HERMENÊUTICA E OS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

Roger W. Coon

INTRODUÇÃO

1. Definição de trabalho do termo: “Ciência e arte de obter o significado dos termos.”

a. Foco central: O que o profeta quis dizer com as palavras que utilizou?

2. Trata-se de um imperativo bíblico:

a. Objetivo: “Obreiro… que maneja bem a palavra da verdade” (II Timóteo 2:15)

b. Metas:

(1) Encontrar o ponto de equilíbrio

(2) Afastar distorções (7BC, pp. 336 e 337)

3. As pregações mais precoces conhecidas (pelo menos dentro do nosso atual conceito de pregação) ocorreram nas sinagogas pós-exílicas da Palestina, após o cativeiro. Tal pregação indubitavelmente envolveu hermenêutica. Vejamos o texto de Neemias 8:8.

a. Almeida Revista e Atualizada: “Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.”

b. New International Version: “Eles liam no livro da lei de Deus, tornando-o claro e dando-lhe o significado, de forma que o povo pudesse compreender o que estava sendo lido.”

c. A Bíblia de Jerusalém: “E Esdras leu no livro da lei de Deus,    traduzindo e dando o sentido: assim podia-se compreender a leitura.”

4. Expressão de Quintilian no tocante à compreensão: ”Não é suficiente que você leve seu ouvinte a compreender; é necessário que você lhe torne impossível compreender erroneamente.”

I. PORVENTURA NECESSITAMOS REALMENTE DE UMA HERMENÊUTICA PARA INTERPRETAR OS ESCRITOS DE ELLEN WHITE?

A. Posição dos que Respondem “NÃO”:

1. Razão subjacente à sua posição (em muitos casos):

a. Temor genuinamente sincero (e nem sempre infundado) de que os “liberais” explorem o mencionado expediente para “andar água à baixo” (e até mesmo anulem completamente) com as claras intenções da Palavra de Deus, por espiritualizar sutilmente os propósitos e intenções da passagem.

(1) Exemplo bíblico: a prática de “Corbã” por parte dos judeus (Mateus 15:6)

2. Ironia não-intencional de sua posição:

a. A posição de “não-hermenêutica” é, em si mesma, uma posição hermenêutica!

(1) Por vezes é identificada como a hermenêutica da “linguagem direta” ou de “Maria” (“Fazei tudo o que Ele vos disser” – João 2:5)

(2) Exemplo: carta de médico com respeito ao queijo

3. Algumas características típicas frequentemente encontradas nos advogados na hermenêutica da “linguagem direta”:

a. Muitas vezes são cristãos de posição ultra-conservadora

b. Muitas vezes possuem uma visão simplista do mundo

c. Frequentemente são  dados a generalizações impetuosas e todo-abrangentes, estabelecendo exigências não apoiadas pelas Escrituras e exageradas

d. Em muitos casos manifestam tendência a rígido legalismo (observe-se, contudo, que existe uma ênfase legítima no tocante à obediência a qual, manifestamente, não constitui legalismo)

c. Muitas vezes estas pessoas mantêm uma visão mecânica e verbal da inspiração/revelação

B. Posição dos que Respondem “SIM”:

1. Razão subjacente à sua posição: o reconhecimento de certas “realidades”:

a. As palavras, isoladas, podem ser claras, mas o significado das frases pode tornar-se obscuro mediante o uso destas mesmas palavras. Exemplos:

(1) Relatório impresso por computador nos centros de análise de motores

(2) Respostas monossilábicas a perguntas que não foram bem compreendidas pelo ouvinte

b. Uso equivocado de sinédoques (a parte que se iguala ao todo):

(1) Exemplo: “Satanás trabalha através da ciência da psicologia.” (MJ, p. 57; 2ME, p. 351; 1T, pp. 290 a 292)

(a) Porventura significa isto que toda a psicologia é má?

(b) De que forma poderia ser compreendida a afirmação da mesma autora em outro ponto: “Os verdadeiros princípios de psicologia são encontrados nas Sagradas Escrituras”? (My Life Today, p. 176)

C. Possibilidade de erros técnicos/editoriais no texto:

(1) Exemplo: “A frenologia e o mesmerismo são muitíssimo exaltadas. Elas são benéficas se colocadas em seus devidos lugares, mas têm sido impostas por Satanás como os seus mais poderosos agentes para enganar e destruir as almas.” (1T, p. 296)

(a) A questão crucial é: Quais são os antecedentes da palavra elas?

