CRENÇA NO DOM DE PROFECIA DE ELLEN G. WHITE: DEVERIA SER ISSO UMA PROVA DE DISCIPULADO CRISTÃO?

Roger W. Coon

INTRODUÇÃO

  1. Desde os primórdios, as opiniões sobre a crença em Ellen White como uma prova de discipulado têm variado dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia e os membros continuam a divergir em suas visões:
    1. Alguns sentem que isso deveria ser uma prova ou, um requisito prévio para o  discipulado cristão da igreja.
    2. Outros sentem fortemente que não.

(1)   Provavelmente a maioria dos líderes pioneiros da igreja não sentiu que isso deveria ser uma “prova”.

(2)   Atualmente os defensores da ideia de fazer disso uma prova aparentam estar crescendo em número – e talvez, também, em influência:

  1. O fato de existir essa diferença de opinião dentro da ala “conservadora” da igreja surpreende a alguns.
  2. Hoje, os depositários do Patrimônio White e sua equipe são provavelmente  unânimes em sua objeção de fazer disso uma prova de discipulado cristão – embora  todos eles acreditem firmemente que seja um “ensino” da igreja, e o defendem vigorosamente.

(1)   Alguns têm dificuldade em ver a diferença entre um “ensino” da igreja, e uma “prova” para a igreja.

I. AQUELES QUE FORAM CONTRÁRIOS A FAZER DO DOM DE PROFECIA UMA PROVA DE DISCIPULADO CRISTÃO

A. Porta-vozes:

  1. Tiago White: criador dos periódicos Present Truth, Review and Herald, Youth’s Instructor e Special Testimonies; Presidente da Associação Geral por 10 anos.
    1. Review and Herald, 14 de fevereiro de 1856, p. 158 (ver Apêndice A).
    2. Ellen G. White: a própria profetisa.
      1. 1T, pp. 328, 329 (1862).
      2. 1T, pp. 382, 383.
      3. John Nevins Andrews: estudante e teólogo, editor da Review and Herald, primeiro missionário (na Europa, 1874).
        1. RH, 15 de fevereiro de 1870.
        2. Uriah Smith: editor da RH por vários anos, cinco vezes secretário da Associação Geral, professor de religião na faculdade de Battle Creek.
          1. RH Supplement, 14 de agosto de 1883 (ver Apêndice A).
        3. George I. Butler: duas vezes presidente da Associação Geral (1871-74; 1880-88).
          1. RH Supplement, 14 de agosto de 1883 (ver Apêndice A).
        4. George A. Irwin: Presidente da AG (1897-1901), administrador da igreja.
          1. Um qualificado “não” (veja sua correspondência com Emily H. Humphrey, 1897).
        5. Francis M. Wilcox: editor da RH por 33 anos; um dos cinco primeiros depositários do Patrimônio White (nomeado por determinação de Ellen White).
          1. The Testimony of Jesus, cap. 17, “Relation to Church Fellowship”.
        6. Liderança da IASD de 1957:
          1. a.    SDAs Answer Questions on Doctrine, pergunta 9, pp. 89-98.
        7. Os atuais depositários do Patrimônio White e sua equipe.

 

B. Razões para sua oposição:

  1. Historicamente, a Igreja se opôs oficialmente à idéia de fazer do dom de profecia uma “prova”.
    1. Veja a posição dos pioneiros adventistas, incluindo Tiago e Ellen White (fontes mencionadas abaixo).
    2. Posição de John Nevins Andrews: deviam existir duas provas de discipulado cristão:

(1)  Crença na doutrina dos dons espirituais (que incluem o dom de profecia).

(2)  Disposição de conhecer a vida e o ministério de Ellen White.

  1. “Ellen White”, por si mesma, não creu que isso fizesse parte da doutrina da IASD:
    1. Os “dons espirituais” são uma doutrina;
    2. Uma “igreja remanescente” que possui o dom de profecia dentro da moldura de um período histórico é uma doutrina.
    3. O Manual da Igreja jamais apoiou a posição de que a crença em Ellen White seria uma prova de discipulado cristão:
      1. O Manual da Igreja é a única “constituição” da IASD.
      2. Para qualquer unidade/corpo da igreja, quer seja uma congregação local, associação local, etc., ir além do Manual em estabelecer suas próprias provas para batismo, membresia, nomeação de oficiais, etc.,  é para efetivamente colocar tal igreja em oposição à autoridade final da igreja mundial, constituída devidamente, que fala somente na Assembléia da AG (quando só então o Manual da Igreja pôde sofrer alterações).

(1)                         A edição do Manual da Igreja de 1991 declara claramente à página 161:
Nem Ministros nem igrejas Devem Estabelecer Provas de Discipulado.  – Um ministro, uma igreja local, ou uma Associação ou Missão não tem autoridade para formular ou estabelecer provas de discipulado para a denominação. Essa autoridade compete ao corpo inteiro da igreja, e é exercitada por meio da organização regularmente constituída da igreja na Associação Geral. Qualquer pessoa que busque aplicar provas além das que são aqui formuladas, não representa, portanto, devidamente a igreja.

(2)                         “Deus está guiando Seu povo, não uns poucos e separados indivíduos aqui e acolá, um crendo de uma forma e outro diversamente. Os anjos de Deus estão fazendo a obra que lhes foi designada. O terceiro anjo está conduzindo e purificando um povo, o qual se moverá em união com ele. Alguns vão adiante dos anjos que estão dirigindo o povo, mas acabam tendo de rever cada passo e timidamente não seguir mais rápido do que os anjos dirigem” (1T, p. 207).

II. AQUELES QUE APROVARAM A IDEIA DE FAZER DO DOM DE PROFECIA UMA “PROVA DE DISCIPULADO CRISTÃO”

A. Porta-vozes:

  1. Francis D. Nichol: editor da Review and Herald por longo tempo, proeminente autor/teólogo.
    1. Por que eu acredito em E. G. White (1964), p. 106 (ver Apêndice A).
    2. Um crescente número de líderes, pastores e membros adventistas em todos os níveis da igreja:
      1. Em 1982, um esboço de uma declaração em “A Inspiração e Autoridade dos Escritos de Ellen White” foi publicado de diversas maneiras, inclusive na revista Ministry (agosto, ver Anthology, I:82/59). Dez “afirmações” e dez “negações” foram sugeridas para  livre estudo da igreja.

