INTERPRETANDO CORRETAMENTE OS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

REGRAS BÁSICAS DE INTERPRETAÇÃO – EXTERNAS

 “Muitos homens tomam os testemunhos que o Senhor tem dado, e aplicam-nos como lhes parece que deviam ser aplicados, pegando uma sentença aqui e ali, tirando-a de sua devida ligação, e aplicando-a segundo a sua ideia. Assim ficam pobres almas perplexas quando, pudessem elas ler em ordem tudo quanto foi dado, veriam a verdadeira aplicação, e não ficariam confundidas.” 1

As oito regras básicas de interpretação que abrangem o contexto mais amplo de um documento incluem:

  • Regra Um: Inclua tudo que o profeta disse sobre o assunto antes de tirar uma conclusão. 2 Esta regra parece óbvia; contudo, é provavelmente a primeira razão por que reina a confusão quando a maioria das pessoas vê apenas o que elas querem ver. Este simples fato influencia a maior parte de todas as pesquisas, quer se trate de astrofísica, medicina, política, quer de teologia. Lamentavelmente, poucas pessoas o admitem. Chamaremos tal fenômeno de a fixação do paradigma ou o problema das pressuposições. 3 Principalmente no estudo da Bíblia, nada parece mais difícil para a maioria das pessoas do que considerar todos os fatos! Esta dificuldade não ocorre porque a capacidade de raciocínio da pessoa seja deficiente. A dificuldade que separa pensadores que examinam a mesma informação é que suas pressuposições são diferentes, pressuposições não apenas da cabeça, mas do coração.

As pressuposições muitíssimas vezes dirigem o estudante para “ver” apenas o que ele quer, fazendo com que passe por alto o que o escritor escreveu sobre determinado assunto. Esses paradigmas controlam a mente naquilo que ele quer ver, e o coração naquilo que ele quer crer. Antigamente, 4 chamávamos esse fenômeno de “atitude”. São essas atitudes profundas, muitas vezes não verbalizadas, que, na maioria dos casos, determinam as nossas conclusões. 5 Depois de identificar essa nuvem flutuante de pressuposições (paradigmas ou visões globais) que todo estudante deve reconhecer, o próximo desafio é examinar tudo o que uma pessoa disse ou escreveu sobre determinado assunto. Unicamente desta maneira pode o escritor (ou o orador) ser tratado com justiça. Muitos eruditos bíblicos através dos séculos têm aceitado o princípio de Isaías: “Assim, pois, a palavra do Senhor lhes será preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali.” – Isa. 28:13 A aceitação deste princípio presume que a Bíblia contém um desenvolvimento unificado e harmonioso das mensagens de Deus aos ser humano. Mas este princípio não ensina que todos os textos são igualmente claros, nem que o significado de um verso pode ser entendido isoladamente do seu contexto. A mensagem abrangente da Bíblia (ou de qualquer outro livro ou autor) fornece o contexto final para o significado de qualquer “preceito” ou “regra” específica.

O mesmo princípio se aplica aos escritos de Ellen White. “Os próprios testemunhos”, escreveu ela muitas vezes, “serão a chave que explicará as mensagens dadas, como texto escriturístico é explicado por texto escriturístico.” 6

Ela cria que seus escritos eram coerentes e harmoniosos do começo ao fim, e que revelam “uma corrente de verdade retilínea, sem uma só frase herética”. 7 Esta é uma declaração extraordinária para qualquer escritor fazer, especialmente quem havia passado mais de sessenta anos escrevendo. 8

A respeito de assuntos que muitos consideram hoje importantes, a Sra. White nada escreveu. Cinema, programas de rádio e televisão, aborto, cremação, transplante de órgãos, etc., não eram questões atuais em sua época.

Pouca referência sobre alguns assuntos
Acerca de alguns assuntos ela falou muito pouco. Temos relativamente poucas declarações sobre seguro de vida, 9 e apenas uma sobre aliança de casamento. 10 Seus comentários sobre as duas “ressurreições especiais” são breves – ela menciona uma ressurreição especial de algumas pessoas na manhã da ressurreição de Cristo 11 e outra imediatamente antes da segunda vinda de Cristo. 12 Sobre alguns assuntos ela escreveu abundantemente: temas como Jesus Cristo, o Espírito Santo, fé e cooperação divino-humana. Determinados assuntos têm causado frequentemente desavença desnecessária dentro da igreja porque os estudantes não aplicam a primeira regra de hermenêutica. Por exemplo, declarações como, “ovos não devem ser colocados em sua mesa” devem ser equilibradas de acordo com as outras declarações que Ellen White fez a respeito de ovos e com as outras declarações que Ellen White fez a respeito de ovos e com o seu princípio de compreensão da verdade “passo a passo” (ver p. 282, 310 e 311). 13 Outros assuntos nos escritos de Ellen White que se beneficiam do emprego conveniente desta primeira regra de hermenêutica são: vestuário apropriado, observância do sábado e aconselhamento. Do ponto de vista teológico, será demonstração de sabedoria seguir esta primeira regra quando se estiver estudando questões como a expiação, a natureza de Cristo, a natureza do pecado, a punição do pecado e a relação entre a “chuva serôdia” e a Segunda Vinda. Vários destes assuntos tem polarizado os adventistas porque alguns colocam mais peso nas expressões de uma carta pessoal do que sobre a instrução geral de um livro, ou sobre um parágrafo isolado de seu contexto que parece insultar todos os capítulos de um livro publicado. 14

  • Regra Dois: Cada declaração deve ser compreendida dentro de seu contexto histórico. Devem-se estudar o tempo, o lugar e as circunstâncias sob as quais a declaração foi feita, a fim de compreender-se o seu sentido. Embora esta regra pareça óbvia, á a raiz de muitas e profundas desavenças. Nestes dias em que versões diferentes de um fato podem ser colocadas com facilidade diante da opinião pública, a maioria das pessoas já teve suas declarações mal compreendidas por terem elas sido tiradas do contexto. Com que freqüência se ouve uma pessoa citada indevidamente queixar-se: “Mas não foi isso o que eu quis dizer!” Ou: “Eu disse isso, mas não incluíram tudo quanto eu disse!” Se Ellen White vivesse em nossos dias, é possível que dissesse muitas vezes: “Mas não foi isso o que eu quis dizer!” “Sim, eu disse isso, mas eles não incluíram tudo que eu disse!” Examinemos três ocasiões em que ela enfatizou a importância da segunda regra de hermenêutica.

Em 1875, ela chamou a atenção para o fato de que “aquilo que pode ser dito das pessoas sob certas circunstâncias”. 15 Por que ela disse isso? Porque estava sendo criticada por haver dado seu apoio a determinados líderes que depois caíram da graça ou apostataram.

Em 1904, ela apelou para o fato de que Deus “deseja que raciocinemos movidos pelo bom senso. As circunstâncias alteram as condições. As circunstâncias modificam a relação das coisas.” 16 Em 1911, enfatizou que “quanto aos testemunhos, coisa alguma é ignorada; coisa  alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados.” 17 Temos aqui três categorias fundamentais: tempo, lugar e circunstâncias. Todas devem ser levadas em consideração quando se procura entender o significado de qualquer declaração. Essas categorias não são sinônimas. Tempo. Algumas declarações de Ellen White precisam ser entendidas em função de quando foram feitas. Em 16 de janeiro de 1898, por exemplo, ela escreveu: “Estamos ainda em tempo de graça.” 18 Será que estas palavras serão sempre verdadeiras? É  óbvio que não. Virá o tempo em que o tempo de graça cessará (Dan. 12:1; Apoc. 22:11). Sabemos atualmente que determinados acontecimentos ainda se acham no futuro, como, por exemplo, a formação da imagem da besta (Apoc.; 13), a imposição da lei dominical, o último grande terremoto, etc. Assim sendo, no momento “estamos ainda em tempo de graça”.