(i) Trata-se, porventura, da “frenologia e o mesmerismo”? Ou, possivelmente, das “ciências da mente”?

(ii) Confronte com o documento do White Estate “Declarações Paralelas com Respeito ao Mesmerismo e à Hipnose” (ALW) (4-21-60, 13 páginas), relacionado com Review and Herald de 18/02/1862 e Signs of the Times de 06/11/1884.

D. O significado das palavras evolui:

(1) Como cremos na “inspiração de pensamentos”, é evidente que estamos interessados nas palavras dos profetas contidas nas declarações; mais que isto, porém, estamos interessados no significado destas palavras.

(2) A versão inglesa King James Version foi traduzida em 1611. Muitas das palavras inglesas de 1911 tiveram o seu significado completamente alterado nos dias atuais, cerca de 380 anos mais tarde. O mesmo vale para outros idiomas.

(3) É uma característica da evolução dos idiomas que as palavras tendam a evoluir de um significado mais amplo e geral, para um sentido menos amplo, mais limitado.

(a) Confira a pesquisa de Luther A. Weigle, das 857 palavras bíblicas cujo significado se alterou (Bible Words That Have Changed in Meaning). O trabalho foi publicado em 1955.

(i) Se ele publicasse a lista hoje, provavelmente ela seria ainda maior, não é mesmo?

(4) Algumas das palavras de Ellen White tiveram seu sentido modificado:

(a) O termo “porta fechada” significava uma coisa quando ela o usou em 1844, e algo muito diferente quando ela o utilizou em 1852. (Confira três documentos do White Estate quanto ao problema da “porta fechada”, que amplificam e explicam a questão)

(b) Ferramenta útil: Index to the Ellen White Writings, vol. 3,  Apêndice B (pp. 3185 a 3188): “Glossary of Obselete and Little Used Words and Terms With Altered Meaning”[Glossário de Termos Obsoletos e Pouco Utilizados e de Palavras Cujo Significado se Alterou e. Fatores Culturais Afetam o Significado:

(1) A Bíblia é basicamente um livro vertido em linguagem oriental, e não ocidental.

(a) O respeito é demonstrado de modo muito diferente em terras orientais (a pessoa retira os calçados – veja Êxodo 3:5); no ocidente, a cabeça é descoberta ou a pessoa se coloca de pé

(i) O costume “Aso Ebi” na Nigéria

(2) Com exceção de seus últimos quinze anos, Ellen White desenvolveu toda a sua existência durante o século dezenove. Ela faleceu em 1915, jamais tendo presenciado o cinema, rádio, TV, aviões, satélites e viagens espaciais, etc.

(a) Profetas enfrentaram um “condicionamento histórico” no sentido de serem influenciados pela era em que viveram. Contudo, não cremos que eles foram vítimas desesperançadas desajudadas e infelizes de seu background cultural.

E. As circunstâncias afetam o significado:

(1) Dois homens do Novo Testamento fizeram essencialmente a mesma pergunta, mas sob circunstâncias um tanto diferentes:

(a) O jovem rico: “Que farei para herdar a vida eterna?” (Marcos 10:17

(b) O carcereiro de Filipos: “Que devo fazer para que seja salvo?” (Atos 16:30 e 31)

(2) Eles obtiveram respostas radicalmente diferentes:

(a) Vende todos os teus bens, reparte-os com os pobres, toma a tua cruz e segue-Me.

(b) Crê no Senhor Jesus Cristo.

F. Cada profeta, falando em nome de Deus e desempenhando suas funções, tanto pode enunciar princípios (que são imutáveis) ou também pode aplicar programas de ação, variáveis de acordo com as  circunstâncias. Estes programas de ação resultam da aplicação dos princípios às circunstâncias contemporâneas, que são mutáveis.

(1) É essencial que se entenda o conselho, diferenciando um princípio de um programa de ação. Exemplos:

(a) A orientação de Paulo: “As mulheres devem permanecer caladas na igreja.”

(b) Ellen White: Todas as moças deveriam aprender a arrear cavalos e a montá-los; advertências contra a compra e uso de bicicletas, etc.

