possa apreender a verdade da situação. Um ministro do evangelho que seja também médico missionário, que pode curar também enfermidades físicas, é um obreiro muito mais eficiente do que aquele que não o pode fazer. Sua obra como ministro do evangelho é muito mais completa.” – Medicina e Salvação, pág. 245.

7. Benefícios de Aposentadoria Para Pastores e Suas Famílias

“Muitos obreiros foram para a sepultura com o coração quebrantado, por terem envelhecido e perceberem que eram considerados um fardo. Mas se houvessem sido retidos na obra, e obtido uma colocação tranqüila, com todo o seu salário, ou parte dele, poderiam ter realizado grande bem. Durante o seu tempo de serviço esses homens efetuaram trabalho dobrado. Sentiam tanta responsabilidade pelas almas que não desejavam ver-se livres do excesso de trabalho. Os pesados encargos suportados abreviaram-lhes a vida. As viúvas desses ministros não podem ser olvidadas; mas, se for necessário, devem ser pagas com o dízimo.” – Ms 82, 1904; 1MR, 189.

Em 24 de fevereiro de 1911, E. R. Palmer escreveu para Ellen White descrevendo os pormenores do recém-adotado plano de aposentadoria. Ele declarou: “Cada uma de nossas associações contribui com cinco por cento de seus dízimos para o Fundo de Aposentadoria.”

Ellen White respondeu:

“Fiquei contente por receber uma carta sua, como alguém que foi designado para  desempenhar uma parte na distribuição do fundo de aposentadoria. … É correto que sejam elaborados planos seguros para o sustento de nossos obreiros idosos ou de obreiros mais novos que estejam sofrendo por causa de trabalho excessivo.” – Carta 10, 1911; MR, 193.

8. Salário Parcial Para Alguns Colportores Evangelistas

De acordo com W. C. White, foi provido um salário parcial para alguns colportores na Austrália enquanto a Irmã White esteve ali. Em 11 de junho de 1902, ele escreveu para o diretor de Publicações da União-Associação do Lago:

“Não vejo luz alguma num movimento indiscriminado para colocar os colportores na folha de pagamento e tomar suas comissões. Estudei a proposta muitas vezes e nada vejo nela senão ruína financeira para a associação e desmoralização para os colportores.

“Há muitos lugares, porém, em que nossos colportores deveriam estar, mas onde é muito difícil de trabalhar; e creio que seria uma grande vantagem para nossa obra se homens e mulheres fiéis fossem escolhidos para ir a nossas cidades e outros campos que são especialmente difíceis, com a promessa de dois ou três dólares por semana, para ajudá-los a se manterem durante os períodos em sua obra nos quais suas comissões não lhes dão amplo sustento. Tenho visto este plano ser adotado com excelentes resultados, e creio sinceramente nele.

“Nas Colônias australianas não dispúnhamos de recursos para sustentar obreiros bíblicos de acordo com o plano antigo; mas conseguimos o maior número de colportores possível para venderem o Bible Echo, o Health Journal e nossos livros menores, nas grandes cidades, e pagamos a cada um desses obreiros de dois a dois e meio dólares por semana do dízimo da associação, para ajudá-los em suas despesas. Penso que será necessário adotar um plano semelhante a esse em muitos campos difíceis.” – W. C. White a J. B. Blosser, 11 de junho de 1902.

Embora não tenhamos uma declaração de Ellen White apoiando esse uso de recursos do dízimo, parece ser razoável deduzir que ela aprovava o plano, pois ele foi posto em prática na Austrália enquanto ela esteve ali. O fato de que W. C. White defendia o plano também parece indicar que Ellen White o aprovava.

C. Usos do Dízimo em Situações Incomuns

1. Casas de Culto, em Casos Excepcionais

“Há casos excepcionais, em que a pobreza é tão profunda que, para conseguir o mais humilde lugar de culto, talvez seja necessário apropriar-se dos dízimos. Esse lugar não é, porém, Battle Creek nem Oakland.” — Ms 24, 1897; 1MR, 191.