Que dizer das seguintes declarações? “A voz de Battle Creek, que tem sido considerada como autoridade para determinar de que maneira deve ser efetuada a obra, não é mais a voz de Deus.” 19 “Faz alguns anos que eu considerava a Associação Geral como voz de Deus.” 20 Mas em 1875 Ellen White escreveu a respeito da Associação Geral reunida em assembléia: “Quando o julgamento da Associação Geral, que é mais elevada autoridade que Deus tem sobre a Terra, é exercido, independência e julgamento particulares não devem ser mantidos, mas renunciados.” 21 Por que a diferença de atitude? Durante as décadas de 1880 1 890, conforme mostram os registrados em cartas e sermões da escritora, alguns planos de ação dos oficiais da Associação não eram aqueles que ela podia endossar. Em 1º de abril de 1901, o dia anterior à abertura da assembleia da Associação Geral, ela disse estas palavras: “Ela [Associação] está trabalhando sob princípios errados os quais têm trazido sobre a causa de Deus a presente dificuldade. O povo perdeu a confiança naqueles que administram a obra. Ouvimos, contudo, que a voz da Associação Geral é a voz de Deus. Cada vez que escuto isto, soa-me quase como uma blasfêmia. A voz da Associação deveria ser a voz de Deus, mas não é.” 22 Obviamente, os tempos haviam mudado, e suas observações mudaram em conformidade com isso.

Mas aquela assembléia da Associação Geral de 1901 fez importantes alterações nos planos de ação e no quadro de funcionários. Apenas dois meses após as mudanças, ela ficou sabendo que seu filho Edson estava citando algumas de suas declarações anteriores à assembleia de 1901 e aplicando-as ao novo período posterior à dita assembleia. Os tempos haviam mudado: as declarações da década de 1890 não eram mais aplicáveis. “Seu procedimento”, escreveu ela a Edson, “seria o procedimento a ser adotado caso não tivesse havido mudanças na Associação Geral, devam ter autoridade.”23 Em 1909, Ellen White demonstrou claramente que estava vivendo em tempos posteriores a 1901, quando escreveu: “Deus ordenou que os representantes da Sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Assembléia Geral, devam ter autoridade.” 24 Em resumo, quando falamos sobre autoridade da Associação Geral, e as diversas declarações de Ellen White, devemos imediatamente determinar quando as declarações foram feitas e sob que condições.

Lugar. Algumas declarações podem ser verdadeiras para uma pessoa ou grupo enquanto ao mesmo tempo podem não ser verdadeiras para outra pessoa ou grupo. Tiago White mencionou esta dificuldade quando dois grupos, em diferentes lugares, leram as admoestações de sua esposa: “Ela trabalha com esta desvantagem… faz veementes apelos ao povo, algumas pessoas ficam profundamente impressionadas, adotam posições radicais e vão a extremos. Depois, para salvar a causa da ruína em consequência desses extremos, ela é obrigada a reprovar os extremistas publicamente. É melhor fazer isto do que ter as coisas destroçadas; mas a influência de ambos os extremos, bem como das reprovações, é péssima para a causa, e coloca sobre a Sra. White um fardo triplo. Eis a dificuldade: o que ela diz para estimular os vagarosos é recebido pelos apressados como desculpa para permanecer muito aquém.” 25 Levar em conta o “lugar” ajudará os que têm estado confusos sobre se os escritos de Ellen White devem ou não ser citados em público. A Sra. White escreveu certa vez que “as palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito”. 26 As duas citações seguintes se dirigem aos evangelistas adventistas do sétimo dias: “No trabalho público não tornem proeminente nem citem o que a irmã White tem escrito, como autoridade para apoiar suas posições.” 27 Não devem os testemunhos da irmã White ser postos na dianteira. A Palavra de Deus é norma infalível.” 28 Será que essas declarações estão proibindo os pastores de citar os escritos de Ellen White publicamente, especialmente no culto da igreja? A primeira citação se refere ao mundo cristão em geral, e compara “uma religião de pensamento, uma religião de palavras e formas” com “as palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, [que] deviam ser ouvidas do púlpito”. Toda a página (contexto) está salientando que “os que têm ouvido apenas tradição e teorias e máximas humanas… [devem ouvir] a voz dAquele que pode renovar a alma para a vida eterna”.

Os evangelistas devem provar suas doutrinas pela Bíblia, não pelos escritos da Sra. White. A segunda razão para esta cautela é óbvia: os que não estão familiarizados com a autoridade de Ellen White não seriam persuadidos pelas declarações dela e poderiam reagir negativamente. 29 Em suma, a Sra. White nunca disse que seus escritos não deveriam ser citados nos púlpitos das igrejas adventistas.

A prova do lugar é importante principalmente quando se fazem compilações dos pensamentos de Ellen White sobre assuntos escolhidos. Um incidente ocorrido no início da década de 1890 demonstra o problema da má aplicação de testemunhos comunicados a uma só pessoa tendo em vista um propósito específico. Escrevendo da Austrália, Ellen White endereçou uma carta a A.W. Stanton em Battle Creek, um homem que havia adotado a atitude de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia era Babilônia. Ela inclui essa carta nos artigos impressos na revista da igreja. 30

Em seu folheto de cinqüenta páginas, The Loud Cry of the Third Angel’s Message, Stanton citou abundantemente as reprovações que Ellen White havia dirigido à igreja, concluindo que esses testemunhos constituíam a rejeição divina da igreja organizada. Declarou que aqueles que finalizariam a obra de Deus na Terra deviam separar-se da Igreja Adventista, pois ela se havia tornado Babilônia. Ele demonstrou seu ponto de vista reunindo comentários mal aplicados de Ellen White, inclusive uma carta endereçada a um grupo que foi usada fora do contexto.

A Sra. White replicou que Stanton havia feito “mau uso disto [uma carta particular enviada a outra pessoa com um propósito específico], como muitos fazem com as Escrituras para prejuízo de sua própria alma e da dos outros. … Usando uma carta particular enviada a outra pessoa, abusa o irmão S dos bondosos esforços empenhados por alguém que o desejava ajudar.”

