Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina

1º Trimestre de 2008

Lição 5 – A inspiração dos profetas

Pr. Renato Stencel Diretor do Centro White – Brasil UNASP – EC

I. Introdução

Uma das mais importantes verdades que encontramos nas Escrituras diz respeito ao infinito amor de Deus, expresso em todos os feitos de Sua criação. De acordo com o Espírito de Profecia “desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor”1 . Sua criação e a maneira pela qual Deus Se relaciona com Suas criaturas revelam de forma legítima a essência do Seu caráter. De fato, Deus é o ser mais relacional que existe no Universo. Ele anseia por Se comunicar com os seres humanos e assim tem sido desde a criação de nossos primeiros pais.

Mesmo em face do abismo causado pelo pecado, Deus não rompeu o diálogo com Suas criaturas. Ao contrário, Ele tomou providências para restabelecer a ponte de ligação entre o Céu e a Terra, o Criador e a criatura (Gn 3:9). Desta forma, por intermédio dos profetas, Ele “confiou ao homem finito o preparo de Sua Palavra divinamente inspirada. Esta Palavra, arranjada em livros – Antigo e Novo Testamentos – é o guia para os habitantes de um mundo caído, a eles legado para que, mediante o estudo das direções e a obediência a elas, ninguém perca o caminho do Céu”2 .

Por ser uma inegável fonte de revelação divina, a Bíblia tem sofrido inúmeros ataques ao longo de sua existência. Com o propósito de minar a inspiração da Palavra de Deus, muitos têm colocado em prova sua veracidade. “Nenhum componente da fé cristã tem sido debatido de uma forma tão controvertida nos últimos dois séculos como a natureza e a autoridade das Escrituras. Ao perderem a confiança na Bíblia, muitos cristãos modernos e pós-modernos já não mais a consideram a ‘única regra de fé e prática’”.3

No entanto, a despeito dos muitos ataques, críticas e ceticismo, a Palavra de Deus tem resistido a todas as provas. Mediante o poder divino, seu conteúdo tem sido guardado e preservado ao longo dos séculos. E, como uma poderosa luz, a Bíblia tem transformado e enobrecido vidas, conduzindo-as aos pés de Jesus Cristo.

II. A comunicação divino-humana

Para todo aquele que almeja compreender o modo pelo qual Deus Se comunica conosco, é de vital importância examinar os conceitos de revelação, inspiração e iluminação profética. A maneira de entendermos este processo irá influenciar nossa concepção quanto à pessoa de Deus, a maneira de nos relacionarmos com Ele e a forma de manifestarmos e praticarmos nossa fé.

  1. Revelação – Envolve a ação divina que comunica a verdade (o conhecimento da parte de Deus). “Compreendemos por revelação o ato divino pelo qual Deus Se descobre a Si mesmo, Se desvenda e Se comunica com o profeta, dando-lhe o conhecimento de Deus e da Sua vontade que ele, o profeta, não poderia ter conseguido por si mesmo e nem de qualquer outra maneira” 4. Esse conhecimento expressa a vontade de Deus sobre certos aspectos que Ele almeja tornar conhecidos aos Seus filhos.
  2. Inspiração – Refere-se ao processo pelo qual Deus capacita alguém a ser Seu porta-voz (mensageiro). Ao receber a revelação divina, o profeta é dotado por Deus para comunicar a mensagem de forma fiel e verdadeira. O apóstolo Pedro atesta: “Porque nunca, jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21).
  3. Iluminação – É o poder do Espírito Santo que tem por objetivo auxiliar os seres humanos a compreender o conteúdo da revelação divina. O mesmo Espírito que fala por meio dos profetas fala àqueles que ouvem ou leem a mensagem do profeta. Desta forma, o divino Espírito habilita o cristão a entender e aplicar a mensagem à sua experiência. Enquanto os processos de revelação e inspiração envolvem a atuação dos autores, a iluminação envolve o leitor.

Ao observarmos o processo de comunicação divina, podemos compreender que nosso Deus estabeleceu um modelo de comunicação claro, objetivo e organizado. No entanto, muitos estudiosos divergem na tentativa de compreender esse processo. A lição desta semana enfatiza de maneira mais acentuada o conceito de inspiração, o qual tem sido objeto de muitas dúvidas e questionamentos.

