Trabalhadores de Auto-Suporte

26 de Agosto de 1957
Pastor W. Duncan Eva
Divisão Sul-Africana, IASD
4 Park Street
Salisbury, Rodésia do Sul
África do Sul

 

Querido Pr. Duncan,

Sinto muito que quando recebi sua carta em 19 de Julho não pude dar atenção imediata a todos os itens. Enviamos-lhe duas cópias do documento a respeito do seguro de vida, que pode provar ser de mais serventia para você. Devemos deixar claro que a igreja nunca se pronunciou a respeito do seguro de vida, e devemos reconhecer que existem muitos tipos de seguro disponíveis hoje que propõem segurança de um tipo ou de outro que não eram conhecidas nos dias de Ellen White. Devemos também reconhecer que esses variados tipos de seguro, se devidamente protegidos pelas regulamentações governamentais, são muito mais seguros do que o seguro de vida de 1897, referentes ao que Ellen White escreveu.

Eu acho que previdência social e seguro de sobrevivência, que temos aqui nos Estados Unidos e que a denominação deu o seu aval tornam claro para todos nós que existe reconhecimento de certos tipos de seguridade que devemos tardar a condenar. É uma questão que tem muitas perguntas e problemas conectados a ela.

Você escreve a respeito de trabalhadores auto-suficientes ou instituições no campo Sul Africano. Você nos diz que aqueles que estão interessados nisso mantém estreito contato com a conferência. Isso é muito desejável, e eles devem ser elogiados por isso. Por muitas vezes aqui nos Estados Unidos o trabalho auto-suficiente e o trabalho independente ficam entremeados e confusos na mente das pessoas. Há um lugar legítimo para um trabalho auxiliar que é feito pelos leigos, somando-se ao que pode ser feito pela denominação e fazendo o que nós, com as nossas instalações limitadas, somos incapazes de tentar. Esse é o tipo de trabalho que a irmã White encorajava a ser feito no sul do país na época em que aquele campo estava seriamente esquecido.

Há algumas que leram nos conselhos chamando a auto-suficiência de fio de independência, o que os levaria a exaltar um tipo de trabalho independente da conferência como estando talvez em maior harmonia com aquilo que Deus desejou e pediu, do que aquilo que está sendo feito sob os trabalhadores organizados. Entretanto essa filosofia não faz sentido algum. Temos um grupo bastante forte trabalhando em Wildwood, Geórgia, sob a liderança de W. D. Frazee, que certa vez teve posse da credencial ministerial, e sob o que eu chamei de “A Licença E. G. White”, eles lançaram um trabalho independente para o trabalho auto-suficiente, estabelecendo instituições com o propósito de chamar homens e mulheres, e treiná-los em linhas de serviço com as quais eles possam sair e reformar as práticas educacionais e médicas da denominação. Esse trabalho é desconcertante e cria muitos desentendimentos. Eu estive na instituição várias vezes, e familiarizei-me pessoalmente com aqueles que fundaram a obra, e os considero como meus amigos íntimos. Infelizmente seus conceitos estão bastante distorcidos. Eles encorajaram a ida de pessoas do seu grupo de trabalho para outros países a fim de que estabelecessem uma obra parecida. Embora eles possam fazer o bem, eles estão sujeitos a muitas confusões.

No entanto, se há homens leigos consagrados, que desejam avançar em certas linhas, em conselho fechado com os seus irmãos e em um trabalho auxiliar de caráter que foi estabelecido ao sul dos Estados Unidos no início do presente século, eu acredito que seja apropriado que a igreja dê encorajamento para esse tipo de trabalho. Obviamente deve ser adaptado às necessidades da área.

Tivemos uma experiência bastante lamentável na qual Perry A. Webber foi para o Japão depois da 2ª Guerra Mundial, em uma época em que nossa obra estava se reestabelecendo, e era com dificuldade que conseguíamos reunir trabalhadores suficientes para tripular vários ramos do empreendimento da denominação – um tempo em que as finanças não eram um grande problema, mas sim, homens para servir. Eles abriram uma empresa auto-suficiente em trabalho educacional e médico, que deveria ser moldada de acordo com os ideais de Deus, mas que ficou muito aquém do que era representativo para o trabalho da denominação. Isso é decepcionante e desanimador, pois divide nossas forças e leva os nossos leigos a questionarem sobre o trabalho organizado da denominação.