Mais adiante, ela reconhece que suas declarações mal aplicadas podem “parecer” apoiar as conclusões de Stanton. Contudo, “os que fragmentam, simplesmente para apoiar alguma teoria ou idéia pessoal, para defender um procedimento errado, não serão abençoados e beneficiados por aquilo que ensinam”. 31

Este incidente com Stanton e a reação de Ellen White (que resolveu a questão para os membros da igreja) nos fornecem um exemplo histórico de como uma compilação de escritos dignos pode tornar-se prejudicial e enganosa quando o tempo e o lugar não são levados em consideração. 32

  • Regra Três: Deve-se reconhecer o princípio básico de cada declaração de conselho ou instrução a fim de entender sua relevância para os que se acham em diferentes tempos e lugares. Sempre que os profetas falam, eles estão comunicando verdades, seja como princípios ou normas. Os princípios são universais, no sentido de que se aplicam a pessoas de todos os lugares; são eternos, no sentido de que são sempre relevantes, sempre aplicáveis. As normas, contudo são aplicações oportunas de princípios universais e eternos. Os princípios nunca mudam; as normas, sim, dependendo das circunstâncias. Assim sendo, as normas podem aplicar um princípio de um modo que o profeta jamais previu. 33

Ellen White estava bem atenta para a diferença entre princípios universais e normas determinadas por circunstâncias mutáveis: “O que pode ser dito de alguém, sob certas circunstâncias, não o poderá sob outras.” 34 As pessoas da época da Sra. White reconheceram que ela apelava à inteligência de seus leitores citando mais vezes princípios do que dando respostas detalhadas para questões locais. 35 Compreender a diferença básica entre princípios e normas ajudará a evitar fazer mau uso da Bíblia ou dos escritos de Ellen White. Os tópicos a seguir ilustram a necessidade de colocar o conselho da Sra. White no contexto de tempo, lugar e circunstâncias. Ensinar moças a arrear e cavalgar. Ao esboçar um currículo escolar, Ellen White escreveu que, se “as moças pudessem aprender a arrear, cavalgar, usar a serra e o martelo, assim como o ancinho e a enxada, estariam melhor adaptadas a enfrentar as emergências da vida”. 36 Isso é um princípio ou uma norma? Obviamente, o princípio é claro: as jovens devem estar “adaptadas a enfrentar as emergências da vida”.

Quando esse conselho foi dado nos primeiros anos do século vinte, a maioria dos norte americanos ainda vivia em fazendas. Por muitas razões práticas, inclusive segurança, as jovens daquela época poderiam aplicar melhor esse princípio aprendendo a “arrear e cavalgar”, não deixando tais coisas somente para os rapazes. Hoje, o princípio seria melhor posto em prática em escolas secundárias e superiores com cursos em mecânica de automóveis e educação para motoristas. Idade de entrar na escola. Em 1872, Ellen White escreveu seu primeiro tratado representativo sobre educação cristã.37 Falando a respeito da idade em que os estudantes deviam ingressar na escola, ela declarou: “Os pais devem ser os únicos mestres dos filhos até que eles cheguem à idade de oito ou dez anos. … A única sala de aula para as crianças de oito a dez anos deve ser ao ar livre, entre as flores a desabrochar e os belos cenários da natureza. 38 Durante trinta anos, esse conselho foi a regra para as escolas fundamentais adventistas em geral. Em 1904, a diretoria da escola da igreja de Santa Helena, Califórnia, reuniu-se tendo Ellen White presente para discutir a questão da idade de entrar na escola. Os princípios rapidamente vieram à tona: (1) as crianças diferem em grau de desenvolvimento; (2) idealmente, os pais devem ser os professores dos filhos durante os primeiros anos de vida até a idade de 8 ou 10 anos (levando-se em conta as diferenças de desenvolvimento); (3) se os pais não têm condições de ensinar os filhos nem governá-los adequadamente, seria melhor para os filhos aprenderem sob a orientação de um professor que lhes ensinasse disciplina bem como os estudos apropriados; (4) se ambos os pais trabalham fora de casa, seria melhor para os filhos serem colocados no ambiente controlado de uma sala de aula do que serem deixados sozinhos em casa; (5) para o bem da reputação do St. Helena Sanitarium, seria de benefício geral se todas as crianças não fossem vistas ao longo do dia “vagueando de um lugar para outro, sem ter o que fazer, fazendo travessuras e todas essas coisas”. 39 Portanto, com base no princípio, do ponto de vista do que seria melhor para as crianças e para a influência delas sobre a reputação do hospital, a norma foi modificada e fizeram-se arranjos para se aceitar estudantes mais novos na escola da igreja de Santa Helena. A loucura da bicicleta. No início do século vinte, “o povo norte-americano foi dominado por uma paixão consumidora que os deixava com pouco tempo ou dinheiro para qualquer outra coisa. … Qual era essa grande e nova distração? Para responder , o comerciante tinha apenas que olhar pela janela e ver seus antigos fregueses passarem zunindo. A América [do Norte] havia descoberto a bicicleta, todos estavam tirando o máximo proveito da nova liberdade que ela trazia. … A bicicleta começou como brinquedo de rico. … A melhor bicicleta primitiva custava 150 dólares, investimento comparável ao custo de um automóvel hoje. … Cada membro da família queria uma bicicleta, e todas as economias da família eram gastas muitas vezes para suprir a demanda.” 40 Sabendo disso, talvez possamos compreender melhor o conselho dado por Ellen White naquela época quando escreveu que do dinheiro despendido em bicicletas e roupas, e outras coisas desnecessárias, deve-se dar contas”. 41 Ela foi além do princípio do custo exorbitante; preveniu contra a “influência encantadora” de competição e o desejo de “ser o maior”. 42 Assim sendo, sua norma a respeito de bicicletas (que, se colocada no contexto atual, pareceria estranha, e até mesmo ridícula) baseava-se em princípios bíblicos bem definidos. O sábio e equilibrado gasto de recursos e a abstenção do espírito competitivo são princípios que devem causar impacto sobre as decisões em todas as épocas. Se a Sra. White estivesse viva hoje, poderia aplicar o princípio da responsabilidade ao modo como as pessoas gastam dinheiro em artigos de luxo, automóveis, equipamentos esportivos, equipamentos eletrônicos ou roupas.

Esportes. Lamentavelmente, algumas pessoas têm selecionado trechos das declarações de Ellen White sobre esportes sem manter o senso de equilíbrio da autora. Em 1895, ela advertiu os estudantes de que, entregando-se a diversões, jogos competitivos e façanhas pugilísticas”, estariam declarando “ao mundo que Cristo não era seu guia em nenhuma destas coisas. Tudo isso provocou a advertência de Deus”. Contudo, a frase seguinte, muitas vezes não citada, revela seu bom senso: “O que me oprime agora é o perigo de cair no outro extremo”. 43 Rejeitar, por exemplo, todo tipo de esporte seria compreender mal a Sra. White. Em princípios da década de 1870, ela aconselhou os pais e os professores a aproximar-se de seus filhos e alunos. Disse que, se eles “manifestassem interesse em todos os seus esforços, e mesmo em seus esportes, tornando-se por vezes uma criança entre elas, dar-lhes-iam muita satisfação e lhes granjeariam o amor e a confiança”. 44 Em outra ocasião, Ellen White escreveu que não condenava “o simples exercício de brincar com uma bola”. O que lhe preocupava era que o brincar com a bola e os esportes em geral pudessem ser levados “ao excesso”. Depois dessa declaração, explicou o que queria dizer por excesso. 45 A lição aprendida aqui, como em outros assuntos que muitas vezes polarizam os leitores dos escritos de Ellen White, é a de que, para se ter uma perspectiva equilibrada sobre determinado assunto, é preciso ler todos os pensamentos que a ele se referem.

Alimento cárneo. Já estudamos anteriormente os princípios de saúde de Ellen White e a aplicação que ela fez desses princípios. 46 Aqui vamos enfatizar novamente como, quase morrendo de tuberculose aos 17 anos de idade, ela conseguiu sobreviver a seus contemporâneos após uma vida de extraordinária severidade. Uma de suas práticas era fazer distinção entre princípio e norma.