 “Todos aqui [Petoskey, Michigan] são pobres, quase não conseguindo manter-se por si mesmos. Assim sendo, o pedido que faço é que a associação compre esta pequena casa de culto. Desejamos que todos vós concordeis com isto, e a associação poderá ficar com a propriedade até que a igreja aqui aumente em número e possa comprá-la.” – Carta 96, 1890, a O. A. Olsen, presidente da Associação Geral.

2. O Secretário e Tesoureiro de Igrejas Grandes

C. F. McVagh, presidente da União-Associação do Sul, escreveu para W. C. White, em 24 de outubro de 1912:

“Os irmãos Nicola, Hart e outros dos irmãos mais idosos dizem-me lembrar-se claramente de que, anos atrás, a Irmã White afirmou que o arrecadador de dízimo e secretário da igreja de Battle Creek devia ser pago do dízimo, e até o tempo da administração Haughey suponho ser verdade que a igreja de Battle Creek pagava o seu secretário e tesoureiro com o dízimo, e então enviava o saldo para a associação.”

Em resposta, W. C. White disse que suas recordações eram as mesmas:

“Minha lembrança do caso está plenamente em harmonia com as declarações dos irmãos Nicola, Hart e outros. No passado, quando a igreja de Battle Creek estava crescendo, verificou-se que se o trabalho de coletar o dízimo não fosse levado avante com regularidade, a quantidade recebida seria muito menor do que se a tarefa fosse realizada de maneira metódica, por um arrecadador que fizesse desse trabalho o seu constante dever. Verificamos também que esse trabalho requeria mais tempo do que seria correto solicitarmos de um, dois ou três diáconos, e a comissão da igreja achou que seria um bom método e um benefício para os dizimistas e também para a associação, escolher e empregar um bom arrecadador, e pagar-lhe uma importância razoável pelo tempo que gastasse fazendo esse trabalho.

“Esse plano, com as razões que lhe serviam de base, foi apresentado a Papai* e a Mamãe, e recebeu sua calorosa aprovação. Não posso mencionar o tempo e o lugar, nem repetir as palavras, mas estou bem certo de que Mamãe deu sua calorosa aprovação a esse plano, e parece-me que a sabedoria do plano pode ser discernida claramente do ponto de vista comercial e que deve ser mantido, embora não encontremos um testemunho escrito que trate do assunto.

“Em anos passados, não foi feito esforço algum para ocultar de outras igrejas o fato de que a igreja de Battle Creek procedia dessa maneira. Nossos irmãos reconheciam amplamente que em igrejas cujas circunstâncias são diferentes precisam ser adotados métodos diferentes. Apraz-me dizer-lhe que a igreja do Sanatório de Santa Helena emprega um fiel arrecadador de dízimos e paga os serviços efetuados por ele com o dízimo. Se esse plano fosse interrompido, penso que a associação perderia de cinco a dez vezes o que é pago ao arrecadador. Mas não achamos que nossas igrejas menores tenham de adotar este plano ou que elas fiquem perplexas porque o plano é adotado em nossas igrejas muito grandes.” – W. C. White, a C. F. McVagh, 31 de outubro de 1912.


* Tiago White faleceu em 1881; portanto, essa era uma prática muito antiga em Battle Creek. O fato de que a igreja do Sanatório de Santa Helena pagava o seu “arrecadador de dízimos”, em 1912, parece indicar que Ellen White continuava aprovando o plano.