(c) Problema nos colégios superiores adventistas dos Estados Unidos, no começo da década de 1960, em vista da regra de “não usar barbas”

G. Determinada palavra pode corresponder a diferentes significados dentro do mesmo livro:

(1) A palavra “glorificado” em O Desejado de Todas as Nações:

“Cristo saiu do sepulcro glorificado, e a guarda romana O contemplou…” Cap. 81, p. 583 (7ª. edição).

“E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a que perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, lhes são retidos. ’ O Espírito Santo não Se manifestara ainda plenamente; pois Cristo ainda não fora glorificado. A mais abundante comunicação do Espírito não se verificou senão depois da ascensão de Cristo.” Cap. 84, pp. 598 e 599 (7ª. edição).

H. Determinado ato (comunicação não-verbal) ou determinada palavra (comunicação verbal) podem ser interpretados de modo um tanto diferente pela mesma pessoa, ou por diferentes pessoas, a partir de alguma alteração na abordagem, ou seja, a partir de diferentes perspectivas:

(1) Exemplo: sinal de luz de um veículo em relação a outro motorista que vem em sentido contrário.

(2) Exemplo de Moishe, o Alfaiate, e o Papa Leão IX.

[Confira a obra de Robert W. Olson, “Hermenêutica: Guiding Principles in the Interpretation of the Bible and the Writings of Ellen White” (1o. de junho de 1986); e “Helpful Points in the Interpretation and Use of the Ellen White Writings”, Index dos escritos de Ellen White, Apêndice E, III, pp. 3211 a 3216]

 

II. O MODELO HERMENÊUTICO DE JEMISON (em A Prophet Among You, pp. 438 a 449)

A. Hermenêutica – 1: Leve em consideração TUDO o que este profeta disse a respeito do assunto, antes de chegar à conclusão final.

1. O precedente bíblico: Isaías 28:10 e 13 (“Preceito sobre preceito, regra sobre regra; um pouco aqui, um pouco ali”)

2. No tocante a alguns tópicos, isso não envolverá muito tempo:

a. Seguros de vida: apenas uma declaração (1T, pp. 549 a 551, em 1868)

b. Anel de casamento: apenas uma declaração (TM, pp. 180 e 181, em 1895)

c. Ressurreição especial antes do segundo advento: apenas três declarações (Primeiros Escritos, p. 285; 2ME, p. 263; GC, p. 643 (25ª.  edição)

3. Quanto a outros tópicos, entretanto, existe grande quantidade de material:

a. Espírito Santo: 33 páginas (66 colunas), no Index (ele próprio constituído de três volumes)

b. Jesus Cristo: 77 páginas (153 colunas) de referências no Index.

4. Exemplos de tópicos nos quais a aplicação desta hermenêutica se demonstra crítica:

a. A natureza humana de Cristo: era aquela de Adão antes da queda, ou depois da queda? (Confira em Morris Venden, Faith That Works, pp. 348 a 350; Robert W. Olson, “The  Humanity of Christ e “Christ’s Human Nature”, ambos publicados em 2 de julho de 1986)

b. Foi a expiação completada na cruz, ou foi apenas o sacrifício ali completado?

c. Deus mata os pecadores?

d. “Ovos não deveriam ser colocados sobre a vossa mesa” (2T, p. 400) (1868-1871)

e. É a posição genuflexa a única adequada para que um cristão adventista adote ao orar?

f. Deveria em algum momento um cristão adventista buscar o auxílio de um conselheiro profissional?

(1) Confira com Garth Thompson, “Counseling: Some Ellen White Material – 1” e “On Counseling for Christians: Some Ellen White Material – 2”

g. Achava-se Satanás limitado ao planeta Terra por ocasião do Calvário?

h. É permissível que uma jovem ou senhora adventista use calças compridas?

i. Para um adventista, é pecado comer sobremesas?

B. Hermenêutica – 2: Se determinada declaração parece inconsistente com outras acerca do mesmo tópico, estude o contexto (interno e externo), como esforço pessoal para tentar resolver a aparente discrepância.