Dos muitos exemplos disponíveis, tornemos a observar agora qual era a sua atitude para com os alimentos cárneos – parte de seu regime alimentar que ela mais apreciava nos anos de sua juventude! Vimos no capítulo 27 como abraçou a mensagem de saúde logo que a recebeu em 1863, ainda que alguns pontos fossem de encontro a seus hábitos e desejos pessoais. Vimos também como ocasionalmente ela se afastou de sua prática habitual de abster-se de alimento cárneo. Apesar disso, em 1870 ela afirmou que, desde que recebera a visão em 1863, havia agido de acordo com o princípio: “Não mudei minha conduta em nada, desde que adotei a reforma de saúde. Não voltei nem um passo atrás desde que adotei a reforma de saúde. Não voltei nem um passo atrás desde que a luz do Céu iluminou pela primeira vez o meu caminho. … Abandonei estas coisas por princípio. … Desde então, irmãos, vocês não me têm dado ouvido propor quanto à reforma de saúde um ponto extremista, de que tenha de recuar. Não defendi coisa alguma senão o que hoje sustento.” 47 Quais eram os princípios básicos da reforma de saúde que Ellen White cria haver seguido fielmente? (1) fazer o melhor possível em determinadas situações que possam estar além de controle; (2) evitar tudo quanto é prejudicial, como álcool, fumo e drogas; (3) usar criteriosamente e com domínio próprio o que é saudável; (4) não estabelecer nenhuma linha precisa em alimentação para todos seguirem, pois nem todos possuem as mesmas necessidades físicas nem as mesmas oportunidades de encontrar o melhor alimento; (5) seguir as práticas de saúde com o objetivo de melhorar a mente para fins espirituais, e não para obter a aceitação divina (legalismo); e (6) raciocinar da causa para o efeito. As normas da reforma de saúde são escolhas que derivam dos princípios. Se o vegetarianismo fosse um princípio, não teríamos um problema ante a ordem divina de os israelitas comerem o cordeiro pascal. Ficaríamos também intrigados em saber por que o Senhor fez distinção entre carnes limpas e imundas. E o que pensaríamos da prática de nosso Senhor comer o cordeiro pascal e os peixes frescos e com Seus discípulos? O vegetarianismo é uma norma, uma sábia norma que está sendo reafirmada a cada instante nos laboratórios científicos do mundo, bem como nos estudos epidemiológicos que mostram a assombrosa diferença na incidência de doenças entre vegetarianos e consumidores de alimentos cárneos. 49 O dever do cristão é que “tomem os alimentos mais nutritivos”, deixando cada pessoa livre para aplicar este princípio fazendo as escolhas com base no “dever conhecido”. 50 Surgem algumas vezes situações de emergência em que se é forçado a escolher o bom em vez do melhor, ou mesmo um mal menor para evitar um mal maior. Embora o princípio permaneça o mesmo, a norma ou aplicação pode alterar-se com as circunstâncias.

Namoro na escola. Algumas pessoas entendem mal o conselho de Ellen White a respeito do namoro durante os anos escolares. Deixam de observar a idade dos estudantes envolvidos. Parte da instrução foi dirigida especificamente ao campus do Avondale College, onde muitos estudantes ainda estavam cursando o ensino médio: ”Temos trabalhado exaustivamente para manter sob controle na escola tudo que cheire a favoritismo, laços afetivos e namoro. Temos dito aos estudantes que não permitiríamos que o primeiro fio dessa natureza fosse entrelaçado no seu desempenho escolar. Quanto a este ponto, somos tão firmes quanto uma rocha. Algumas de suas preocupações foram dirigidas aos estudantes do Battle Creek College, onde havia uma mistura de alunos do ensino médio e superior: “Os estudantes não são enviados para cá para formar associações e condescender com flertes ou namoro, mas para obter educação. Fosse-lhes permitido seguir suas próprias inclinações neste ponto, o colégio ficaria logo desmoralizado. Apesar da vigilância de professores e instrutores, vários alunos têm gasto seus preciosos dias letivos em flerte e namoro dissimulados.” 51 Teria Ellen White dado o mesmo conselho se os estudantes fossem mais velhos e mais maduros? Onde jovens cristãos encontram as companheiras de sua vida senão no ambiente de um campus cristão comprometido com os ideais adventistas? Em várias ocasiões, ela expôs os princípios que deveriam orientar os jovens e o programa escolar na área do namoro cristão. Por exemplo: “Em nosso trato com estudantes, devem-se tomar em consideração a idade e o caráter. Não podemos tratar os menores e os de mais idade da mesma maneira. Circunstâncias há em que, a rapazes e moças de sólida experiência e de bom comportamento, se podem conceder alguns privilégios não dispensados a estudantes mais novos. A idade, as condições e o modo de pensar devem ser levados em conta. Devemos ser prudentemente considerados em toda a nossa obra. Não devemos, porém, diminuir a firmeza e a vigilância no lidar com alunos de todas as idades, tampouco a estrita proibição das associações imprudentes e inúteis de jovens e imaturos estudantes.” 52

  • Regra Quatro: Devemos usar o bom senso e a razão santificada ao analisarmos a diferença entre princípios e normas. Durante os comentários que fez na reunião de diretoria da escola de Santa Helena em 1904, Ellen White voltou a enfatizar um princípio de hermenêutica que serviria de ajuda para eles e para outros quando tentassem aplicar o princípio à norma. Ela observou que os membros da igreja estavam entendendo as palavras dela de maneira legalista e irrefletida: “Ora, a irmã White disse assim e assim, e a irmã White falou isto ou aquilo; e portanto, procederemos exatamente de acordo com isso”.

Sua resposta: “Deus quer que todos nós sejamos sensatos, e deseja que raciocinemos movidos pelo bom senso. As circunstâncias modificam a relação das coisas. 53 O cristianismo é uma religião razoável. Deus implantou dentro de homens e mulheres não somente a habilidade de reagir à Sua graça (e a habilidade de não reagir), mas também a capacidade de raciocinar da causa para o efeito. Em muitas ocasiões, Ellen White declarou: “Deus nos deu faculdades para serem usadas, e serem, pela educação desenvolvidas e fortalecidas. Devemos raciocinar e refletir, notamos cuidadosamente a relação entre causa e efeito. Praticado isto… [muitos poderão] plenamente atender ao propósito de Deus ao criá-los.” 54

Ela não fez da razão o árbitro final do certo e do errado. A seu ver, razão é a capacidade de entender o conselho razoável de Deus e a habilidade de refletir sobre os resultados de obedecer ou desobedecer a este conselho. Ela descreveu a relação entre a vontade de Deus e as faculdades do raciocínio humano da seguinte maneira: “Precisamos ser guiados pela genuína teologia e o bom senso.” 55 Para ela, a razão santificada e o bom senso são praticamente sinônimos.

Razão e extremos. Todo assunto, seja ele teologia, lei, ética, música, arte gráfica ou lei constitucional, é assaltado pelos que tendem para os extremos. Chamamos esses grupos de fariseus ou saduceus, conservadores ou liberais, literalistas ou simbolistas, indiferentes (frios) ou fanáticos (quentes), etc. Em filosofia e religião, chamamos um grupo de objetivistas; e o outro, de subjetivistas. 56 A verdade (como princípio) não é algum tipo de equilíbrio entre dois erros. A verdade transcende os erros de ambos os extremos ao reconhecer as verdades que cada extremo deseja preservar. 57 Mas a verdade não incorpora o espírito ou os erros que cada extremo defende. Quando as pessoas identificam o elemento da verdade naqueles que a elas se opõem, ocorre algo extraordinário: prevalece a paz, acontece a reconciliação e se desenvolve a verdadeira unidade. A verdadeira unidade não é resultado de apelo administrativo ou de um voto de comissão; a unidade reside em princípios de interpretação comumente aceitos. Ao mesmo tempo, as questões relacionadas com norma (não princípio) requerem uma abordagem diferente. Tratando sobre vestuário, por exemplo, Ellen White escreveu: “Existe uma posição intermediária nestas coisas. Oh! Possamos todos encontrar sabiamente essa posição e conservá-la.” Falando sobre alimentação, aconselhou: “Tomem o caminho mediano, evitando todos os extremos.” 58 Evitar extremos, porém é mais do que uma questão intelectual. Algumas pessoas podem intelectualmente entender a relação correta entre princípio e norma, mas emocionalmente tender para extremos. Mesmo quando promovem normas corretas, podem estar sendo extremamente frias ou quentes. Ellen White indica com exatidão qual o problema dessas pessoas, mesmo quando sua norma é correta: “Temos visto, em nossa experiência, que, se Satanás não consegue prender as pessoas no gelo da indiferença, ele procurará impeli-las para o fogo do fanatismo.” 59