Eu vejo a situação que você descreve de forma totalmente diferente. Eis aqui uma família bem equilibrada com respaldo financeiro que quer aumentar a obra de forma auxiliar, usando os seus recursos e habilidades, e eu acredito que seria totalmente apropriado aceitar tal trabalho e guiar o seu desenvolvimento. Sua carta ao irmão Senseman sem dúvidas renderá informações úteis para a organização.

Agora o conselho da irmã White. No ano de 1933, meu pai deu início à compilação de um grupo de materiais que foi publicado em Madison, Tennessee, com o título de “Um Apelo aos Trabalhadores Auto-Suficientes”. A edição está esgotada. Boa parte do material foi reimpresso em panfletos pelo Departamento Home Missionary intitulado de “Pioneiros auto-suficientes”, mas eles deixaram de ser editados. Eu tenho algumas cópias do documento anterior, e acredito que ele contenha as informações que você procura, eu estou te enviando uma cópia com essa carta. Creio que a informação que ele contém lhe será de serventia.

Agora preciso te escrever sobre outro assunto. É sobre a coleção te materiais que te enviei por correio aéreo na sexta-feira. Como você sabe, estamos trabalhando diligentemente para agrupar conselhos que serviriam em áreas onde devemos trabalhar com pouquíssima literatura. Aconselhamos a Divisão Sul Africana a adiar seus planos de levar um volume ou vários panfletos do conselho do Espírito de Profecia para membros nativos da igreja até que possamos terminar o nosso trabalho no livro para a Índia. Estamos finalizando o livro e ele é constituído de 66 capítulos, num total de 465 páginas. As primeiras 45 páginas são de material introdutório, que talvez você não esteja interessado, mas o campo Sul-Asiático pediu com o propósito de estabelecer bases mais adequadas para a confiança nos conselhos que seriam lidos. Escrevi detalhadamente sobre esse manuscrito para o pastor Maxwell e ao invés de copiar aqui o que escrevi para ele na última quinta ou sexta-feira, estou anexando uma cópia da minha carta. Enviei duas cópias pelo correio aéreo, uma para o pastor Maxwell e outra para você. Escrevi para o pastor Watts sobre o manuscrito, mas não o enviei uma cópia.

Se ao olhar isso você encontrar a base do que pode lhe ser de serventia nesse trabalho, você tem liberdade de ir em frente e fazer uma seleção ou adaptação no material para poder usar no campo Sul-Africano. Ficaria feliz de ter o privilégio de conferir o manuscrito final que você vai preparar, para que dessa forma possamos estar familiarizados com o que você está planejando fazer. Se você quiser cópias adicionais desse manuscrito assim como preparamos para o campo Sul-Asiático, podemos enviá-las ou pelo correio aéreo ou pelo comum. Reservamos uma dúzia ou quinze cópias para a África, mas não devemos investir no transporte até que tenhamos certeza de quais são os seus desejos. É claro que manuscrito algum fazendo um resumo do material ao ponto em que esse foi feito agradaria todo mundo, mas ele representa a obra de vários comitês que trabalharam diligentemente, e acreditamos que em suas páginas é apresentado um grupo representativo de conselhos.

Talvez o título pareça longo e envolvente. Tivemos um dos nossos trabalhadores aqui que era da Índia e sabia cinco idiomas, e ele pensou nos títulos do ponto de vista do tradutor e das línguas que seriam usadas. Obviamente, os títulos podem ser adaptados de acordo com a situação local.

Acredito que possa se pensar que essa coleção de materiais apresenta uma cobertura muito maior de matérias do que encontramos no livro “Selection From the Testimonies”, que foi publicado na Grã-Bretanha ao qual você considerou. É claro, esse também é um manuscrito grande. Há capítulos que podem ser deixados de fora. Tais capítulos como os que tratam de alimentos cárneos provavelmente terão que ser adaptados para atender às suas necessidades na África. Toda a seção de saúde pode ser retirada, e o material pode ser publicado em dois livros, ou até mesmo em três. De qualquer forma, acredito que o que fizemos lhe será de alguma serventia no seu trabalho. Estamos felizes de enviá-lo para você.

Que o Senhor te abençoe nesse empreendimento, e com os melhores votos,

Sinceramente seu irmão,

Arthur L. White, Secretário

ELLEN G. WHITE PUBLICATIONS

 

Autor: Arthur L. White

Destinatário: W. Duncan Eva

26 de agosto de 1957

Tradução: Giovanna Finco


PDF: Seguro de Vida