(1)   A declaração foi inicialmente preparada pelo comitê da Associação Geral nomeado para esta causa.

(2)   Posteriormente, foi pedido ao Instituto de Pesquisa Bíblica (IPB) para examinar revisões e refinamentos adicionais.

(3)   Um esboço revisado foi publicado novamente em Ministry (fevereiro de 1983, Anthology, I:82/60). A maioria das alterações feitas foram pequenas.”

(a)   No entanto, uma alteração maior apareceu na 9ª afirmação. Note nas amostras abaixo, a redação “antes” e “depois”:

 

1982

1983

     Acreditamos que a aceitação do dom profético de Ellen White, enquanto uma não-exigência para a contínua ligação do membro com a igreja é importante para o fortalecimento e unidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Acreditamos que a aceitação do dom profético de Ellen White é importante para o fortalecimento e a unidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 

(4)   O editor da Ministry admitiu que a revisão de 1983 foi “uma declaração não-votada” (pela AG em Assembleia, a única que poderia “oficialmente” fazer disso a posição da igreja mundial).

(a)   Mas o IPB, todavia continuou a dizer: “acreditamos que a participação mundial em seu desenvolvimento faz disso um reflexo das opiniões da igreja sobre o tópico em discussão.”

B. Razões para sua aprovação:

  1. Eles afirmam que a própria posição de Ellen White (em oposição) deve ser levada em conta hoje, dentro dos contextos tempo e lugar no qual isso foi pronunciado pela primeira vez.
    1. Também alegam que essa posição foi apropriada para os dias dela, na infância da igreja, quando ela e seu ministério estavam ainda desconhecidos mesmo dentro da igreja.
    2. Mas crêem que “os tempos mudaram”, e a posição apropriada para os dias dela não é apropriada para os nossos.
    3. Eles chamam a atenção para o fato de que a crença nela agora faz parte das “Crenças Fundamentais” da denominação.
      1. E afirmam também, que tal crença deveria agora, apropriadamente, ser transformada em uma prova para a aceitação do indivíduo como membro da igreja “assim como a devolução do dízimo é uma prova”.
        1. (Deve-se notar, secundariamente, que a devolução do dízimo –ainda – não é uma prova, embora a crença na doutrina bíblica do dízimo seja uma prova.)

III. SIGNIFICADO E NATUREZA DE UMA PROVA DE DISCIPULADO CRISTÃO

  1. Uma “prova de discipulado cristão” não é a “máxima”; mas sim, a “mínima” condição a ser cumprida por alguém que está desejoso de entrar para a igreja.
    1. De certo modo, isto pode ser visto como uma “licença para crescer dentro de uma comunidade religiosa claramente definida” – crescimento em ambas as áreas: espiritual e intelectual.
    2. Há um sério erro cometido por parte daqueles que comparam uma “prova de discipulado cristão” a uma “prova para a vida eterna” – ponto destacado por Tiago White em declaração feita à Review and Herald em 1856.
      1. Ser membro da igreja não é – e nunca foi – “passaporte” imediato para o céu!
      2. Na edição de outubro de 1951 da revista The Ministry (p. 12, 13) o presidente da décima Conferência Geral, William Henry Branson, escreveu o artigo “What Are Our Tests of Fellowship?”  (Quais são as nossas provas de discipulado cristão?), no qual ele chama a atenção para o fato de que há muitos “ensinamentos” da igreja que, todavia, não são “provas” da igreja.
        1. Estes ensinamentos são geralmente a respeito das normas da igreja.
        2. Eles deveriam, sem dúvida,  ser ensinados vigorosamente pela igreja.
        3. Todavia, deveriam ser uma imposição aos membros.

(1)  Esta posição, embora bem articulada, está em desarmonia com várias igrejas ao redor do mundo, particularmente dentro da Europa Oriental e do molde da União Soviética.

  1. (Ver Apêndice B para ler o texto.)
  2. Calvin Rock, em escritos da Adventist Review de 28 de novembro de 1991, (“Doutrinas, Ensinamentos, e Políticas”, p. 20), faz muito da mesma diferenciação que fez Branson.

(1)  (Ver Apêndice C para ler o texto.)

  1. O Manual da Igreja (pp. 160, 161) especifica 11 razões básicas que podem prover fundamentos apropriados para o desligamento de um membro.

Razões para a disciplina dos membros

Entre os pecados graves pelos quais os membros estariam sujeitos à disciplina da igreja, acham-se os seguintes:

  1. Negação da fé nos fundamentos do evangelho e nas doutrinas básicas da igreja, ou o ensino de doutrinas a ela contrárias.
  2. Violação da lei de Deus, tal como a adoração de ídolos, homicídio, roubo, profanação, jogos de azar, transgressão do sábado, e falsidade voluntária e habitual.
  3. Transgressão do sétimo mandamento da lei de Deus, como está relacionada com a instituição matrimonial, o lar cristão e as normas bíblicas de conduta moral.
  4. Transgressões tais como fornicação, promiscuidade, incesto, prática homossexual e outras graves perversões sexuais, e novo casamento de pessoa divorciada, exceto a parte inocente de um divórcio causado por adultério ou graves perversões sexuais.
  5. Fraude ou deliberada falsidade no comércio.
  6. Procedimento desordenado que traga opróbrio sobre a causa.
  7. Adesão ou participação num movimento ou organização separatista ou desleal (ver páginas 155, “Organização não Reconhecida”).
  8. Persistente negativa quanto a reconhecer as autoridades da igreja devidamente constituídas, ou por não querer submeter-se à ordem e à disciplina da igreja.
  9. O uso, a fabricação ou a venda de bebidas alcoólicas.
  10. O uso de fumo.
  11. O uso indevido ou o tráfico de narcóticos ou outras drogas.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece a necessidade de exercer grande cuidado para proteger os mais altos interesses espirituais de seus membros, assegurar um tratamento imparcial e salvaguardar o bom nome da igreja.