3. Obra Médico-Missionária, de Maneira Muito Limitada

Em 4 de maio de 1898, a Comissão da Associação Geral autorizou uma troca de dízimos com o Dr. John Harvey Kellogg, o qual escreveu para Ellen White em 17 de março de 1901, a respeito desse fundo especial:

“O dízimo que é pago pelos obreiros do nosso sanatório é pago na íntegra à tesouraria da associação, do mesmo modo que os outros dízimos. Mas, a nosso pedido, e com a sua aprovação, uma quantia equivalente é apropriada para ser usada em levar avante a obra missionária ligada ao sanatório. Esta é a maneira pela qual a questão sempre tem sido conduzida, e nunca pedi algo diferente.

Ellen White, evidentemente, aprovou o uso, pelo Dr. Kellogg, dos recursos do dízimo para finalidades médico-missionárias, pois três anos antes ela escrevera aos nossos irmãos dirigentes:

“Por que, pergunto-vos, não foram feitos esforços especiais para empregar obreiros médico-missionários em nossas igrejas? O Dr. Kellogg quer tomar algumas medidas que eu ficaria triste se ele fosse compelido a tomar. Ele diz que se não forem concedidos recursos para levar a mensagem às igrejas pelos obreiros médico-missionários, ele separará o dízimo que é pago à associação, para sustentar a obra médico-missionária. Deveis chegar a um acordo e trabalhar harmoniosamente. Que ele separe o dízimo da tesouraria seria uma necessidade que eu receio grandemente. Se esse dinheiro, em dízimos, é pago à tesouraria pelos obreiros, por que, pergunto, não deveria essa quantia ser proporcionada para levar avante a obra médico-missionária?” – Carta 51a, 1898.

“Se não for prestado nenhum auxílio pelos presidentes e pastores de nossas associações aos que estão engajados em nossa obra, o Dr. Kellogg não depositará mais o dízimo dos obreiros do sanatório. Eles irão utilizá-lo para levar avante a obra que está em harmonia com a luz da Palavra de Deus. …

“Quando o Senhor atua nas igrejas, ordenando que efetuem determinado trabalho, e eles recusam efetuá-lo, se alguém consente em dirigir-se às profundezas da desgraça e miséria humanas, a bênção de Deus estará sobre ele.” – Carta 51, 1898.

Ellen White advertiu que esse tipo de trabalho, embora importante, não deveria absorver todas as energias da Igreja. Ela indagou:

“Se todos nós nos empenhássemos no trabalho que o Dr. Kellogg está realizando pelas classes mais baixas do povo, que seria da obra que deve ser efetuada nos lugares em que a mensagem do terceiro anjo, a verdade sobre o sábado e a segunda vinda de nosso Senhor nunca foram proclamadas?” – Carta 18, 1900.

D. Uso Impróprio do Dízimo

“Ellen White também identificou algumas finalidades para as quais o dízimo não devia ser empregado. Estas abrangiam o seguinte:

1. O Cuidado dos Pobres, dos Doentes e dos Idosos

“Devido às circunstâncias, alguns ficarão pobres. Pode ser que eles não foram cautelosos, ou não souberam como conduzir as coisas. Outros, são pobres devido a doenças ou infortúnios. Qualquer que seja a razão, eles estão em necessidade, e ajudá-los é um aspecto importante da obra missionária. Essas pessoas infelizes e necessitadas não devem ser enviadas longe do lar para serem atendidas. Que cada igreja sinta a responsabilidade de ter especial interesse pelos fracos e idosos. Um ou dois, dentre eles, certamente poderão ser tratados. O dízimo não deve ser utilizado para essa obra.” – Ms 43, 1900; MR, 177.

“O dízimo é separado para um uso especial. Não deve ser considerado fundo para os pobres.” – CM, 103.