Um respeitado teólogo adventista da geração passada relembra como ele, não intencionalmente, exerceu “o fogo do fanatismo” ao aplicar um dos princípios de saúde de Ellen White. Enquanto vendia livros religiosos em sua juventude, M. L. Andreasen vivia à base de granola. Ele a carregava consigo, misturava-a com água e comia duas vezes por dia. Então alguém leu de um dos livros de Ellen White no qual se afirmava que as pessoas “comiam demais.” Ele olhou ao redor e encontrou confirmação suficiente para essa declaração. Assim sendo, para ser fiel à nova luz, cortou sua alimentação diária pela metade. Algum tempo depois, ele mesmo leu a declaração em Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, página 374: “Vocês comem em excesso.” Isso o levou a pensar novamente. “Devia cortar sua ração diária pela metade outra vez?” Foi então que a luz raiou. Ele era sincero e desejava proceder corretamente,mas agora agradeceu a Deus por “um pouco de bom senso.” 60

Pelo fato de Ellen White ter dito em diversas ocasiões que “duas refeições [diárias] são preferíveis a três”, 61 algumas famílias fizeram disso uma regra para todos, inclusive os que se achavam nos hospitais. Com referência aos hospitais, ela mostrou como relacionar o princípio com a norma e as circunstâncias: “Se, deixando de oferecer a terceira refeição no hospital, virem pelos resultados que isso está afastando o povo da instituição, é claro o seu dever. Cumpre-nos lembrar que, ao passo que há alguns que se sentem melhor comendo apenas duas refeições, outros há que comem levemente em cada refeição, e se sentem necessitar alguma coisa à tardinha. … [Eliminar a terceira refeição pode] causar mais danos que bem.” 62 Em 1867, a Sra. White respondeu a algumas perguntas prevalecentes a respeito da reforma de saúde. Uma das perguntas era: “Existe o perigo de os irmãos e irmãs levarem a extremos os pontos de vista sobre a reforma de saúde?” Ela respondeu: “Isto pode ser esperado em todas as reformas entusiásticas. … É plano de Deus que as pessoas aptas para a obra apresentem a reforma de saúde de maneira prudente e enfática, depois deixem o povo resolver a questão com Deus e com a própria alma. É dever dos que, em todos os aspectos, estão qualificados para ensina-la a fazerem as pessoas crerem e obedecerem, e todos os outros devem ficar em silêncio e aprender.” 63 Em suma, este quarto princípio de hermenêutica apela ao bom senso quando relaciona princípio com norma. Isso requer tanto solidez de pensamento como serenidade emocional.Ellen White bem o disse:”Há uma classe de pessoas sempre dispostas a escapar por alguma tangente, que desejam aprender qualquer coisa estranha, maravilhosa e nova; mas Deus quer que todos procedam calma e ponderadamente, escolhendo as palavras em harmonia com a sólida verdade para este tempo, a qual precisa, tanto quanto possível, ser apresentada ao espírito isenta do que é emocional, conquanto ainda levando a intensidade e solenidade que lhe convém. Devemos guardar-nos de criar extremos, de animar os que tendem a estar ou no fogo ou na água.” 64

  • Regra Cinco: Devemos estar certos de que supostas citações foram de fato escritas pelo autor a quem são atribuídas. Toda figura pública já passou pelo problema de enfrentar pessoas inflexíveis sobre o que “sabiam” que o orador ou escritor havia escrito. A “crença” pode ser tão desarrazoada quanto a imaginação, mas ainda assim orador ou escritor deve tentar defender-se contra o erro ou a distorção. Obviamente, a pessoa contendora não tem a referência daquilo que está “citando”. Na maior parte das vezes, ela obteve a informação de terceiros. Nós muitas vezes chamamos essas lembranças distorcidas e erros palpáveis de “declarações apócrifas”.

Este problema foi um tormento para Ellen White desde o início do seu ministério, e é ainda hoje. Entre as declarações que foram incorretamente atribuídas a ela, encontram-se tópicos como: (1) habitantes de outros planetas estão agora colhendo frutas para uma parada sabática durante a viagem dos redimidos rumo ao Céu; (2) ela viu um anjo ao lado de Uriah Smith inspirando-o a escrever Thoughts on Daniel and the Revelation; (3) o Espírito Santo é, ou era, Melquisedeque; (4) Ela indicou determinados locais nas montanhas como refúgios seguros durante o tempo da angústia; (5) ela mencionou cidades específicas, etc., que seriam destruídas por terremotos, incêndios, enchentes; (6) Cristo voltará à meia-noite; (7) ovos jamais devem ser comidos (esquecendo-se o contexto imediato e muitas outras declarações a respeito de várias circunstâncias); (8) ela faria parte dos 144.000; (9) trevas literais cobrirão a terra como um sinal de que o tempo de graça acabou; (10) a última obra intercessora de Cristo, antes de a porta da graça se fechar, será em favor dos filhos que se afastaram da igreja; (11) devemos viver como se tivéssemos 1.000 anos à nossa frente, mas como se devêssemos morrer amanhã; (12) igrejas e associações inteiras vão apostatar, etc. 65

  • Regra Seis: Embora sem contradizê-los, devemos levar em consideração a experiência de amadurecimento dos escritores, e até mesmo dos profetas, já que para eles a verdade se desdobra somente tão rápido quanto eles são capazes de entendê-la. Esta regra ajuda os estudantes que estão preocupados com determinadas porções da vida ou dos escritos de um profeta que se encaixam na categoria de “tempo, lugar e circunstâncias”, referida anteriormente na Regra Três. Ellen White ensinava claramente que Deus lidera Seu povo tão rápido quanto ele consegue receber verdade adicional. A história de Israel é um esplêndido exemplo de como o Senhor trabalha com o povo onde ele se encontra, e não onde vai estar no futuro.66 Os profetas também são parte do plano divino de revelar a verdade tão rápido quanto o povo esteja pronto para recebê-la. Eles próprios passam pelo processo. Paulo não apenas sabia mais sobre o plano da salvação do que Joel ou Davi, ele experimentou o “desdobramento” em sua própria vida. 67 Alguns chamam este processo de “verdade progressiva”. A expressão é útil se descreve o conhecimento progressivo das verdades espirituais por parte de uma pessoa. Mas deixa de alcançar o objetivo se é usada no contexto de um desenvolvimento evolucionário que procede da evolução gradual da compreensão humana pelo método de tentativas, mediante tese e antítese que permitem chegar à síntese. O método que Deus emprega para ensinar a humanidade envolve tanto a recuperação da verdade perdida quanto o desdobramento da verdade adicional, tão rápido quanto as pessoas estejam prontas para recebê-la. Entende-se a progressão evolucionária como sendo o crescimento da humanidade da ignorância para o conhecimento, sem quaisquer absolutos que ponham valor universal no conhecimento. 68