Em alguns casos de transgressão dos mandamentos de Deus, em que o pecador manifesta arrependimento profundo e faz confissão espontânea e completa, dando mostras de que se operou conversão genuína, pode a igreja administrar disciplina, pondo o transgressor sob censura por determinado período de tempo.

Em caso de flagrante violação da lei de Deus, que haja trazido opróbrio público sobre a causa, pode a igreja considerar necessário que, mesmo quando houver feito confissão sincera, seja o membro da igreja excluído para proteger-lhe o bom nome e suas normas cristãs. Mais tarde, se sua vida for coerente, pode o ofensor ser recebido de volta ao redil depois do rebatismo. Não pode a igreja resignar-se a tratar levianamente com pecados tais, nem permitir que considerações pessoais lhe afetem as resoluções. Deve fazer constar sua definida e veemente desaprovação aos pecados de fornicação, adultério, todos os atos de indiscrição moral, e outros pecados graves; ao mesmo tempo deve fazer tudo quanto possa para restaurar e resgatar os pecadores. Ao ficar o mundo continuamente mais frouxo nos assuntos morais, não deve igreja rebaixar suas normas estabelecidas por Deus, mas deve agir com prontidão e decisão onde tenham ocorrido deslizes morais.

IV. ELLEN WHITE APROVA DETERMINADAS PROVAS DE DISCIPULADO CRISTÃO

  1. Em conexão com “negação da fé nos fundamentos do evangelho e nas doutrinas fundamentais da igreja” (ênfase fornecida), ela escreveu:
    1. “A Palavra de Deus deu provas para Seu povo. A observância da santa lei de Deus, o sábado, é uma prova, um sinal entre Deus e Seu povo através de todas as suas gerações para sempre.” (3ME, p. 287, 1881).
    2. Por favor, observem ainda que, uma disciplina menos drástica é designada quando membros violam doutrinas “não-fundamentais”.
    3. Com relação ao que Ellen White chamou “pecado aberto” da parte dos membros da igreja:
      1. “O exemplo de Cristo proíbe exclusão na ceia do Senhor. Verdade é que o pecado aberto exclui o culpado. Isso ensina plenamente o Espírito Santo (DTN, p. 656).
      2. “Cristo ensinou claramente que aqueles que perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja; mas não nos confiou à tarefa de ajuizar sobre caracteres e motivos.”(PJ, p. 71).
      3. A respeito daqueles que encorajariam e conduziriam a “guerrilha” contra Ellen White dentro da igreja, ela teve isto a dizer:
        1. “Se, porém, começarem a combater as visões… a igreja pode saber que eles não estão certos… E quando professos crentes na verdade se opõem aos dons e lutam contra as visões, pessoas ficam em perigo e é então tempo de trabalhar em favor delas, para que os fracos não sejam desviados por sua influência (1T, pp. 328, 329, ênfase fornecida).
        2. “Alguns de nossos irmãos têm tido larga experiência na verdade e por anos têm estado familiarizados comigo e o fruto das visões. Eles comprovaram a veracidade dos testemunhos e declararam sua crença neles. Sentiram a poderosa influência do Espírito de Deus sobre si ao testemunhar a legitimidade das visões. Se esses tais, quando reprovados, se insurgirem contra elas e trabalharem secretamente para prejudicar sua influência, devem ser tratados exemplarmente, pois sua atitude pode pôr em perigo os inexperientes.”(1T, p. 382, 383).
        3. É importante notar que se membros da igreja deveriam ser desligados (ou disciplinados pela igreja local da qual são membros) por tal “guerrilha” contra a vida, obra e ensinos de Ellen White, a disciplina não seria baseada no que creram,  mas sim nas atividades subversivas nas quais estão envolvidos – “emocionantes lutas contra os irmãos.”
          1. “Ninguém jamais foi legalmente disciplinado pelo que creu ou deixou de crer.”
          2. A disciplina ocorre por causa do que uma pessoa faz.

V. ENSINAMENTOS DA IGREJA QUE NÃO SÃO “PROVAS”

  1. A igreja ensina a doutrina da devolução do dízimo, e age como se essa doutrina fosse também uma prova de discipulado cristão.
    1. Todavia, a devolução do dízimo não é uma prova.
    2. Se assim fosse, somente pessoas que possuem um emprego seriam membros da IASD!
    3. A igreja ensina que membros adventistas não deveriam tornar-se membros de uma organização sindical trabalhista.
      1. Entretanto, aqueles que assim procedem não são desligados da igreja.
      2. 3.          A igreja ensina que seus membros não deveriam se unir a sociedades secretas (como a Maçonaria, etc.).
        1. Porém, aqueles que vão contra esse ensino da igreja, não são disciplinados.
        2. 4.          A igreja ensina que seus membros não deveriam casar-se com não-adventistas; realmente a natureza de uma aliança como essa é inerentemente “jugo” desigual (2Cor. 6:14).
          1. Contudo, se um membro casa-se com alguém que não professa a mesma fé, sua ligação com a igreja não é posta em perigo de forma alguma.

(1)  A igreja determina que tais cerimônias não devem ser realizadas em prédios da IASD, e que um pastor adventista não pode ser o oficiante. 

(2)  Mas, ainda que esses ensinos não sejam sempre seguidos – o pastor transgressor e os membros envolvidos são raramente disciplinados.

  1. 5.          A igreja ensina que os adventistas deveriam enviar seus filhos para as escolas adventistas; mas, nem os pais, nem os filhos são disciplinados se isso não é feito.  
  2. A igreja – na América do Norte – ainda desencoraja oficialmente seus membros, de usar aliança de casamento, mas o Manual da Igreja não determina nenhuma disciplina para quem o usa (e qualquer congregação ou Associação local que assim procede está em “desarmonia” com o *corpo inteiro da igreja).
    1. Na verdade, todas as questões relacionadas à vestimenta estão excluídas de serem provas de discipulado cristão.
    2. O vegetarianismo foi, durante muito tempo, um ensino da igreja, mas aqueles que – por qualquer que seja a razão – fracassam em viver de acordo com esse princípio, não é disciplinado.
      1. O ato de comer carne suína não é uma prova de discipulado cristão:

(1)  “… deveis compreender das Escrituras que a carne suína foi proibida por Jesus Cristo (por ocasião da saída do Egito) … Sendo assim, isto não é uma questão de prova.” (Ms, p. 15, 1889, ver Apêndice D).