2. A Educação de Estudantes Necessitados

“Agora, quanto à educação de estudantes em nossas escolas. É uma boa idéia; terá de ser efetuada; mas Deus não permita que em vez de nós mesmos praticarmos abnegação e sacrifício pessoal para realizar essa obra, subtraiamos algo da porção do Senhor, reservada especificamente para sustentar os ministros em atividade no campo. …

“Todas essas coisas devem ser feitas, segundo estais propondo, para ajudar os estudantes a obterem uma educação, mas eu vos pergunto: Não devemos, todos nós, agir altruistamente nesta questão, criando e mantendo um fundo para ser utilizado em tais ocasiões? Quando virdes um rapaz ou uma moça que são pessoas promissoras, adiantai ou emprestai a quantia necessária, com a idéia de que é um empréstimo, não uma dádiva. É melhor que seja assim. Então, quando a quantia for devolvida, poderá ser usada para educar a outros. Esse dinheiro não deverá, porém, ser retirado do dízimo, e sim de um fundo separado, providenciado com essa finalidade.” – Carta 40, 1897; 1MR, 193, 194.

3. Fins Escolares e Sustento de Colportores

Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado para fins escolares. Outros argumentam ainda que os colportores devem ser sustentados com o dízimo. Comete-se grande erro quando se retira o dízimo do fim em que deve ser empregado – o sustento dos ministros. … Devem-se estabelecer provisões para esses outros ramos da obra. Eles devem ser mantidos, mas não do dízimo.” – 9T, 248-250 (1909).

4. Despesas de Igrejas

“Foi-me mostrado que é um erro usar o dízimo para atender a despesas ocasionais da igreja. … Estais roubando a Deus cada vez que pondes a mão no tesouro a fim de tirar fundos para atender às despesas correntes da igreja.”* — CM, 103.

“Seu povo de hoje precisa lembrar que a casa de culto é propriedade do Senhor e que deve ser escrupulosamente cuidada. Mas os recursos para essa obra não devem provir do dízimo.” – 9T, 248 (1909).

5. Construções de Igreja ou Institucionais

Uma igreja para 1.500 pessoas sentadas foi erigida em Oakland, Califórnia, na década de 1880. O custo total, incluindo o terreno e os móveis, foi de 36.000 dólares. Uma década mais tarde, o débito da construção fora reduzido para 12.400 dólares; mas, por diversas razões, os membros estavam tendo grande dificuldade para efetuar os pagamentos da hipoteca. Em 1o de fevereiro de 1897, C. H. Jones escreveu para Ellen White:

“Estamos numa situação crítica. Há grande perigo, a menos que a dívida seja liquidada, de que a igreja seja considerada inadimplente, e que se execute a hipoteca. …

“Irmã White, seria errado, nessas circunstâncias, que a igreja de Oakland retivesse parte do seu dízimo, durante algum tempo, a fim de liquidar a dívida – tomando-o simplesmente como um empréstimo a ser devolvido à associação logo que seja possível? Se for errado, não queremos fazê-lo; se for correto, será um grande alívio para a igreja.”

Respondendo de maneira geral, Ellen White declarou:

“Há casos excepcionais, em que a pobreza é tão profunda que, para conseguir o mais humilde lugar de culto, talvez seja necessário apropriar-se dos dízimos. Esse lugar não é, porém, Battle Creek nem Oakland.” — Ms 24, 1897; 1MR, 191.

Então, numa carta a Jones, sob a data de 27 de maio, ela respondeu mais diretamente à sua pergunta, afirmando:

“Toda pessoa que tem a honra de ser um mordomo de Deus deve proteger cuidadosamente o dinheiro do dízimo. Este é um recurso sagrado. O Senhor não sancionará o empréstimo desse dinheiro para qualquer outra obra. Isso produzirá males que agora não podeis discernir. Ele não deve ser utilizado pela igreja de Oakland, pois há missões a serem mantidas em outros campos, em que não há igrejas nem dízimos.” – Carta 81, 1897; 1MR, 185.