Esse processo acontece tanto com indivíduos quanto com grupos de pessoas. A maioria das pessoas sabe como tal processo tem estado atuando em sua própria vida. Se temos estado crescendo na graça, o que sabíamos sobre a vontade de Deus para nós individualmente dez anos atrás era muito menos do que cada um de nós sabe hoje. Não resta dúvida de que todos nós desejaríamos poder retificar o que dissemos aos outros dez anos atrás, mesmo que achemos que fosse sensato para aquela época! 69 Mas alguém poderá dizer: “Um profeta tem que ser diferente. O que os profetas dizem quando têm vinte anos de idade não precisa de ‘esclarecimento’ ou ‘expansão’ quando eles completam cinqüenta e cinco!” Este ponto de vista surge como resultado de uma estrutura de inspiração verbal. Não devemos esquecer que Deus falou a homens e mulheres “de origens e posição diversas, e variando entre si quanto à sua capacidade intelectual e espiritual.” 70 Esta amplitude de diferenças individuais inclui a amplitude do entendimento da verdade por parte de uma pessoa entre sua juventude e seus anos de maturidade. Embora a essência da verdade permaneça a mesma, as percepções são ampliadas. O amadurecimento da capacidade de discernir e comunicar talvez leve a pessoa a exprimir a essência da mensagem de modo diferente em anos posteriores. Em 1906, Ellen White refletiu sobre sua experiência de aprendizagem: “Por sessenta anos tenho estado em comunicação com mensageiros celestiais, e tenho aprendido constantemente algo a respeito das coisas divinas e a respeito do modo como Deus está constantemente trabalhando a fim de conduzir almas do erro de seus caminhos para a luz da presença divina.” 71 Os profetas são pessoas humildes que viram , até certo ponto a glória do Senhor. Os profetas humildes facilmente reconhecem-se em débito para com Deus pela sua nova perspectiva, “como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. – Prov. 4:18 72 O princípio do crescimento permeia toda a criação. Isso explica o apelo de Paulo ao coríntios: Todos nós, com o rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. – II Cor. 3:18 Este texto se esconde por detrás da regra: “É uma lei do espírito humano que, pelo contemplar somos transformados”. 73 Assim, quanto mais a jovem Ellen Harmon estudava sua bíblia e orava por direção divina ao enfrentar as escolhas da vida, mais ela era “transformada” e “mudada” – cresceu no conhecimento do caráter de Deus e de Seus caminhos. 74 Consequentemente, ao permitirmos que o princípio do crescimento impregne nosso estudo de Ellen White (ou da Bíblia), cumpre-nos esperar uma compreensão mais profunda à medida que ela comunica as mensagens de Deus aos outros. Podemos ver sua capacidade de comunicar idéias mais profundas crescer, especialmente quando comparamos suas primeiras descrições sobre a origem do grande conflito no Céu com o que está em Patriarcas e Profetas. 75

Assim, quando os leitores percebem uma perspectiva mais ampla em Patriarcas e Profetas (1890) do que a encontrada em Spiritual Gifts (1858), reconhecem a regra hermenêutica de que um profeta crescerá, como qualquer outra pessoa, em percepção espiritual. O aumento da percepção espiritual ajudará o profeta a declarar mais claramente a mensagem que Deus deseja comunicar. Este é o princípio que melhor descreve a experiência de Jesus na Terra. Lucas descreveu Seu crescimento e amadurecimento em sua capacidade de compartilhar coisas espirituais com os outros: “E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens”. – Luc. 2:52. 76

  • Regra Sete: Em alguns casos, uma pessoa deve compreender a experiência de um acontecimento, direta ou indiretamente, antes de compreender a verdade do acontecimento. Esta regra pode dar a impressão de que é contrária ao raciocínio lógico. Mas tal foi a situação quando os apóstolos enfrentaram o mundo descrente após a ressurreição de Cristo. Quem acreditaria neles a menos que os apóstolos tivessem visto o túmulo vazio ou Jesus durante os quarenta dias antes de sua ascensão? Num sentido semelhante, os primeiros adventistas da década de 1840 e do começo de 1850 “experimentaram” a crescente ligação entre as visões sobrenaturais de Ellen Harmon/White e a voz autorizada para sua comunidade em desenvolvimento. 77 Em fins de 1896, enquanto estava na Austrália, a Sra. White teve que dar uma resposta a John Bell, que estava promovendo uma mensagem discordante a respeito do tempo em que as mensagens dos três anjos de Apocalipse 14 haveriam de cumprir-se. Em essência, ele estava colocando esse tempo no futuro. Ela escreveu criteriosamente sob o aspecto da sétima regra de interpretação: “Os pontos de vista particulares que ele mantém são uma mistura de verdade de erro. Caso ele houvesse passado pelas experiências do povo de Deus, conforme foi por Ele dirigido nos últimos quarenta anos, estaria mais bem preparado para fazer a correta aplicação da Escritura. Os grandes sinais demarcadores da verdade, mostrando-nos a direção na história profética, devem ser cuidadosamente observados, para que não sejam derrubados, e substituídos por teorias que trariam confusão em vez de genuíno esclarecimento”. Ela terminou a resposta de cinco páginas chamando a atenção para esta sétima regra: “Foram propostas muitas teorias que apresentavam uma semelhança de verdade, mas tão misturadas com textos mal interpretados e mal aplicados, que induziam a perigosos erros. Muito bem sabemos nós como foi estabelecido cada ponto da verdade, e sobre ele posto o selo pelo Espírito Santo de Deus. … As orientações do Senhor foram evidentes, e maravilhosíssimas Suas revelações do que era a verdade. Ponto após ponto foi estabelecido pelo Senhor Deus do Céu. Aquilo que era verdade então, é verdade hoje”. 78 Mais adiante, Ellen White escreveu mais uma longa resposta a esse “futurismo” que estava sendo ensinado na Austrália. Novamente, ela enfatizou o papel da experiência que devia ser respeitada pelos adventistas: “O Senhor não dirigirá as mentes agora no sentido de afastá-las da verdade que o Espírito Santo induziu no passado Seus servos a proclamá-la. … O Senhor não põe sobre os que não tiveram uma experiência em Sua obra a responsabilidade de fazer uma nova exposição das profecias que, por meio de Seu Espírito Santo, Ele moveu Seus escolhidos servos a explicar”. 79

Viver pela experiência quando a verdade é revelada se torna um fundamento de rocha sólida não somente para os que experimentam isso pela primeira vez, senão também para os que posteriormente desejam reexperimentá-lo em seu sistema de verdades. A verdade, ao ser encontrada, “encaixa-se” na verdade anterior assim como um galho de uma árvore “se encaixa” em seu tronco. A verdade é coerente.

  • Regra oito: Nem tudo na Bíblia e nos escritos de Ellen White pode ser compreendido à primeira vista, ou mesmo após anos de estudo. Este pensamento pode soar estranho para a mente indagadora. Mas pense nos astrônomos e nos neurocirurgiões (ou pesquisadores de código genético, especialistas em microchips, etc.) que passam toda a vida ampliando seu conhecimento, e ainda assim se sentem extremamente admirados ante o que se abre perante eles. Os verdadeiros cristãos praticam o princípio do julgamento suspenso 80 quando eles e seus colegas atingem o limite da compreensão. Especialmente ao considerarem a história da Bíblia (e os escritos de Ellen White) sobre assuntos tais como a natureza de Deus (não Seu caráter a respeito do qual muita coisa foi revelada), por que surgiu o pecado, como Cristo pôde tornar-Se ser humano, como acontece a regeneração – eles reconhecem que esses “são mistérios demasiados profundos para a mente humana poder explicar, ou mesmo compreender plenamente”. Lembram que não devemos “duvidar de Sua Palavra por não compreendermos todos os mistérios de Sua providência”. 81 Forçar uma interpretação porque alguém acha que tudo deve ser compreendido vai certamente levar a uma interpretação errônea. Descartar ou desconsiderar qualquer porção da Bíblia ou dos escritos de Ellen White simplesmente porque algumas passagens não são tão facilmente compreensíveis também prejudica na compreensão da verdade.