(2)  Para o casal Haskell, que estava fazendo do ato de comer carne de porco uma prova de discipulado cristão na cidade de Nova York, em 1858, Ellen White escreveu: “Vi que suas idéias sobre a carne de porco não seriam prejudiciais se vocês as retivessem para si mesmos, mas, em seu julgamento e opinião, os irmãos têm feito desta questão (erroneamente) uma prova” (1T, p. 206, 207).

  1. Note, por favor, que a questão aqui não se trata de ser ou não correto comer carne de porco, mas o ato de tornar isso uma prova de discipulado cristão.
  2. O uso de qualquer alimentação cárnea:

(1)  “Não nos compete fazer do uso da alimentação cárnea uma prova de discipulado cristão” (9T, p. 159).

  1. O uso de derivados do leite:

(1)  “A questão acerca de se devemos comer manteiga, carne ou queijo, não deve ser apresentada como prova a quem quer que seja, mas devemos educar as pessoas, mostrando os males das coisas que são censuráveis. Os que apanham essas coisas e as impõem aos outros não sabem qual a obra que estão realizando.” (Ms., p. 5, 1881, em 3ME, p. 287).

  1. O uso de bebidas como chá, café, colas (cafeína-adicionada).
  2. A igreja ensina que os membros não devem fazer uso do tabaco e de bebidas alcoólicas (e estes ensinos sim são provas!); mas agricultores adventistas que cultivam “lúpulos” (ingrediente utilizado na fabricação da cerveja com álcool), tabaco, ou criam suínos não podem ser disciplinados ou desligados da igreja por cultivar esses produtos agrícolas ou criar esses animais.
    1. Enquanto recomenda-se fortemente que os adventistas não cultivem esses produtos, Ellen White no entanto, defendeu que “não insistiríamos nessa opinião com quem quer que seja”. E aos críticos daqueles que cultivam ou criam tais produtos, ela declarou que “eles não têm o direito de fazer destas coisas, em qualquer sentido, uma prova de discipulado cristão” (2ME, p. 338).
    2. Enquanto defendia fortemente a autenticidade de seu dom profético, a própria Ellen White declarou que isto não era uma prova de discipulado cristão:
      1. Àqueles que ainda não estão convencidos da origem divina de seu dom especial:

i.     “Essas pessoas não devem ser separadas dos benefícios e privilégios de membros da igreja, se no demais a sua vida cristã se prova correta, e tenham um bom caráter cristão.” (1T, p. 328).

  1. “Se as pessoas não estiverem bem estabelecidas com relação às visões, não devem ser pressionadas.” (1T, p. 382).
  2. Com respeito a assuntos secundários, triviais e irrelevantes:
    1. Ellen White falou, de forma crítica, dos “homens unilaterais” em seus dias que “haviam estado trazendo falsas provas, e transformado em critério único suas próprias idéias e noções, exagerando assuntos de pouca importância até torná-los em provas de discipulado cristão, e impondo cargas pesadas aos demais.” (Evangelismo, p. 215)

(1)  “Uns poucos condenavam as figuras, insistindo em que são proibidas pelo segundo mandamento” (Ev, p. 216).

(2)  Nota: “Se houvessem agido de maneira conscienciosa, deveriam estar satisfeitos com deixar que as coisas ficassem como estavam. [Alguns tinham nesciamente queimado todas as suas fotografias de familiares e amigos; quando admitiram seu erro Ellen White lhes disse que não deveriam agora incorrer no gasto de repor todas as fotografias queimadas!] Não deviam, porém, exigir que outros procedessem como eles próprios haviam procedido. Não deviam procurar agir como consciência de seus irmãos e irmãs.” (Ev, p. 216).

  1. Outro assunto levantado por alguns, com respeito a provas de discipulado cristão, foi a noção ridícula de que Deus ordenou “que coisa alguma em que haja vida, deve ser morta, nem mesmo os insetos, por mais mortificantes e aflitivos que sejam.” (1ME, p. 170)

(1)  Tais questões foram caracterizadas por Ellen White como “coisas de menos importância”, “contos ociosos… estabelecidos como pontos de prova”, “insignificantes detalhes”, “teorias baratas, sem importância”, “teorias errôneas”, “são como nada” (1ME, pp. 170, 171).


APÊNDICE A

A POSIÇÃO DOS LÍDERES PIONEIROS ADVENTISTAS

  1. Tiago White: Respostas a dúvidas para a Review and Herald, em 14 de fevereiro de 1856.

COMUNICAÇÕES

Pelo irmão Hiram Bingham

Querido irmão White – A mim foi solicitado que lhe escrevesse a respeito do estado de comoção geral que se instalou em nossas igrejas devido a algumas declarações suas, feitas muitas vezes na Review, relacionadas às visões dadas para o auxílio à Igreja. Eles sentem, através da forma como se expressa, que o Senhor possui menos consideração por eles que as igrejas daqui, e isso lhes trouxe falta de confiança e aflições. Eles queriam que o Senhor levasse em consideração esse assunto, e se o dever lhe pedir, que se justificasse através da Review and Herald, o que para eles será um alívio. Muitos esperam ansiosamente, já há algum tempo, por um artigo seu sobre esse assunto. Por assim proceder, isso aliviará a mente de muitos que se encontram sobrecarregados pelo sentimento de que as manifestações de favor vindas de Deus são uma prova para seus filhos. De seu irmão ainda na luta pela vida no Reino vindouro.

Nota: Aproveito alegremente esta oportunidade para expressar minha opinião a respeito desse assunto, com a esperança de que isso aliviará a mente dos irmãos em Vermont e em outros lugares. Eu deveria ter me pronunciado a respeito desse assunto anteriormente; mas pensei que sendo um fato conhecido que eu estava unido ao “Endereço da Conferência”, publicado no nº 10, e também a minha relação com o instrumento da escolha de Deus, fossem uma desculpa suficiente para o meu silêncio.