Atualmente, com base em princípios finitos e falíveis, muitas pessoas ousam determinar no conteúdo das Escrituras e do Espírito de Profecia o que é e o que não é inspirado. Tais indivíduos costumam afirmar que alguns profetas foram parcialmente inspirados ao escrever certos conteúdos. Essa abordagem tem conduzido pessoas à descrença e, como conseqüência, a compreensão da verdade tem sido colocada em cheque. Desta forma, os escritos revelados por Deus passam a ser interpretados de acordo com a imaginação e preferência pessoal e, como resultado, a verdade é distorcida.

Antevendo a manifestação desse fenômeno, o Espírito Santo revelou uma mensagem específica ao se referir à maneira pela qual os escritos da Bíblia e do Espírito de Profecia seriam tratados5 :

“Esta é a maneira por que meus escritos são tratados pelos que desejam compreendê-los mal e pervertê-los. Transformam a verdade de Deus em mentira. Exatamente de maneira idêntica por que eles tratam os escritos em meus artigos publicados e nos meus livros, tratam os céticos e os infiéis a Bíblia. Leem-na segundo seus desejos de perverter, aplicar mal, torcer voluntariamente as declarações de seu verdadeiro sentido. Declaram eles que a Bíblia pode provar qualquer coisa e tudo, e cada seita prova que suas doutrinas estão certas, e que as doutrinas mais diversas são provadas pela Bíblia” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 19).

Ao tratar do assunto da inspiração da Palavra de Deus, Ellen G. White apresenta alguns princípios e conceitos que nos auxiliam a compreender melhor o processo divino-humano de comunicação. Tais princípios podem ser encontrados no livro Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 15 a 23.

 

  1. “Deus confiou ao homem finito o preparo de Sua Palavra divinamente inspirada” (p. 16).
  2. “Tomo a Bíblia exatamente como ela é, como a Palavra inspirada. Creio nas declarações da Bíblia inteira” (p. 17).
  3. “E Ele [Deus] … não habilitou homem finito algum a desvelar ocultos mistérios nem inspirou um homem ou uma classe de homens a pronunciar juízo quanto ao que é ou não é inspirado” (p. 17).
  4. “Os escritores da Bíblia tiveram de exprimir suas ideias em linguagem humana. Ela foi escrita por seres humanos. Esses homens foram inspirados pelo Espírito Santo” (p. 19).
  5. “As Escrituras foram dadas aos homens, não em uma cadeia contínua de ininterruptas declarações, mas parte por parte, através de sucessivas gerações, à medida que Deus, em Sua providência, via apropriada ocasião para impressionar o homem nos vários tempos e diversos lugares” (p. 19).
  6. “A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de Deus pensar e Se exprimir. Esta é da humanidade. Deus, como escritor, não Se acha representado” (p. 21).
  7. “Os escritores da Bíblia foram os instrumentos de Deus, não Seu modo de escrever” (p. 21).
  8. “Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que foram. A inspiração não atua nas palavras do homem nem em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é dotado de pensamentos” (p. 21).
  9. “A mente divina, bem como Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade humanas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus” (p. 21).

A linguagem que Deus empregou para Se comunicar com o ser humano é uma prova inequívoca de Seu infinito amor para conosco. Ele desceu ao nosso nível a fim de revelar Sua vontade e apresentar o plano de resgate da raça humana por intermédio de Seu Filho Jesus Cristo. De acordo com a revelação do Espírito de Profecia,6

“O Senhor fala aos seres humanos em linguagem imperfeita, a fim de os sentidos degenerados, a percepção pesada, terrena, dos seres da Terra poderem compreender-Lhe as palavras. Nisto se revela a condescendência de Deus. Ele vai ao encontro dos caídos seres humanos onde eles se acham. Perfeita como é, em toda a sua simplicidade, a Bíblia não corresponde às grandes ideias de Deus; pois ideias infinitas não se podem corporificar perfeitamente em finitos veículos de pensamento.

III. Teorias de inspiração profética

O Dr. Manuel Angel Rodriguez destaca três teorias de inspiração que têm sido defendidas pelos estudiosos das Escrituras Sagradas na atualidade: (a) inspiração verbal; (b) inspiração do pensamento e (c) inspiração mecânica/ditado7 :

  1. Inspiração verbal – A ênfase está nas palavras e não no autor. Compreende que o processo de comunicação do conteúdo da mensagem é de responsabilidade exclusiva de Deus, ou seja, não há participação humana. Todas as palavras e detalhes são pré-selecionados por Deus e a única função do profeta é usar a sua pena (caneta) e escrever. A partir desta ideia é que surgiu a expressão “a pena inspirada”. É notório lembrar que o profeta é o porta-voz de Deus, não a Sua forma de expressar.
  2. Inspiração do pensamento – Ao contrário da inspiração verbal, a ênfase aqui está no autor e não nas palavras. A inspiração atinge a mente do autor, e o Espírito Santo assegura que a mensagem seja corretamente comunicada. Esse modelo entende que não é a pena (caneta) do profeta que é inspirada, mas sim, seu pensamento.
  3. Inspiração mecânica/ditado – O Espírito Santo dita cada palavra para o profeta sem considerar sua formação sócio-cultural e educacional.