1. Problema potencial na preparação de compilações

a. Interessante observar que o preparo de compilações acerca de assuntos apropriados para as necessidades do campo, foi uma das três tarefas que Ellen White atribuiu aos Depositários de seus escritos, em seu testamento.

b. Ela própria, contudo, reconheceu nisto um perigo potencial (1ME, p. 58)

2. Ela também falou sobre a necessidade de se examinar o contexto de certas declarações:

a. “Quanto aos testemunhos, coisa alguma é ignorada; coisa alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados.” (1ME, p. 57)

b. “Aquilo que pode ser dito dos homens sob certas circunstâncias, não pode ser dito a seu respeito sob outras circunstâncias.” (3T, p. 470, 1875; republicado em 5T, p. 670)

c. “Muitos homens tomam os testemunhos que o Senhor tem dado, e aplicam-nos como lhes parece que deviam ser aplicados pegando uma sentença aqui e ali, tirando-a de sua devida ligação, e aplicando-a segundo sua idéia. Assim ficam pobres almas perplexas quando, pudessem elas ler em ordem tudo quanto foi dado, veriam a verdadeira aplicação, e não ficariam confundidas. Muita coisa que pretende ser mensagem de Ellen White, serve ao desígnio de representar mal a profetisa, fazendo-a testificar em favor de coisas que não estão em harmonia com seu espírito ou juízo.” (1ME, p. 44)

d. “Aqueles que não estão andando à luz da mensagem, poderão reunir declarações de meus escritos que talvez lhes agradem, e que se coadunam com o seu humano juízo e, separando estas declarações de seu respectivo contexto e colocando-os ao lado de raciocínios humanos, farão parecer que meus escritos sustentam aquilo que em verdade condenam. Eu vos incito a não praticardes tal coisa. Usar desta maneira os meus escritos… é enganoso e inconsistente.” (CARTA 208, 1906, p. 3; citado por Arthur L. White, Messenger to the Remnant, p. 86)

e. O que segue constitui um extrato do MS 5 de 1881, conforme publicado na Review and Herald, 25/06/1959. Todo o manuscrito será incluído no material sobre a Mensagem de Saúde, em ocasião posterior do presente trimestre.

“Perguntas têm provindo de irmãos e irmãs, no tocante à reforma de saúde. Afirmações têm sido feitas de que alguns estão tomando a luz dos testemunhos no tocante à reforma de saúde e transformando-a em teste. Eles selecionam declarações feitas em relação a alguns itens de dieta que foram apresentados como objetáveis – declarações escritas como advertência e instrução para certos indivíduos que estavam entrando ou já se encontravam em caminho perigoso. Estas pessoas labutam em torno destas coisas e as tornam tão pesadas quanto possível, fazendo corresponder seus próprios traços objetáveis de caráter aos referidos escritos, e apregoando-os com grande força, transformando-os assim num teste e aplicando-os em situações nas quais tão-somente causarão dano…

“Podemos ver aqueles que selecionarão as mais fortes expressões dos testemunhos e, sem considerar ou levar em conta as circunstâncias sob as quais os avisos e advertências foram dados, torná-los-ão regra para todos os casos. Assim procedendo, produzirão impressões desfavoráveis nas mentes das pessoas. Estes são sempre aqueles que estão prontos a apegar-se a qualquer coisa que lhes permita submeter às pessoas a um estreito e severo teste, e que incluirão elementos de seu próprio caráter nas reformas. Isto, com muita certeza, fará surgir a combatividade das próprias pessoas que eles poderiam ajudar se com elas tratassem cuidadosamente, se manifestassem uma influência saudável que se estenderia sobre as pessoas. Eles prosseguirão no trabalho, atacando ferozmente as pessoas. Selecionando alguns trechos dos testemunhos, lançá-los-ão sobre todas as pessoas, e antes desagradam as almas em vez de salvá-las. Causam divisões onde poderiam estabelecer a paz…

“Estes males, tão prevalentes, levam-me a fazer as declarações que tenho feito. As reprovações especiais são apresentadas em advertência a outros; assim, eles são postos diante de outras famílias que não aqueles indivíduos corrigidos e reprovados. Deixemos, porém, que os testemunhos falem por si próprios. Que alguns indivíduos não reúnam as expressões mais fortes, dirigidas a famílias e indivíduos, e as

Apliquem como regra, uma vez que desejam usar o chicote para açoitar os outros. Que estes temperamentos ativos e determinados tomem a Palavra de Deus e os testemunhos, que apresentam a necessidade de paciência e amor e perfeita unidade, e labutem zelosa e perseverantemente. Tendo os seus próprios corações enternecidos e subjugados pela graça de Cristo, e tendo os seus próprios espíritos humilhados e cheios de humana bondade, eles não despertarão preconceito, tampouco causarão dissensões ou enfraquecimento às igrejas.”