Minha posição tem sido uma prova. A relação que tenho mantido com a obra no surgimento e no progresso da causa da verdade presente, tem me exposto a milhares de ataques por parte daqueles que se opuseram à obra. Tenho sido lento para falar em público a respeito das visões de Ellen White; mas em conseqüência do quase absoluto silêncio daqueles que deveriam ter falado palavras adequadas na época, tenho me sentido compelido a falar. E se eu tivesse falado dando a idéia de apreciar superficialmente tais visões, “isso não teria resultado de uma disposição para suportar a cruz de Cristo.” Tenho falado e agido em referência ao bem-estar da causa, apesar de todos os meus erros.

Com respeito às visões serem uma prova, confesso que tenho falado sem exprimir-me totalmente; e embora o irmão Bingham tenha apontado minhas expressões de forma superficial, devo agora dar uma resposta mais definitiva.

É de conhecimento de muitos que tenho sido acusado de testar a todos os homens com base nas visões, e de fazer delas a regra de nossa fé. Essa é uma ousada inverdade, e aqueles que a proferiram não eram ignorantes. Neguei essa afirmação e a nego até então.

Porém, não é necessário termos os olhos tão vendados de modo a viver tropeçando nesse assunto. Dizer sem aprovação que as visões são uma prova, e cumprir esse princípio ao lado daqueles que nada sabem de seus ensinos, espírito e frutos, quando o mundo está cheio de manifestações tão parecidas com as que Satanás pode operar, seria o mais feroz fanatismo. Por outro lado, para aqueles que professam crer nas visões, dizer que serão de forma alguma testados por elas, é o mais irracional. Ainda digo que a Bíblia é a minha regra de fé e prática, e dizendo isso, não rejeito o Espírito Santo em sua diversidade de operações. Embora alguns se refiram a minhas palavras em um trecho publicado ou em uma carta a um irmão do oeste, eu diria que isso acontece com aqueles que conhecem muito pouco das visões, exceto por relatórios falsos. Creio que as visões são uma característica da Igreja e uma prova para aqueles que crêem que elas são vindas do Céu.

Deixem aqueles que consideram ser seu dever, falar alto quanto ao seu caráter, espírito e influência; enquanto o silêncio me será melhor com respeito a eles. E quanto à perpetuidade dos dons, falarei enquanto Deus me der poder para falar.

Tiago White.

 

  1. George I. Butler (Presidente da AG): “As Visões: Como são Defendidas pelos Adventistas do Sétimo Dia”, Review and Herald Supplement, 14 de agosto de 1883 (este trecho está no penúltimo parágrafo do artigo).

Nossos inimigos trabalham arduamente para aparentar que fazemos das visões uma prova de discipulado cristão. Eles próprios devem saber que essa acusação é falsa. Nossos líderes jamais fizeram isso. E as próprias visões ensinam que isso não deveria ser feito. Seria o maior absurdo e impossível de acontecer, mesmo que assim desejássemos. Com pessoas em todas as partes do mundo que adotam nossa crença, que nunca viram ou ouviram a irmã White, como poderíamos tornar suas visões uma prova? Entretanto, por suas próprias constatações nossos oponentes têm demonstrado que agimos dessa forma. Eles afirmam que há muitos entre nós que não crêem nas visões. É verdade, essas pessoas ainda fazem parte de nossas igrejas e não foram desligadas do corpo. Também declararam em sua “Extra” que os pastores Smith, Canright, and Gage não creram nas visões; e todos eles ainda são membros de nossas igrejas. Dois deles mantém as credenciais  de ministro, e outro ainda possui cargos de grande influência na igreja. Por que os homens falam de forma tão imprudente e irracional, enquanto demonstram não serem consistentes em suas declarações? O ódio cega a mente e destrói seu bom senso; não; nós não fazemos das visões uma prova de discipulado cristão, e nunca as faremos. Mas reivindicamos o direito de crer nelas, de falar livremente sobre elas, e lê-las tanto em particular como em público, não deixando dúvidas de que continuaremos exercendo esse direito, apesar da malevolência daqueles que nos odeiam.

 

  1. Uriah Smith (Editor da Review and Herald): RH Supplement, 14 de agosto de 1883.

Uma Explicação

Uriah Smith

Como meu nome tem sido livremente usado pela “Extra” (para a qual esse Suplemento faz referência), uma declaração pode ser esperada de mim com relação a este assunto. Não estou, de forma alguma, preocupado em dizer que dei qualquer oportunidade para o uso que é feito de meu nome na página acima. Pois estou bem certo de que não o fiz.

Sempre mantive a doutrina da perpetuidade dos dons espirituais, teoricamente. Cri, e ainda creio, que as visões da irmã White são uma ilustração prática dessa doutrina. Porém, eu não cri, como nos volumes passados que a Review and Herald testificará, que estas, ou qualquer outra manifestação dos dons espirituais, manteve-se no nível das Escrituras ou que elas deveriam ser uma prova de discipulado cristão. Vejo, apesar disso, nenhuma chance de mudar minhas opiniões com respeito a estas coisas.

Quando fizer, eu mesmo posso anunciar; e até então nossos oponentes não precisam especular e nem interpretar acerca de minha posição em meu lugar.

 

  1. Francis D. Nichol, Por que creio em E. G. White (RH, 1964), p. 106:

Ellen G. White e a Membresia da Igreja

Há outra pergunta que é às vezes feita: deveria uma pessoa que não aceita a irmã White, como especial mensageira de Deus da igreja remanescente, ser levada para a igreja? Nós cremos que o ministério adventista em geral responderia rapidamente, não. Como poderíamos responder de outra forma? Considerando o fato de que a crença na irmã White é uma de nossas doutrinas de fé, porque essa pessoa desejaria pertencer à nossa igreja se não aceita a Sra. White? Seria justo trazê-la para a igreja a menos que, primeiro, ela compreendesse bem a doutrina dos dons espirituais e, segundo, estivesse pronta para aceitar essa doutrina? Não estaríamos fazendo a ambos – a ela e à igreja – um distinto dano? Não estaríamos correndo o grave risco de uma posterior tensão e discórdia?

