Filhos no tempo do fim – parte I

Ellen White aconselha a evitar a paternidade?

Daniel Oscar Plenc
Diretor do Centro White da Argentina
Tradução – Cristiane Perassol Sartorti

            Ellen White apoiou amplamente o plano original de Deus em relação ao matrimônio e a paternidade com bênçãos divinas para o homem. Ela comprovou com seu próprio exemplo ao casar-se e ter quatro filhos.

Com respeito a oportunidade de ter ou não ter filhos neste tempo, é evidente que não vamos encontrar uma citação direta. A Sra. White não escreveu muito acerca de ter filhos no tempo do fim, apesar de mencionar a atuação dos filhos e jovens ao serem usados por Deus na pregação final do evangelho.

“Nas cenas finais da história deste mundo, muitas destas crianças e jovens encherão de admiração o povo pelo seu testemunho em favor da verdade, o qual será dado de modo simples, no entanto com espírito e poder. Foi-lhes ensinado o temor do Senhor, e o coração se lhes abrandou por um estudo da Bíblia cuidadoso e acompanhado de oração. No próximo futuro, muitas crianças serão revestidas do Espírito Santo, e farão na proclamação da verdade ao mundo uma obra que, naquela ocasião, não pode bem ser feita pelos membros mais idosos das igrejas” (Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, p. 166).

            Ellen G. White também menciona que Deus permitirá que alguns filhos descansem antes dos tempos difíceis e finais. “Frequentemente o Senhor me tem revelado que muitos pequeninos hão de ser levados ao descanso antes do tempo de angústia. Veremos nossos filhos outra vez. Encontrar-nos-emos com eles e os reconheceremos nas cortes celestes. Ponde no Senhor a vossa confiança, e não temais (Carta 196, 1899, Orientação da Criança, p. 566).

Ao verificarmos o que Ellen White escreveu sobre matrimônio e família (Lar Adventista), e sobre filhos e paternidade (Orientação da Criança) não vemos nada que possamos supor que o plano do Senhor para os matrimônios é que evitem ter filhos.

Presumi-se que esses temas delicados são deixados para consideração da consciência de cada um, a busca por uma resposta concreta em oração e reflexão. Também é fato que Ellen White notava de maneira muito conveniente que alguns matrimônios que ela conhecia optaram por ter filhos. As seguintes declarações ilustram essa questão:

“Foi-me mostrado que o irmão e a irmã E estão em perigo de centralizarem demais seus pensamentos em si mesmos; a irmã E está particularmente em falta nessa questão. Ela possui quase um amor supremo por si mesma…”

“O egoísmo, que se manifesta de variadas formas, segundo as circunstâncias e a constituição peculiar dos indivíduos, deve morrer. Se tivessem filhos, e seu pensamento fosse compelido a desviar-se de si mesmo para o cuidado deles, para instruí-los e ser-lhes um exemplo, ter-lhes-ia sido isso uma vantagem. Você tem exigido em seu lar atenção e paciência que deveriam ser exercidas no trato com as crianças. Tem exigido e conseguido tal atenção. Contudo, não pensou em qualquer parte de seus deveres de cuidar dos outros nem procurar ser-lhes útil”. A irmã é voluntariosa e muito pronta em levar avante os próprios planos. Quando tudo vai bem em sua vida, você manifesta os frutos que esperamos ver num cristão, mas, quando seus passos são impedidos, o resultado é contrário. Como uma criança mimada que merece castigo, você tem períodos de perversa obstinação. Quando duas pessoas formam uma família, como no seu caso, e não há filhos para exercitar a paciência, a tolerância e o verdadeiro amor, há necessidade de constante vigilância a fim de que o egoísmo não domine, para que você não se torne o centro, e exija cuidado e interesse que não se sente na obrigação de conceder a outros. “O cuidado de crianças em uma família exige bastante tempo no lar, com as atenções comuns da vida doméstica, dando oportunidade para o cultivo da mente e do coração” (Testemunhos para a Igreja, Vol. 2, p. 230-231).

“Daquilo que me foi mostrado, os adventistas guardadores do sábado têm um fraco sendo do imenso lugar que o mundo e o egoísmo ocupam em seu coração. Se têm desejo de fazer o bem o glorificar a Deus, há muitos modos de fazê-lo. Mas vocês não sentiram que esse é o resultado da verdadeira religião. Esse é o fruto que cada árvore boa produzirá. Não perceberam que lhes é requerido interessar-se pelos outros, considerar os casos deles como se fossem seus, e manifestar interesse altruísta por aqueles que estão em maior necessidade de ajuda. Vocês não têm  se achegado aos mais necessitados. Se tivessem filhos próprios para exercitarem cuidado, afeição e amor, não estariam tão encerrados em si mesmos com seus interesses pessoais. Se os que não têm filhos e a quem Deus fez mordomos de recursos, abrissem o coração para amparar crianças que necessitam de amor, cuidado e afeição e de serem ajudadas com os bens deste mundo, poderiam ser muito mais felizes do que são hoje” (Testemunhos para a Igreja, Vol. 2, p. 328-329).


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