Com base na Bíblia e nos escritos do Espírito de Profecia, a Igreja Adventista do Sétimo Dia adota a inspiração do pensamento como a teoria padrão para explicar o processo de comunicação entre Deus e o homem. Este modelo compreende a união harmônica do divino com o humano, ou seja, a mente e a vontade divina são combinadas com a mente e a vontade humana. Tal fenômeno representa uma ação sobrenatural. “Ao formular ou escolher palavras e expressões para representar os pensamentos recebidos de Deus, o profeta exercita o intelecto e a escolha humana em cooperação com a mente e a vontade divina”8 .

Ellen White compreendia claramente esse processo como algo real e dinâmico que continuava enquanto o profeta permanecia sob a influência do poder divino. Primeiramente, ela reivindicava completa dependência do Espírito Santo para escrever – necessidade da união com a mente e vontade divina. Em segundo lugar, ela afirmava possuir completa responsabilidade e liberdade para escolher as palavras:

“Se bem que eu dependa do Espírito do Senhor tanto para escrever minhas visões como para recebê-las, todavia as palavras que emprego ao descrever o que vi são minhas, a menos que sejam as que me foram ditas por um anjo, as quais eu sempre ponho entre aspas.”9

“Significações diversas são expressas pela mesma palavra; não há uma palavra para cada ideia distinta.”10

Em suma, Ellen G. White compreendia a combinação divino-humana como um processo progressivo na experiência do profeta. A inspiração guiava o profeta como comunicador, não somente na formulação inicial para transformar pensamentos em palavras, mas também no aprimoramento subsequente de outras expressões de cunho individual ou com o auxílio de outras pessoas.

Modelos de inspiração profética

É notório lembrar que nem todos os livros da Palavra de Deus foram escritos pelos profetas por intermédio de sonhos e visões. Alguns livros da Bíblia foram escritos sob diferentes processos de inspiração, como por exemplo, o evangelho de Lucas.

Nas páginas da Bíblia podemos identificar pelo menos seis modelos, ou padrões, de inspiração. Esses modelos lançam luz para uma compreensão melhor do modo pelo qual Deus Se comunica com a humanidade e nos ajudam também a entender de maneira mais clara e evidente a dinâmica da inspiração nos escritos proféticos de Ellen G. White. Tais modelos foram desenvolvidos pelo Dr. Juan Carlos Vieira em 199611 :