Agora, porque deveríamos impedir o batismo de uma pessoa até que ela compreenda e aceite a Sra. White, isso então significa que devemos de imediato desligá-la totalmente da igreja, para que mais tarde ela se torne confusa em sua fé e desista de crer nela? Pensamos que não. Quando levamos alguém para a Igreja, o vemos a partir daquele momento como parte da comunhão de crentes, e então temos uma responsabilidade grandiosa sobre sua alma. Se alguém da família da igreja duvidar de algum ponto da doutrina, devemos procurar ajudá-lo a voltar a uma fé completa, continuar nossos esforços para ajudá-lo enquanto houver esperança. Entretanto, se esse alguém provoca discórdia e rebelião, como às vezes ocorre, surge então uma nova situação, a qual pode finalmente exigir o a paz e a estabilidade da igreja.


APÊNDICE B

PRESIDENTE DA CONFERÊNCIA GERAL DEFINE PROVAS

(Fonte: The Ministry, October, 1951, pp. 12, 13)

Quais São Nossas Provas de Discipulado Cristão?

 

W. H. BRANSON

Presidente da Conferência Geral

As provas de discipulado cristão para a Igreja Adventista do Sétimo Dia são estabelecidas pelo corpo da igreja mundial e não são deixadas ao cuidado da igreja, pastor ou ancião locais. Este plano contribui para a unidade e o fortalecimento da igreja, evitando muita confusão que, de outro modo, a prejudicaria.

No Manual da Igreja, edição de 1951, pp. 224, 225, estão declaradas as razões pelas quais um membro pode ser desligado, da seguinte maneira:

“1. Negação da fé nos fundamentos do Evangelho e nas doutrinas básicas da igreja, ou o ensino das doutrinas a ela contrárias.

2. Violação aberta da Lei de Deus, tal como a adoração de ídolos, homicídio, adultério, fornicação, roubo, profanidade, violação do sábado, falsidade voluntária e habitual, e o novo casamento de pessoa divorciada, exceto a parte inocente de um divórcio, com direito a novo casamento, é reconhecido.

3. Fraude ou deliberada falsidade no comércio.

4. Procedimento desordenado que traga opróbrio sobre a causa.

5. Persistente negativa quanto a reconhecer as autoridades da igreja devidamente constituídas ou por não querer submeter-se à ordem e à disciplina da igreja.

6. O uso, a fabricação ou a venda de bebidas alcoólicas.

7. O uso do fumo ou o hábito de drogas narcóticas.”

Um ministro, uma igreja local, ou uma Associação não tem autoridade para formular ou estabelecer provas de discipulado para a denominação. Essa autoridade compete ao corpo inteiro da igreja, e é exercida por meio da organização regularmente constituída da Igreja na Associação Geral. Qualquer pessoa que busque aplicar provas além das que são aqui formuladas, não representa, portanto, devidamente a igreja.” – Ibid., pp. 226, 227. 

Desejando salvaguardar a pureza e a unidade da igreja, os líderes estabeleceram doutrinas adicionais direcionadas aos que solicitam o batismo e sua inclusão como membro da igreja. Estas se referem aos princípios do cristianismo vivo e às doutrinas bíblicas, nos quais os membros deveriam crer e obedecer, embora algumas delas não constituam doutrinas para aqueles que, encontrados em violação, seriam desligados.

Muitos anos atrás a Associação Geral adotou uma série de questões modelo para os que buscam ser membros da igreja, para ser utilizado como guia para os nossos ministros e anciãos que presidem em tais ocasiões. Essas questões foram impressas pela Review and Herald Publishing Association, no verso de um certificado de batismo, cópia do qual deveria ser fornecido a cada pessoa recebida pela igreja.

A lista abaixo abrange todos os pontos essenciais da doutrina e é lida como se segue:

“1. Crê em Deus Pai, em Seu Filho Jesus Cristo e no Espírito Santo?

2. Aceita a morte de Jesus Cristo, no Calvário, como sacrifício expiatório pelos pecados dos homens, e crê que pela fé em Seu sangue derramado, os homens serão salvos de seus pecados e culpas?

3. Renunciando o mundo e seus pecaminosos caminhos, aceita a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, e crê que Deus, pelos méritos de Cristo, lhe perdoou os pecados, e lhe deu um novo coração?

4. Aceita pela fé a justiça de Cristo, reconhecendo-O como Seu intercessor no santuário celeste, e reclama Sua promessa de fortalecê-lo pela habitação de Seu Espírito, de maneira a receber poder para fazer Sua vontade?

5. Crê que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, e que constitui a única regra de fé e prática do cristianismo?

6. Aceita os Dez Mandamentos como ainda em vigência para os cristãos, e é seu propósito, pelo poder de Cristo no coração, guardar essa lei, inclusive o quarto mandamento, que requer a observância do sétimo dia da semana como o Sábado do Senhor?

7. Conhecendo e entendendo os princípios fundamentais da Bíblia como ensinados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, é seu propósito, pela graça de Deus, ordenar sua vida em harmonia com esses princípios?

8. É a breve volta de Jesus a “bem-aventurada esperança” em seu coração, e é sua determinação preparar-se para encontrá-lo em paz, tanto quanto auxiliar a outros a estarem preparados para a Sua volta?

9. Crê na organização da igreja, e é seu propósito ajudar a mantê-la por seus esforços pessoais, recursos financeiros e influência, e está disposto a aceitar sua disciplina, quando ela o julgar necessário?

10. Aceita o ensino do Novo Testamento quanto ao batismo por imersão, e deseja ser assim batizado como uma pública manifestação de sua fé no perdão de seus pecados e da aceitação de Cristo?

11. Crê que a Igreja Adventista do Sétimo Dia constitui igreja remanescente, e deseja ser aceito por ela para fazer parte de seus membros?”

Existem, é claro, muitas coisas ensinadas pela igreja que não estão inclusas na lista acima. Tais coisas são importantes, mas não são exigidas daqueles que vêm para a igreja. A observância desses ensinos adicionais deve ser deixada a cargo da  consciência de cada indivíduo, e não se tornar uma exigência.

