Ellen White, a educação e a matemática

Há alguma orientação acerca do ensino de matemática e outras ciências nos escritos de Ellen G. White?

Daniel Oscar Plenc
Diretor do Centro White da Argentina
Tradução – Cristiane Perassol Sartorti

            Ellen Gould Harmon não teve a oportunidade de estudar, e certamente não era especialista em matemática. Seu pai, Robert F. Harmon, foi agricultor e fabricante de chapéus. Sua mãe, Eunice Gould Harmon, era professora antes de casar-se, mas então se dedicou a cuidar de sua casa e de seus oito filhos. O trauma físico que afetou Ellen, aos nove anos de idade (1836), teve efeitos de longo alcance em sua saúde, lhe impedindo de prosseguir em sua preparação acadêmica no 3º ano do ensino fundamental.

Contudo, a Sra. White se esforçou para aprender sozinha o quanto pudesse, e recebeu do alto orientações úteis na área de educação. Suas sugestões neste campo são muitas e de valor permanente.

Ellen G. White encoraja os jovens a alcançar um elevado desenvolvimento intelectual, começando pelas áreas básicas, simples e práticas. Isso também inclui a aprendizagem da matemática.

“Tanto quanto o grande propósito da educação haja de ser conservado em vista, deve o jovem ser animado a progredir precisamente até onde suas capacidades o permitam. Antes, porém, de empreender os ramos de estudos mais elevados, assenhoreiem-se eles dos mais fáceis. Isso muitas vezes é negligenciado. Mesmo entre os estudantes nas escolas superiores e universidades há grande deficiência nos conhecimentos dos ramos comuns da educação. Muitos estudantes dedicam seu tempo à matemática superior, quando são incapazes de zelar de suas próprias contas. Muitos estudam a elocução com vistas a alcançar as graças da oratória, quando são incapazes de ler de maneira inteligível e com ênfase. Muitos que terminaram o estudo da retórica fracassam na composição e ortografia de uma simples carta” (Educação, p. 234).

Transferir os conteúdos teóricos a vida prática foi seu grande desafio. “No estudo dos números deve o trabalho ser prático. Que se ensine cada jovem e criança não simplesmente a resolver problemas imaginários, mas fazer com precisão as contas de seus próprios ganhos e gastos. Que aprendam o devido uso do dinheiro, usando-o. Quer seja suprido por seus pais, quer seja ganho por eles mesmos, aprendam os rapazes e as moças a escolher e comprar sua própria roupa, seus livros e outras coisas necessárias; e fazendo um registro de suas despesas aprenderão, como não o fariam de qualquer outra maneira, o valor e o uso do dinheiro. Esse ensino auxiliará a distinguir a verdadeira economia da mesquinhez de um lado, e do outro, da prodigalidade. Devidamente orientado, incentivará hábitos de liberalidade. Auxiliará o jovem a aprender a dar, não por um mero impulso do momento, ao serem suscitados os seus sentimentos, mas a dar regular e sistematicamente. Desta maneira todo estudo pode tornar-se um auxílio na solução do máximo dos problemas: a educação de homens e mulheres para melhor desempenho das responsabilidades da vida” (Educação, pp. 238, 239).

A Sra. White não descarta o valor das ciências, mas procura enfatizar o valor dos temas essenciais para a vida e a felicidade sobre todas as disciplinas. “Muitos estudantes têm tanta pressa em terminar sua educação, que não são cabais em nada do que empreendem. Poucos têm suficiente coragem e domínio próprio para agir por princípios. A maioria dos estudantes não compreende o verdadeiro objetivo da educação, e não procedem, portanto, de tal maneira que o consigam. Aplicam-se ao estudo de matemática ou de línguas, ao passo que negligenciam um estudo muito mais necessário para a felicidade e o êxito da vida. Muitos dos que podem explorar as profundezas da Terra com o geólogo, ou atravessar os céus com o astrônomo, não revelam o menor interesse pelo maravilhoso mecanismo de seu corpo. Outros sabem dizer com exatidão quantos ossos há no esqueleto humano e descrever corretamente cada órgão do corpo, sendo não obstante tão ignorantes acerca das leis da saúde e do tratamento das enfermidades, como se a vida fosse regida por um cego destino, em vez de por uma lei definida e invariável” (Mente, Caráter e Personalidade, pp. 362, 363).


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