  1. O modelo “visionário” de inspiração – Esse modelo sugere visões de caráter sobrenatural em que o profeta exibe sinais de estar sob o controle de um poder sobre-humano. O modelo visionário também inclui experiências à parte de sonhos e visões, assim como teofanias, na qual a presença real de um ser divino é vista e ouvida. Moisés, no deserto de Mídia, e Josué, nos planaltos de Jericó, receberam suas mensagens pessoalmente de seres divinos. Visões são tão reais aos profetas que às vezes é difícil para eles distinguir entre a visão e a realidade. Eles podem dizer para as pessoas “Eu vi o Senhor” e “Eu ouvi a voz do Senhor” (Is 6:1, 8).
  2. O modelo “testemunho” de inspiração – Nesse modelo, Deus inspira o profeta a dar seu próprio testemunho das coisas vistas e ouvidas. Ser uma testemunha significa relacionar a história como vista ou percebida por um indivíduo. Os evangelhos de Mateus e João são exemplos deste modelo. Esses apóstolos não necessitaram de uma revelação sobrenatural para contar a história de Jesus; eles fizeram parte da história. Os Evangelhos não são em nada menos inspirados do que os escritos visionários só por não terem sido resultado de uma visão. Alguns adventistas têm dificuldade de entender como funciona a inspiração quando Ellen White dá seu próprio testemunho em obras autobiográficas, ou quando ela conta a história do movimento adventista. Estas declarações não são menos inspiradas do que aquelas que ela inicia com a expressão “Eu vi”? Não! A IASD não crê em “níveis” ou “graus” de inspiração; em vez disso, cremos que Deus usa diferentes maneiras para inspirar alguém a escrever uma mensagem.
  3. Modelo “histórico” de inspiração – Enquanto os Evangelhos de Mateus e João são resultado do modelo “testemunho”, Marcos e Lucas são produtos do modelo “histórico” de inspiração. Lucas nos conta claramente que sua história sobre Jesus não surgiu por meio de sonhos ou visões, mas por pesquisa (Lc 1:1-3). No modelo histórico, Deus inspira o profeta a procurar informações em fontes como registros históricos, relatos de testemunhas oculares, e tradições orais e escritas. Devemos estar seguros de que Deus guia Seus servos para buscar pessoas confiáveis, a fim de fazer as perguntas certas, e citar a fonte correta.
  4. Além de Marcos e Lucas, livros como Atos, Êxodo, Josué, Esdras e Ester ilustram como alguns relatos históricos, incluindo diários de viagem, se tornam parte de escritos inspirados. Nem Moisés nem Lucas precisaram de uma revelação especial para registrar a história do Êxodo ou da igreja apostólica. O modelo histórico de inspiração também nos permite entender melhor por que Ellen White incluiu registros históricos – muitas vezes de fontes seculares – nos seus escritos. O modelo histórico de inspiração nos ajuda a entender o uso de fontes religiosas em vez de visões e sonhos proféticos. Assim como Lucas procurou pessoas religiosas em busca de informação sobre a história de Jesus, Ellen White foi a livros religiosos e outras fontes literárias em busca de subsídios para compor seus escritos.
  5. O modelo “conselheiro” de inspiração – Neste modelo, o profeta age como conselheiro para com o povo de Deus. Por exemplo, Paulo lidou com assuntos de família na primeira carta aos Coríntios. Em algumas circunstâncias, ele tinha o “comando” do Senhor (1 Co 7:10). Em outras, ele não tinha revelação especial (v. 25), mas isso não o impedia de dar conselhos inspirados – conselhos vindos de uma mente cheia do Espírito de Deus (v. 40). Uma grande parte dos escritos de Ellen G. White se enquadra neste modelo de inspiração.
  6. O modelo “epistolar” de inspiração – Cartas de Tiago, João, Paulo e Pedro trouxeram inspiração, devoção, instrução e correção aos cristãos do primeiro século como também aos de todas as eras. Porém, na estruturação da dinâmica da inspiração, as epístolas nos confrontam com novos dilemas: primeiro, como lidar com cartas pessoais agora sendo feitas públicas por sua inserção no cânon bíblico? Segundo, como entender a inspiração quando o profeta escreve cumprimentos, nomes, circunstâncias, ou até mesmo coisas comuns que não requerem revelação especial? Certamente, Paulo nunca imaginou que suas cartas a Timóteo, Tito e Filemom se tornassem de domínio público. Mas o Senhor planejou que aquelas cartas fizessem parte do cânon para trazer inspiração, instrução e conforto para muitos ministros e cristãos jovens enfrentando circunstâncias parecidas.
  7. Da mesma forma, Ellen White nunca imaginou que suas cartas pessoais, especialmente endereçadas ao marido e filhos, se tornassem de domínio público. Ao decidir disponibilizá-las, o comitê de depositários do Patrimônio Literário Ellen White considerou dois princípios: primeiro, a própria Ellen G. White afirmou que aqueles testemunhos que tinham sido dirigidos a uma única pessoa para instruir, corrigir ou encorajar em uma situação específica seriam úteis também a outras. Segundo, se o Senhor permitiu que as cartas pessoais de Paulo estivessem na Bíblia para servir a uma audiência maior, por que Ele não poderia fazer a mesma coisa com um profeta posterior?
  8. O modelo “literário” de inspiração – Nesse modelo, o Espírito Santo inspira o profeta a expressar seus sentimentos e emoções íntimos por meio da poesia e versos musicais, como nos salmos. Ellen White não era poetisa, não obstante, ela expressou seus sentimentos e emoções íntimos em milhares de páginas de diários manuscritos. Naquelas páginas o cristão encontra inspiração, instrução, correção e conforto como em qualquer outra porção dos escritos inspirados.