Por exemplo, a igreja ensina o valor de uma cuidadosa dieta vegetariana, o efeito prejudicial do uso de chá, café, bebidas à base de cola, e assim por diante, mas a fidelidade a esse ensino nunca foi uma prova para a admissão de alguém como membro da igreja.

A fim de manter a unidade da igreja, cada ministro e líder deveria sempre, cuidadosamente, saber distinguir entre os ensinos e as exigências da igreja. Nenhum ministro ou ancião da igreja tem o direito de estabelecer normas por si mesmo, que não tenham sido estabelecidas pelo corpo da igreja mundial. Agir desta forma poderia resultar somente em confusão. E haveria tantos conjuntos de normas quanto há líderes em nossas igrejas.

Conta-se que há um ministro que exige das mulheres (que desejam tornar-se membros da igreja) a completa rejeição ao uso de cosméticos.

Temos ouvido alguns ministros dizerem: “Eu defendo a alta norma”. O que deveria ser verdade para todos nós. Mas, ao exigirmos dos novos conversos o seu comprometimento em aderir às normas estabelecidas pela igreja, deveríamos ser extremamente cuidadosos para não acrescentarmos a estas um monte de regras criadas por nós mesmos, as quais, não temos direito nenhum, como representantes da igreja, de impor a estas pessoas.

Alguns desses assuntos que não são provas para o discipulado cristão deveriam ser ensinados, mas não forçados à aceitação das pessoas. Depois que uma instrução apropriada é dada, a questão de seu cumprimento ou não, deve ser deixada sob responsabilidade do indivíduo.


APÊNDICE C

Doutrinas, Ensinos, e Políticas

Por Calvin B. Rock

(Fonte: Adventist Review, November 28, 1991, p. 20)

Quais são as diferenças entre doutrinas, ensinos, e políticas? Os irmãos parecem usar esses termos como algo mutável, e isso é muito confuso. Às vezes parece propositadamente. Você pode me ajudar a compreender isso?

Doutrinas são princípios autorizados, ou seja, posições teológicas ou crenças fundamentais discutidas e votadas pela igreja mundial em sessão formal, que só pode ser mudada por meio do mesmo processo. Nossas duas melhores doutrinas aparecem em nosso nome – A Guarda do Sábado e a Segunda Vinda de Cristo. As 27 doutrinas fundamentais apresentam a completa estrutura de nossa plataforma doutrinária. As normas fornecem regras que nos guiam nas doutrinas da obediência ou honra.

Ensinos são posições que não têm sido formalmente votadas, mas que possuem um alto valor porque são largamente aceitas e compartilhadas. Nossa postura com relação ao vegetarianismo e à educação cristã são exemplos disso.  Da mesma forma, são as instruções com respeito ao casamento entre pessoas da mesma fé e a não-participação de organizações secretas. Ensinos não são provas de discipulado cristão como são algumas doutrinas.

Declarações não-teológicas

Políticas, diferente das doutrinas e ensinos, não são declarações teológicas. Elas podem ser inspiradas nas Escrituras ou moldadas por elas, mas consistem em regras de organização e operação estrutural.  Nossa igreja tem três grandes políticas:

1. Associação Geral – política que tem aplicação mundial e, como as doutrinas, é votada por representantes da igreja mundial em sessão formal.

2. Divisão – política que consiste em uma repetição e/ou modificação das políticas da AG, ajustadas de acordo com as necessidades da região envolvida.

3. Institucional – política que guia o funcionamento de escolas, hospitais, editoras, etc.

Você não mencionou  a quarta categoria – diretrizes. As normas nos dizem como sobreviver às doutrinas, as diretrizes nos dizem como executar as políticas. Enquanto essas recomendações têm menos força que as políticas, elas são cruciais para uma administração efetiva. Exemplos de liderança aparecem em nossos procedimentos para o  processo de obreiros (missionários) dentro da divisão e para recomendações traçando métodos de colheita. Particularmente, as diretrizes que auxiliam, ao longo do tempo geralmente se tornam elevadas ao nível de política.

A unidade que nossa igreja mantém em uma sociedade mundial altamente diversificada como a nossa, evidencia a qualidade e o valor dessas categorias.

Devemos continuar a desenvolvê-las e a guardá-las cuidadosamente. Por favor, perdoe-nos por engolir as distinções.


APÊNDICE D

ELLEN WHITE E A CARNE DE PORCO COMO UMA QUESTÃO DE TESTE

Manuscrito 15, [Manuscript Release #1029] publicado em Ministry, fevereiro de 1987, p. 2:

Cartas

A carne de porco e Ellen G. White

Quando publicamos o artigo de Roger Coon “Ellen G. White e o Vegetarianismo” (abril, 1986), um leitor pediu-nos para ver o contexto desta declaração de Ellen White que comer carne de porco “não é uma questão de teste” (agosto, 1986). Recentemente o Patrimônio White liberou o manuscrito para publicação. Nós o publicamos abaixo, dessa forma, você pode julgar o contexto por si mesmo. – Os Editores

Manuscript Release, nº 1209: “Conselhos aos Nossos Colportores Considerando o Cuidado com a Dieta” (aprox. 1889).

Se você é um editor da Bíblia, bem como um leitor da mesma, deve compreender por meio das Escrituras, que a carne de porco foi proibida por Jesus Cristo envolto em uma nuvem revolta. Isso não é uma questão de teste. Instruções têm sido dadas às famílias com respeito a tais artigos, que a manteiga e o consumo em larga escala de alimentos cárneos não são bons para a saúde física e mental. Frutas, cereais e vegetais, se cozidos de maneira apropriada e comidos em quantidades moderadas, seriam artigos apropriados em uma dieta.