3. Considerações quanto ao contexto:

a. Contexto interno: trata dos aspectos imediatos da passagem, observando aquilo que foi dito imediatamente antes ou imediatamente depois da citação em evidência.

b. Contexto externo: trata das questões relacionadas com aqueles aos quais a mensagem foi dirigida. Por quê? Quando? Quais foram as circunstâncias que levaram à emissão da mensagem?

4. Por que é isto importante:

a. Tiago White, “The Spirit of Prophecy and the Cause of Reform” [O Espírito de Profecia e a Causa da Reforma]. Review and Herald de  17 de Março de 1868 (artigo anexo)

5. Exemplos de tópicos nos quais a aplicação desta hermenêutica é crítica:

a. “Cristo muitas vezes chorou, mas não se sabe que tenha sorrido… Imitai o divino e infalível modelo” (MS 11, 1868, p. 2)

b. “Ovos não deveriam ser colocados sobre a vossa mesa” (2T, p. 400)

c. O conselho quanto ao anel (aliança) de casamento (TM, pp. 180 e 181)

d. O cristão jamais deveria dizer: “Estou salvo” (PJ, p. 155)

e. A declaração de Ellen White no tocante a uma vindoura “guerra racial” (cf. Delbert W. Baker, “Ellen White’s Use of the Term” ‘Race War’ and Related Insights”, agosto de 1984)

f. O conselho de Ellen White contrariando casamentos inter-raciais entre brancos e negros (2ME, pp. 343 e 344) (Cf. Roger W. Coon, “Ellen White and Inter-Racial Marriages”, manuscrito não publicado, em processo aos 14/08/86)

g. O conselho de Ellen White de não se misturar frutas e verduras na mesma refeição (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 395)

C. Hermenêutica – 3: Determine se o conselho do profeta é uma declaração de princípio, ou a aplicação de uma regra prática

1. Definições:

a. Princípio: Regra invariável e não-alterável de conduta humana que se aplica a todas as pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares – 100%.

b. Regra prática: a aplicação de algum princípio a uma situação contextual específica. Estas regras muitas vezes mudam, à medida que se alteram as circunstâncias que as trazem à luz.

2. Se você concluir que determinada declaração de conselho, partindo de um profeta, é uma regra prática e não um princípio:

a. Você ainda não terá concluído sua “tarefa de casa” enquanto não houver “cavado” sob a superfície desta regra a fim de descobrir qual é o princípio sobre o qual ela se assenta.

b. Certifique-se de que este princípio tem uma aplicação contemporânea (embora ela possa ser bastante diferente da regra particular que se encontra sob exame imediato)

3. Exemplos de tópicos em que a aplicação desta hermenêutica é crítica:

a. Conselho de Paulo quanto à necessidade de as mulheres permanecerem em silêncio nas igrejas

b. Conselho de Ellen White com respeito a bicicletas (1894)

c. Conselho de Ellen White quanto à necessidade de as moças aprenderem a arrear e montar cavalos (1903)

d. Conselho de Ellen White de que em nossa escola não deveria haver “nenhum traço de namoro” (Colégio de Avondale, 1896)

(1) Naquelas circunstâncias, na verdade tratava-se de uma escola de primeiro grau, sendo que 60% dos alunos tinham menos de 16 anos de idade

(2) Em Conselhos aos Pais…, p. 101, encontra-se uma declaração que equilibra a anterior: os administradores dos colégios não devem tratar igualmente a todos os estudantes; aos mais amadurecidos devem ser feitas concessões que não podem ser concedidas aos mais imaturos.

e. Conselho de Ellen White de que as crianças deveriam permanecer na “escola do lar” até a idade de oito a dez anos (de acordo com [Minutes of St. Helena Church Sanitarium Church School Board, 14 de janeiro de 1904, DF 102; Manuscript Release, p. 405)

f. Conselhos na Bíblia e no Espírito de Profecia contrariando o uso de jóias.


PDF: Hermenêutica e os escritos de Ellen G. White