IV. Fenômenos físicos durante as visões

Cada profeta que é chamado e escolhido por Deus para esse ofício é único, singular. “Ao fazer um profeta, Deus toma a pessoa inteira – corpo, mente, espírito, inteligência, personalidade, fraquezas, forças, educação, características individuais – e depois procura por meio dessa pessoa proclamar Sua mensagem e realizar uma missão especial”.12 No entanto, a autoridade da revelação encontra-se na mensagem e não no mensageiro. Todavia, isso não elimina a possibilidade de conhecermos a vida e obra do profeta. Porém, há alguns traços de comportamento que podem ser considerados evidências comprobatórias do ofício profético. Tais aspectos são observados, sobretudo durante o momento em que o profeta vivencia o processo da visão. O Dr. Herbert Douglass relaciona dez características.13 Os profetas:

  1. Têm consciência de que uma Pessoa sobrenatural Se comunica a eles; eles sentem um senso de indignidade;
  2. Frequentemente perdem as forças;
  3. Às vezes, caem por terra em profundo sono;
  4. Ouvem e veem acontecimentos em lugares remotos, como se estivessem realmente presentes;
  5. Às vezes, não conseguem falar, mas, quando seus lábios são tocados, eles conseguem fazê-lo;
  6. Muitas vezes, não respiram;
  7. Não têm consciência do que acontece ao seu redor, ainda que tenham os olhos abertos;
  8. Às vezes, recebem força suplementar durante a visão;
  9. Recebem força e alento renovados quando a visão termina;
  10. Ocasionalmente, sofrem algum tipo de lesão física temporária como sequela da visão.

É necessário compreender que nem todas as características apresentadas acima são observadas a cada visão. Desta maneira, não devemos usar tais fenômenos como a única prova para validar o ofício profético. Sendo assim, a credencial de um profeta deve ser comprovada por vários fatores: (a) seus escritos; (b) o fruto de seu trabalho; (c) a consonância entre a escrita e a prática de vida perante a sociedade, etc.

V. Conclusão

Ao encerrarmos este comentário, precisamos reconhecer que nosso Deus é a fonte de toda revelação pura e perfeita; NEle “não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). No entanto, ao analisarmos o veículo humano (profeta) é necessário considerar a possibilidade de erros e imperfeições, os quais são produtos da ação do pecado durante os quase seis mil anos da história humana. Entretanto, o Senhor nos surpreende com Seus caminhos maravilhosos e, aos olhos humanos, aparentemente estranhos. Ao Se comunicar conosco, Ele escolhe seres humanos falhos, mas dedicados que usam a linguagem humana imperfeita como instrumento de comunicação de Suas verdades. Devemos ser gratos ainda, pois nosso Pai celestial não escolheu uma linguagem “sobre-humana”, mas optou por usar nosso próprio jeito imperfeito e comum de ver e entender as coisas. Louvemos a Deus por Seu infinito amor manifestado por meio do Seu sistema de comunicação, que nos traz graça, paz e esperança de salvação e vida eterna!


Bibliografia

1 White, E.G., O Grande Conflito. Tatuí, SP: Casa Publicadora 1. Brasileira, p. 677-678.

2 Idem, Mensagens Escolhidas, v. 1. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985, p. 16.

3 Timm, A.R. Hacia un entendimiento adventista de la inspiración. Facultad de Teología de la UAP: Argentina, Revista Logos, Año 3, no 1, p. 17, abril 1999.

4 Dederen, R. Apostila sobre assuntos da Teologia Adventista – Revelação-inspiração: Uma perspectiva adventista do sétimo dia. Campinas, SP: Instituto Bíblico, 1979, p. 22.

5 White, E.G. Mensagens Escolhidas, v. 1. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985, p. 19.

6 Ibid, p. 22.

7 Rodriguez, M.A. Issues on Revelation, Biblical Research Institute Newsletter v. 10, Nº 2, April 2005.

8 Fortin, D. Ellen G. White como uma profetisa: Conceitos de revelação e inspiração. Apostila do Curso de Mestrado em Teologia do SALT/SUL para a disciplina de Escritos de Ellen G. White. [Org.] Renato Stencel: Engenheiro Coelho, SP, p. 28.

9 White, E.G. Mensagens Escolhidas, v. 1. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985, p. 37.

10 Ibid, p. 20.

11 Vieira, J.C. A dinâmica de inspiração – olhando de perto as mensagens de Ellen G. White. [Um resumo dos seis modelos de inspiração]. Apostila do Curso de Mestrado em Teologia do SALT/SUL para a disciplina de Escritos de Ellen G. White. [Org.] Renato Stencel: Engenheiro Coelho, SP, p. 42-46.

12 Wood, K.H. Toward an understanding of the prophetic office. Journal of Adventist Theological Society, 1991, p. 21. Citado por Douglass, H.E. Mensageira do Senhor, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 26.

13 Douglass, H.E. Mensageira do Senhor, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 28.


PDF: A inspiração dos profetas