Deveríamos não comer entre as refeições. Tenho tomado apenas duas refeições por dia, e não tenho comido entre as refeições nos últimos 25 anos. Eu mesma não utilizo manteiga, mas alguns dos obreiros que sentam à mesa comigo comem manteiga. Eles não podem ingerir leite (pois lhes fermenta o estômago), mas podem ingerir pequenas quantidades de manteiga. Não podemos regularizar a questão da dieta criando qualquer regra. Alguns podem comer feijões e ervilhas desidratadas. Entretanto para mim, esta dieta é dolorosa. É como veneno. Alguns têm apetite e gosto por certas coisas, e as assimilam bem. Outros não têm nenhum apetite por tais artigos. Então uma mesma regra não pode valer para todas as pessoas.

Você pergunta com relação aos colportores que viajam e têm que comer pão com recheio de carne de porco. Vejo aqui uma séria dificuldade, mas há um remédio. Aprenda a fazer bons rolos higiênicos e guarde-os com você. Você pode conseguir geralmente leite quente, ou pelo menos um copo de água quente com leite, e isso, com frutas ou sem frutas, irá nutri-lo. Muitos planos podem ser criados com um pouco de tato e trabalho, e assim, muitas dificuldades  relacionadas ao comer comidas prejudiciais podem ser superadas.  Aconselho a todo colportor guardador do Sábado a evitar comer carnes, não porque é considerado pecado comer carne, mas porque não é saudável. A criação animal está gemendo. – Manuscript 15, 1889. Patrimônio Literário Ellen G. White, Washington, D.C., 7 de agosto de 1986 (manuscrito inteiro).


APÊNDICE E

DECLARAÇÃO OFICIAL SOBRE A POLÍTICA DA IGREJA

TESTES DE DICIPULADO CRISTÃO. Ver Manual da Igreja (organização local); Disciplina da Igreja.

DISCIPLINA DA IGREJA. A ação da Igreja em lidar com membros que erram. Após muitos esforços para recuperar um membro que erra terem falhado, e a disciplina se tornar necessária para preservar a reputação da igreja, dois procedimentos são tomados: o voto de censura ou de exclusão (retirada do nome do rol da igreja). O voto de censura é tomado quando a ofensa é considerada suficientemente séria para merecer uma expressão de desaprovação, mas não grave o suficiente para justificar a medida extrema da exclusão do membro faltoso. A censura pretende impressionar o ofensor com a necessidade de corrigir sua vida e reformar seu procedimento; bem como proporcionar-lhe um período de graça e prova durante o qual possa fazê-lo. A censura pode ser votada pela igreja em qualquer reunião devidamente convocada, e o membro em questão pode estar presente. Tal voto pode ser tomado por um período definido de tempo, durante o qual a pessoa não pode ocupar nenhum cargo na igreja. Também não tem o direito de participar nem por voz, nem por voto, nos assuntos da igreja, nem ter participação pública em seus cultos, tais como o ensino de uma classe da Escola Sabatina, etc. Tampouco pode ser transferido como membro para outra igreja durante o período de censura. Se ao fim do período de censura ele der evidências de conduta satisfatórias, deve então ser considerado como membro em plena comunhão, sem outro voto; do contrário, seu caso deve ser reconsiderado.

Entre as causas para a exclusão estão: negação da fé nos fundamentos do Evangelho e nas doutrinas básicas da igreja; fraude ou deliberada falsidade no comércio; procedimento desordenado que traga opróbrio sobre a causa; persistente negativa quanto a reconhecer as autoridades da igreja devidamente constituídas; o uso, a fabricação ou a venda de bebidas alcoólicas; o uso do fumo ou o hábito de drogas narcóticas; violação aberta da Lei de Deus, tal como a adoração de ídolos, homicídio, adultério, fornicação, roubo, profanidade, violação do sábado, falsidade voluntária e habitual, e o novo casamento de pessoa divorciada, exceto a parte inocente de um divórcio.

Nenhum ministro, igreja local, ou uma Associação tem o direito de estabelecer provas de discipulado senão as que já foram estabelecidas de acordo com o *corpo inteiro da igreja.

O voto de exclusão pode ser tomado unicamente em uma reunião da igreja devidamente convocada e somente pelo voto da maioria dos membros presentes. A comissão da igreja pode recomendar à igreja a remoção de um membro, mas em nenhuma circunstância tem o direito de excluí-lo. Todo membro tem o direito de ser ouvido em defesa própria. Não devem ser excluídos membros por falta de assistência aos cultos, nem por incapacidade de prestar auxilio financeiro à igreja.

Os membros são encorajados a manifestar espírito de amizade e amor para com o membro que foi excluído, procurando trazê-lo de volta. A pessoa excluída pode ser recebida novamente como membro ao confessar os erros cometidos e dar provas de verdadeiro arrependimento e modificação de vida, inclusive após o rebatismo. Aquele  que foi excluído tem o direito de solicitar audiência à Comissão Executiva da Associação em que a igreja está localizada. Se a comissão da Associação estiver convencida de que foi cometida uma injustiça, ela pode recomendar a readmissão do membro. Mas se ainda lhe for recusada a admissão como membro dessa igreja, a comissão pode recomendá-lo para membro de alguma outra igreja.

A exclusão de membros parece ter sido praticada desde que as igrejas foram organizadas. Na Review and Herald de 25 de novembro de 1851, Tiago White relatou que os irmãos em Washington, New Hampshire, excluíram o nome de alguém devido a um erro doutrinário (2:52). Em 1853, J. H. Waggoner fez uma declaração oficial à Review and Herald com relação à ação da igreja em Alden, Illinois, excluindo o nome de certo Wm. A. Raymond devido a uma postura não cristã adotada por ele e, por acusar a igreja de ter cometido uma injustiça. Isso foi escrito em termos parcialmente legais  e ordenado pela igreja de Alden, a favor da mesma (4:184, 13 de dezembro de 1853).

A última declaração de W. H. Littlejohn foi de que não há nada como “remover nomes do rol de membros” na IASD. Há somente três métodos pelos quais um nome é removido da lista da igreja: por morte, por carta de transferência, ou por “retirar a mão da comunhão” (Review and Herald, 62:427, 7 de julho de 1885).

SDA Encyclopedia (1976): 298, 299 (vol. 10 of SDA Bible Commentary)

*”corpo inteiro” – a igreja mundial reunida em uma sessão da conferência geral.


PDF: Crença no Dom de Profecia de Ellen G. White.