Referências:

1 Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 44.

2 Ver T. Housel Jemison, A Prophet Among You (Mountain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1955), pp. 438-450.

3 Repare no tipo de pensamento científico que predominava antes de Copérnico mudar a visão global dos astrônomos (e a de todos os demais), com sua mudança de paradigma, colocando o Sol, em vez da Terra, no centro do sistema solar. Pense nos médicos que fizeram o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, sangrar até a morte porque seu paradigma médico não compreendia a teoria microbiana nem mesmo a forte possibilidade de tratamentos hidroterápicos reverterem sua infecção torácica. Uma das principais responsabilidades dos que procuram pela verdade é examinar as lentes através das quais o pesquisador pesquisa a verdade. A lente (o paradigma ou visão global) pelo qual consideramos a informação determina a maneira como avaliamos os supostos “fatos”. Alfred North Whitehead disse-o muito bem: ”Quando você estiver criticando [ou alguém pode acrescentar, interpretando] a filosofia de uma época, não dirija principalmente sua atenção parta aquelas posturas intelectuais cujos expoentes julgavam necessário defender explicitamente. Haverá algumas suposições fundamentais que partidários de todos os sistemas divergentes dentro da época inconscientemente pressupõe. Essas suposições parecem tão óbvias que as pessoas não sabem que estão presumindo porque jamais lhes ocorreu nenhuma outra maneira de colocar as coisas. Com essas suposições é possível uma quantidade limitada de tipos de sistemas filosóficos”. – Science and the Modern World (New York: Mentor Editions, 1952), p. 49-50.

4 Ver p. 373.

5 Note a atitude resolute como os judeus do primeiro século consideravam a Jesus, conforme registrada em Mateus 16. Se aquele jovem mestre Galileu não satisfizesse o

paradigma do que eles imaginavam ser o Messias, iriam procurar em outro lugar, e assim o fizeram. Se alguém não acredita em milagres devido a algum tipo de paradigma científico, a história da Bíblia para ele é folclore. Se não crê que Deus fala por meio de homens e mulheres por visões, procura encontrar razões naturais que expliquem o fenômeno. E assim por diante.

6 Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 42.

7 Idem, vol. 3, p. 52.

8 “Escrevi tudo que tinha para dizer sobre a luz que recebi, e grande parte dela está agora irrompendo da página impressa. Há do princípio ao fim de minhas obras impressas, uma harmonia com o meu ensino no presente”. Review and Herald, 14 de junho de 1906 Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 38).

9 Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 549-551 (1867). Para entender esta declaração, devemos empregar também a “regra hermenêutica número dois”.

10 Testemunhos Para Ministros, p. 180-181 (1892).

11 O Desejado de Todas as Nações, pp. 785-787, 833-834; Primeiros Escritos, pp. 184-

185 e 208; O Grande Conflito, pp. 18 e 667; Mensagens Escolhidas, vol. 1, pp. 304-308.

12 Primeiros Escritos, p. 285; O Grande Conflito, p. 637.

13 Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pp. 362 e 400. Repare em algumas afirmações úteis em Testemunhos Para a Igreja, vol. 7, p. 135; vol. 9, p. 162; A Ciência do Bom Viver, p. 320.

14 “Se você deseja saber o que o Senhor revelou por intermédio dela, leia-lhe as obras publicadas”. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 696. Ver George Knight, Reading Ellen White, pp. 121-123.

15 Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 471.

16 Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 217. Ver p. 345.

17 Ibidem, vol. 1, p. 57.

18 Olhando Para o Alto, p. 30.

19 Carta 4, 1896, citada em MR, vol. 17, pp. 185-186 (1896). Eventos Finais, p. 45.

20 Carta 77, 1898, citada em ibidem, p. 216 (1898). Eventos Finais, p. 45.

21 Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 492.

22 Manuscrito 37, 1901, citada em Sermons and Talks, vol. 2, pp. 159-160. Ver também George E. Rice, “The Church: Voice of God?”, Ministry, dezembro de 1987, pp. 4-6.

23 Carta 54, 1901, citada em MR, vol. 19, p. 146-148.

24 Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 261 (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 408).

25 Review and Herald, 17 de março de 1868.

26 Profetas e Reis, p. 626.

27 Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 29.

28 Evangelismo, p. 256.

29 No primeiro testemunho de Ellen White à igreja, ela escreveu: “Alguns têm tomado rumo imprudente; ao falarem de sua fé aos incrédulos, e ser-lhes pedida a prova da mesma, têm lido uma visão, em lugar de se voltarem para a bíblia em busca de uma prova. Vi que esse proceder era incoerente, e suscitava aos incrédulos preconceitos contra a verdade. As visões não podem ter peso para os que nunca as viram, e nada sabem do espírito das mesmas. Não devemos a ela nos referir, em tais casos”. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 119-120. Ver também ibidem, vol. 5, p. 669.

30 Review and Herald, 22 de agosto a 12 de setembro de 1893. Ver também p. 231.

31 Testemunhos Para Ministros, p. 32-62.

32 “Sei que muitos homens tomam os testemunhos que o Senhor tem dado, e aplicam-nos como lhes parece que deviam ser aplicados, pegando uma sentença aqui e ali, tirando-a de sua devida ligação, e aplicando-a segundo sua ideia. Assim ficam pobres almas perplexas quando, pudessem elas ler em ordem tudo quanto foi dado, veriam a verdadeira aplicação, e não ficariam confundidas. … Voam notícias de uns para outros acerca do que a irmã White disse. Cada vez que essa notícia é repetida, vai aumentando. Se a irmã White tem alguma coisa a dizer, deixem-na dize-la. Ninguém é chamado a ser porta-voz da irmã White”. – Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 44-45.

33 Ver p. 34.

34 Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 470 (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 285).

35 Em carta particular a A. O. Tait, W. C. White fez referência a uma reunião de comissão de união para a qual sua mãe fora convidada. White observou a maneira como abreviaram a discussão a fim de ouvir Ellen White: “Como vocês bem sabem mamãe raramente responde tais perguntas de maneira direta; mas se esforça por estabelecer princípios e apresentar fatos que lhe foram apresentados e que nos ajudem a fazer inteligente estudo do assunto e a chegar a uma conclusão correta”. – Citada em Arthur White, The Ellen G. White Writings, p. 165-166.

36 Educação, p. 216-217.

37 Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, pp. 131-160; Fundamentos da Educação Cristã, p. 15-46.

38 Ibidem, p. 21.

39 Um relato literal da participação de Ellen White na discussão da junta escolar encontra-se em Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 214-226.