Em 1895-1896, foi construído o Sanatório de Boulder, ao custo de cerca de 80.000 dólares. Dessa quantia, 60.000 dólares foram providos pela Associação Geral, com recursos basicamente oriundos do dízimo. Ellen White se opôs a essa forma de financiar as despesas da construção dessa instituição. Em 19 de junho de 1899, ela escreveu:

“Foi-me perguntado por meio de uma carta: ‘A senhora tem alguma luz para nós a respeito do Sanatório de Boulder?’ … A luz que o Senhor achou por bem conceder-me é que não foi correto construir esse sanatório com recursos providos pela Associação Geral.” – Carta 93, 1899.


* Depois de ler essa mensagem de Ellen White, a igreja de Battle Creek votou, em 16 de janeiro de 1897, “que a igreja abandone a prática de pagar as despesas correntes da igreja e do Tabernáculo com o dízimo”. (Publicado em Special Testimony to Battle Creek Church, pág. 10.) 

E. Considerações e Conclusões

Ellen White declara que o dízimo deve ser usado para “uma só finalidade – sustentar os ministros” e que ele deve ser dedicado “somente para sustentar o ministério do evangelho”. Estas expressões parecem indicar que os recursos do dízimo devem ser reservados exclusivamente para pagar os salários de pastores e evangelistas. É evidente, porém, que Ellen White não interpretou seus próprios escritos de modo tão restrito.

Entre os legítimos recebedores dos recursos do dízimo ela incluiu os  diretores do Departamento de Publicações, pastores médicos, os médicos missionários do Dr. Kellogg, um tesoureiro e secretário de igreja e, evidentemente, colportores evangelistas com designações territoriais especialmente difíceis.

A ampla compreensão de Ellen White da questão do uso do dízimo é ainda mais acentuada por sua prontidão para fazer exceções às regras em determinadas circunstâncias. Conforme foi mencionado, ela admitiu que, em casos de extrema pobreza, os recursos do dízimo poderiam ser usados para adquirir casas de culto. É verdade que isso constituía um uso excepcional – e não regular — do dízimo, mas recebeu a aprovação de Ellen White.

Por outro lado, Ellen White mencionou diversas causas para as quais o dinheiro do dízimo não devia ser utilizado. Ao especificar que o dízimo não devia ser usado para despesas da igreja, cuidado de indigentes, salários de colportores ou fins escolares, ela não estava rotulando essas causas de indignas, mas indicando que se o dízimo fosse usado para esses e outros bons programas similares, não sobraria dinheiro suficiente para sustentar o ministério evangélico.

O fundamento lógico para dar a máxima prioridade ao ministério evangélico no uso dos recursos do dízimo deve ser que os pastores, evangelistas e administradores de associações não dispõem de outra fonte adequada de renda para o seu sustento. Isto é também verdade a respeito de outros que trabalham no escritório das associações, como secretárias, contadores, zeladores, etc. Colportores, professores, obreiros de instituições médicas e empregados de casas publicadoras, todos produzem rendimentos de seus trabalhos. Tal não é, porém, o caso dos pastores ou do pessoal do escritório da associação. Por isso, se o dízimo é desviado para outros empreendimentos, o ministério evangélico será prejudicado e, conseqüentemente, a Igreja, como um todo, também será prejudicada.

Talvez surja a pergunta: Por que Ellen White aprovou o pagamento do “arrecadador de dízimos” (tesoureiro) da igreja de Battle Creek com o dízimo, se ele não era um pastor e não estava empenhado na obra ministerial? A resposta, provavelmente, está no fato de que seu trabalho conduzia a uma receita muito maior de dízimos para a associação, mesmo depois de ser pago o seu salário, do que seria o caso se ele não exercesse essa função.

Talvez também seja feita a pergunta: Por que Ellen White instou com as congregações locais para que pagassem suas despesas operacionais (utilidades, manutenção, materiais, etc.) com ofertas voluntárias, ao passo que não deu o mesmo conselho a respeito das despesas do escritório da associação. Em outras palavras, se é apropriado pagar a conta elétrica do escritório da associação com recursos do dízimo, por que não pagar também a conta elétrica da igreja local com o dízimo?