40 Reader’s Digest, dezembro de 1951. Ver George Knight, Reading Ellen White, p. 100-102.

41 Testemunhos Para Ministros, p. 398.

42 Testemunhos Para a Igreja, vol. 8, p. 51-52.

43 Fundamentos da Educação Cristã, p. 378.

44 Ibidem, p. 18. Ver também Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 134-135.

45 O Lar Adventista, p. 498-499.

46 Ver p. 310-311.

47 Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, p. 371-372 (Conselhos Sobre o Regime Alimentar,

p. 483-484). “Apresento esses assuntos ao povo, demorando nos princípios gerais”. -

Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 493 (1897). Em 1904, com a idade de 76 anos, ela afirmou ter melhor saúde do que “em meus tempos juvenis”, atribuindo sua melhoria aos “princípios da reforma de saúde”. – Ibidem, p. 482. Em 1908, reagiu àqueles que estavam afirmando que ela não havia seguido os princípios da reforma de saúde tal como os havia “defendido pela pena”. Ela foi direta: “Ao que sei, não me tenho apartado desses princípios”. – Ibidem, p. 491, 492 e 494. Ver Review and Herald, 17 de março de 1868, para um editorial de Tiago White onde ele se dirige aos que eram mais rígidos do que deviam ter sido em relação aos princípios de saúde. Um dos problemas que fez surgir o editorial foi o implícito paradigma da inspiração da inspiração verbal que levou alguns leitores a atitudes extremamente críticas.

48 Ver p. 322-324.

49 Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 163 (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 463); Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 396.

50 MR, vol. 8, p. 256.

51 Testemunhos Para a Igreja, vol. 4, p. 432; ver também ibidem, vol. 5, p. 109.

52 Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 101. Ver Moon, W. C. White and Ellen G. White, p. 359.

53 Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 217. Ver p. 395.

54 Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 436.

55 Ibidem, vol. 1, p. 148.

56 Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 425.

57 Ver pp. 260-261.

58 Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 211. Os antigos gregos falavam muitas vezes em moderação (“nada em excesso”) com a busca pelo “justo meio-termo”.

59 Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 644 (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1, p. 38).

60 Virginia Steinweg, Without Fear or Favor (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1979) p. 55-54.

61 Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 141 e 173; Testemunhos Para a Igreja, vol. 4, p. 416-417.

62 Ibidem, p. 282-283. “O costume de comer apenas duas vezes por dia, em geral, demonstra-se benéfico à saúde; todavia, sob certas circunstâncias, talvez algumas pessoas tenham necessidade de uma terceira refeição. Esta, porém, deve ser muito leve, e de comida de fácil digestão”. A Ciência do Bom Viver, p. 321.

63 Review and Herald, 8 de outubro de 1867.

64 Testemunhos Para Ministros, p. 227-228.

65 Para estudo adicional sobre estas e outras ilustrações dos “apócrifos” de Ellen White, ver Comprehensive Index to the Writings of Ellen G. White, vol. 3, p. 3189-3192.

66 Para estudo adicional sobre o princípio da acomodação, ver p. 34, 282, 304, 311 e 422.

67 “É preciso enfatizar-se o fato, e repeti-lo muitas vezes, de que os mistérios da Bíblia não são mistério por que Deus tenha procurado ocultado a verdade, mas porque nossa fraqueza e ignorância nos tornam incapazes de compreender a verdade ou de apropriar-nos dela. A limitação não está em seu propósito, mas na nossa capacidade”. – Signs of the Times, 25 de abril de 1906.

68 “Em todas as eras, por meio da comunicação com o Céu, Deus tem realizado Seu propósito por Seus filhos pelo gradual desdobrar em seu espírito das doutrinas da graça. … Aquele que se coloca onde Deus o pode iluminar avança, por assim dizer, da obscuridade parcial da aurora para o pleno brilho do meio-dia” – Atos dos Apóstolos, p. 564.

69 “Deus pretende que aos pesquisadores diligentes a verdade de Sua Palavra estejam sempre se desdobrando”. – Signs of the Times, 25 de abril de 1906. “[Cristo] prometeu que o Espírito Santo deveria iluminar os discípulos para que a Palavra de Deus se lhes desdobrasse continuamente. Estariam capacitados para apresentar as verdades em renovada beleza”. – Parábolas de Jesus, p. 127.

70 O Grande Conflito, p. 8.

71 Este Dia com Deus, p. 74.

72 “Quem quer que examine as palavras que ela escreveu – desde a redação infantil dos escritos de sua meninice, através do período difícil da jovem maturidade até as obras graciosas, eloquentes e profundamente comovedoras de seus últimos anos – perceberá o sólido progresso em visão e expressão, e talvez se lembre de que ela adquiriu essas habilidades sob a mão de Deus, não esperando indiferentemente pelo derramamento do Espírito Santo, mas agindo sob o impulso desse Espírito no exercício de cada faculdade do seu ser”. – A. W. Spalding, Origin and History, vol. 1, p. 76.

73 Patriarcas e Profetas, p. 91.

74 “Olhando para Cristo, adquirimos visão mais brilhante e distinta de Deus, e pela contemplação somos transformados. A benignidade e o amor para com nossos semelhantes tornam-se um instinto natural”. – Parábola de Jesus, p. 355.

75 Ver Alden Thompson, “The Theology of Ellen White: The Great Controversy Story”, Adventist Review, 31 de dezembro de 1981.

76 Ellen White falou reverentemente acerca do desenvolvimento das faculdades mentais e espirituais de Cristo: “As faculdades da mente e do corpo desenvolviam-se gradualmente, segundo as leis da infância. … Uma vez que Ele obteve conhecimento como o podemos fazer, Sua familiarização com as Escrituras mostra quão diligentemente os primeiros anos de Sua vida foram consagrados ao estudo da Palavra de Deus. … Assim se revelava a Jesus o significado da palavra e das obras de Deus, ao buscar compreender a razão das coisas. … Desde os primeiros clarões da inteligência, foi sempre crescendo em graça espiritual e no conhecimento da verdade. … A comunhão com Deus, mediante a oração, desenvolve as faculdades mentais e morais, e as espirituais se robustecem ao cultivarmos pensamentos sobre assuntos espirituais”. – O Desejado de Todas as Nações, pp. 68 – 71.

77 ”Assim, o processo pelo qual as inclinações místicas de uma jovem adolescente foram reconhecidas como as revelações de uma profetiza autorizada foi ajudado a cada passo pela suposições filosóficas subjacentes da comunidade adventista diferentemente do profeta mórmon Joseph Smith, Ellen White não proclamou sua revelação nem reuniu seguidores; ao contrário, tinha uma espécie de experiência religiosa que veio a ser aceita como autorizada dentro de um grupo que já existia. O ministério profético de Ellen White foi um aspecto da experiência social adventista, não apenas da experiência psicológica de uma só pessoa”. – Bull e Lockheart, Seeking Sanctuary, p. 25.

78 Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 101-104.

79 Ibidem, p. 110 e 112; Ver ibidem, vol. 1, p. 161.

80 Ver George Reid, Ministry, novembro de 1991.

81 Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 699 (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 304). “A Bíblia só é vagamente compreendida. Toda uma vida de estudo piedoso de suas sagradas revelações ainda deixará muita coisa inexplicada”. Counsels to Writers, p. “Tanto na divina revelação como na natureza, Deus deixou aos homens mistérios para lhes exigir fé. Assim deve ser. Devemos estar sempre indagando, sempre pesquisando, sempre aprendendo, e resta todavia um infinito para o além”. Testemunhos Para a Igreja, vol. 8, p. 261 (A Ciência do Bom Viver, p. 431); “Podemos, de Seus propósitos, compreender o quanto seja para nosso saber; e para além disso devemos ainda confiar no poder do Onipotente, no amor e sabedoria do Pai e Soberano de todos”. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 699 (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 303).


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