A resposta a essa pergunta poderá ser que as despesas do escritório da associação ocorrem a fim de prover um centro de atuação e subsistência para os dirigentes da associação. Tais despesas passam a fazer parte da função ministerial. Por outro lado, as mesmas despesas, numa igreja local, provêem um centro de atuação para os membros e não estão exclusivamente ligadas à obra do pastor.

Ainda há um outro assunto que merece atenção. Uma prática ocasionalmente encontrada no decorrer dos anos é a de alguns membros de igreja designarem o seu dízimo a projetos de sua própria escolha. Ellen White se opôs a esse procedimento, declarando:

“Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo seu próprio juízo. Não devem servir-se dele numa emergência, nem usá-lo segundo lhes pareça justo, mesmo no que possam considerar como obra do Senhor. …

“Se nossas igrejas tomarem sua posição baseadas na Palavra do Senhor, e forem fiéis na devolução do dízimo ao Seu tesouro, mais obreiros serão animados a entrar para a obra ministerial. Mais homens se dedicariam ao ministério, não estivessem eles informados da escassez do tesouro.” – 9T, 247, 249.

O “tesouro”, no conceito de Ellen White, era a associação. Agradou-lhe que o Dr. Kellogg estivesse pagando todo o dízimo dos obreiros do sanatório “à associação” (ver pág. 23), e ela demonstrou grande pesar ante o pensamento de que esse plano viesse a ser suspenso. “Isso de ele separar o dízimo do tesouro — ela escreveu – seria uma necessidade que eu receio grandemente” (Carta 51a, 1898).

Na opinião de Ellen White, portanto, as várias associações deviam assumir a responsabilidade de autorizar o dispêndio dos recursos do dízimo. E isso devia ser feito por meio de grupos representativos de dirigentes da Igreja que compõem as comissões de nossas Associações locais, das Uniões e da Associação Geral. Ellen White se opôs energicamente ao “régio poder” exercido por alguns homens que controlavam todos os fundos da Associação Geral durante a década de 1890. Na assembléia da Associação Geral de 1901, ela admoestou os delegados:

“Não é o desígnio de Deus que dois ou três homens planejem por toda a Associação e decidam como o dízimo deve ser usado, como se o dízimo fosse um fundo que lhes pertencesse.” – 1901, GCB, 83.

Se as várias associações têm de decidir como os recursos do dízimo devem ser usados, alguns talvez queiram saber por que Ellen White, às vezes, utilizou o seu dízimo para certas causas de sua própria escolha. A resposta a essa questão é dada por Arthur L. White, em The Early Elmshaven Years, págs. 389-397:

A devida consideração do amplo conjunto de comentários de Ellen White sobre este assunto conduz ao seguinte resumo de princípios a serem aplicados na utilização dos recursos do dízimo:

1. O dízimo é do Senhor e deve ser devolvido à casa do tesouro, a tesouraria da associação, por meio da igreja local dos membros.

2. Os ministros do evangelho e os instrutores bíblicos devem ter a primazia no dízimo e ser remunerados adequadamente (págs. 17 e 18; Seções 1 e 2).

3. A associação deve partilhar o dízimo com a Igreja mundial (pág. 18; Seção 4).

4. Os membros da Igreja devem dar ofertas para as despesas operacionais da igreja local (págs. 20, 21 e 22; Seções 1, 2 e 4).

5. Alguns aspectos do evangelho, embora sejam importantes, não devem ser mantidos com o dízimo, pois dispõem de outras fontes para sua manutenção (pág. 22; Seção 3).

6. As exceções a estes princípios só podem ser efetuadas em casos de extrema pobreza ou em circunstâncias extraordinariamente incomuns (págs. 20 e 21).


 Fonte: 1o de junho de 1986
Revisado em fevereiro de 1990

PDF: Comentários de Ellen G. White Sobre o Uso dos Recursos do Dízimo